Tropical Rock Fest @ Tropical Butantã – São Paulo/SP (02/06/2017)

Na última sexta feira, aconteceu a segunda edição do Tropical Rock Fest, contando com três excelentes bandas renomadas e com grandes representações no cenário do metal brasileiro. São elas: PAURA, uma banda paulistana de Hardcore, que já está um bom tempo em atividade. RATOS DE PORÃO, já bem reconhecido por todos e por ser uma das principais bandas de Hardcore Punk que o Brasil já teve. E a grande banda de Death Metal, KRISIUN, previsto para tocar clássicos dos seus primeiros álbuns de estúdio.

Com um horário meio foram do comum para acontecer esse festival, o Tropical encheu consideravelmente, mas não chegou a lotar. Tanto que teve pessoas que quando acabou o RATOS DE PORÃO, já foram indo embora ou ficaram na metade da apresentação do KRISIUN e já foram indo. Realmente, o horário interferiu bastante neste quesito. Com certeza, se mudassem o horário, aonde teria condições boas em relação aos horários dos transportes públicos, o festival lotaria fácil, por serem grandes bandas reconhecidas e consagradas. Mas vamos ao que interessa.

PAURA

Pontualmente começando as 22:00, o PAURA teve a honra de iniciar esse grande festival numa noite que seria longa. Entrando no palco e o vocalista Fabio Prandini, já chegou revoltado com as situações atuais do Brasil e começaram a apresentação tocando músicas insanas e pesadas. Uma apresentação de uns 45 minutos, tocando ao todo 13 músicas energéticas e que souberam muito bem agradarem o público.

Um pequeno público presente na apresentação, mas que foi muito bem recebidos pelos fãs. Tanto que na maioria da galera, grande parte percebíamos ser fãs da banda. Devido a uma rodinha feita na pista e por alguns fazerem um estilo de dança própria ligada a banda. Momento bacana por parte dos fãs, o que mostrou empolgação na performance deles.

Faixas num ritmo acelerado, vocais agressivos, um som intenso e potente, foram alguns aspectos que marcaram a apresentação. Algumas interações com o público também aconteceu, aos grandes agradecimentos e revoltas com as circunstâncias que o Brasil anda passando.

Além disso, mais um momento marcante da noite: foi quando tocaram a nova música “Call On All Sisters” dedicada às mulheres. Onde foi muito bem aplaudido e recebida, tanto pelas mulheres como por todos presentes.

Uma boa apresentação mostrando bem as potências que a banda tem no cenário brasileiro do Hardcore e conseguindo agradar bastante os fãs. Um ótimo início a esse grande festival que prometia ser espetacular.

Setlist:

1. No Competition On True Love
2. Bull Control
3. Reverse The Flow
4. Unbroken Tree
5. Truth Hits Hard
6. Nwa (Never Walk Alone)
7. Education
8. Call On All Sisters
9. No Hard feelings!? Fuck You!
10. Scars Of life
11. Malfunction (Cro-Mags cover)
12. The Privilege
13. History Bleeds

Line-up:

Fabio Prandini – Vocal
Rogério FR – Guitarra
Claudinei Ferreira – Guitarra
Paulo Demutti – Baixo
João Limeira – Bateria

RATOS DE PORÃO

Pontualmente começando as 23:30, o RATOS DE PORÃO teve o prazer de prosseguir com o festival. Com um número maior de fãs presentes na casa, o RATOS subiu no palco e mostrou que chegaram para destruir tudo. Com mais ou menos uma hora de apresentação, fizeram uma performance insana e cada vez mais pesada com o passar dela.

Foram tocadas músicas de diversos álbuns e souberam variá-los muito bem. Clássicos como: “Beber Até Morrer”, “Aids, Pop, Repressão”, “Expresso da Escravidão”, “Crucificados Pelo Sistema”, “Igreja Universal”, entre outras, fizeram parte do repertório deles. Insanidade pura e devastadora, foram bons aspectos para defini-los.

Por parte do público, o RATOS agradavam eles cada vez mais e moshs grandes e brutais, foram se formando até o final da apresentação deles. O João Gordo, interagiu um pouco com os fãs, falando das revoltas do país e críticas e mais críticas a política envolvida no Brasil. O que já fazia parte da própria banda em ter assuntos nas suas músicas em relação as duras críticas a sociedade, violência e principalmente do governo corrupto que habita o país.

Formação desde 2004 e com talentosos músicos presentes. O Jão (guitarra), sempre mandando bem nos riffs e nos seus solos consistentes. O Boka (bateria) tocando a bateria numa velocidade e numa intensidade espetacular. O Juninho (baixo) bem representativo com bons momentos no instrumento e sempre agitado no palco com direito a alguns pulos que ele sempre faz. E o próprio João Gordo e seus vocais super rápidos e potentes.

Devido ao grande número de fãs que a banda sempre teve, grande reconhecimento nacional e internacional, um estilo agressivo e pesado, fizeram uma apresentação empolgante e de deixar qualquer um satisfeito e feliz.

Line-up:

João Gordo – Vocal
Jão – Guitarra
Juninho – Baixo
Boka – Bateria

KRISIUN

Antes do KRISIUN se apresentarem, percebíamos uma galera deixando o local muito por causa do horário estipulado para o festival. Porém, isso não deixou a casa vazia. Mas na metade da apresentação deles, percebíamos ainda mais, a casa com um público bem diminuído, uma metade da pista cheia, mas a outra quase que vazia. Mas, mesmo assim, isso não interferiu na exibição da banda e podíamos presenciar mais um show devastador do KRISIUN.

Um festival em que as bandas começaram todas pontuais em relação aos horários estabelecidos e com o KRISIUN, não foi diferente. Começando as 01:30, como previsto, a banda já entra no palco com a excelente e insana “Kings of Killing”, música bem acelerada e já dando ritmo ao show. Prometendo tocar músicas dos três primeiros álbuns de estúdio, o nome da turnê ficou com o título “Black Apocalyptic Armaggedon”, mas não tocaram só músicas desses álbuns e variaram um pouco no repertório. Continuando com a apresentação, veio a “Ravager”, música que inicia o “Conquerors of Armageddon” (2000), mantendo na mesma agressividade e velocidades extremas, onde já foram surgindo moshs violentos e insanos na pista.

Em seguida foi a vez da “Vengeance’s Revelation”, faixa do “Apocalyptic Revelation” (1998). Depois, o Alex falou que iam tocar músicas recentes e não só as antigas, o que deu uma variada no setlist. Então, veio a “Blood Of Lions”, tocada de forma violenta e intensa, mostrando o peso que a música tem. Continuando na mesma pegada, veio mais uma do “The Great Execution” (2011), “Descending Abomination”, num ritmo bem cadenciado e técnico. A excelente “Combustion Inferno” foi a próxima, com um refrão matador e ainda mais veloz em sua ritmo.

Voltando para as canções antigas, foi a vez do “Aborticide (In the Crypts of Holiness)”, extremamente rápida e impressionante ver o Max Kolesne (bateria) acabando com o instrumento, devido ao talento dele. Depois, o Alex falou que iria tocar uma música do “Black Force Domain” (1995), primeiro álbum de estúdio e ele mesmo disse que vão tentar toca-lá por quê fazia tempo que eles não tocavam. Então, veio a “Hunter of Souls”, resultando num excelente trabalho feito pela banda. Surpreendeu em todos os momentos.

Novamente, o Alex interagindo com os fãs, inclusive, cada música que eles tocavam, ele sempre interagia com agradecimentos aos que estavam presentes naquela madrugada, o que já é costume dele em fazer isso. E começou a fazer uma crítica aos religiosos fanáticos e assuntos relacionados a isso. E ele falou assim: “Em relação a isso, eu só tenho uma coisa a dizer: Kill, kill, kill lord Jesus Christ”. Com isso, já sabíamos qual seria a próxima, a extrema “Conquerors of Armageddon”, provavelmente, uma das mais esperadas da apresentação deles. Completamente veloz, energética e satânica.

Após dessa insanidade no palco, veio ainda mais insanidade pela frente, por quê a próxima, o KRISIUN chamou o João Gordo para executarem a faixa em que ele participa no disco “The Great Execution” (2011), a “Extinção em Massa”. Um dos momentos mais marcantes do festival, essa excelente combinação e colaboração entre as bandas, e claro, uma música agressiva e excepcional. Depois, o Max Kolesne mostrou para nós, o que ele sabe fazer na bateria. Um solo incrível mostrando a potencialidade dele e o por quê é um dos melhores bateristas da atualidade. Agressivo e pesado, ele devorou o instrumento em alguns minutos, pelo grande talento dele.

Homenageando novamente o Lemmy Kilmister, veio um cover do Motorhead, a “Ace of Spades”, um dos maiores clássicos da história do metal. Muito bem tocada e animando os fãs com esse magnífico som.

Chegando para o final da apresentação, foram tocadas mais duas músicas antigas: “Hatred Inherit” e a clássica que todos pedem, “Black Force Domain”, como de costume, ser a última música de suas apresentações. Aproximadamente, uma hora e vinte minutos de apresentação, o KRISIUN souberam fechar esse festival dá melhor maneira.

É incrível a simpatia, a dedicação e o fôlego que os integrantes do KRISIUN tem. Eles não pararam de tocar por um minuto sequer. Energia, era o que não faltava no show deles. Cada um foi bem representativo e conseguiram muito bem agradar o público presente. O Alex Camargo (baixo e vocal) sempre interagindo com os fãs, como eu tinha falado antes, cada música ele fazia grandes agradecimentos aos fãs e do quanto é feliz tocar no Brasil e ser brasileiro. Sem contar a sua performance em palco, que é devastadora, devido aos seus vocais guturais e extremamente agressivos. O Moyses Kolesne (guitarra), impressionando muito com seus riffs insanos e rápidos, e solos bem técnicos e com uma velocidade brutal. E o Max Kolesne (bateria), fazendo uma performance excepcional e mostrando o grande baterista que ele é. Sem dúvidas, um dos maiores bateristas do mundo. Grandes “blast beats” variados podíamos presenciar no espetáculo, com direito a um excelente solo na metade do show.

Mais uma fantástica apresentação do KRISIUN em São Paulo. Com um setlist bem recheado de excelentes músicas, interações com o público, mostrando o prazer, atenção e dedicação com os fãs presentes e muita extremidade rolando na performance da banda, foi um show agradável, divertido e prazeroso.

Setlist:

1. Kings of Killing
2. Ravager
3. Vengeance’s Revelation
4. Blood Of Lions
5. Descending Abomination
6. Combustion Inferno
7. Aborticide (In the Crypts of Holiness)
8. Hunter of Souls
9. Conquerors of Armageddon
10. Extinção em Massa
11. Ace of Spades (Motörhead cover)
12. Hatred Inherit
13. Black Force Domain

Line-up:

Alex Camargo – Baixo e Vocal
Moyses Kolesne – Guitarra
Max Kolesne – Bateria

A segunda edição do Tropical Rock Fest, foi histórico. Três excelentes bandas brasileiras tocando na mesma noite e com ótimas apresentações cada uma delas e impressionando a cada momento possível. Uma longa noite que provavelmente não decepcionou ninguém que presenciou este espetáculo. Devido a isso, que venha mais e mais, Tropical Rock Fests.