Velhas Virgens: “O maior problema é ficar refém de um ritmo musical”, diz Cavalo

velhasvirgenscavalo

velhasvirgenscavaloDepois de uma noite quente, drinks e muita diversão, tivemos o imenso prazer em bater um papo com um dos membros fundadores, Cavalo (guitarrista) que se encontrava cansado e prestes a pegar um voo para mais uma apresentação nos concedeu com muita atenção uma entrevista bacana e com uma notícia meio que inesperada para os fãs. Confiram.

Entrevista por: Leandro e Jair
Edição: Victor Santos

Qual a relação entre cerveja, sexo e rock n’ roll já que a banda também se encontra com sua própria marca de cerveja.

Cavalo: Desde o primeiro disco nós temos essa coisa de sexo e cerveja, a capa mostra muito bem isso com duas garrafas transando. Foi algo meio pra chocar, liberdade de expressão de poder falar certas coisas que os caras não falam. Coisa que se criou mais problemas do que abriram portas, nossa ideia não era chegar onde chegamos, onde seria uma brincadeira acabou se tornando algo sério e 30 anos depois estamos aqui.

Uma curiosidade que temos, com relação a Juliana que esbanja humor e sensualidade no palco, o público não confunde?

Cavalo: Cara, pode parecer engraçado mas o público masculino respeita bastante a Juliana, mas a mulherada cai em cima (risos). Até mesmo porque procuramos ter um cuidado com ela sempre, pois fora do palco é outra coisa e o trabalho tem que ser respeitado.

É complicado nos tempos de hoje carregar uma banda independente por tanto tempo? Afinal, são 30 anos de estrada.

Cavalo: Sempre foi e hoje o cenário do rock aparentemente está pior, até mesmo porque o cenário sertanejo canibalizou o mercado, tomou conta, pois é só música que se ouve, eu não me lembro disso ter acontecido com outro estilo como a lambada por exemplo.

Mas o mercado é esse, mainstream e bandas independentes. O maior problema é ficar refém de um ritmo musical. No Brasil, existem vários ritmos musicais e este não é bem um sertanejo e sim um pop que pegou e as pessoas curtem, isso é democracia, “a cracia do demo” (risos).

Por outro lado você tem a internet que você pode ver e ouvir o que quiser, mas as pessoas querem mais do mesmo, mas o lance é fazer o que a gente faz, não somos mais jovens, já toquei com dengue, o Paulão se encontra com uma forte gripe mas a gente não para.

Essa é a vida do “independente”, certo?

Cavalo: Sim, é a vida do musico no geral, tirando aquela meia dúzia que tornou a coisa lucrativa.

Como é o público de 30 anos atrás se comparado com o de hoje.

Cavalo: Nosso público se recicla e sempre girou entre os 15 e 35 anos de idade. Se comparado com 30 anos, os de 15 hoje se encontram com 45 e os de 35 com 65 e esse público muda muito, pois a partir da internet conseguimos chegar a lugares onde não conseguimos antes.

E fora do país, já realizaram algum show?

Cavalo: Fomos ao Paraguai e Argentina, mas é complicado pois nunca paramos. Quando chega no início do ano, época em que podemos dar uma respirada estamos nos preparando para o Carnavelhas. Nos vinte últimos anos emendamos uma tour após a outra e devido a isso o Paulão quer dar um tempo pra realmente a gente descansar e não sei se voltamos, mas essa tour será registrada em DVD. Digamos que entraremos em férias após tudo isso. Obrigado!

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
Victor Santos