RHAPSODY: uma apresentação que poderia ter sido melhor

Se você pegou o álbum “Symphony of Enchanted Lands” (1998) e mais algumas músicas clássicas do RHAPSODY e escutou elas no último domingo, independente do lugar, poderia ter sido mais produtivo e não perdeu tempo indo até o Tom Brasil. Com uma expectativa alta devido ao show de reunião da banda, tinha tudo para ser uma excelente apresentação, mas chegando lá, o que acontece: playbacks rolando a solta.

Todos estavam ansiosos e empolgados com a reunião, e tocando o excelente álbum “Symphony of Enchanted Lands”, todos queriam estar presentes para uma apresentação que previa ser histórica, mas por inconsistências devido a ausência do tecladista, o grande Alex Staropoli, os sons ficaram por conta dos playbacks em todas as músicas, sim, em todas mesmo, pareceu que faltou esforço da banda, o que tornou uma experiência decepcionante.

Chegando no Tom Brasil por volta das 18:30, aparentemente, um local vazio, poucas pessoas presentes na casa. A abertura ficou por conta do Armored Dawn, um banda de metal brasileira que me surpreendeu pela apresentação. Palco bem decorado com direito a uma espada forjada no meio dele, foi uma performance bem dedicada e comprometida, fizeram a parte deles tocando excelentes músicas empolgantes e bem compostas. Músicos bem talentosos, com direito a cada integrante fazer um pequeno solo durante o show e sim, no Armored o tecladista estava presente e tocando muito bem. A banda também interagiu com o público em alguns momentos e até o guitarrista finlandês, Timo Kaarkoski, falou com os fãs em inglês e foi bem recepcionado e aplaudido por eles. Com mais ou menos 45 minutos de apresentação, mostraram muito bem o trabalho deles e poderiam ficar tocando por mais duas horas que não teria problema algum.

Vou tentar me segurar ao máximo para não falar dos playbacks do teclado, vamos lá. Por volta das 20:00, o local lotou, com um público bastante empolgados esperando pela banda aos gritos de “RHAPSODY, RHAPSODY”. Quando era 20:15, eis que abrem as cortinas e os fãs não parando de vibrar e com um palco bem decorado e de fundo, via-se a capa da turnê. E já começamos a ouvir a introdução da “Epicus Furor”, para depois entrar os integrantes e tocarem a excelente “Emerald Sword”. Mas como eu tinha falado, uma das principais características da banda estava faltando e sim, foi o tecladista, mais precisamente o Alex Staropoli. Tudo feito com playbacks nos teclados, isso já perdeu um pouco da animação e de cara, percebi, “Todas as músicas serão de playbacks” e foi exatamente o que aconteceu. Mas vou tentar tirar isso da cabeça (que vai ser quase impossível) e vou prosseguir com o show.

Como era a turnê da reunião, tocaram na íntegra o segundo álbum de estúdio, “Symphony of Encharted Lands” (1998), com exceção da “Heroes of the Lost Valley”. O público super animado com a apresentação e o carisma da banda, estava acontecendo a vontade. Cada integrante fazendo a sua parte e todo mundo bem felizes. Velocidades nas músicas e divertimento, era o que não faltava no show.

Depois de tocarem a última canção do álbum, “Symphony of Encharted Lands”, veio um excelente solo do baterista Alex Holzwarth. Além de tocarem o álbum, não poderia faltar alguns clássicos da banda né. “Land of Immortals” do primeiro álbum “Legendary Tales” (1997) foi tocada seguida pela maravilhosa “The Wizard’s Last Rhymes”, sem dúvidas uma das melhores músicas da banda, com lindas orquestras que faz você viajar numa aventura épica.

Depois, foi a vez do Patrice Guers (baixo) solar, e que solo bom. Como o Alex e o Patrice fizeram um pequeno solo, foi a vez do Fábio mandar ver também, e fez, alguns solos do seu excelente vocal com letras em italiano e algumas horas, pedia para o público repetir do que ele cantava. Um momento muito bacana e interessante, mostrando a sua potencialidade que todos reconhecem.

Após disso, o Fábio falou com os fãs que seria um momento especial por que a próxima canção seria gravado para um video clipe e tocaram a clássica “Dawn of Victory”, um das mais famosas da banda. Foi muito bem recebida pelos fãs, com muitas vibrações e cantando o refrão da melhor forma. Foi tão bem aplaudida que quando acabaram de tocar, os fãs continuaram cantando o refrão, “Gloria, Gloria perpetua, In this Dawn of Victory”. Seria melhor se o Alex estivesse presente.

“Rain of a Thousand Flames” foi a próxima, seguida pela “Lamento Eroico”, música cantada em italiana que animou ainda mais os fãs. E para fechar o show, tocaram mais duas: “Holy Thunderforce”, outra clássica da banda, com o público ainda vibrando e sem mostrar cansaço quando chegava nos refrões matadores que tem essa música. E para encerrar a noite, foi tocada “In Tenebris”, primeira música do “Power of the Dragonflame” (2002).

Todos os integrantes foi bem participativos, cada um fazendo a sua parte. O Fábio Lione sempre interagindo com o público, falando em português e sempre muito aplaudido. Falar do vocal dele, é coisa a parte, para ele que canta lírico, não precisa falar mais nada né, simplesmente fantástico. O tão aguardado e carismático Luca Turilli, com certeza merece grande destaque nessa reunião, fez um belíssimo trabalho, bem consistente em seus solos e sempre feliz no palco. O baterista Alex Holzwarth, mandando muito bem nas velocidades que a banda sempre teve, com direito a um solo bacana no meio do show. Tivemos também o guitarrista Dominique Leurquin, que ficou mais na guitarra base mas em alguns momentos, os solos ficaram para ele. O baixista Patrice Guers, mandando boas notas graves no baixo, com direito também de um solo no meio do show. E tivemos o tecladista, ops, desculpa, não teve tecladista, foi tudo de forma automática os teclados. Assim, qualquer um consegue ir bem né.

Realmente, não dá para ficar quieto e não falar da falta do tecladista. Os teclados do RHAPSODY, é essencial, o que dá a alma na música deles. Sem isso, o RHAPSODY não seria a mesma coisa, e o pior que sendo uma banda de Power Metal, já é característica do estilo. Daí, eu chego lá e os teclados em todas as músicas, isso mesmo, todas serem automáticas, ou seja, playbacks. Isso, sinceramente, perde toda a empolgação e animação do show. A banda de abertura, o Armored Dawn, teve o seu tecladista e que por sinal, tocou de forma prazerosa. Já o RHAPSODY, ficou tudo sem graça, por causa disso. Para vocês verem que uma pessoa, um instrumento, faz muita diferença na apresentação. Daí, eu fico pensando, “Os fãs pagam caro os ingressos para ver playbacks”. Na verdade, isso vai de cada pessoa né, provavelmente, teve pessoas que não gostaram como teve pessoas que gostaram. Isso é pessoal e essa é a minha opinião. Faltou esforço e dedicação nessa ocasião.

Uma hora e meia para chegar no Tom Brasil, mais uma hora e meia para voltar, com uma hora e quarenta minutos de apresentação a base de playbacks. Devido a isso, não foi aquela empolgação que eu esperava. Por ser a reunião, tocando o excelente “Symphony of Enchanted Lands” (1998) e clássicos da banda, tinha tudo para ser uma ótima celebração e ficar para a história. Infelizmente, não foi isso que aconteceu, o que podia ser um dos melhores shows do ano, acabou sendo o mais decepcionante.

Por um lado, a performance e os talentos dos integrantes, salvou metade da apresentação, sendo assim, não foi um show ruim, os integrantes fizeram um espetáculo, só faltou mais dedicação e comprometimento com os fãs presentes. Ninguém gosta de ir num show e ver instrumentos sendo tocados de forma automáticas. Se é assim, prefiro ficar em casa e escutar todas as músicas tocadas no show.

Setlist:

1. Emerald Sword
2. Wisdom of the Kings
3. Eternal Glory
4. Beyond the Gates of Infinity
5. Knightrider of Doom
6. Wings of Destiny
7. The Dark Tower of Abyss
8. Riding the Winds of Eternity
9. Symphony of Enchanted Lands
10. Drum Solo
11. Land of Immortals
12. The Wizard’s Last Rhymes
13. Bass Solo
14. Dawn of Victory

Encore:

15. Rain of a Thousand Flames
16. Lamento Eroico
17. Holy Thunderforce
18. In Tenebris

Line-up:

Fábio Lione – Vocal
Luca Turilli – Guitarra
Dominique Leurquin – Guitarra
Patrice Guers – Baixo
Alex Holzwarth – Bateria