Entrevista exclusiva com o Luiz Ferreira (Desert Skull)

A emblemática banda de Hard Rock mineira, residente de Divinópolis, DESERT SKULL, após um hiato de quatro anos, reuniu membros originais para uma volta que promete estremecer a cena do Hard Rock tanto mineira quanto nacional.

Além dos quatro membros originais – Pedro Gianelli (baixo), Davyson Anacleto (guitarra), Luiz Ferreira (vocal) e Marcelo Sullivan (bateria) –, a DESERT SKULL apresenta ainda um membro com parte importantíssima nesta reunião, que já fez parte de formações anteriores da banda, Bruno Tavares (guitarra).

Com isso, o Imprensa do Rock teve a honra de entrevistar o vocalista da banda Luiz Ferreira. Confira:

Primeiramente, agradecemos a honra de poder entrevistá-los.

IDR: A banda acabou de retornar, após um hiato de 4 anos. Como vocês se reuniram novamente?

R.: Lembro-me bem de um de nossos Managers me ligando e dizendo que tinha entrado em contato com outros membros da banda e que eles estariam interessados em reviver a banda das cinzas. De pronto já aceitei o convite de me juntar a eles em um ensaio para ver até que ponto ainda estávamos enferrujados. Entretanto, tudo correu muito bem por lá e aqui estamos!

IDR: Vocês possuem um som galgado no Hard rock. Conte-nos sobre os objetivos sonoros que querem alcançar.

R.: Ainda não nos reunimos para definir alguns detalhes, mas o que posso adiantar é que temos várias letras prontas e bons riffs para colocar nelas, falta só juntar uma coisa à outra e em algum tempo teremos muita coisa para revelar.

IDR: Como é o cenário do Rock na cidade de onde vivem?

R.: Acredito que seja parecido com o cenário brasileiro em geral, onde os donos das casas de show acham que estão nos fazendo caridade em nos deixarem tocar, ignorando totalmente o fato de que qualquer banda tem gastos significativos para manter suas atividades, ainda mais sendo independente. Sem falar que, na maioria dos casos, não oferecem um som de qualidade e pagam adequadamente (quando pagam).

Vez ou outra algum amigo meu faz algum show por aqui e vou lá apoiá-lo, tudo nos termos que eu disse aí, quando não é um show todo de graça e até a aparelhagem é trazida de casa. O que eu acho humilhante.

As melhores bandas da cidade já não existem mais, como o Holy Wars e o Glory Dies. Só restaram aquelas bandas financiadas por algum cara com dinheiro, e se intitulam bandas de rock, quando, na verdade, não passa de um gosmento pop-rock, que, honestamente, eu não suporto.

IDR: Pretendem lançar material esse ano? O que andam aprontando por ai?

R.: Como eu adiantei, ainda não definimos algumas coisas, mas acredito que temos capacidade de lançar ao menos um single esse ano. Mas tudo ao seu tempo, não vejo necessidade de apressar o curso natural de composições da banda, mas admito que estou bem otimista e confiante.

IDR: A banda já se apresentou em festivais importantes, como o IX Rio Pardo Moto Fest (São José do Rio Pardo/SP) e Encontro de Motociclistas Nacional (Ermida/MG). Como foram essas experiências? E, pretendem fazer shows em breve?

R.: Tento levar nos shows as emoções e empolgação do primeiro show e comprometimento e afinco de como se fosse o último, e acredito que funcione comigo.

Tocar em qualquer lugar é sempre uma experiência nova e muito importante para o amadurecimento do músico. Melhor do que isso, é quando o show acaba e posso receber as opiniões e críticas dos amigos e espectadores da apresentação. Sejam as críticas positivas ou negativas, é a partir delas que crescemos e criamos o pilar de sustentação da banda.

IDR: Sobre as influências da banda: agora com novos integrantes, o que mais foi adicionado?

R.: Para começar, eu não gostaria de que ninguém jamais tivesse deixado a banda, e esclareço também que nenhum membro foi expulso, todos saíram por iniciativa própria e continuo respeitando a decisão de cada um deles e irei ao show deles, se fundarem novas bandas.

O que pude aprender, tanto com os músicos que passaram pela banda, como os que atualmente formam o nosso time, é que todo mundo na banda tem que ter direitos iguais de se manifestar sobre qualquer coisa que envolva a banda e contribuir de alguma forma.

Gosto de ver como as coisas acontecem nos ensaios e composições, essa alquimia de cada um colocando parte da sua identidade musical na criação da música é o que acho mais interessante, e no final forma-se um único perfil, que ilustra bem a intenção de todos.

IDR: Vocês escutam bandas atuais do rock nacional? Indiquem algumas pra gente.

R.: Tento ao máximo ouvir coisas novas, e toda semana eu acho ao menos umas duas ou três para ouvir. Mas infelizmente não encontro muita coisa nacional, e acabo ouvindo as poucas boas que conheço, como o Dorsal Atlântica, Hibria, Bad Salad, Auras, Pastore , MindFlow e até mesmo o Iaweh. Sem falar na admiração que tenho pelas carreiras do André Leite e do André Matos, que são verdadeiros mestres.

IDR: O que acham do cenário do rock nacional nos dias atuais?

R.: Não sou nenhum perito quando o assunto versa sobre bandas nacionais, até porque são tão mal divulgadas que mal tenho oportunidade de conhece-las, sem falar que a maioria das que vejo é somente um pop-rock transvestido de outra coisa. Outra coisa que noto é que metade da galera que sobe aos palcos são covardes para expressarem realmente o que veem do mundo, e se rendem sem lutar para o politicamente correto e adotam aqueles “estilinhos” pré-determinados de como se vestir e comportar.

Espero que algum dia o nosso cenário realmente seja valorizado da maneira correta e com os músicos com pulso firme na linha de frente. E ah, gostaria que a cultura de encher os shows de covers acabe e os músicos se arrisquem mais com composições e trabalhos autorais.

IDR: Vocês têm alguma outra ocupação além da banda? Conte-nos um pouco a respeito.

R.: Tendo como parâmetro o cenário musical do nosso país, ter um plano B e C é sempre necessário. Eu sou advogado recém aprovado na OAB, e só estou aguardando a cerimônia oficial de entrega do documento para já começar a carreira. Advogar é um sonho antigo e sou o primeiro da família.

IDR: Deixem uma mensagem para a galera que lê nosso Imprensa do Rock!

R.: Agradeço a oportunidade e o espaço, e gostaria de deixar um convite a todos os leitores para apoiarem as bandas locais e os amigos que tenham alguma banda ou trabalho musical, porque é algo feito com imenso amor e dedicação, sem falar no tempo dedicado, ensaio e dinheiro gasto para muitas vezes tocar apenas por migalhas.

Repito, ajude, ajude com o que puder e não deixe que desistam, porque a música nacional precisa de músicos com imensa coragem, já que o estímulo para desistir é quase que iminente.

Obrigado e até algum show!

Pauta: Paula Alecio

giancarlo

giancarlo

Redator em Imprensa do Rock
Cursando Rádio e TV, apaixonado por música e cinema.
giancarlo