Solid Rock @ Allianz Parque – São Paulo/SP (10/11/2018)

A primeira edição do Solid Rock, realizada em dezembro do ano passado, tivemos a honra em presenciar três extraordinárias bandas clássicas que marcaram a história do rock: Deep Purple, Cheap Trick e Tesla. Esse festival foi tão bom, tão marcante e histórico, que obteve a sua segunda edição, contando com mais três bandas excepcionais: o hard rock empolgante do Black Star Riders, o poderoso grunge do Alice In Chains e um dos pioneiros do heavy metal Judas Priest. O evento percorreu por quatro cidades brasileiras: Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. No caso, o Alice In Chains, não se apresentou em Belo Horizonte. Estive presente em São Paulo e assim como na primeira edição, foi realizado na excelente arena do Allianz Parque, sempre perfeito para shows e eventos. Um line-up como esse, tocando na mesma noite, tinha de tudo para ser mais uma edição incrível do Solid Rock. E foi.

Black Star Riders

Formada em 2012, a primeira banda a subir no palco e dar início a esse grande festival, foi o Black Star Riders. Integram no conjunto Ricky Warwick (vocal e guitarra), o lendário guitarrista do Thin Lizzy Scott Gorham, Damon Johnson (guitarra), Robert Crane (baixo) e Chad Szeliga (bateria). No momento, possuem três álbuns de estúdio lançados: “All Hell Breaks Loose” (2013), “The Killer Instinct” (2015) e “Heavy Fire” (2017). Pela primeira vez no Brasil, o quinteto teve a honra de abrir a segunda edição do Solid Rock, mostrando suas excelentes técnicas apuradas num ótimo repertório executado.

Fim da tarde e com um público mediano, os integrantes subiram no palco e o show deu início com “Bloodshot” do primeiro álbum de estúdio “All Hell Breaks Loose” e continuando no mesmo álbum, veio a faixa-título dele, bem empolgante e com um ótimo refrão. Foi a vez de executarem o clássico do rock “Jailbreak”, da clássica banda de hard rock Thin Lizzy, a lendária banda do grande guitarrista Scott Gorham, que dispensa comentários com seus maravilhosos riffs e solos de guitarra. Seguindo na ótima empolgação e pegada da banda, “The Killer Instinct” do álbum homônimo de 2015, segundo álbum da banda, foi a próxima e logo, partiram para o mais recente disco “Heavy Fire” e justamente, foi tocada a faixa-título do álbum.

Os ótimos riffs e solos de guitarra, o refrão marcante, os excelentes vocais, estavam totalmente presentes na excelente “Before the War”, assim como na agitada “When the Night Comes In”. Outra magnífica composição do Thin Lizzy foi executada, “The Boys Are Back in Town” do clássico disco “Jailbreak” de 1976, o que deixou muita gente empolgada e contentes. Mais duas composições do “All Hell Breaks Loose” vieram na sequência: a incrível “Kingdom of the Lost”, com o Chad mandando ver na bateria em sua introdução, os guitarristas Scott e Damon realizando perfeitos riffs prazerosos, os vocais carismáticos do Ricky, enfim, foi possivelmente a melhor composição do show. E “Bound for Glory” encerrou a apresentação do Black Star Riders no Solid Rock. Logo, o Ricky, antes de se retirar do palco, ainda disse: “Retornaremos ao Brasil em breve”. Espero que esse retorno aconteça o mais rápido possível.

Setlist:

1. Bloodshot
2. All Hell Breaks Loose
3. Jailbreak (Thin Lizzy cover)
4. The Killer Instinct
5. Heavy Fire
6. Before the War
7. When the Night Comes In
8. The Boys Are Back in Town (Thin Lizzy cover)
9. Kingdom of the Lost
10. Bound for Glory

Line-up:

Ricky Warwick – Vocais e Guitarra
Scott Gorham – Guitarra
Damon Johnson – Guitarra
Robbie Crane – Baixo
Chad Szeliga – Bateria

Alice In Chains

Segunda banda do line-up, foi a hora do Alice In Chains subir em palco e nos surpreenderem com seu ótimo som potente e de pura qualidade. Considerada uma das maiores bandas de grunge de todos os tempos, Alice In Chains vem promovendo seu sexto álbum de estúdio, intitulado “Rainier Fog”, lançado em agosto desse ano. Prestes a iniciar o show, a intro mecânica foi tocada de fundo, no caso, “Musica Ricercata, II”, de György Ligeti, composição que faz parte da trilha sonora do clássico filme De Olhos Bem Fechados, de 1999, dirigido por Stanley Kubrick e logo, Jerry Cantrell, William DuVall, Sean Kinney e Mike Inez, sobem ao palco com inúmeras vibrações dos fãs e executaram “Check My Brain” do “Black Gives Way to Blue” (2009), primeiro álbum do vocalista William DuVall na banda, assumindo o lugar de Layne Stanley, devido ao seu falecimento em 2002. O clássico “Again”, grande composição do álbum “Alice in Chains” de 1995, terceiro álbum de estúdio da banda, foi tocada e depois, o William fez uma breve interação com o público falando em português, dizendo: “Eae galera! Muito bom estar de volta a São Paulo. Esse som se chama Never Fade”. Com muitos aplausos do público presente, veio essa excelente composição do “Rainier Fog”.

Vários gritos de “Alice In Chains, Alice In Chains…” do público e vieram duas excelentes faixas do clássico “Dirt” de 1992: a poderosa e intensa “Them Bones”, com aqueles excelentes riffs e solos do Jerry na guitarra. E por falar em riffs poderosos, veio “Dam That River”, contendo um ótimo refrão marcante. Destaque para o William, que sem dúvidas, estavam nos impressionando com seus poderosos vocais. Prosseguindo com os riffs cativantes do Jerry, veio “Hollow” do “The Devil Put Dinosaurs Here” (2013) e logo em seguida, com uma pegada mais lenta, “Down in a Hole” foi tocada, novamente o William dando um show nos vocais e o Jerry também, mostrando a sua potencialidade em suas cordas vocais. Na sequência, vieram mais dois clássicos indiscutíveis da banda: “No Excuses” do EP “Jar of Flies” de 1994 e a pesada “We Die Young” do “Facelift” de 1990. E falando em música pesada, veio “Stone”, repleto de ótimos riffs de guitarra bem graves e vale destacar uma pequena interação do Jerry na metade da execução, onde a banda parou por um pequeno instante de tocar e sentir o público vibrar aos gritos de “Alice In Chains, Alice In Chains…”, logo o guitarrista disse: “Nós estamos em São Paulo certo ? Façam barulho!”. Muitas vibrações do público e a banda finalizou essa potente composição.

Os clássicos continuaram nas espetaculares “Angry Chair” e “Man in the Box”. “The One You Know”, outra composição do mais recente disco, foi tocada e vieram mais duas faixas do “Dirt”: “Would?” e encerraram o espetáculo com “Rooster”. Falando de cada integrante, a performance do fundador guitarrista e vocalista Jerry Cantrell foi de fascinar qualquer um presente. Incrível como ele toca guitarra, cada riff saído é de uma grande perfeição, sem contar seus maravilhosos solos muito bem executados. E claro, a potencialidade de sua grande voz presente durante as execuções, seja nos backing vocals e nos trechos das composições. O vocalista William DuVall, presente na banda há pouco mais de 10 anos, mostrou uma performance digna e de um enorme talento que se pode encontrar num vocalista, seus maravilhosos vocais fez com que envolvesse qualquer fã presente, cada execução era de se admirar o quão bom ele é. As baquetadas pesadas do baterista e co-fundador Sean Kinney, apresenta uma técnica absurda de bastante peso e precisão, e o baixista Mike Inez, realizando as notas intensas de cada música do setlist, graças ao seu baixo extremamente potente. Com um público maior, Alice In Chains nos cativou do início ao fim da apresentação, graças a um show excepcional que os fãs paulistanos apreciaram e curtiram cada momento.

Setlist:

1. Check My Brain
2. Again
3. Never Fade
4. Them Bones
5. Dam That River
6. Hollow
7. Down in a Hole
8. No Excuses
9. We Die Young
10. Stone
11. Angry Chair
12. Man in the Box
13. The One You Know
14. Would?
15. Rooster

Line-up:

Jerry Cantrell – Guitarra e Vocal
William DuVall – Vocal e Guitarra
Sean Kinney – Bateria
Mike Inez – Baixo

Judas Priest

Última apresentação da noite, o encerramento do Solid Rock ficou por conta dos deuses do metal Judas Priest. Divulgando seu mais recente álbum, “Firepower”, lançado esse ano, o décimo-oitavo disco de sua carreira, que inclusive, bem recebido pela crítica especializada e pelo público, sendo até considerado um dos melhores álbuns do ano, Judas Priest nos impressionou em um show totalmente emblemático e memorável. Executou as músicas de seu novo álbum e clássicos que marcaram a história da banda e marcaram a história do metal mundial. Um show digno e uma completa aula de heavy metal, que pudemos presenciar.

“War Pigs” do Black Sabbath foi tocada de fundo e logo, a intro mecânica foi executada e com várias vibrações do público, a grande cortina é descoberta e o quinteto inicia a apresentação com a composição do mais recente álbum “Firepower”, justamente a faixa-título dele, bem empolgante e com seus ótimos riffs de guitarra. Logo partem para “Running Wild” do “Killing Machine” de 1978 e na sequência, veio a excelente “Grinder” do clássico do heavy metal “British Steel” (1980). Partindo para “Sin After Sin” de 1977, executaram “Sinner” e para o segundo álbum de estúdio “Sad Wings of Destiny”, veio “The Ripper”. Cada uma dessas execuções tocadas perfeitamente pela banda. Os riffs marcantes e bem construídos do Richie e do Andy, os refrões empolgantes, a enorme potência do Scott na bateria, o co-fundador da banda Ian Hill, que se posicionava mais atrás do palco e não saia daquele lugar e claro, o grande vocalista híper carismático Rob Halford e seus vocais extraordinários para dizer o mínimo.

Essas impressionantes performances, esse incrível repertório, deu continuidade com “Lightning Strike”, “Desert Plains” e “No Surrender” e em seguida, um grande hit da banda, a eletrizante “Turbo Lover”, onde o Rob deixou os fãs cantarem sozinhos os refrões desse grande clássico. Após a execução, o Halford mandou alguns cantos para o público repetir e dar início a “The Green Manalishi (With the Two Prong Crown)”, faixa do “Killing Machine” e por ser cover da grande banda Fleetwood Mac. “Night Comes Down” foi a próxima e depois, a linda instrumental “Guardians” é tocada de fundo para justamente vir “Rising From Ruins”, uma das melhores composições do “Firepower”. Com as guitarras frenéticas, a bateria bem acelerada e os vocais ligeiros do Rob, “Freewheel Burning”, primeira faixa do “Defenders of the Faith” (1984), prosseguiu o espetáculo. Ao final da execução, uma bela homenagem ao falecido piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, um dos maiores ídolos brasileiros de todos os tempos, foi feita, projetando suas fotografias nos telões do palco, sendo bastante ovacionado pelo público e até gritos como “Olê Olê Olê Olá Senna Senna…”, se ouvia dos fãs.

A maravilhosa apresentação desses deuses do metal, deu continuidade com uma belíssima sequência: “You’ve Got Another Thing Comin’” do “Screaming for Vengeance” (1982); “Hell Bent for Leather”, nessa execução, o Halford apareceu no palco com a sua formosíssima Harley Davidson branca, o que gerou em mais vibrações do público, e acabou executando toda a música sentado nesse grande veículo. E após a finalização desse clássico, somente o excepcional Scott Travis se permaneceu no palco, agradeceu ao público em português, perguntou como estavam se sentindo e disse: “O que vocês querem ouvir ?”. Os fãs vibraram e gritaram “Painkiller”. O Scott pediu para repetirem novamente e atendendo a esses pedidos, veio justamente esse poderoso clássico do heavy metal com o Scott fritando na sua extraordinária introdução para logo subirem o restante da banda ao palco e darem o prosseguimento nessa digna composição.

A banda se retirou do palco e em poucos minutos, retornam para darem início a uma outra magnífica sequência: a bela instrumental “The Hellion” é tocada e logo iniciarem “Electric Eye”; “Breaking the Law”, possivelmente o maior clássico da banda e para encerrarem essa sensacional apresentação, outro grande clássico foi a saideira do show, “Living After Midnight”, bem empolgante, marcante e os fãs cantando os refrões durante a execução, foi espetacular. Judas Priest agradeceram bastante aos presentes e quando se retiraram do palco, foi executada pelas caixas de som, o clássico do rock “We Are the Champions”, da lendária banda Queen.

Cada performance era algo fascinante. Começando pelo fantástico Rob Halford, que simplesmente, brilhou em sua extraordinária presença em palco. Bem estiloso com sua jaqueta de couro, óculos escuro, sua moto Harley Davidson e claro, a potencialidade de seus incríveis vocais que nos cativaram durante cada minuto de apresentação. A voz dele sempre nos marcará e mostrou que sempre será um dos maiores vocalistas da história do metal. Impressionante como seus vocais continuam perfeitos. O baixista e co-fundador da banda Ian Hill permaneceu durante toda a apresentação no mesmo lugar, um pouco mais no fundo do palco, ficando um pouco atrás de seus integrantes, e lá estava ele, tranquilo, executando cada nota numa tranquilidade e perfeição que possui no instrumento. Hora, o Rob ia cantar ao lado dele, hora os guitarristas Richie e Andy também iam tocar ao lado dele, enfim, um músico sensacional.

O monstruoso baterista Scott Travis, que está na banda desde o sensacional “Painkiller” (1990), que logo nesse trabalho, já demonstrou todo seu talento e potencial e vem nos mostrando a cada década, sempre nos fascinando com sua incrível técnica. Nessa apresentação, não foi diferente. Ele destruiu a bateria em cada execução do repertório, fortes baquetadas, grandes viradas, andamentos variados, foi completamente admirável e prazeroso em presenciá-lo. E os guitarristas Richie Faulkner, que está na banda desde 2011, e Andy Sneap, que substituiu o Glenn Tipton, devido ao seu mal de parkinson, se afastou da banda. Dois integrantes extremamente competentes e habilidosos, cada riff, cada solo, era de se admirar. Em sete anos que integra a banda, Richie já provou seu grande potencial e o motivo por fazer parte do quinteto. E o Andy, que acabou de chegar no Judas Priest, nos demonstrou boas habilidades e honrou o nome da banda numa ótima performance.

O Judas Priest em palco é algo indescritível, é difícil de relatar a sensação de presenciar aqueles grandes momentos, assistir um dos pioneiros do heavy metal, uma das bandas mais influentes do gênero, integrantes extremamente talentosos, um magnífico repertório, um show que nunca esquecerei e que ficará marcado na história. Uma enorme honra em ter comparecido nessa apresentação e é uma emoção muito grande ao mesmo tempo. Quem presenciou sabe muito bem do que estou falando, todos saíram ao final com inúmeros sorrisos na boca por ter assistido a uma sensacional e histórica apresentação de uma das maiores bandas que já existiu nesse planeta.

Essa foi a segunda edição do Solid Rock. Tivemos o privilégio em assistir três grandes bandas numa noite bem agradável. Cada show foi um espetáculo, um prazer imenso em comparecer a um festival tão magnífico quanto foi esse. Torcemos para que tenha a terceira edição, na verdade, torceremos para que tenha infinitas edições do Solid Rock e que esse festival fique para sempre.

Setlist:

1. Firepower
2. Running Wild
3. Grinder
4. Sinner
5. The Ripper
6. Lightning Strike
7. Desert Plains
8. No Surrender
9. Turbo Lover
10. The Green Manalishi (With the Two Prong Crown) (Fleetwood Mac cover)
11. Night Comes Down
12. Rising From Ruins
13. Freewheel Burning
14. You’ve Got Another Thing Comin’
15. Hell Bent for Leather
16. Painkiller

Encore:

17. Electric Eye
18. Breaking the Law
19. Living After Midnight

Line-up:

Rob Halford – Vocal
Ian Hill – Baixo
Scott Travis – Bateria
Richie Faulkner – Guitarra
Andy Sneap – Guitarra

Fotos: Marta Ayora

Giancarlo Rossi

Giancarlo Rossi

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Cursando Rádio e TV. Escuta todas as vertentes do Rock e do Metal. E Adora Cinema.
Giancarlo Rossi

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