Thomas Lindberg (At the Gates): “Não importa quão difícil seja, você tem que ser honesto consigo mesmo ao seguir o metal”.

O At the Gates fará show neste domingo (13), em São Paulo, na Clash Club. O vocalista Thomas Lindberg resolveu dar o ar da graça e bateu um papo com a imprensa, mostrando uma perspectiva diferente do cenário europeu, além de expor sua opinião sobre cena, internet e ideologia.

Confira, somente no Imprensa do Rock:

Primeiramente, como foi a turnê sul americana até agora?

Tem sido muito boa, é sempre bom vir à América do Sul porque a recepção é muito calorosa, os fãs são realmente apaixonados e devotados ao metal. Eu acho que na Europa somos um pouco mimados com o metal, enquanto aqui existe uma certa carência deste estilo, é como nos primórdios do metal na Europa, onde isso ainda tinha um grande significado, cada banda estava lá por uma razão, por isso nos sentimos em casa e valorizados aqui.

Alguma expectativa em especial para o Brasil?

Nós estivemos aqui há dois anos para apenas um show, mas que foi muito legal, e a cena brasileira é a única bastante conhecida na Europa, as bandas e etc. Então acho que isso quer dizer alguma coisa.

Em 2007 vocês decidiram fazer uma turnê de reunião, de onde veio a ideia inicial?

Na verdade a ideia surgiu principalmente do Anders (guitarrista), ele quem deixou a banda em 1996 e fez com que nós meio que nos separássemos depois disso, mas sempre sentimos que não tínhamos dado à banda o “final que ela merecia”, todos queríamos nos reunir para uma turnê de despedida, porém ao longo dela percebemos que era divertido de mais para simplesmente pararmos, então cá estamos.

Então, podemos dizer que a banda se encontra em estabilidade …

Sim, nós agora somos uma banda “normal”, não estamos mais em uma turnê de reunião, e não precisamos mais nos focar somente no material do passado, estamos excursionando agora para a divulgação de um material novo.

Você conseguiria se lembrar e nos dizer sobre alguma inspiração para compor o álbum “Slaughter Of The Soul”? Pois é um dos álbuns clássicos do Death Metal.

Foi há muito tempo, estávamos cansados do modo que a cena do Death Metal estava estagnada, hoje vemos que existiram grandes álbuns feitos nesta mesma época, mas para nós parecia estagnado. Então sentimos a necessidade de fazer algo que mudasse isso, algo com coração e alma, nós queríamos fazer um álbum clássico, então olhamos para bandas que fizeram clássicos, e nos focamos no que faziam deles algo especial, como o Judas Priest, Slayer, Voivod, etc, nós nos inspiramos neles.

O que você acha que mudou desde o começo da banda até o novo disco “At War with Reality”?

Sempre foi sobre a música, o quanto ela significa para nós, sobre ter alma, e ser honesto consigo mesmo, no início nos preocupamos muito em ser diferentes, sermos progressivos, termos muitas mudanças de tempos, levar o Death Metal para um lado diferente, no “Slaughter of the Soul” fizemos algo mais próximo ao Death tradicional e agora com o “At War …”, acho que completamos um ciclo, pois podemos selecionar os elementos que mais nos agradam em nossas próprias características. Hoje nos conhecemos melhor, tanto como músicos, quanto como pessoas, o que leva nossa música a um outro patamar. Hoje somos como uma unidade.

Vocês fazem parte da “New Wave of Swedish Death Metal” que inspira milhares de pessoas, o que poderiam dizer para as novas bandas que seguem esse caminho?

Acho que todos escutam outras bandas também, então é difícil dizer à quem nós inspiramos exatamente. Tentar construir uma carreira neste segmento de música é difícil, e se deveria tocar este tipo de música porque é nisto que se acredita, ou senão estaríamos tocando Pop, ou algo do tipo. É uma luta, nós mesmos lutamos por muitos anos, acho que a chave é ser muito honesto, e se estiver feliz com a sua música e em como a sua banda soa, esse é o maior objetivo que se pode alcançar. Se mais alguém gostar e ver como você vê, é ótimo, mas caso o contrário, é importante se manter fiel ao que você acredita, a si mesmo.

Nas suas letras encontra-se um pouco dessa ideologia…

Minhas letras sempre foram muito abstratas, neste último disco elas são ainda mais, é perceptível todas as diferentes camadas, pois existem sub histórias, existem histórias principais, mas são sempre sobre percepção e realidade e a minha (ou sua) própria percepção disto.

Para terminar, qual a principal diferença vista entre agora e os anos 90 para a cena?

É bem difícil de descrever uma vez que se está dentro dela, então nós vemos a cena de apenas um lado: o lado que queremos ver. Mas é claro que a principal mudança, é a internet, e como ela mudou tudo, mesmo para uma banda velha como a nossa, as coisas são melhores agora, é mais fácil de sermos notados, pois o público está apenas a um clique de distância. Hoje até mesmo gravar um disco é mais fácil, você não precisa ir a um estúdio, pode gravar a maioria das coisas em casa, não precisa nem mesmo de um selo ou gravadora para fazer seu disco, não precisando agradar ninguém. Desta forma é possível fazer qualquer tipo de música e isso tornou a cena da música extrema muito mais interessante na minha opinião, existe também muita porcaria aí fora, mas existe muita coisa boa, você ainda tem que procurar, mas a internet facilitou isto.

Nós desejamos um ótimo último show, e muito obrigada!

Eu é que agradeço!

Serviço – At the Gates – 13/09 – Clash Club – São Paulo
Agência Sob Controle orgulhosamente apresenta At The Gates

Data: 13 de setembro de 2015 – domingo
Local: Clash Club
Endeço: Rua Barra Funda, 969 – próximo ao Terminal Palmeiras/Barra Funda
Hora: 19h (open doors)
Classificação etária: a partir de 16 anos
Ingressos de R$ 100,00 a R$ 150,00 / onde comprar? www.TicketBrasil.com.br

Tomas Lindberg também mandou recado aos fãs Brasileiros sobre show em São Paulo:

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Por: Yasmin Amaral // Fotos por: Marcos Cesar
Agradecimentos: The Ultimate Music

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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