The Kooks agitando a noite paulistana

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The Kooks em São Paulo: com abertura da banda Folks, o grupo britânico The Kooks alternou entre músicas do último álbum e hits consagrados, agitando a noite paulistana

Com solos de guitarra, uma vibe única e com a casa quase cheia, pontualmente as 21h00 a banda carioca Folks ficou responsável por esquentar o palco para a principal atração da noite e agitar a galera, que já aguardava ansiosa.

Texto by Jennifer Larice

Revisão by Paula Alecio        

Formado em 2011, o Folks que faz um som autoral e em português, mixando baladas e melodias mais pesadas, sem perder sua identidade Indie-Rock, mostrou ao que veio, abrindo o show do The Kooks e manter os fãs entusiasmados para a apresentação que viria a seguir.

A plateia já estava no ritmo da banda, quando em um cover impecável de Whole Lotta Love, o vocalista de 28 anos, Kauan Calazans, mostrou até onde vai sua extensão vocal produzindo um dos momentos mais marcantes do show, ao resgatar um clássico do Rock’n’Roll, e, com isso, deixando claro o porquê de terem sido escolhidos  para abrir os shows da banda no Brasil.

Com uma apresentação de cravados trinta minutos, os músicos, que lançaram seu primeiro disco em 2015 e alcançaram o terceiro lugar entre os álbuns de rock mais vendidos do Itunes, trouxeram para a chuvosa noite de quarta-feira, um excelente repertório e a esperança de dias melhores para o rock nacional.

Durante o show, o vocalista contou: “há três anos estávamos no meio da plateia assistindo a apresentação do The Kooks no Rio de Janeiro e agora estamos no palco, abrindo o show dos caras”. Essa declaração soou como incentivo para as bandas que estão na estrada em busca de uma oportunidade para mostrar seu trabalho.

Ao ensaiar o refrão da última música com a plateia, que entoava palmas lentas, a banda chegou ao ápice de sua apresentação e mostrou um excelente domínio de palco ao conseguir manter o ritmo vibrante do show. Na despedida, com direito a pausa para foto da plateia, Kauan mandou um salve para todas as bandas independentes e deixou os fãs eufóricos para a entrada dos Kooks.

cerca de meia hora  após a saída do Folks, ouviu-se um “Obrigado” com sotaque britânico e as 22h06 o vocalista e guitarrista Luke Pritchard entrou no palco, acompanhado pelo também guitarrista Hugh Harris, o baixista Max Refferty e o baterista Paul Garred, e o que veio a seguir foi quase uma hora e meia de muita música,  para uma plateia com  pelo menos 4 mil fãs.

Dono de um fôlego invejável, Luke, de 31 anos, cantou por uma hora e dez minutos seguidos, sem perder o compasso e a sintonia com a plateia, parando apenas entre uma música e outra enquanto alterava seus instrumentos.

A última visita dos Kooks ao Brasil foi durante o festival Lollapalooza em março de 2015 e agora nessa passagem pelo país como atração principal, a banda optou por trabalhar com as músicas do seu álbum mais recente “Listen”, lançado em 2014 e que não foi tão bem recebido pelo público. Porém, é claro, os hits do começo da carreira que consagraram a banda não poderiam ficar de fora do set list. E não ficaram.

 “Eddie’s Gun” do primeiro CD Inside in/Inside out foi à música de abertura da apresentação, que levantou até os fãs que esperavam sentados no camarote pelo início do show e já nesse primeiro momento, toda a euforia da platéia deu ainda mais gás aos britânicos.

             Para a segunda música “Always Where I Need To Be”, Luck trocou sua guitarra por um violão e a plateia vibrou apaixonadamente a cada frase entoada pelo vocalista. As canções seguintes “See The World” e “Ooh, La” mantiveram a galera entusiasmada, cantando com a banda cada trecho do repertório e aproveitando cada segundo da apresentação.

Em “Down” presenciamos um dueto entre Luck e o guitarrista Hugh e, em seguida, sem instrumentos que pudessem inibir seu desempenho, o vocalista caminhou livre pelo palco enquanto cantava “Around Town”,  com direito a uma dancinha que levou as fãs mais assíduas à loucura e mais um Obrigado a La britânico.

De volta ao violão, em uma interpretação solo e a meia luz de “Seaside”, Luck protagoniza o momento mais marcante do show ao convidar a plateia para acompanha-lo e, ao deixa-los cantarem sozinhos, puderam confirmaram que o grupo ainda é bastante aclamado pelos fãs brasileiros.

“She The World” teve direito a participação de Hugh,  cantando em primeira voz, e foi possível perceber uma conversa descontraída entre Luck e o baterista Paul, evidenciando o entrosamento de palco entre os integrantes.

Depois de mais de uma hora direta de show, às 23h15 , na vigésima canção, “No longer”, Luck ainda bem disposto, ao final da música tocou na mão dos fãs que estavam mais próximos ao palco, mandou outro Obrigado e a banda saiu de cena. Sem entender nada a plateia ficou surpresa com a saída repentina e um silêncio dominou o local. O público começou a chama-los e após um suspense de cinco minutos, para felicidade dos fãs, os Kooks voltaram. O cansaço na voz de Luck era visível, mas eles ainda mandaram mais três músicas.

Assim como no Lollapalooza de 2015, a famosa “Naive” foi à escolhida para fechar o show. Com um abraço entre os integrantes da banda e a clássica foto da plateia, os Kooks se despediram dos fãs e seguiram viagem para o Rio de Janeiro.

             Assim foi a apresentação do The Kooks na noite paulistana de quarta-feira: agitação, muita música, nenhum imprevisto e fãs saciados. Mas se você perdeu o show e está ai chateado por não ter ido não se preocupe, pois Luck já declarou que a banda irá lançar um disco no primeiro semestre de 2017. Portanto, para alegria de que não conseguiu comparecer ao evento e para a sede de quem ficou querendo mais, podemos aguardar tranquilos porque não vai demorar muito para os britânicos regressarem ao Brasil.

Setlist do The Kooks em São Paulo:

  1. “Eddie’s gun”
  1. “Always where I need to be”
  1. “Ooh la”
  1. “Westside”
  1. “Down”
  1. “Bad habit”
  1. See the sun”
  1. “Sofa song”
  1. “Around town”
  1. “Forgive & forget”
  1. “Seaside”
  1. “Backstabber”
  1. “Gap”
  1. “Taking pictures of you”
  1. “Killing me”
  1. “Matchbox”
  1. “Sway”
  1. “Sweet emotion”
  1. “No longer”
  1. “She moves in her own way”

BIS

  1. “Junk of the heart (Happy)”
  1. “Naive”