The Who, The Cult e Alter Bridge @ SP TRIP – Allianz Parque – São Paulo / SP (21/09/2017)

O tão esperado São Paulo Trip aconteceu e teve seu início no dia 21 de setembro no Allianz Parque em São Paulo. Um festival de quatro dias repleto de excelentes bandas renomadas do cenário e que faria São Paulo tremer nesses dias (como diria a propaganda do festival).

Anunciado no começo desse ano e com altas vendas de ingressos, as expectativas eram enormes, pelo fato do line-up ser imperdível. Desde de bandas clássicas que marcaram a história do Rock as bandas atuais, faziam parte do festival. Dentre elas, algumas passaram poucas vezes pelo Brasil, outras já percorreram várias vezes e outras nunca vieram para o Brasil.

Claro que um festival como esse deveria ser em um local grande e o escolhido foi o excelente Allianz Parque. Assistir shows nesse estádio é um imenso prazer e magnífico para dizer o básico. Além de ser bem localizado na região e de fácil acesso para a chegada até o local, a sua parte interna é perfeita. Percebemos de cara na ótima estrutura do palco montado para receber as bandas, um palco grande com dois telões nas laterais dele e um no fundo do palco. E claro, da excelente qualidade de som das apresentações. Ótima acústica para todos curtirem cada show e se divertirem o máximo.

Alter Bridge

No seu primeiro dia, contamos com três bandas: Alter Bridge, The Cult e The Who. A primeira a se apresentar foi o Alter Bridge. Com a pausa da banda Creed em 2004, os até então integrantes Mark Tremonti (guitarra) e o Scott Phillips (bateria) resolveram criar um projeto diferente. Com isso, chamaram o baixista Brian Marshall, que tinha saído do Creed e o ex-vocalista do Mayfield Four, Myles Kennedy.

Eles ficaram os responsáveis de abrirem esse mega festival e uma total honra em tocarem num show como esse. Altas vibrações pelo público se ouvia e com a banda subindo no palco e iniciando os trabalhos com a “Come to Life”, percebemos a empolgação da banda e o grande desempenho dela ao vivo. Riffs energéticos, vocais capacitados, bons solos de guitarras e um som cativante, foi um ótimo começo na apresentação da banda.

Mantendo na mesma pegada, “Addicted to Pain” foi a próxima, seguida pela “Ghost of Days Gone By”, numa pegada mais calma e tranquila. Bem realizada e atraente. Depois, o Myles Kennedy perguntou para o público “como estão ?” e com vibrações feitas pela galera, ouvimos a excelente introdução da música “Cry of Achilles”. Ótimo dedilhado feito pela guitarra no seu começo e passando a entrar num ritmo pesado, foi outra canção agradável mostrando o talento da banda e as suas boas performances em palco.

“Crows on a Wire” do mais recente álbum “The Last Hero” de 2016 foi a única executada desse disco. Destaque para os bons vocais do Myles, desempenhando ótimos trabalhos nos agudos, dando ênfase para o excelente refrão da música. Depois do agradecimento do Myles pelas boas recepções feitas pelo público, ele anunciou o guitarrista e que ficaria responsável pelos vocais na música seguinte, Mark Tremonti e veio a “Waters Rising”. Possuindo melodias lentas e melodias mais pesadas, o Mark fez bons desempenhos em seus vocais.

“Isolation” e “Blackbird” deram continuidade ao show. Depois, duas excelentes e talvez as melhores músicas executadas no show vieram: “Open Your Eyes”, possuindo um dos melhores refrões executados na apresentação e “Metalingus”, uma das músicas de maior sucesso da banda, pelo fato dela ser incrível, ter um refrão empolgante e por ser usada como tema de entrada do superstar da WWE Edge. O que tornou ela ainda mais famosa e marcante. E para encerrar o show, veio “Rise Today”.

Aproximadamente, uma hora de show, o Alter Bridge fez uma apresentação muito agradável com boas performances dos integrantes e mostrando o talento de cada um deles. Destacando bastante em seus refrões empolgantes e potentes, riffs bem elaborados, excelentes vocais e uma sonoridade envolvente, foram bem competentes em fazerem a abertura do São Paulo Trip.

Setlist:

1. Come to Life
2. Addicted to Pain
3. Ghost of Days Gone By
4. Cry of Achilles
5. Crows on a Wire
6. Waters Rising
7. Isolation
8. Blackbird
9. Open Your Eyes
10. Metalingus
11. Rise Today

Line-up:

Myles Kennedy – Vocal, Guitarra Rítmica
Mark Tremonti – Guitarra Solo, Vocal de Apoio
Brian Marshall – Baixo
Scott Phillips – Bateria, Percussão

The Cult

A clássica e excelente banda de Hard Rock, The Cult, foi a próxima a se apresentar no dia. Mantendo apenas dois integrantes da formação original, o vocalista Ian Astbury e o espetacular guitarrista Billy Duffy, o conjunto completa com Damon Fox (guitarra e teclado), Grant Fitzpatrick (baixo) e John Tempesta (bateria).

Depois de ouvir a intro do show, a banda sobe no palco e os trabalhos foram iniciados com “Wild Flower”. Um excelente riff empolgante e bem realizado pelo Billy. De cara percebemos também no grande desempenho do vocalista Ian Astbury, permanecendo sua excelente voz. A sensacional “Rain” veio logo em seguida. Assim como na música anterior, possui um riff primoroso e atraente para dizer o mínimo. Uma das grandes características da banda é exatamente isso, riffs espetaculares e muito envolventes, graças ao ótimo guitarrista Billy Duffy. Sem contar nos seus excelentes solos de guitarra, simplesmente cativantes e sensacionais.

“Dark Energy” foi a próxima e depois de um agradecimento do Ian ao público, já iniciaram “Peace Dog”. Em seguida, “Lil’ Devil” deu continuidade ao espetáculo. A linda introdução da música “Deeply Ordered Chaos” pode se ouvir e nos abrilhantar com esse som digno e fabuloso. A bela e vibrante “The Phoenix” prosseguiu com a apresentação. Possuindo riffs com efeitos “Wah-wah”, ótimos solos bem conduzidos e uma sonoridade fascinante, foi uma excelente música de ser presenciada.

“Rise” deu prosseguimento ao show e depois do Ian exercer alguns gritos de “Brasil, Brasil, São Paulo…” e algumas boas notas no teclado, veio a clássica “Sweet Soul Sister”. Com um excelente refrão e uma canção executada com extremo talento, foi um momento marcante da noite por terem representado os bons tempos da música da década de 80.

“She Sells Sanctuary” veio em seguida, novamente com seus riffs encantadores e uma canção sensacional. A ótima “Fire Woman” foi a próxima e com um riff fascinante, altas vibrações do público no refrão, foi uma das melhores músicas executadas na noite. E para encerrar essa apresentação histórica, “Love Removal Machine” foi a saideira do show.

Um aspecto do show que incomodou o Ian Astbury e que merece fazer um breve comentário, foi no excesso de pessoas mexendo nos celulares. Seja conversando, mandando mensagens ou sei lá o que fazendo. Percebemos isso pela frase irônica que ele fez no meio do show: “Estou mesmo no Brasil ? Isso não me parece o Brasil. Vocês estão mandando mensagens ? Desliguem essas luzes. Mandem uma mensagem pra minha mãe também”. Infelizmente, o público dos shows de rock estão mudando. Tudo bem que as pessoas querem fazer algumas gravações para registrarem um momento histórico como esse, mas ficar o tempo todo conversando no celular e nem sequer assistir ao show, é desrespeitoso aos integrantes da banda.

Lógico que cada um é cada um e isso foi só uma parte do público. Porquê, não interferiu na minha experiência e curti muito o show. Aproveitei cada minuto da apresentação do The Cult em cima do palco. Foi um completo espetáculo da banda.

Aproximadamente, uma hora de apresentação, The Cult fez um excelente show memorável e digno de uma excelente banda. Integrantes extremamente talentosos, foram bem competentes em suas performances arrasadoras, provando que estão na ativa e quem sabe, voltarem mais vezes ao Brasil.

Setlist:

1. Wild Flower
2. Rain
3. Dark Energy
4. Peace Dog
5. Lil’ Devil
6. Deeply Ordered Chaos
7. The Phoenix
8. Rise
9. Sweet Soul Sister
10. She Sells Sanctuary
11. Fire Woman
12. Love Removal Machine

Line-up:

Ian Astbury – Vocais
Billy Duffy – Guitarra
Damon Fox – Guitarra e Teclado
Grant Fitzpatrick – Baixo
John Tempesta – Bateria

The Who

O tão esperado show da clássica banda de Rock The Who, finalmente aconteceu em São Paulo. Pela primeira vez, uma das melhores bandas de todos os tempos, se apresentou naquela noite como o evento principal. Grandes expectativas aconteciam a cada hora, em pensarmos que uma banda clássica e extremamente representativa e influente da história do Rock And Roll, estava prestes a botar os pés naquele grandioso palco.

Com o Allianz Parque lotado nas pistas, antes da banda subir no palco, estava passando, no telão de fundo, algumas imagens antigas da banda, curiosidades, fatos históricos, homenagens ao baterista Keith Moon, que sem dúvidas, um dos maiores bateristas de todos os tempos, o que rendeu altos aplausos do público. Isso para entreter o público que estavam aguardando esse momento histórico acontecer.

Quando se apagaram as luzes, muitas vibrações pelo público se ouvia e foi nessa hora que finalmente a banda sobe ao palco e já executando “I Can’t Explain”. Percebendo na ótima voz do Roger Daltrey que ainda possui muito boa e no talento extremo do grande guitarrista Pete Townshend, já foi gratificante em presenciá-los. “The Seeker” deu continuidade com seu excelente riff e o talento fascinante da banda.

A clássica “Who Are You” veio em seguida. Talvez uma das melhores músicas da história do The Who, executada com uma perfeição e possuindo um refrão contagiante, deixou o público ainda mais empolgado e saber que isso foi só o começo. E só por esse começo fantástico, o empenho do Pete Townshend na guitarra e nos backing vocals, já foi primoroso, e claro, a grande voz do Roger cada vez cativando os fãs e desempenhando ótimos trabalhos nas composições realizadas.

A ótima “The Kids Are Alright” foi a próxima e depois do Pete Townshend falar que é a primeira vez do The Who na América do Sul, altas ovacionadas pelo público foram presenciadas e por ter falado isso, percebemos na felicidade da banda em estar se apresentando na América do Sul. E pelas empolgações dos fãs, também estavam se realizando em presenciar uma noite histórica como essa. A empolgante “I Can See For Miles” foi executada e assim como na anterior, bem divertida e vibrante.

A clássica das clássicas “My Generation” foi executada e como aconteceu nas músicas anteriores, foi uma extrema diversão e relembrar um clássico do Rock como aconteceu nesse momento, foi sem dúvidas, extremamente prazeroso e ver a galera vibrando a todo momento e cantando a música, foi ainda mais prazeroso e memorável. Um momento interessante também, é que no final da música, executaram em conjunto, trechos da “Cry If You Want”, música de 1982 do álbum “It’s Hard”, um dos últimos discos da banda.

O show seguia nessa pegada, clássico atrás de clássico. Executados perfeitamente e sempre agrandando o público cada vez mais. “Bargain” e a linda “Behind Blue Eyes”, duas canções do clássico “Who’s Next” (1971), foram as próximas, seguida por “Join Together”. Nesses momentos, nota-se no grande desempenho dos integrantes da banda acompanhados pelo Roger Daltrey e Pete Townshend. Excelentes músicos bem representados e talentosos. Um deles que merece um destaque, é o baterista Zak Starkey (filho do ex-beatle Ringo Starr), bem capacitado e preciso em cada momento. Ritmos bem cadenciados e consistentes em sua performance.

“You Better You Bet” veio em seguida e com o público cantando o refrão da música formando um couro bem divertido, deu continuidade nessa apresentação histórica. Após, o Pete falou que vão executar três músicas do álbum “Quadrophenia” (1973): “I’m One”, onde o próprio Townshend assume os vocais principais, a instrumental “The Rock” e “Love, Reign O’er Me”. Destaque para as execuções bem realizadas de cada instrumento composto na banda. Completamente impecável e fascinante.

A divertida “Eminence Front” veio em seguida, para depois executarem uma série de músicas do clássico álbum “Tommy” (1969): “Amazing Journey”, a instrumental “Sparks”, “Pinball Wizard”, uma das canções de maior sucesso da história do Who e sem dúvidas, uma das melhores músicas da banda. Extraordinário e indispensável no repertório do show. A bonita “See Me, Feel Me” foi executada e mais dois clássicos essenciais que marcaram a história do Rock e marcou a história da banda vieram: “Baba O’Riley” e “Won’t Get Fooled Again”, com direito do Pete fazer seu famoso mergulho de joelhos no palco.

Depois de apresentarem a banda, agradecimentos ao público e a felicidade de se apresentarem na América do Sul, foi a vez do “bis” e executaram mais dois clássicos: “5:15” e “Substitute”. Assim, encerra esse show histórico em São Paulo. No final, o Pete até falou brincando para os fãs: “Vão para casa!”. Demonstrando que os fãs queriam ainda mais do show, mas todos sabemos que foi mais que o suficiente, do The Who terem feito uma apresentação como foi essa. Com altas vibrações por parte do público e a banda emocionada, se despediram dos fãs da melhor maneira e por terem deixado as suas marcas registradas em São Paulo.

Como eu já tinha falado antes, os integrantes do The Who foram extremamente bem competentes, habilidosos e representativos. Todos exercendo as ótimas composições cuidadosamente e sem perder os talentos. E claro, os principais membros do Who, Roger Daltrey, exercendo os excelentes vocais que ele sempre teve. Alguns momentos se movimentava um pouco no palco, jogava o microfone no ar, em algumas músicas específicas, ele se responsabilizou em tocar gaita, violão, enfim, o vocalista foi fantástico na apresentação. E o talentoso guitarrista Pete Townshend, assim como o Roger na sua respectiva função, o Pete não perdeu seu talento e provou nesse show as habilidades que ele possui. Excelentes riffs, excelentes solos e mandou bem nos backing vocals e nos vocais principais nas músicas exclusivas. E claro, não podia de exercer seus famosos movimentos de braço ao executar os poderosos power-chords.

Fica difícil de descrever a experiência de ter presenciado a um show do The Who. Presenciar uma das maiores bandas de todos os tempos e que marcou a história do Rock. É um aspecto indescritível e eu não estou exagerando. Se perguntar para qualquer pessoa que compareceu a essa maravilhosa apresentação, com certeza, ela não vai saber responder e provavelmente, ficar sem palavras ao começar a relatar sobre esse espetáculo. Extremamente emocionante e que deixou todos os fãs saírem do local de bocas abertas e terem realizado o sonho de assistirem a apresentação do Who. Sem dúvidas, um dos melhores shows do ano e um dos mais significativos que eu já presenciei.

Setlist:

1. I Can’t Explain
2. The Seeker
3. Who Are You
4. The Kids Are Alright
5. I Can See For Miles
6. My Generation
7. Bargain
8. Behind Blue Eyes
9. Join Together
10. You Better You Bet
11. I’m One
12. The Rock
13. Love, Reign O’er Me
14. Eminence Front
15. Amazing Journey
16. Sparks
17. Pinball Wizard
18. See Me, Feel Me
19. Baba O’ Riley
20. Won’t Get Fooled Again

Encore:

21. 5:15
22. Substitute

Line-up:

Roger Daltrey – Vocais, Gaita e Guitarra
Pete Townshend – Guitarra e Vocais
Zak Starkey – Bateria
Simon Townshend – Guitarra
Jon Button – Baixo
John Corey – Teclado
Loren Gold – Teclado
Frank Simes – Teclado

Fotos: https://www.flickr.com/photos/saopaulotrip/page2