Visions of Atlantis @ Jai Club – São Paulo/SP (10/02/2019)

Pela primeira vez no Brasil, tivemos a honra em receber os austríacos do VISIONS OF ATLANTIS. Fundada em 2000 e desde então, ao decorrer dos anos, obteve diversas mudanças em sua formação permanecendo apenas o baterista Thomas Caser de sua formação original, o line-up é completado por Clémentine Delauney (vocal), Michele Guaitoli (vocal), Christian Douscha (guitarra) e o Herbert Glos (baixo) e no momento, o quinteto vem divulgando seu mais recente álbum “The Deep and the Dark” lançado no ano passado. Tendo realizado uma turnê pela América do Sul, passando por Colômbia, Peru, Chile e Argentina, esse seria o último show pelo continente e seria uma única apresentação no país, no Jai Club em São Paulo. Duas bandas brasileiras ficaram encarregadas pela abertura, Burning Christmas e Van Dorte.

Van Dorte

Primeira banda a subir no palco, Van Dorte. Formada em 2013, é composto por Feleex Duarte (vocal), Alexandre Carmo (guitarra), Dione Rigamonti (teclados), Vandré Scucuglia (bateria), Bru Paraffine (baixo) e Will Oliveira (guitarra). Lançaram o primeiro e único álbum de estúdio “Epilogue” (2017) e nesse show, nos apresentaram as músicas desse trabalho. O Dione iniciou com as primeiras notas de teclado com “Epilogue”, faixa que abre o disco, uma pequena introdução num ritmo lento, contando também com os vocais do Feleex. Rapidamente, seguindo a ordem do álbum, veio “The Blame”, composição mais rápida, possuindo ótimas melodias de teclado e um ótimo refrão.

O guitarrista Alexandre tinha ficado de fora nessas duas primeiras execuções por ter passado mal e ficar sem condições em tocar. Porém, felizmente, na música seguinte, ele conseguiu subir ao palco e se apresentar, e agora, com a formação completa em palco, mandaram “Like Acid”, contendo riffs de guitarra mais pesados e mais distorcidos mas mantendo aquela mesma pegada nas melodias no teclado. Deixando um pouco de lado o “Epilogue”, executaram o single lançado em 2013 “So Weak”. Voltando ao disco, mandaram “Breathe Now”, “Claustrophobia” e “In the Dark”.

Em “Fragile Dreams”, o Feleex citou o videoclipe da música que está no YouTube para quem quiser conferir. Possivelmente, a melhor execução do setlist e a mais bem recebida pelo público. Inclusive, até o momento, o show estava meio tímido e foi nessa música que os integrantes se soltaram mais. A saideira ficou por “Evil Side”, última faixa do disco, num tom mais sombrio e misterioso. Apesar de alguns problemas técnicos relacionados ao som, Van Dorte realizou uma boa apresentação e mesmo com um público ainda pequeno, conseguiram agradar os presentes.

Setlist:

1. Epilogue
2. The Blame
3. Like Acid
4. So Weak
5. Breathe Now
6. Claustrophobia
7. In the Dark
8. Fragile Dreams
9. Evil Side

Line-up:

Feleex Duarte – Vocal
Alexandre Carmo – Guitarra
Dione Rigamonti – Teclados
Vandré Scucuglia – Bateria
Bru Paraffine – Baixo
Will Oliveira – Guitarra

Burning Christmas

Os próximos a subiram no palco, Burning Christmas. Formado por Diogo S. Nunes (vocal), Marcos Brito (guitarra), Bruno Ferreira (guitarra), Leandro Tristae (bateria) Magnus Ribeiro (teclados) e Caio Barili (baixo) possuem no momento o EP “Übermensch” lançado em 2018 e nos apresentaram as faixas do trabalho. Começando pela “The Secrets of Nirvana”, bons vocais variando entre os agressivos e agudos, bateria intensa, composição rápida e pesada. Na sequência, o Diogo anuncia “Real, Symbolic and Imaginary”, seguindo a mesma pegada que dá anterior, com ótimas melodias de teclado e ótimos solos de guitarra.

O Diogo fez uma breve interação com o público, agradeceu a todos pela presença, agradeceu ao Van Dorte, citou o Visions of Atlantis que tocará pela primeira vez no Brasil e agradeceu também a produtora Dark Dimensions. Logo, anunciou “The Temple of Boo Boo”, composição que estará no futuro lançamento da banda. O Diogo perguntou para a galera se curtem música rápida, responderam positivamente e mandaram “Twilight of Idols”.

Tocaram o cover do Nightwish “The Kingslayer” e mais uma interação com o público, o Diogo citou a divulgação do EP “Übermensch”, apresentou a banda inteira e anunciou a última música do setlist, “Totem and Taboo”, e para essa música contaram com a grande participação especial da Mayara Puertas, vocalista do Torture Squad, que gravou essa composição no EP e foi convidada para participar desse show, fazendo um duo com o Diogo. Foi muito bem recebida pelo público e na música, utilizou seus poderosos vocais guturais e passagens com vocais limpos. Que ótimo momento presenciamos. Por fim, aquela famosa foto com a galera e se despedem do público bem animados.

Setlist:

1. The Secrets of Nirvana
2. Real, Symbolic and Imaginary
3. The Temple of Boo Boo
4. Twilight of Idols
5. The Kingslayer (Nightwish Cover)
6. Totem and Taboo

Line-up:

Diogo S. Nunes – Vocal
Marcos Brito – Guitarra
Bruno Ferreira – Guitarra
Leandro Tristae – Bateria
Magnus Ribeiro – Teclados
Caio Barili – Baixo

Visions of Atlantis

Antes de entrar a banda, umas três pessoas estavam ajustando a bandeira do VISIONS OF ATLANTIS para ser colocada ao fundo do palco. Mais específico, a bandeira do disco “The Deep & the Dark”. Como o palco não é muito grande e a bandeira era enorme se comparando ao tamanho do fundo, as três pessoas demoraram um pouco para ajustar a bandeira, deixando-a aparecer metade dela, apenas a parte de cima. Com isso, atrasou um pouco na apresentação do quinteto. Mas nada que interferisse na noite.

Thomas Caser, Christian Douscha, Herbert Glos e Michele Guaitoli sobem no palco e começam a tocar os trechos iniciais de “The Deep & the Dark” e por último, sobe a Clémentine Delauney e prossegue a música com seus lindos vocais e ao mesmo tempo, já cumprimentando os fãs próximos ao palco. Composição do álbum homônimo lançado em 2018. Uma canção maravilhosa, um belíssimo refrão e extremamente marcante. O Michele dá um salve para o público mega empolgado e anuncia o hit “New Dawn” do “Delta” de 2011. A Clémentine também deu um salve aos brasileiros e disse que é uma honra se apresentar no Brasil e que estavam muito felizes por estar no país.

Retornando ao “The Deep & The Dark”, a Clémentine anuncia “Book of Nature”, a potencialidade do duo realizado pela Clémentine e pelo Michele é incrível, duas vozes extremamente atraentes e comoventes. Um agradecimento em português da Clémentine e logo, o Michele disse que vamos voltar ao tempo e anuncia “Through My Eyes” do “Trinity” de 2007, novamente, a Clémentine nos impressionou com seus vocais e ao mesmo tempo, durante a execução, uma pessoa da pista estava com uma bandeira do Brasil em suas mãos, a Clémentine pegou a bandeira e mostrou aos fãs e a banda. Voltando para o “The Deep & The Dark”, veio “Ritual Night” e depois, mais interações do Michele, dizendo que esse é o último show da banda pela América Latina e que precisaria ouvir os gritos de todos os presentes, isso gerou várias e várias vibrações dos fãs, o que já foi o suficiente para mandarem “Lost” do segundo disco de estúdio “Cast Away” de 2004.

Foi a hora da Clémentine dizer: “Essa é a hora para vermos se o Brasil se compara ao público de Chile e Argentina, porquê em Chile e em Argentina, tivemos muitos piratas presentes. Então, São Paulo, estão preparados para nos mostrar ? Vamos ver. Temos piratas nessa casa ?”. Assim, poucas reações e poucas vibrações tivemos nessa hora, fazendo a Clémentine gargalhar por ter sido tão baixa e tão sem graça. Talvez, o público não tinha entendido direito o que ela tinha falado ou não entenderam o conceito, daí, o Michele foi e disse, “Embaraçoso!”. A Clémentine deu mais uma chance aos brasileiros e perguntou novamente, “Quantos piratas estão nessa casa ?”, dessa vez, os brasileiros reagiram bem melhor e depois, o Michele perguntou novamente, só que dessa vez em português, o que gerou em maiores vibrações, fazendo a Clémentine confirmar que realmente existem piratas na casa.

Assim sendo, executam “The Silent Mutiny”, outra grande composição do “The Deep & The Dark”, com seu refrão marcante e o ótimo dueto da Clémentine e do Michele cada vez nos cativando e nos surpreendendo. Michele, Thomas, Christian e Herbert se retiraram do palco ficando apenas a Clémentine, que anuncia “The Last Home”, a base de um piano tocando ao fundo, os seus lindos vocais emocionaram a todos os presentes, sério, ao meu lado, uma garota se derreteu em lágrimas. Foi lindo de presenciar esse grande momento do show e não apenas nos emocionou como também a própria Clémentine executou a canção completamente emocionada. Os músicos retornaram ao palco e mandaram “Memento”, outra do “Delta”. O Michele disse que retornarão ao Brasil em breve e ainda disse que realizar essa turnê pela América do Sul foi uma experiência maravilhosa, agradeceu a todos e anuncia “Words of War”. “Seven Seas” e “The Grand Illusion” foram as próximas, depois, o Michele disse que estão chegando perto do final do show, executam “Last Shut of Your Eyes” e depois, a Clémentine disse que a próxima seria a última da noite e veio “At the Back of Beyond”.

Após, inúmeras vibrações do público pedindo por mais uma, pedindo o famoso bis, se encontrava e eis que o Michele retorna e logo pergunta: “Como se diz mais uma em português ?”. O público vibrou novamente gritando por mais um e ele ainda falou, “Não parem gritar, vamos lá!”. Os fãs novamente gritaram e ele disse, “Vocês querem mais uma música ? Mais duas ? Mais três ?”. Daí, Thomas, Christian e Herbert aparecem no palco e o Michele disse que executarão “Passing Dead End”, porém, queria ouvir todos cantarem. Disse que a recepção no Chile foi boa, na Argentina foi boa e no Peru também, ele queria ouvir a do Brasil. Ao sinal dele, o público teria que cantar “Passing Dead End”, justamente o nome da canção, um dos trechos do refrão da música. Realizou isso algumas vezes gerando em grandes coros do público. Feito isso, a Clémentine retorna ao palco e executam a música toda.

A Clémentine agradece a todos e também disse que retornará ao Brasil em breve e quase anunciando a próxima música, o Michele interrompe ela e disse que ainda é cedo, temos tempo ainda e nesse tempo, ele apresentou cada integrante da banda, cada marinheiro. Primeiramente, apresentou o guitarrista Christian Douscha, depois de vários aplausos, uma pessoa gritou Áustria e logo, todos começaram a gritar “Áustria, Áustria…”, ficou assim por um tempo, deixando ele bem contente. Motivo pelo qual gritaram Áustria foi que na metade do show, antes de executarem “Seven Seas”, o Christian achou que uma pessoa do público gritou Áustria, daí, ele foi e perguntou para essa pessoa e ela disse que não gritou. Óbvio que o Christian levou numa boa e por brincadeira, fingiu estar chateado. Por causa disso, o público gritou Áustria por um tempo e foi um puro divertimento tanto dos fãs quanto da banda. E por final, o Christian agradeceu a todos em inglês e depois em português.

Depois, foi a vez de apresentar o baterista Thomas Caser, apresentou o baixista Herbert Glos, que devido ao seu porte físico, assim como o próprio Michele disse, o marinheiro forte, o público gritou por “Aquaman, Aquaman…”, comparando com o personagem das histórias em quadrinhos Aquaman e que acabou de ganhar sua versão para as telonas. Inclusive, essa comparação foi mais por terem comparado ao ator Jason Momoa, que interpretou o Aquaman no filme. A Clémentine apresentou o vocalista Michele Guaitoli, que no caso, o integrante mais recente do VISIONS, integrou na banda no ano passado substituindo o Siegfried Samer. E novamente, o Michele voltou ao microfone para apresentar a vocalista Clémentine Delauney, porém, ele mesmo disse na hora que faremos uma surpresa para ela, que ela não espera pelo que está por acontecer, sendo assim, o Michele fala que naquela hora na Europa, é o aniversário dela, dia 11 de fevereiro, e para a surpresa dela, o público cantou “Parabéns Pra Você” em inglês e depois o Michele pede para cantarem em português, o que foi prontamente atendido, deixando ela emocionada e extremamente feliz. O Michele apresentou a Clémentine, a princesa Clémentine Delauney, saindo bem ovacionada e muitos gritos de “Clémentine, Clémentine…”.

Chegando ao fim, executam a maravilhosa “Return to Lemuria”, possivelmente a melhor faixa do “The Deep & The Dark”. Incrível a execução pela banda, memorável, linda e emocionante. O quinteto finaliza a apresentação com gritos de “Visions, Visions, Visions…” e de “Olê, olê, olê, olê, Visions Visions…” vindas do público. Fazem aquela famosa foto com a galera e bem felizes, se despedem dos brasileiros. Como a Clémentine e o Michele repetiram algumas vezes durante o show, “Retornaremos ao Brasil muito em breve”. Bom, só espero que isso realmente aconteça e com bastante frequência. Porquê depois desse maravilhoso show do VISIONS OF ATLANTIS em sua estreia pelo país, não vejo a hora da banda retornar e novamente marcar a minha presença. Vários momentos excepcionais, integrantes extremamente empenhados, um repertório fabuloso, realizaram o que todos os presentes esperavam, ou seja, uma apresentação fantástica e inesquecível.

Setlist:

1. The Deep & the Dark
2. New Dawn
3. Book of Nature
4. Through My Eyes
5. Ritual Night
6. Lost
7. The Silent Mutiny
8. The Last Home
9. Memento
10. Words of War
11. Seven Seas
12. The Grand Illusion
13. Last Shut of Your Eyes
14. At the Back of Beyond

Encore:

15. Passing Dead End
16. Return to Lemuria

Line-up:

Clémentine Delauney – Vocal
Michele Guaitoli – Vocal
Christian Douscha – Guitarra
Herbert Glos – Baixo
Thomas Caser – Bateria

Fotos: Jair G. Silva

Giancarlo Rossi

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Cursando Rádio e TV. Escuta todas as vertentes do Rock e do Metal. E Adora Cinema.
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