Warriors Festival @ Espaço 555 – São Paulo/SP (21/07/2018)

Inspirado no clássico filme “The Warriors – Os Selvagens da Noite” de 1979, a primeira edição do Warriors Festival, aconteceu. Foram nove bandas nacionais, dentre elas, de uma grande relevância no crossover, punk, hardcore, thrash e até ska. Todas as bandas cantando em português, porradaria, mosh-pits, mergulhos do palco, talento e diversão, foram alguns dos aspectos que aconteceu nesse festival. Foi um excelente dia para quem é fã de bandas nacionais e curtem uma sonoridade pesada em seus ouvidos.

O festival estava com um line-up de dez bandas, porém, uma delas, por imprevistos, não pode comparecer, o DFC. Mas, essa banda já está anunciada para a segunda edição do Warriors Festival, então, não percam essa edição que acontecerá em dezembro desse ano. Mas voltando a falar do festival, as bandas do line-up foram: Eskrota, Santa Muerte, Direction, Faca Preta, Norte Cartel, Surra, Cosmogonia, Skamoondongos e Periferia SA. Todas elas com ótimas recepções pelo público e claro, shows prazerosos de serem assistidos.

Eskrota

A primeira banda para iniciar o festival, foram às meninas do Eskrota. Formada por Ya Amaral (guitarra e vocal), Tamy Leopoldo (baixo e backing vocal) e Miriam Momesso (bateria e backing vocal), foi uma apresentação de aproximadamente 30 minutos, executando as músicas do primeiro e único EP da banda, “Eticamente Questionável”, lançado esse ano. Músicas com uma temática centralizada no feminismo, o trio possui uma certa brutalidade em sua sonoridade, graças aos vocais potentes da Ya Amaral, riffs acelerados e uma impressionante performance da batera Miriam Momesso. Com um público mediano, Eskrota mostrou sua grande força quando se trata em metal e graças a isso, agradaram os fãs presentes.

Santa Muerte

Segunda banda do cast, Santa Muerte. Também formada por um trio de meninas, Marília Massaro (guitarra e vocal), Jhully Souza (bateria) e Rebecca Prado (baixo e backing vocal), foi outra banda de thrash metal a mostrar sua brutalidade em palco. Divulgando o EP “Psychollic”, lançado em 2017, Santa Muerte nos apresentou um som potente e seguindo a mesma temática da Eskrota, ou seja, o feminismo, foi um show bastante apreciável, mostrando os talentos das garotas em palco e toda sua simpatia em agradar o público.

Direction

Dando sequência ao festival, Direction, foram os próximos. Formada em 2016, Thiago de Jesus (baixo), André Vieland (vocal), Rafael Stringasci (bateria) e Fausto Oi (guitarra), lançaram o debut “Mesmo Horizonte”, no mesmo ano que a banda foi fundada e com isso, eles nos apresentaram as músicas desse disco. Um som bem agradável mesclando um hardcore e um ótimo punk old school, repleto de ótimos riffs, bons refrões e grandes melodias, foi um show bem empolgante e simpático do Direction. Aqueles tipos de shows que a galera old school, certamente curte.

Faca Preta

Foi a vez do Faca Preta. Street Punk de qualidade, a banda foi fundada em 2013 e atualmente, formada por Anderson Boscari (guitarra), Dudu Elado (guitarra), Marcelo Sabino (bateria), Shamil Carlos (baixo) e Fabiano Santos (vocal), e desde então, vem carregando grandes composições de peso, repleto de ótimos ritmos empolgados, vocais intensos e melodias rápidas, foi uma excelente apresentação da banda. Sons como: “São Paulo”, “Cães de Rua”, “Lutando de Braços Cruzados”, “Até o Último Dia”, “O Caminho das Ruas”, foram completamente admiráveis e divertidos.

Norte Cartel

Para deixarem o público ainda mais enlouquecido e empolgado, o Norte Cartel, deu a continuidade no festival. Show repleto de músicas bem cadenciadas, feitas para se bangear, graças aos grandes vocais do Felipe Chehuan e as ótimas melodias que contém nas composições, foi um show de se impressionar. A banda nos apresentou um excelente repertório, vindo dos álbuns “Fiel à Tradição” (2010) e “De Volta ao Jogo” (2017), o que foram extremamente prestigiados pelos fãs, era só notar as rodinhas insanas que se estabelecia na pista da casa. Com algumas interações da banda ao público e vários agradecimentos, mostrando o quanto a banda estava feliz, Norte Cartel, foi mais um show do Warriors Festival que certamente cativou o público presente. Depois que acabou o show, a banda, ficou distribuindo cópias dos cd’s físicos para a galera que o solicitava. Um grande ato da banda aos fãs.

Surra

Se foi um show que estremeceu a casa toda, colocou todos para bangear, formarem violentos mosh-pits e vários mergulhos do palco, certamente foi o Surra. Formado por Leo Mesquita (vocal e guitarra), Guilherme Elias (baixo e vocal) e Victor Miranda (bateria), foi possivelmente a apresentação mais requisitada e aguardada pelos fãs. Devido ao intenso grau de brutalidade que esse trio realizou em palco, foram músicas repletas de insanidade e de uma incrível velocidade. O EP “Bica na Cara” (2012), o álbum “Tamo na Merda” (2016), o mais recente lançamento “Ainda Somos Culpados” (2018), fizeram parte desse monstruoso setlist. Foi impressionante as empolgações dos fãs, além de várias rodinhas e mergulhos, diversas vezes, os fãs subiam no palco e cantavam os trechos das músicas juntos com a banda. A simpatia do Surra foi tão enorme que eles deixavam isso acontecer sem nenhum problema, tanto que o Leo até deixava os vocais livres para eles se divertirem. Tinha hora em que ele estava cantando normalmente e do nada, aparecia os fãs enlouquecidos querendo prosseguir a música e ele mesmo, até se afastava do microfone. O show seguiu nessa pegada, a total diversão dos fãs com a banda executando um ótimo repertório.

Cosmogonia

Depois da fascinante apresentação do Surra, foi a vez de conferir as meninas do Cosmogonia. Terceira banda do festival formada por mulheres, foi um show razoável levando as circunstâncias que a banda voltou em 2017, após um hiato de 12 anos e voltaram recentemente com a seguinte formação: Maria Esther (guitarra) e Dani (bateria), oriundas da formação de 2005 a 2007, Gabi (vocal) e Carol (baixo). Músicas como: “O Sentir Que Violenta”, “Acredite Em Você”, “T.v. Inculta”, “Depende de Nós”, faziam parte do setlist. Um bom thrash metal e novamente uma temática ligada ao feminismo, foram performances simpáticas e até um certo nível de talento, mas faltou um pouco de energia, carisma e peso. A banda tem um bom potencial, mas precisam se estabilizarem do hiato que ficaram paradas e com um bom entrosamento, a Cosmogonia, certamente, nos surpreenderá em futuras apresentações.

Skamoondongos

Skamoondongos, possivelmente, foi o show mais divertido do festival. Banda formada em 1994 e desde esse ano, as formações foram se alterando ao decorrer das décadas, sendo atualmente, formado por oito integrantes, o conjunto de ska-punk, colocou todo mundo da pista para dançar e se divertirem o máximo que podem. Músicas como “Pobre Plebeu”, “Segunda-Feira 13”, “Ska Com Maracatu”, o cover do Garotos Podres, “Aos Fuzilados Da C.S.N.”, a versão do “Bella Ciao”, foram o suficiente para alegrar todo mundo presente. Até mesmo os integrantes da banda se mostravam bem empolgados e percebíamos na alta felicidade em se apresentarem naquela noite. Uma apresentação sensacional do Skamoondongos.

Periferia SA

Última banda do festival, Periferia SA, foram os responsáveis por encerrar a noite. Formado por Jão (vocal e guitarra), Jabá (baixo e vocal) e Dru (bateria), cada integrante subiu ao palco vestidos de palhaços. Isso mesmo, dessa maneira, o show foi iniciado. Executaram, as primeiras músicas e logo, cada um tirou as vestimentas de palhaços e por baixo delas, quando logo se nota, o Jão, Jabá e Dru, todos com as camisas da seleção brasileira de futebol, fazendo uma alta crítica ao momento atual do país. “Recomeçar”, “Segunda Feira”, “Farsa do entretenimento”, “Fissura”, “Não Sei”, “Periferia”, fizeram parte do repertório e sempre com a galera empolgada, cantando os refrões e até alguns mergulhos do palco. Assim como o Faca Preta e o Norte Cartel, vira e mexe, o Jão fazia duras críticas ao governo do país, dizendo que os políticos do Brasil não prestam e o quanto é revoltante essa atual situação do país. Um estilo punk com muita porrada, riffs intensos e várias críticas em suas letras, Periferia SA, finalizou esse incrível festival da melhor maneira.

Foi um grande festival realizado no Espaço 555. Muitas bandas boas, talentosas e com altas performances em palco. Em cada show, o público não parava de se divertir, era divertimento a cada minuto de apresentação e com as bandas sendo simpáticas e se mostravam felizes com a empolgação dos fãs, Warriors Festival, foi uma ótima opção para se curtir o melhor do underground brasileiro.

Agora, é esperar a segunda edição do Warriors Festival acontecer, o que já está prevista para acontecer em dezembro desse ano. Então, preparem-se. Porquê, se essa primeira edição foi boa, certamente, a segunda, não nos decepcionará. Que venham mais Warriors Festival pela frente!

Giancarlo Rossi

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Cursando Rádio e TV. Escuta todas as vertentes do Rock e do Metal. E Adora Cinema.
Giancarlo Rossi
Avatar

Giancarlo Rossi

Cursando Rádio e TV. Escuta todas as vertentes do Rock e do Metal. E Adora Cinema.