Turisas: “shows no Brasil serão como uma festa no inferno”, diz carismático vocalista Mathias Nygård

Os finlandeses do Turisas estarão desembarcando no Brasil novamente no mês de outubro para três shows, e com isso, a Imprensa do Rock bateu um papo com o vocalista Mathias Nygård que falou sobre começo da banda, a clássica pintura facial vermelha, temáticas sobre os álbuns, evolução e muito mais.

Olá Mathias, seja bem vindo a Imprensa do Rock. Como o Turisas surgiu e de quem foi a ideia?

Mathias: Turisas foi formada em 1997, por mim e pelo nosso guitarrista Jussi. Nós realmente não tínhamos nenhum grande plano; nosso maior sonho na época era algum dia ser capaz de gravarmos uma demo cassete auto financiada.

Uma curiosidade que pode ser parte do início da história da banda, de onde vieram as pinturas faciais de guerreiros em tons de vermelho e preto? As cores tiveram um destaque tão forte que não tinha como passar despercebido.

Mathias: A icônica pintura facial não estava sempre lá desde o início, mas – como a maioria de tudo com Turisas – ela só evoluiu naturalmente ao longo de um tempo. Parece um pouco ridículo hoje em dia, mas naquela época, quando não havia nada como um – na Cena folk metal, sentimos que vínhamos da segunda onda de black metal que estava crescendo. Todas as bandas ainda estavam fazendo algo como a pintura cadáver, mas para nós, sentimos que a nossa música já estava tomando uma direção diferente, e que a estética do black metal realmente não nos convém. Mas queríamos ter algo semelhante, o lado visual e forte para a banda, por isso, nós apenas seguimos nosso próprio caminho.

No começo era mais sujo, com alguns respingos de sangue, mas todas as noites, quando alguém aplicava um pouco mais do mesmo, e um cada vez um pouco mais, tornou-se o que é hoje. Foi tudo não planejado, cresceu junto com a banda. Mas semelhante, também sentimos que a evolução nunca parou, então nós ainda tentamos desenvolver o lado visual da banda demasiado, álbum por álbum. Digo, não tomaria por garantido que a pintura no rosto vermelho-preto é algo que será para sempre também.

O Turisas possuem diversos temas em sua discografia. Vocês tentam manter uma linha conceitual ou vários temas são explorados pela banda lançamento após lançamento?

Mathias: Temáticas fortes sempre fizeram parte do Turisas. Nosso debut “Battle Metal” não era um álbum conceitual em si, mas tinha um forte tema comum a ele. Na sequência, “The Varangian Way” e “Stand Up And Fight” são dois grandes álbuns conceituais, baseados em torno do mesmo enredo transportando mais de dois álbuns. O mais recente álbum “Turisas, 2013” tem sido acusado de falta de conceito, mas eu diria que esse álbum também é muito conceitual, mesmo que não seja em um formato de história cronológica. Ele está se inclinando mais para o mundo contemporâneo.

O último trabalho da banda foi “Turisas, 2013”, como foi a produção do álbum e qual a temática que resolveram usar para esse tema?

Mathias: Nós tomamos um rumo muito diferente na produção. No passado, quase todos os álbuns foram como trabalho de laboratório, com foco em pequenos detalhes. Em “Turisas, 2013”, queríamos fazer as coisas mais espontaneamente. Então, nós alugamos uma casa no meio do nada e vivemos lá por seis meses gravando o álbum.

Tematicamente “Turisas, 2013” é mais focado em batalhas acontecendo no mundo de hoje. É também o álbum mais pessoal que fizemos. Este é um lado que está presente em todos os álbuns, mas eu acho que tem sido ofuscado pelo grande quadro histórico ao qual foram apresentados.

E a reação dos fãs desde o lançamento do álbum, como está sendo?

Mathias: Esperávamos reações mistas. Nós também costumamos crescer a cada álbum que lançamos. Quando “The Way Varangian” saiu, as pessoas que amavam “Battle Metal” ficaram chocadas com as pequenas mudanças no som. Mas com o tempo ele se tornou algo como um clássico folk metal. É claro, sabíamos que “Turisas, 2013” soou diferente do que tínhamos feito no passado. Se quiséssemos fazer um álbum como “Battle Meta”l, teríamos feito um álbum como “Battle Metal”. Agora, sentimos que isso era o que tínhamos que fazer.

E qual a diferença de “Turisas, 2013” para os outros trabalhos da banda?

Mathias: Ele é mais focado, tendo um bom tempo tocando e executando, tudo é perfeito e mais polido. Tendo uma vantagem que nossos outros álbuns não têm.

Vocês são considerados uma das lendas do Folk Metal, como o Turisas se sentem com isso?

Mathias: Somos parte disso desde o início, claro, é inacreditável ver o quão longe nós chegamos, e como toda a cena se tornou grande. Como mencionei anteriormente, para além de algumas bandas pioneiras, realmente não havia cena folk metal quando começamos.

Falamos de ‘lendas’ do Folk Metal, como é a cena atual na Finlândia para as bandas tanto do gênero como geral? Vocês costumam trabalhar juntas (compor, sair em turnês)?

Mathias: Folk Metal tem uma base muito forte na Finlândia, obviamente, como a maioria dos artistas da cena são da Finlândia. Eu acho que você poderia dizer algo como o ‘big five of Finnish Folk Metal’: Turisas, Finntroll, Ensiferum, Korpiklaani e Moonsorrow, eles são os responsáveis por grande parte do Folk Metal ter se tornado algo, em primeiro lugar. Nós fizemos tantas turnês, com todas as bandas, que todos são bons amigos uns com os outros. Helsinki também é uma cidade pequena, por isso, nos esbarramos o tempo todo, mesmo quando não estamos em turnê!

Vocês estarão realizando três shows em outubro no Brasil, quais são as expectativas da banda e o que os fãs podem esperar das apresentações?

Mathias: A última vez foi em 2013, ficamos deslumbrados com a recepção do público e os fãs, então agora sabemos um pouco o que esperar, (risos). Estamos muito ansiosos para os shows, e mal posso esperar para chegar lá, já! Última vez que tocamos foi em Curitiba e SP, mas não no Rio, então estamos empolgados para ir a um lugar novo também.

Nós redesenhamos nossos shows deste ano, então eles serão bem diferentes desde a última vez, com certeza. Nós também gostamos de mudar as coisas de última hora, então, tenho certeza que nenhuma noite no Brasil será exatamente igual.

O Turisas está trabalhando em algum novo material?

Mathias: Ainda estamos em fase inicial de processo, trabalhando no material novo, ele está se tornando tão gigantesco, que eu acho que vai levar algum tempo, antes de um novo álbum sair. Mas vai valer à pena espera, acho que será o álbum mais ambicioso que já fizemos.

Deixem um recado para a Imprensa do Rock e aos fãs do Turisas. Nos vemos nos shows!

Mathias: Hey Brasil! Estamos realmente animados para voltar novamente. Espero que todos vocês consigam ir aos shows, será como uma festa no inferno, então é melhor não perder! Vejo vocês em breve!

Entrevista por: Victor Santos // Tradução por: Sara Ferrer
Foto cedida por: Leandro Anhelli
Agradecimentos ao Turisas e Durr Campos

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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