Lollapalooza: confira entrevista exclusiva com Doctor Pheabes

“Quando você decide ter uma banda, não é somente viver da música. É conviver com pessoas que te inspiram a criar alguma coisa”.

A promissora banda Doctor Pheabes, que tem como marca pulsante seu genuíno rock’n’roll à lá anos 70/80, acabou de voltar de uma bem-sucedida turnê pelos Estados Unidos, e está prestes a retornar ao palco do Lollapalooza Brasil 2017.

Eles também vão lançar o segundo disco da carreira, o “Welcome To  My House” em março desse ano. O guitarrista Magrão contou um pouco da trajetória do grupo, que vem angariando grandes êxitos, falou sobre sua história, um pouco sobre os  bastidores e mais, nas linhas a seguir, e com direito a um convite especial*.

Se quiser saber mais sobre o Lollapalooza Brasil 2017

 

Pauta Por: Sara Ferrer

Revisão: Paula Alecio

IDR: Olá! Seja bem-vindo a Imprensa do Rock. Desde já agradecemos pela entrevista. Por favor, se apresente e nos diga qual sua função na banda.

R.: Magrão, guitarrista.

IDR: Curiosamente, a Doctor Pheabes é uma banda formada na década de 80, mas que começou a tomar forma e ganhar certa notoriedade em 1992, e a ter mais destaque em 2011, quando se preparou para lançar seu primeiro disco – muito bem produzido por sinal – “Seventy Dogs”, em 2013. O que aconteceu durante esse período de hiato e por que levou tanto tempo para vocês decidirem que era hora certa de despontar Brasil afora?

 R.: A banda surgiu mesmo em 1986, mas nós (Parras, Escocês, Paul e eu) sempre estivemos juntos curtindo o bom rock´n´roll. Cada um de nós têm compromissos profissionais e demorou um tempo até conseguirmos alinhar essas atividades com as da banda. É um processo de amadurecimento também. Só depois que estávamos prontos é que decidimos lançar um álbum com as produções da Doctor Pheabes.

 IDR: “Seventy Dogs” foi produzido por Renato Patriarca (também responsável pelo disco ‘Sacos Plásticos’ dos Titãs, e vencedor do Grammy Latino em 2009). Como vocês o conheceram e aconteceu esse contato para que ele produzisse o disco na época?

 R.: A gente sempre teve dificuldade da identificação do som da banda, de reproduzir o som que a gente fazia ao vivo para a gravação. É um som muito americanizado. Procuramos várias gravações e nessa busca encontramos o Renato Patriarca. O produtor é essencial porque ele coloca no CD o que representa a banda.  Hoje, além de ser nosso produtor, também é um grande amigo. A Doctor Pheabes tem uma sinergia muito boa com ele.

 IDR: Vocês não negam as influências do bom – e nunca dizem “e velho” – rock’n’roll – por quê? E como foi seu primeiro contato com esse som mais enérgico e pesado? O que mais te chamou atenção e junto trouxe o sonho de viver de música?

R.: O rock´n´roll não é só um estilo de música. Significa fazer música com os amigos, curtir, é festa, é alegria. Como todo adolescente, na época – anos 80, a gente não tinha muito acesso aos discos importados. Na escola havia um pequeno grupo que curtia o heavy metal. Sempre tinha aquele amigo ou um irmão mais velho de alguém que tinha um disco. E a gente fazia essa troca de informações de música. Era muita energia e o adolescente gosta disso. O primeiro contato com esse tipo de som e guitarrista foi com o Peter Franpton com Breaking All The Rules e aquele riff de entrada… fantástico!  A gente decidiu que queria fazer isso, reproduzir esse som.

Quando você decide ter uma banda, não é somente viver da música. É conviver com pessoas que te inspiram a criar alguma coisa. É um outro nível de inspiração. Mexer com esse sentimento de criar uma música é maravilhoso. Quando esse som se materializa, você pensa: isso estava dentro de mim e agora está aqui, sendo reproduzido pelo grupo. É um momento muito interessante.

IDR: Todos na banda têm suas profissões, além de serem músicos em uma banda de rock. Você ainda vive paralelamente sua profissão ou agora vocês conseguem dedicar-se e manter-se só da música?

R.: Cada um tem sua profissão do outro lado da música. Temos, agora, mais tempo para dedicar à banda, mas continuamos conciliando as duas coisas.

IDR: Falando sobre a tão aguardada segunda participação da Doctor Pheabes em um dos maiores festivais do país: o Lollapalooza; no qual vocês também tocaram na edição de 2015. Como surgiu o convite do retorno e como estão as expectativas?

R.: Temos vários amigos no meio (produtores), nosso networking é bem extenso. Nós enviamos o material da banda e eles selecionam e enviam para a banda principal aprovar. Assim surgem os convites. Nesse ano teremos mais tempo para tocar no Lolla: uma hora de apresentação. Normalmente, nos festivais, temos a metade desse tempo. Então, esperamos fazer um bom show. Voltamos de uma turnê nos Estados Unidos e todas as apresentações por lá tiveram essa duração. Foi uma boa preparação.

IDR: A Doctor Pheabes é veterana em festivais e além de tudo, marcou presença como banda de abertura para grandes ícones do rock, como Guns’N’Roses em 2014, os dinossauros dos Rolling Stones e Black Sabbath em 2016. Qual é a sensação de tocar no mesmo palco de ídolos que marcaram e continuam presentes em tantas gerações?

R.: Estar no mesmo ambiente dos seus ídolos é fantástico. Poder estar com o mesmo público, no mesmo palco, com os mesmos equipamentos. É uma realização para cada um de nós.

IDR: Neste aspecto, tem alguma história de bastidores que possa compartilhar com a gente?

R.: Na hora de desmontar os equipamentos no show dos Rolling Stones, a bateria da Doctor Pheabes ficou por último. O Charlie Watts viu a bateria e ficou tocando. Uma das coisas mais interessantes no artista é o amor pelo instrumento. O cara tá com oitenta e poucos anos e ainda sente esse amor. É como um imã, uma conexão. Ele viu, gostou e ficou tocando. O mais legal foi o Mick Jagger levar o Charlie para cumprimentar o Paul. Ele ficou realizado. O músico de banda vive essa coisa de companheiro, de brother. Foi uma cena emocionante. O Paul fez até uma tatuagem representando esse momento.

 IDR: Vocês estão preparando o lançamento de seu segundo disco. Como foi o processo de criação e composição do sucessor de “Seventy Dog”, o já informado “Welcome to my House”?

 R.: Esse disco é bem diferente do Seventy. O “Welcome To My House” já tem data para pré-lançamento. Vai ser no dia 17/03 no Morrison Rock Bar. Nesse disco, a ideia foi resgatar o som de banda de garagem, tanto em termos de composição quanto em termos de sonoridade. Como a gente sempre teve influência de bandas que tinham raízes no blues, nós trouxemos as backing vocals (Graça Cunha, Nanny Soul – foram backings do programa do Serginho Groisman – e Beth Mello) para integrar a banda e dar mais a cara do som das décadas de 70/80.

IDR: “Walking Alone” foi a canção escolhida para apresentar um pouco do que vem por aí no segundo disco. De onde veio a inspiração para escrevê-la? E por que escolheram-na como primeiro single? Quais são os planos da banda para um futuro próximo?

R.: Essa música foi escrita pelo Edu Parras no primeiro trabalho que ele lançou sozinho. Era uma das músicas que eu mais gostava no CD. Pensamos em aproveitar algumas composições desse álbum dando uma cara nova, com novos arranjos. E isso aconteceu. Escolhemos a “Walking Alone”.  Nós gostamos muito da turnê internacional. Tivemos muito tempo para passar juntos. E queremos programar outras turnês nacionais e internacionais.

IDR: Vocês no momento estão tendo grandes oportunidades de destaque, fazendo-se conhecer. Mas nem sempre foi assim, e para muitas outras bandas também não o é. Claro que nos tempos modernos que vivemos hoje, a internet ampliou a gama de artistas e consequentemente, o público tem acesso mais fácil e imediato a sons novos. Qual sua opinião sobre a cena do rock/metal nacional atual?

 R.: As bandas, não só do metal, nunca tiveram o espaço devido dentro do cenário musical. As gravadoras dominavam o mercado e a cada época elas impunham um estilo. Apesar de ter público no Brasil, o consumo do rock sempre foi muito difícil. Com a internet, melhorou, mas o cenário ainda é underground, o que é uma pena porque há público de rock´n´roll para grandes festivais. As bandas brasileiras deveriam ter mais espaço porque temos muitas de qualidade.

IDR: Por fim, este espaço é seu. Novamente, obrigada pela entrevista e por favor, deixe uma mensagem a seus fãs e leitores da Imprensa do Rock.

R.: A Doctor Pheabes é uma autêntica banda de rock´n´roll. É sincera e honesta no som que faz. É uma banda de garagem, a gente tenta resgatar isso dos anos 70/80. Queremos convidá-los para o pré-lançamento do “Welcome To My House”. Vai ser no dia 17/03 no Morrison Rock Bar, na Vila Madalena. Esse álbum está bem diferente do “Seventy Dogs”. É um rock´n´roll bem fiel às raízes, bem natural, bem puxado para o blues anos 80, com muito vocal. Estamos esperando todo mundo lá.

 

A equipe do Imprensa do Rock agradece muito a todos do Doctor Phoebes e a todos os leitores assíduos de nosso site.