Vermelho Russo: “Um filme inspirado nas experiências vividas pelas próprias atrizes”

Marta (Martha Nowill) e Malu (Maria Manoella) são duas atrizes que decidem viajar para a Rússia para fazerem um curso de teatro e melhorarem nas interpretações e assim tentar ganhar destaque na vida profissional delas.

Com isso, o filme conta como as amigas encaram as situações ocorridas, até das formas mais difíceis. O conhecimento de uma cidade diferente, visitando alguns pontos turísticos, adaptações na língua e costumes, afastamento de parentes, tentar ser relevante na carreira e assim, tentar buscar um resultado positivo.

O diretor Charly Braun, soube variar bem nos enquadramentos de cada cena. A bastante momento que ele usa o zoom nas atrizes para mostrar bem as expressões faciais. Planos abertos também foram importantes para mostrar bem as paisagens da cidade de Moscou, para ficar nítidos que elas estão na Rússia. Em cada cena, ele costuma deixar a câmera parada, sem movimentar muito, ele fixa em um canto e deixa a cena acontecer.

Graças às boas interpretações da Martha Nowill e da Maria Manoella, souberam mostrar bem a amizade das personagens, percebemos o quanto elas são amigas e ao mesmo tempo, lidar com as situações difíceis, por exemplo: da dificuldade de tentar falar o idioma russo; das encenações de suas personagens no curso de teatro.

O longa mostra também a dificuldade em fazer cinema e teatro no Brasil, por falta de espaço e de incentivo. Uma cena bem bacana que aborda isso e o por quê da viagem delas, é na apresentação de cada uma no curso de teatro, quando uma delas fala: “Vim para a Rússia tentar alguma coisa, por quê cansei de fazer peças de teatro em que o palco tem mais pessoas que na plateia”.

O filme é muito interessante na questão de os próprios espectadores sentirem e vivenciarem uma situação dessas, um brasileiro em um país estrangeiro. Conseguimos sentir os mesmos que os atores passam no longa, tentando entender e falar o idioma deles. Foi uma jogada boa do diretor em fazer isso.

Aspectos negativos: pretendia ser uma comédia, mas, forçou demais nas cenas que tentou ser hilariantes. Cenas em que os personagens não conseguiram transmitir humor, ficou sem graça em certos momentos.
A também uma cena bem forçada e desnecessária de uma briga entre as protagonistas.
E um final de filme irrelevante e ao mesmo tempo, pensamos, “Elas fizeram tudo aquilo para depois acabar nisso”. Poderia ter mostrado um pouco mais sobre o que aconteceu adiante na vida delas. Com isso, deixou os espectadores em dúvida.

Um filme de amizade que soube muito bem retratar a dificuldade de línguas e costumes diferentes, abordar do quanto é difícil ser ator ou atriz no Brasil, por quê isso remete muito a realidade que vivemos. Com duas atrizes boas e muito bem empenhadas, é um bom filme que merece destaque no Brasil. A maioria dos espectadores brasileiros assistem comédias nacionais, dão uma chance para o “Vermelho Russo”, vale a pena.

Nota: 7,0

ELENCO:
Martha Nowill
Maria Manoella
Esteban Feune de Colombi
Michel Melamed
Soraia Chaves
Vladimir Poglazov

FICHA TÉCNICA:
Direção: Charly Braun
Roteiro: Charly Braun e Martha Nowill
Produção: Charly Braun e Eliane Ferreira
Direção de Fotografia: Alexandre Samori
Montagem: Caroline Leone e Charly Braun
Produção Executiva: Eliane Ferreira
Empresas produtoras: Muiraquitã Filmes e Waking Up Films
Empresas coprodutoras: Empyeran Pictures, Vita Aktiva Films (Rússia)
Distribuidora: Vitrine Filmes (Brasil)
Vendas internacionais: FiGA Films.

giancarlo

giancarlo

Redator em Imprensa do Rock
Cursando Rádio e TV, apaixonado por música e cinema.
giancarlo