Classiqueira: é brasileira… é Sepultura!

Para falar de Rock Nacional, muitos nomes vêm à mente. E quando pedimos para citar uma banda de Rock pesado conhecidíssima tanto no Brasil quanto no exterior? Provavelmente um nome se destacará – inclusive para quem não acompanha nem conhece o trabalho desses caras, ao menos já ouviu falar neles. O Classiqueira fala hoje desta, que tornou-se a banda símbolo de música pesada no país: Sepultura. São 35 anos de carreira, quatorze discos lançados e apenas um membro da formação original ainda presente; consolidando-se, principalmente por misturar ao death/thrash metal – naturalmente brutal – com elementos da música africana, japonesa e indígena.

Texto: Sarah Ferrer / Revisão: Paula Alecio

Tudo começou em 1984, em Minas Gerais, ainda na época de colégio dos irmãos Cavalera – Igor na bateria e Max nas guitarras – resolveram montar uma banda, juntamente com Paulo Jr.(baixista) e Wagner Lamounier (guitarrista e vocalista). Porém no ano seguinte, Wagner deixou o grupo devido à desentendimentos e foi substituído por Jairo Guedez (apenas guitarrista) e Max decidiu assumir os vocais.

Após serem vistos por um dono de gravadora depois de tocarem num festival de bandas independentes, os rapazes conseguiram contrato com a gravadora Cogumelo Records; estava dado o ponta pé inicial na carreira dos músicos. Foi lançado o EP “Bestial Devestation”, gravado em apenas dois dias e eles dividiam espaço com a banda Overdose. A faixa homônima e ‘Antichrist’ caíram nas graças do público, levando ao próximo passo: a gravação de um debut completo em 1986, intitulado “Morbid Visions”, este trabalho foi tanto o primeiro disco completo da banda, quanto o primeiro de death/thrash metal do mundo. O lançamento do álbum foi restrito no Brasil, mas isto não impediu que o grupo conseguisse mais notoriedade, principalmente na cena Metal underground; o destaque aqui fica com o single ‘Troops of Doom’.

Foi em 1987 que o notório guitarrista Andreas Kisser, conhecido dos integrantes por já fazerem algumas jams juntos, integrou o grupo após a saída de Jairo Guedez. O disco “Schizophrenia” foi lançado no mesmo ano, e o último com a gravadora Cogumelo; esse álbum foi responsável por galgar os passos rumo ao sucesso inesperado, com faixas marcantes como ‘Escape to the Void’ e a instrumental ‘Inquisition Symphony’, aos quais agradaram bastante e assim o grupo foi chamando atenção também do público internacional; o furor foi imenso que até disco pirata a banda teve lançado lá fora, chegando a vender 30 milhões de cópias, porém sem poder usufruir de seus direitos autorais.

A gravadora holandesa RoadRunner foi a responsável pelo lançamento seguinte: “Beneath the Remains” em 1989, consagrado um dos discos mais importantes da história do Metal Mundial, tamanho cuidado com a produção, feita pelo produtor de metal extremo, o norte-americano Scott Burns, mesmo com orçamento apertado na época. Não tardou para que o Sepultura começasse a colher os frutos daquele trabalho – e colhe até hoje. Foi realizada uma turnê mundial ao lado dos alemães do Sodom, passando pela Áustria, Estados Unidos e México; o mundo começava a prestar mais atenção no trabalho deles; e posteriormente com a gravação do primeiro vídeo-clipe ‘Inner Self’, e os singles ‘Mass Hypnosis’ e ‘Beneath the Remains’ tornaram-se clássicos absolutos.

Construiu sua fama mundial degrau a degrau, com trabalho árduo, sério e dedicação, ganhando mais fama na década de 1990, com os discos “Arise” de 1991, que rendeu apresentação histórica para um público de mais de 100 mil pessoas no Rock in Rio II. Os singles venerados deste disco são ‘Arise’, ‘Under Siege (Regnum Irae)’ e ‘Dead Embryonic Cells’. Logo depois do show de destaque no festival, se apresentaram gratuitamente na Praça Charles Miller, em São Paulo, e infelizmente, um fato triste acontecido ali acabou marcando de forma trágica aquele período ma carreira da banda, 40 mil pessoas presentes e naquele clima de confraternização dos fãs – aparentemente agressivos – um fã foi assassinado; o que deixou a banda com uma fama não muito agradável, mas que foi superado.

Na época do lançamento de “Chaos A.D.”, em 1993 o Sepultura já tinha se consolidado uma das bandas mais importantes do mundo. Apresentando novos elementos, como música industrial e hardcore punk, além de explorar ritmos populares da cultura local. Dele temos os singles ‘Refuse/Resist’, ‘Slave New World’ e ‘Territory’, esta última ganhou um vídeo-clipe que foi eleito o melhor vídeo-clipe do ano na MTV Brasil. A banda já tinha se tornado influência para diversas bandas de death metal, groove e nu metal que estavam surgindo naquela década.

Em 1996 lançam “Roots”, o disco compacto mostrando uma concepção mais experimental devido contato intenso que tiveram com a tribo indígena Xavantes, mergulhando fundo nas experiências musicais. O disco contou com a participação de Carlinhos Brown na canção ‘Ratamahatta’, e presença ao longo do disco de percussão, berimbau e várias batidas tribais, e contém duas músicas gravadas em conjunto com os índios Jasco e Itsari, no Mato Grosso; foi gravado um clipe para esta faixa e foi um dos mais diferentes que eles já fizeram até aquele momento, feito todo com animação gráfica computadorizada; alem de ser deste disco os singles ‘Roots Bloody Roots’ e ‘Attitude’.

O ano de 1996 foi o divisor de águas para o grupo. Foi dada a notícia que mudaria para sempre o destino da banda e pegou todos de surpresa: Max decidiu se separar do grupo e seguir seu próprio caminho acompanhado de sua esposa e ex-empresária da banda Gloria Cavalera, que em reunião dos outros três integrantes, concluíram que ela não mais estava trabalhando em prol do grupo e sim visando divulgar somente Max. Entre imensas discussões, esta foi a decisão final.

Mas não era o fim do Sepultura, embora muitos fãs estivessem apreensivos e os boatos de que a banda iria acabar eram incessantes. Provando que continuariam, fizeram as audições à procura de um novo vocalista. Entre milhares de cassetes enviados, foi realizado o processo para as audições, o teste final seria feito no Brasil e o vocalista americano Derrick Green foi o escolhido. Os principais quesitos para a escolha foram além de talento e entrosamento, que a pessoa gostasse do país; e Derrick não só gostou, como se entrosou muito bem com os integrantes e se sentiu em casa!

A maior parte das m do sucessor de “Roots” já estavam prontas, somente esperando a gravação dos vocais, e a banda estava sob pressão para lançado disco novo. Então, em 1998, o Sepultura retorna com um novo single, ‘Against’, do álbum de mesmo nome Against, mostrando todo o poder do novo vocalista Derrick Leon Green. Começava a nova era do Sepultura. Lançaram o disco “Nation” em 2001, mas as vendas não foram satisfatórias… E “Roorback” em 2003 que também não obteve grandes êxitos, a banda passaria pelo período mais difícil de sua carreira. Mas com seu décimo álbum de estúdio, “Dante XXI” lançado em 2006,  baseado no livro “A Divina Comédia” de Dante Alighieri, as coisas começaram a mudar… a odisseia à qual se lançou a personagem Dante pelo inferno, purgatório e paraíso, narrada no livro transformou-se nas notas musicais pesadas características do Sepultura.

“Kairos” é lançado em 2011, e é o 12.º álbum, distribuído pela Nuclear Blast e produzido pelo guitarrista Roy Z, considerado um dos melhores produtores de Metal da atualidade. O disco tem um um som mais pesado e cru que seus antecessores e foi muito bem recebido pela crítica especializada, sendo aclamado por alguns e trazendo de volta “o eixo” da banda. O disco alcançou boas posições em alguns países europeus, chegando a ficar no top 100 de alguns países europeus e asiáticos, e vendeu mais de 2600 cópias nos EUA nas primeiras semanas de lançamento.

Sem dúvidas a banda é detentora de um legado. Faz história na música e por onde passa com os músicos que possui e já tem sua marca registrada. “Machine Messiah” será lançado em 13 de janeiro de 2017 via Nuclear Blast e traz todo conceito do processo de robotização da sociedade nos dias atuais. É brasileira… é Sepultura!


Integrantes:

Paulo Jr. – baixo (1984 – atualmente)

Andreas Kisser – guitarras e backing vocals (1987 – atualmente)

Derrick Green – vocais e percussão (1997 – atualmente)

Eloy Casagrande – bateria (2011 – atualmente)

 

Discografia:

  • Morbid Visions(1986)
  • Schizophrenia(1987)
  • Beneath the Remains(1989)
  • Arise(1991)
  • Chaos A.D.(1993)
  • Roots(1996)
  • Against(1998)
  • Nation(2001)
  • Roorback(2003)
  • Dante XXI(2006)
  • A-Lex(2009)
  • Kairos(2011)
  • The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart(2013)
  • Machine Messiah(2017)

 

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Paula Alecio

Paula Alecio

Diretora, redatora e Apresentadora do Unimetal em Imprensa do Rock
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