Toni Laet: conheça o novo baixista do Andragonia

E voltamos!! Dessa vez trazendo alguém novo aqui na área. É ele Toni Laet o novo baixista do Andragonia que está substituindo o Yuri Boyadjian. Mais um pra família da Imprensa do Rock pode ter certeza. Nessa entrevista abordamos a sua escolha no baixo, como entrou na banda, se foi bem recebido, algumas dicas para os fãs e comentários sobre projetos solos.

Toni primeiramente obrigado por ter aceitado bater esse papo com a Imprensa do Rock, você é o novo baixista de uma das maiores bandas que temos hoje na cena “Metal Nacional”, o Andragonia, a banda mistura muita técnica, feeling e peso, como está sendo a sua adaptação?

Primeiramente obrigado a vocês pelo espaço. A adaptação está sendo bem natural. Eu tenho muitas das referências dos outros músicos, o que ajuda muito. Está certo que tecnicamente eu sou muito inferior a eles, pois eu, na minha vida musical acabei saindo do metal a uns anos e com isso deixei de desenvolver algumas coisas. Mas de feeling e peso eu entendo bem (Risos).

A banda cada dia vem ganhando mais espaço, seus músicos se destacam muito, os guitarristas Cauê Leitão e Thiago Larenttes sempre estão na lista de melhores guitarristas da nova geração, querendo ou não você acha que isso te da muita responsabilidade em estar á altura?

Não acho. Eles são reconhecidos pelo ótimo trabalho que fazem. Trabalho esse que sou fã de longa data. Acho até que demorou um pouco pra esse reconhecimento começar a chegar. Meu trabalho com eles é desenvolver uma base sólida, sem muita firula pra eles mostrarem o melhor deles. Não sou e nunca serei o melhor baixista ou o mais rápido baixista do Brasil ou do mundo. Meu lance é outro.

Como foi a sua entrada na banda? Todos te receberam bem?

Eu recebi o convite e entrei sem pressão. Fizemos uma reunião, sem tocar e me receberam muito bem. Muitas risadas (Risos). Mas depois, tive que estudar bastante, basicamente respiro ANDRAGONIA desde então. Todos os dias toco as músicas e vivo escutando elas pra ajudar na gravação do subconsciente (Risos).

Qual a sua formação como baixista? Teve professores?

Sou autodidata, minha família tem muitos músicos, minha mãe é pianista e quando eu ainda estava em gestação ela tocava Bach, deve ter ajudado em alguma coisa. Meu irmão, Miguel de Laet me ensinou os primeiros acordes no violão e depois de muitos anos, quando eu tocava na banda Arrival (com o Ricardo DeStefano) resolvemos tirar uma música do Live (Pain Lies on the Riverside) e eu estava com dificuldade pra entender a técnica do Slap, então fiz 2 aulas com o Daniel Lima (Maestro Insano).

Qual a principal diferença entre o seu modo de tocar e do antigo baixista o Yuri Boyadjian?

Basicamente somos outra pessoa (Risos). O Yuri tem bastante influência de Prog. Pra mim o Prog é um mero detalhe.

Quando começou a tocar contra baixo e viu que era o caminho que deveria seguir?

Tem 15 min? (Risos). Eu sobrei no baixo na real. A primeira banda da minha vida foi formada na escola, com o Daniel de Sá e com o Luke Gomes e mais um amigo na época. Acho que foi em 1995. Todos tocávamos violão, levávamos pra tirar um som nos intervalos de aula. Quando decidimos montar uma banda mesmo, o Daniel escolheu bateria (porque ele gostava de batucar nas mesas da escola) o Luke e o Mario escolheram rápido guitarra, eu sobrei no baixo. Levou um tempo até todos comprarem os instrumentos, eu peguei emprestado do meu irmão (Marco de Laet). Só fui comprar meu próprio baixo em 2001(Risos).

Além do Andragonia você tem outros projetos?

Tenho sim. A Senhor Visconde (página facebook) é uma banda de pop rock, que me dedico desde 2008, apesar de que em 2005 começamos a compor material, e a SeriA (MySpace), metal/hard rock/ punk/pop , que comecei em 2001 e estamos em um hiato desde 2005.

Quais são suas principais influências como baixista?

Gene Simmons, Duff Mckagan, Luís Mariutti, Paulo Xisto, Paul McCartney, Krist Novoselic, Larry Graham e Liminha

Sabemos que hoje no Brasil o estilo do Andragonia está um pouco em baixa, a banda deu uma sumida, enfim muitas coisas a resolver, o que podemos esperar nessa atual fase do grupo, muitas novidades em breve?

Eu já acho que esse estilo sempre foi meio em baixa. Lembro na minha época de escola que eu só conseguia conversar desse estilo de som com o Daniel e com o Luke. A diferença é conseguir juntar o público. Lembro que nos shows que rolavam aqui em Sampa o público vinha de outras cidades e estados. Acho que o que está acontecendo é que a galera ou parou de viajar, ou estão viajando pra shows ou festivais gringos. O público continua querendo ouvir o som. Sei bem porque converso com pessoas do Brasil todo. Talvez os produtores de shows no interior do país não estão mais chamando as bandas, pois o povo ta juntando grana pra ir num show mais bem acabado na capital. Acho que o youtube foi fundamental pra baixa nos shows. É um baita veículo de divulgação, mas também faz com que dê uma certa preguiça de sair de casa. Não sei. Muitas dúvidas. Mas não vejo a cena menor do que a que eu vivi nos anos 90. Mas acho possível juntar essa galera se tornar o show mais atrativo ao público. Estamos trabalhando pra isso. Não posso adiantar como faremos isso. Só posso dizer que usaremos de bom humor pra isso.

Além de músico você é ator e trabalha com fotografia e vídeo, isso ajuda de alguma forma a banda?

Meu lado ator já ajudou no início. Cara de pau pra entrar na banda estando afastado do metal por tanto tempo (Risos). O trabalho de vídeo e foto ajuda na parte de divulgação da banda. Normalmente estou fazendo a direção de fotos promo (não posso apertar o botão mas posso iluminar e pensar o enquadramento a ser usado) e edições dos vídeos. Economiza uma grana (Risos).

Infelizmente no Brasil é bem difícil viver de música principalmente tocando Heavy Metal, como você vê a atual cena metal no Brasil?

Vejo que tem muitas bandas boas, mas muitas bandas parecidas também. É difícil se destacar. Não concordo que é difícil viver de música mas é mais fácil viver de outra coisa. Difícil é se arriscar. A tempos atrás viver de música era ter banda famosa e/ou dar aulas. Hoje ampliou um pouco isso, existem mais estúdios o que ajuda a galera que curte trabalhar com produção musical, engenharia de som, softwares de gravação e musicoterapia (que é o meu caso também). Viver de música é relativo, existem outras áreas como o pessoal que é Dj na noite, enfim… dá pra viver bem se você se arriscar. A música ampliou os horizontes. Já a cena do metal, sempre foi isso, o cara monta banda e dá aula. Foi assim com o Angra e é assim com a cena atual também. No ANDRAGONIA temos professores, produtores e agora um musicoterapeuta em formação.

Toni obrigado mais uma vez, agora deixe um recado para todos os leitores da Imprensa do Rock.

Obrigado mais uma vez pelo espaço, vou deixar uma frase de um cara sensacional que se aplica sobre qualquer área da vivência humana. “Você deve ser a própria mudança que deseja ver no mundo” – Ghandi

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Victor Santos

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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