Classiqueira: a carreira de Chuck Berry como pioneiro do rock’n’roll

Continuando com o “Projeto Classiqueira” no site Imprensa do Rock, estamos de volta para mais uma edição. Honrando o compromisso com nosso parceiro Midiorama para contar mais histórias de artistas/bandas clássicas de suma importância no cenário musical. Conheça um pouco mais do icônico guitarrista, cantor e compositor Chuck Berry nas linhas a seguir.

Texto: Sara Ferrer

Revisão: Paula Alecio

Dono de uma carreira sexagenária e um dos pioneiros na história do rock’n’roll, Chuck Berry, batizado Charles Edward Anderson Berry, nasceu em 18 de outubro de 1926. Possuía muitas facetas no mundo da música e destacou-se como guitarrista, cantor e compositor. Sendo o estilo mais eletrizante da face da terra – concordemos – o bom e velho rock’n’roll, advém de uma mistura de jump blues e rythm and blues produzida por diversos músicos afro-americanos, além da pegada à la country, Berry foi um dos responsáveis por fazer essa mistura funcionar, sendo considerado um dos pioneiros criadores do Rock’n’Roll, que foi tomando forma ao longo do tempo, passando por modificações até ser transformado em diversas vertentes como conhecemos hoje em dia.

Uma parcela disso tudo, tem os riffs de Mr. Berry.

Como todo jovem em início de carreira, suas fontes de inspirações àquela época eram o guitarrista de Louis Jordan, Carl Hogan, assim como Muddy Waters, T-Bone Walker e o guitarrista de Benny Goodman, Charley Christian.

Confiante de seu trabalho, sua companheira inseparável em turnê era uma guitarra Gibson

Pois ele acreditava encontrar os parceiros ideais para montar sua banda nas cidades em que excursionava. Se hoje em dia alguém se habilita a fazer isso, conte para nós porque não conhecemos. Que coragem! Suas gravações mais famosas foram lançadas pela Chess Records em conjunto com o pianista Jhonnie Johnson, o baixista Willie Dixon e o baterista Fred Below, daí obteve-se uma formação sólida para as composições. Tramitava entre baladas e blues, mas foi com o rock propriamente dito que ganhou fama.

Sua discografia é extensa, com vinte e um discos de estúdios, sendo o último auto-intitulado gravado antes de sua morte e a ser lançado em junho deste ano; doze discos ao vivo além de diversas coletâneas em que você pode encontrar os sucessos mais consagrados de toda carreira, tais como: “Roll Over Beethoven”, “Sweet Little Sixteen”, “Route 66”, “Memphis, Tennessee”, “Johnny B. Goode” (que possui uma das mais famosas introduções de guitarra da história do rock), “Nadine”, entre outras.

Reconhecido por seu trabalho, foi considerado o quinto maior artista de música de todos os tempos e o sétimo melhor guitarrista do mundo pela Revista Rolling Stone. Além de ter seis de suas grandes composições incluídas na lista das 500 melhores canções de sempre da mesma revista.

Chuck Berry foi um grande ícone para sua geração e as futuras, influenciando bandas como Rollings Stones, The Beatles e Animals.

No dia de seu aniversário de 90 anos, anunciou o lançamento de um disco novo para junho de 2017, intitulado apenas “Chuck”, sendo o primeiro que continha gravações inéditas desde 1979, porém o músico, infelizmente, faleceu de causas naturais em 18 de março, em sua casa, em St. Charles, Missouri – EUA. A gravadora mantém o lançamento do disco. Aguardemos.

Causos da fama:

Todo artista tem seus dias de glórias e períodos não tão gloriosos assim… no ápice de sua juventude, Chuck passou três anos em um reformatório pela acusação de tentativa de assalto. Anos depois, em 1959, foi acusado de levar uma índia apache de 14 anos para trabalhar em seu clube noturno, mas acabou pego pela polícia por suspeitas de fins sexuais com a garota, condenado a cinco anos de prisão e arcando com a multa de 5.000 dólares.

Solto em 1963, Chuck voltou para a música e conseguiu angariar mais sucessos, retomando e recomeçando sua carreira. Músicas como “You never can tell” e “No particular place to go” obtiveram grandes êxitos.

Em 1979 teve problemas legais por sonegação de impostos, sentenciado a quatro meses de prisão e teve que cumprir 1.000 horas de trabalho comunitário, aproveitou e fez shows beneficentes.

A maior homenagem e destaque na mídia que obteve foi um grande show para comemorar seus 60 anos, em 1986, que foi organizado pelo fã de carteirinha Keith Richards, em Saint Louis; a comemoração foi filmada e documentada e teve participações de Etta James, Robert Cray, Eric Clapton entre outros convidados.