Entrevista exclusiva com Rodrigo Santos (Barão Vermelho)

Rodrigo Santos, baixista do BARÃO VERMELHO fala sobre os shows que fará com Andy Summers (THE POLICE) e João Barone (PARALAMAS DO SUCESSO), no projeto CALL THE POLICE, cuja estreia já é nesta sexta-feira na capital paulista.

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Também sobre o disco novo com Fernando Magalhães (“Efeito Borboleta”) e, óbvio, sobre a nova fase do BARÃO com a entrada de Rodrigo Suricato ocupando o posto que já pertenceu a LEO JAIME, CAZUZA e FREJAT. Rodrigo também fala sobre política (“Eu acho que direita e esquerda faliram”), sobre as instituições que auxilia (“Adoro ajudar todo mundo hoje em dia, nessa área, que necessita. Sei quem indicar.”) e vários outros assuntos. Confira tudo nesta entrevista especial para a Imprensa do Rock.

 

IDR: Olá, Rodrigo. Vamos primeiro falar do CALL THE POLICE. Como surgiu essa iniciativa e como você espera que seja a turnê?

Rodrigo Santos: Através do meu empresário Luiz Paulo assunção, conheci o Andy em 2012, aqui no RJ. A partir daí se desenvolveu uma amizade, compusemos juntos 1 música inédita e fizemos 2 turnês em 2014 (6 shows) e 2015 (10 shows), além de um show fechado em 2016. Dessa vez resolvemos colocar também o Barone, que assim como eu, é um fã e especialista em POLICE.
E a tour ganhou corpo. Barone deu a ideia do nome ” Call the Police”. Estávamos procurando um nome para o projeto!

IDR: Além dos shows já anunciados, há outros shows em negociação em outras cidades como Fortaleza, Recife e em outros países?

Rodrigo Santos: Dessa vez, só tínhamos dois fins de semanas livres para isso (todos querem sexta e sábado), sendo que um deles era semana santa, o que dificultou tudo um pouco. Porém resolvemos concentrar em poucos e bons shows, com logística mais próxima um do outro. Mas temos propostas para fazer Fortaleza, Salvador, Recife, Curitiba, Brasília, numa próxima vez. Vamos aos poucos. Andy quer fazer na Europa também. Para mim, isso é uma honra. Tocar com um ídolo, uma pessoa incrível.

IDR: Você conseguiria definir o quanto o POLICE foi importante na sua vida?

Rodrigo Santos:   Depois de BEATLES, POLICE foi a banda que mais me influenciou, por ter um baixista cantor nela. Tenho muitas bandas (STONES, FLOYD, CSN&Y, YES, DYLAN, U2) que fizeram a minha formação musical, mas BEATLES e POLICE é outra coisa para mim. Um degrau acima.

IDR: Agora vamos falar da sua carreira solo. Desde 2007 você tem lançado um álbum atrás do outro, “Um Pouco Mais de Calma” (2007), “O Diário do Homem invisível” (2009), “Waiting on a Friend” (2010), “Ao Vivo Em Ipanema” (2011) e “Motel Maravilha” [2013], “A Festa Rock Vol.1” (2015), além do mais recente “Efeito Borboleta”, do qual falaremos com mais detalhes daqui a pouco. Numa época como a nossa, em que se fala que a música se tornou quase descartável, você acredita que compensa trabalhar tanto assim?

Rodrigo Santos: Sempre compensa. Nem sempre dá retorno financeiro, porém um artista, compositor, não trabalha exatamente visando lucro, e sim colocar sua arte à disposição do ouvinte e estar sempre em ebulição, nunca acomodado. Adoro gravar discos, compor, ir para a estrada. Escolhi isso aos 11 anos. Tenho sorte de ter conseguido criar esse tempo todo, viver bem de música. Sou ralador também.

IDR: Agora vamos falar do “Efeito Borboleta”. Por favor, conte mais sobre esse disco, sobre o conceito que está por trás dele (ou pelo menos por trás da faixa que lhe dá nome), da parceria com o Fernando Magalhães.

Rodrigo Santos:  A ideia era gravar um disco autoral nesse hiato da volta do BARÃO, que só deve gravar em 2018. Eu estava com 80 letras. 40 musicadas. E me toquei que além de eu completar 10 anos de carreira solo, também completei 25 anos de amizade com Fernando! E nesses 25 anos só 3 músicas juntos, com mais parceiros na canção? Não era possível, estamos juntos direto. Resolvemos trabalhar a parceria como uma marca. E achei legal somarmos nossas forças para fazer um grande disco. Acho que esse é o melhor de todos. Gravado em 6 dias, fizemos músicas lindíssimas. Ficamos muito felizes. Produzimos tudo. Tocamos vários instrumentos, gravamos sem pré-produção, olho no olho, juntos no estúdio e criando na hora. Lucas Frainer na bateria e Humberto barros nos teclados completaram o time! O conceito do disco partiu de uma letra minha, ” efeito borboleta”. Era enorme a letra, mas eu pensava em Sinchonicity, um rock. E não estava conseguindo compor a música. Eu sabia o que eu queria, mas não sabia criar o que eu queria. Fernando acertou a música na veia. Fizemos na hora, aqui em casa. Eu com a letra na mão e saindo cantando em cima. Essa letra fala da globalização e seus efeitos interligados, como a teoria de que uma borboleta quando bate asas no Japão, está influenciando toda a esfera global. Assim é o mundo. Achei que era a hora desse texto. O blues que fizemos para o Peninha quando ele faleceu, saiu direto também. Assim foi com ” 12 anos de espera” e outras. Alguns rocks são pops, radiofônicos, outras baladas densas, tudo dentro do universo que amamos, o rock e suas vertentes 60’s, 70’s, 80, s, 90’s. Está tudo ali. Um discaço, modéstia à parte. Adoramos o resultado final.

IDR: Vocês pretendem fazer shows pelo Brasil divulgando o álbum? Caso sim, quem complementaria a banda tocando os outros instrumentos.

Rodrigo Santos: Sim. Os mesmos que gravaram mais outro guitarrista e também meu filho Léo, no violão de 12. Mas a agenda do BARÃO será prioridade esse ano.

IDR: “Ditaduras são quebradas, mas retornam de outro jeito / Muros começam a se formar em várias direções / Dos campos de centeio, aos campos de petróleo / Partem as negociatas mais perversas e sérias / Decisões tomadas por um louco / Afetará a condição da bolsa / Um mar de incertezas invade o ocidente / E as borboletas batem as asas no Japão”. São trechos avulsos da letra de “Efeito Borboleta”. É basicamente um retrato do nosso mundo hoje, da política e da corrupção no Brasil, dos Estados Unidos com o Trump, estou certo? Você acha que um dia conseguiremos nos livrar de tanta corrupção e incertezas? Você seria capaz de apontar caminhos?

Rodrigo Santos: Está certo. É sobre isso mesmo. Sou um cara engajado política e socialmente. Eu acho que direita e esquerda faliram. Só o caminho do meio, centro, um cara aberto e moderno, que aceite as boas coisas dos dois lados, será benéfico ao país. Fora isso, sou a favor da lava jato. Nunca vi tanta quadrilha sendo desbaratada. O povo tem de parar de brigar por ideologia polarizada e ser menos radical. Nada radical dá certo. Só o diálogo e o compromisso com uma política econômica e social moderna salvarão esse país. A lava jato tende a promover uma nova classe política menos corrupta mais na frente, assim espero. E não me iludo, todos os partidos da nova redemocratização se envolveram nessa “mamarão de teta”. Eu acreditei muito no PT, durante 20 anos, até descobrir que o jogo era o mesmo dos outros, e às vezes pior, com discurso de vitimização. Parei nesse momento de apoiar qualquer partido político. Estou decepcionado com o sistema político, e acho que reformas se tornam urgentes nessa área. E a lava jato está abrindo essas cicatrizes. Acredito num futuro menos corrupto.

IDR: Ok, antes de falar sobre o BARÃO VERMELHO, como estão os seus outros projetos, OS BRITOS, a MIDNIGHT BLUES BAND?

Rodrigo Santos: MIDNIGHT parada, BRITOS também, porém com expectativas de nova viagem ao Reino Unido.

 

IDR: E agora, como não poderia deixar de ser, vamos falar da banda mais famosa entre as inúmeras das quais você participou, o BARÃO VERMELHO. Depois de Leo Jaime, Cazuza, Frejat, como estão sendo estes primeiros dias com o Rodrigo Suricato?

Rodrigo Santos: Ótimos. Rodrigo é talentosíssimo, trouxe outras informações para o BARÃO, é mais um grandíssimo artista que veste a camisa do barão. Ele é nobre! Para ser BARÃO tem que ter nobreza.

IDR: Você acha que o falecimento do Peninha contribuiu para a decisão do Frejat de sair da banda?

Rodrigo Santos: Não. Nada. Frejat já estava com seu planejamento formado e já havia avisado a gente bem antes da história do Peninha. Ele queria fazer a comemoração dos 40 anos e nos dos 35, manter a banda ativa para sempre. E Frejat é nosso grande amigo. Respeitamos a decisão, mas achávamos que a banda não merecia ficar fora da estrada, uma vez que todos os outros queriam. A morte do Peninha foi uma fatalidade. Muito triste mesmo. Pegou a gente de surpresa. Enquanto nos encontrávamos no hospital, também nos encontrávamos para aprovar o doc. do BARÃO, que chega à TV (canal Curta) em maio próximo, mês da volta do BARÃO. Foi um período muito difícil.

Quem sabe nos 40 anos de banda, todos nós (novos e antigos) não nos encontremos numa tour pequena? Alguns shows. Quem sabe? O fã só tem a ganhar. O Suricato é brother, parceiro, compositor, multi-instrumentista, excelente pessoa, excelente vocalista. Foi na hora certa também. Estamos muito otimistas com a volta!

IDR: E o documentário “Por que a gente é assim”, você poderia nos dar algum status dele?

Rodrigo Santos: Não. Apenas que está lindo e emocionante!

IDR: Vocês já foram chamados de “os Rolling Stones brasileiros” e já abriram várias vezes para os STONES. Qual o significado de uma afirmação dessas e como é que é fazer parte tão intimamente de um evento gigantesco como um show dos Stones, um Rock In Rio, etc.?

Rodrigo Santos: Eu tive a sorte de estar tocando no RIR desde 91. Em todas edições, inclusive nessa próxima. 4 em carreira solo, uma com o BARÃO e outra com LOBÃO. O show de abertura dos Stones foi um marco. Inesquecível. Assim como a viagem dos BRITOS à Inglaterra (2005 e 2006) , shows no Cavern, DVD em Londres .
Muitas coisas foram fantásticas , porém eu sou um incansável soldado do próximo passo !

IDR: Você teve problemas com álcool e drogas no passado. Todos, felizmente, já superados, não? Podemos creditar suas ações de apoio a entidades como o Retiro dos Artistas, Sociedade Viva Cazuza, Clínica Centro Vida, entre outras, a uma certa resposta e gratidão por ter passado por todos estes problemas e vencido? É uma espécie de retorno do que você recebeu ao mundo?

Rodrigo Santos: Sim. Devo eternamente a clínica centro vida, a minha família, ao BARÃO, a muita gente essa recuperação. Eu quis, mas a ajuda e empurrão de todos foi fundamental. Adoro ajudar todo mundo hoje em dia, nessa área, que necessita. Sei quem indicar. E sou grato à vida. Faço muitas palestras em escolas e faculdades. É um prazer. São quase 12 anos sem álcool e drogas. E sei o valor da vida.

IDR: Bem, tem uma pergunta que sempre faço a todos os meus entrevistados gringos. E para você vou fazer uma ligeira adaptação, uma vez que sou nordestino, do Ceará. O que você conhece e o que você gosta de escutar de música nordestina? Existe algum artista do Nordeste que tenha tido alguma influência na sua carreira.

Rodrigo Santos: Chico Science, Raul, Lenine, Caetano, Gil, Zé Ramalho, Alceu, muitos!

IDR: Agora o espaço é só seu. Fique à vontade para chamar o público para a turnê do Call The Police, divulgar o Efeito Borboleta, enfim, falar o que quiser para os leitores do Imprensa do Rock.

Rodrigo Santos: Galera, esse ano é de muita música. É o que tenho de melhor para oferecer. Esse tour Call the Police é única. Especial. Não percam! O CD efeito borboleta já está no Spotify, Deezer, ITunes, YouTube e vai para uma TV em breve .
E o BARÃO tá voltando … o que mais poderia dizer a não ser que estou feliz ? Convido a todos para tudo!! Rsrs

Fotos: site oficial Rodrigo Santos

http://rodrigosantos.com.br/

 

Confira aqui todas as informações sobre a turnê do CALL THE POLICE

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