Titãs – Doze Flores Amarelas @ Sesc Pinheiros – São Paulo/SP (15/04/2018)

A primeira ópera-rock criada por uma banda brasileira, aconteceu. Tive um prazer imenso de presenciar esse acontecimento histórico e memorável. Por presenciar uma ótima ópera-rock, já é totalmente admirável e prazeroso, só que melhor do que isso, é os TITÃS, uma das maiores bandas brasileiras de todos os tempos, ter realizado essa excepcional apresentação. Intitulado como “Doze Flores Amarelas”, a banda realizou uma série de quatro apresentações no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros em São Paulo.

Um palco muito bem estruturado e montado para o espetáculo, boas iluminações onde obteve certas variações dependendo do caso e do momento específico, a ópera-rock se trata de vários assuntos bem recorrentes dos últimos tempos, como assédio sexual, violência contra mulher, aborto, tecnologia tóxica do mundo digital, entre outros. A história se concentra em três garotas chamadas Marias. Buscando diversão, elas consultam, por meio de um aplicativo chamado Facilitador, a melhor maneira de curtir uma festa. Elas marcam de irem numa festa e acabam sendo violentadas por cinco homens que também estavam presentes na noite. Como forma de vingança, elas novamente consultam o Facilitador, para obter um feitiço chamado “Doze Flores Amarelas” e usá-lo contra os agressores.

Falando sobre as músicas da ópera, o espetáculo foi iniciado com “Nada nos Basta”, bem composta, num ritmo empolgante, com seus riffs bem elaborados e muito bem cantado pelo Sérgio Britto. “O Facilitador” veio em seguida, com o Branco Mello nos vocais principais, é um som mais dançante. “Weird Sisters”, canção executada em inglês, mantém na mesma pegada das anteriores, com o Sérgio nos vocais principais sendo acompanhado pelas Marias, onde ficaram responsáveis nos backing vocals. “Disney Drugs” possui um refrão bacana e bem agitado, e por mais que a música tenha o nome em inglês, ela é cantada em português. “A Festa” vem numa pegada mais pesada e como o nome da música já diz por si só, possui um ritmo baladeiro. “Fim da Festa”, diferente da anterior, é uma canção que começa lenta e que ao passar dela, fica num ritmo bem agitado e empolgante.

“Me Estuprem” foi uma das principais canções da ópera, por se tratar do conteúdo e da temática do show. “O Bom Pastor” veio na sequência, uma música bem executada, com seus teclados se destacando pela canção toda, bons vocais de apoio e o Branco Mello cada vez mais arrebentando em sua performance. “Eu Sou Maria”, na minha opinião, foi uma das melhores músicas da apresentação. Muito bonita e a Yas Werneck utilizando seus belíssimos vocais na execução da canção, foi um dos grandes momentos da ópera, sem dúvidas. “Hoje” volta a sua pegada frenética, “Nossa Bela Vida” uma canção mais calma e com duração rápida e “Canção da Vingança” foi cantado pelo guitarrista Tony Bellotto, uma das únicas músicas cantadas por ele. Nos apresenta uma pegada mais intensa e com uma letra mais rigorosa.

“Personal Hater” mantém na mesma temática que da anterior, porém, mais acelerada. “De Janeiro Até Dezembro”, vem também na mesma pegada, com o Tony Bellotto novamente assumindo os vocais principais sendo acompanhado pela Corina Sabbas, mostrando seus ótimos vocais. “Mesmo Assim” é uma balada bem realizada. “Não Sei”, “Essa Gente Tem Que Morrer” e “Me Chamem De Veneno” seguem num andamento mais agitado. A faixa-título da ópera-rock, “Doze Flores Amarelas”, foi a próxima. “Ele Morreu” é bem marcante e os backing vocals das Marias, tornam a música mais vibrante. “Pacto de Sangue” possui notas mais intensas no teclado e as três Marias, novamente, ficando responsáveis pelos vocais. “O Jardineiro” contém uma harmonia bem realizada do violão em conjunto com a guitarra, acompanhado pelos bons vocais do Branco Mello. “Réquiem” nos empolga pelo seu riff potente e vigoroso. O Sérgio Britto novamente nos brilha com “É Você”, onde seus vocais se destacam pela canção toda. E para encerrar essa admirável ópera-rock, veio “Sei Que Seremos”, música bem frenética, com refrões bem compostos e as Marias dando um show com seus energéticos vocais de apoio.

Tanto os integrantes dos TITÃS como as atrizes da ópera, foram bastante competentes e nos agradaram durante cada música. Os três membros originais da banda, Sérgio Britto, Branco Mello e Tony Bellotto, nos brilharam pelas suas ótimas performances. O guitarrista Beto Lee e o baterista Mario Fabre, realizaram bons trabalhos na apresentação e por serem talentosos, nos mostraram o porquê de estarem nos TITÃS. E claro, as atrizes, Yas Werneck, Cyntia Mendes e Corina Sabbas, nos apresentaram seus talentos nos magníficos vocais que cada uma possui.

Alguns pontos negativos dessa ópera-rock: as encenações das atrizes e dos atores serem regulares com poucos diálogos durante a apresentação; as narrações durante a obra foi pouca e até meio irrelevante em algumas ocasiões; possuiu alguns momentos arrastados em sua história que poderiam muito bem substituir e acrescentar conteúdos mais relevantes. A obra só errou nesses aspectos, mas falando da ópera-rock, no geral, a apresentação dos TITÃS, foi de excelente qualidade e a história abordada com seus temas frequentes do cotidiano, foram aspectos chamativos e respeitosos do espetáculo.

“Doze Flores Amarelas” possui um ótimo repertório criado pelos TITÃS. Músicas empolgantes, divertidas e pesadas, mas sem deixar para trás do estilo da banda, conteve também músicas mais lentas e as famosas baladas. No modo geral, foram boas composições, que certamente, alegraram a plateia e mostraram que os TITÃS ainda possuem um certo nível de carisma, de talento e de grandeza para o rock nacional, que sempre possuíram e vem possuindo durante décadas e décadas.

Setlist:

1. Nada nos Basta
2. O Facilitador
3. Weird Sisters
4. Disney Drugs
5. A Festa
6. Fim da Festa
7. Me Estuprem
8. O Bom Pastor
9. Eu Sou Maria
10. Hoje
11. Nossa Bela Vida
12. Canção da Vingança
13. Personal Hater
14. De Janeiro Até Dezembro
15. Mesmo Assim
16. Não Sei
17. Essa Gente Tem Que Morrer
18. Me Chamem De Veneno
19. Doze Flores Amarelas
20. Ele Morreu
21. Pacto de Sangue
22. O Jardineiro
23. Réquiem
24. É Você
25. Sei Que Seremos

Ficha Técnica:

Músicas: Titãs.
Direção artística: Branco Mello, Sergio Britto e Tony Bellotto.
Argumento: Branco Mello, Sergio Britto, Tony Bellotto, Hugo Possolo e Marcelo Rubens Paiva.
Libreto: Hugo Possolo.
Direção do espetáculo: Hugo Possolo e Otavio Juliano.
Elenco: Branco Mello, Sergio Britto, Tony Bellotto, Beto Lee, Mario Fabre, Corina Sabbas, Cyntia Mendes e Yas Werneck.
Produção musical: Rafael Ramos.
Cenário: Luciana Ferraz, Hugo Possolo, Otavio Juliano e Julio Dojcsar.
Desenho de luz: Guilherme Bonfanti.
Design e criação de vídeos: Luciana Ferraz.
Figurinos: Renato Paiutto.
Direção de movimento: Olívia Branco.
Design gráfico: Juliano Seganti.
Produção executiva: Ricardo Moreira e Ricardo Mateus.
Assessoria de imprensa: Perfexx.
Coordenação de produção: Deyse Simões.
Coordenação geral do projeto: Angela Figueiredo.

Fotos: Leca Suzuki

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Giancarlo Rossi

Cursando Rádio e TV. Escuta todas as vertentes do Rock e do Metal. E Adora Cinema.