Stoneria: “Seja um viciado em Rock”.

A Imprensa do Rock continuando o especial “Mês do Rock“, entrevistou a banda de Rock N’ Roll “Stoneria“. Eles vem apresentando as canções do primeiro disco auto intitulado pelos cantos de São Paulo.

Stoneria também, tem se consolidado nos Motos Clubes e por tocarem ao lado de bandas como: Velhas Virgens, Krisiun e Matanza. Confira abaixo entrevista realizada com os integrantes e a louca história de uma banda que busca simplesmente após o horário essencial de trabalho de cada dia se divertirem ao máximo!

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Jimi (Baixo) e Jonas Augusto (Vocal) // Stoneria em São Paulo.

Olá, sejam bem-vindos à Imprensa do Rock.

Vamos do começo? Por que do nome “Stoneria” e qual seu significado?

No começo tocávamos covers de Rolling Stones e sempre algo acontecia com o público ou ambiente. Alguém passava mal, brigava, coisas quebravam… portanto sempre que coisas malucas e inusitadas aconteciam, ou quando saíamos para beber brincávamos “está na hora dos stones”. Isto começou a virar uma frase de efeito entre nós e com o tempo, a palavra mudou para “está na hora de stoná” e “está na hora da stoneria”. Uma banda de rock é diversão, e tocar por ai é esperar pelo inusitado ou maluco. O nome Stoneria remete exatamente isto, o inusitado, louco e inexplicável. Exatamente o que somos.

Qual a história da banda? Como tudo surgiu?

A banda começou em 2007. Passamos por inúmeras formações, mas dos integrantes atuais somente Arthur George e JJ Zen fazem parte da formação original. O começo como toda banda é na garagem (literalmente). Nossa diversão começou na garagem da casa da mãe do Arthur e muitas vezes acontecia até madrugada com os amigos.

O tempo foi passando e nossos interesses foram crescendo. Começamos a compor as primeiras canções e sair para tocar. No começo executávamos mais covers do que hoje, mas com o tempo o trabalho autoral virou prioridade. Com isto nasceu a primeira demo/EP do Stoneria “Máquina do Sexo”, que foi gravado no estúdio Bonham por Ronaldo Rosato. Com este EP conquistamos vários espaços, tocamos no maior palco da nossa carreira para 2 mil pessoas junto com Velhas Virgens, Krisium e Matanza, dividimos palco com Balck Drawning Chalks, nossa música tocou em rádios nos EUA…consolidamos realmente como uma banda (IN)dependente. Passamos por novas trocas de integrantes, pois no começo o vocalista JJ Zen tocava guitarra (a banda era um power trio), e depois com a entrada dos guitarristas Gabriel e Pedro Rocha, ele assumiu o baixo.

Com 4 integrantes, planejamos a gravação do nosso primeiro disco e o estúdio escolhido foi o El Rocha com Fernando Sanches pilotando a nave espacial. No meio dos ensaios e composições para a gravações do disco, encontramos Jimi para tocar baixo.

No período de escolha do estúdio para gravação tivemos muita sorte, pois o estúdio El Rocha que estava localizado próximo da Vila Madalena estava de mudança para a Sumaré. Quando vimos o local foi um choque! O primeiro estúdio El Rocha tinha equipamento de primeira qualidade, afinal Ratos de Porão, Crioulo e Planet Hemp gravaram por lá, mas o novo estúdio é um sonho para qualquer músico. O local foi criado para abrigar orquestra de música clássica. Tiramos o maior proveito do espaço e realizamos um excelente trabalho, temos orgulho de dizer que fomos a primeira banda a gravar no novo estúdio El Rocha.

Stoneria // “Até Logo” (vídeo clipe)

Quais os integrantes da banda e o que vocês costumam escutar no dia a dia?

Os integrantes da banda são: Arthur George na bateria, Jimi no Baixo, Pedro Rocha na guitarra e JJ Zen no vocal. O rock é o que está mais presente nos nossos ouvidos, mas no geral a banda escuta de tudo. O guitarrista Pedro é formado pela Santa Marcelina e devido aos estudos dele em Jazz, música instrumental ou choro isto acaba fazendo parte da formação dele. O vocalista JJ Zen estudou canto lírico e viola caipira, então a música raiz sertaneja e a clássica faz parte dele. O baixista Jimi participa de rodas de samba com os amigos e inclusive toca percussão com eles, logo o samba está na raiz dele. O baterista Arthur escuta rock de manhã de tarde e de noite. Só rock.

Podem comentar um pouco sobre a capa do CD?

Stoneria - Capa

Capa do CD “Stoneria” (2014) // Stoneria

Falamos para o designer Gabril Cainê criador da capa, que nosso primeiro objetivo era mostrar que somos uma banda de latino americanos, por este motivo temos a pirâmide, alguns símbolos que remetem a cultura inca, asteca e o cocar indígena no olho.

O “olho que tudo vê” seria a representação de algo acima de nós, aquele que observa o cotidiano cujo seu formato não importa. Para alguns ele pode ser Deus, alienígenas, natureza…um reconhecimento daqueles que vivem a vida cotidiana que existe algo acima de nós e que com simples palavras, não é possível explicar ou definir. Gabriel Cainê preferiu representar este ser como algo mais próximo de um alienígena.

Podem citar de duas a três músicas e comentarem sobre o processo de gravação e do por que escreverem a letra de cada uma?

O disco do Stoneria foi gravado inteiro ao vivo com metrônomo no Estúdio El Rocha, somente vocais e guitarras solos foram inseridas posteriormente. Não tivemos um processo diferenciado na gravação em determinada música, mas seguimos procedimentos para gravar o disco que foram os seguintes:

1 – Definimos no metrônomo qual o BPM de cada música, ensaiamos exaustivamente juntos em estúdio para não errarmos na hora da gravação e economizarmos no tempo/dinheiro.

2- Os vocais foram inseridos entre as gravações das bases. Gravar todos os vocais de uma vez é arriscado, pois a voz pode ficar desgastada e as últimas músicas ficarem fracas. Foram gravadas as músicas que exigem mais peso (Até Logo e Latino Americano), para depois gravar as demais músicas.

3 – A maior parte dos solos foram compostas antes de entrar em estúdio. Existe alguns que são improvisos, mas a grande maioria foi criada e lapidada antes de gravar.

4 – A gravação do disco durou 5 dias e meio. O restante foi usado para mix e máster (total de 10 dias).

Fernando Sanches (que gravou nosso disco), disse que nosso processo de gravação foi como “os gringos gravam”. E ele está correto. Antes de entrarmos em estúdio, tivemos o apoio do nosso amigo Flávio Gois que hoje mora na Califórnia e trabalha em estúdio. Ele viu inúmeros grandes artistas gravarem como Alice In Chains, The Strokes entre outros. Ele nos direcionou de como deveríamos nos estruturar antes da gravação. Foi exaustivo, mas rendeu muito bem e realizamos um ótimo trabalho com o recurso que tínhamos disponível.

As bandas no Brasil entram em estúdio e criam no meio processo de gravação, o que é uma loucura! Isto é jogar dinheiro no lixo. É muito mais prático e sem pressão utilizar um estúdio mais simples para criar tudo (ou seu próprio quarto), ensaiar com metrônomo e ir gravar com tudo definido. Temos que agradecer eternamente pelo apoio do nosso amigo Flávio Gois.

Claro, se você é um artista grande com recursos ilimitados, ai que se foda! Crie tudo no estúdio de gravação que é muito mais divertido! Três músicas que consideramos bons exemplos para falar da letra é: Guerra Civil, Latino Americano e A Cela.

Guerra Civil é uma história real. Escrita por nosso amigo Fabio Gois, ela fala da verdadeira história do Brasil. Ele passou um dia em uma favela em São Paulo , presenciou cada palavra e imagem que a música descreve.

Latino Americano fala sobre o povo latino que passou por ditaduras, vive uma extrema diferença de riquezas entre o povo e acima de tudo quer ser norte americano. A ignorância e falta de cultura faz parte do povo que prefere ver TV, beber para amortecer e não questionar.

A Cela trata sobre a prisão da cidade grande ou melhor, São Paulo. Nossa casa, apartamento, sala. Quatro paredes que nos isolam do mundo. A ambição que domina cada um de nós e que já perdemos qualquer tipo de sentimentos para o próximo e com nós mesmo.

Ouça o disco novo da banda na íntegra logo abaixo:

Quais as influências da banda?

A maior parte da influência é rock, mas pode variar por integrante. Podemos com toda certeza citar Ramones, Led Zeppelin, Black Sabbath, Jimi Hendrix, Stooges, MC5, Titãs, Raul Seixas, The Who…

Rock Clássico seria a maior influência que temos. Claro, o rock moderno também faz parte do nosso repertório como Cachorro Grande, Slayer, Nação Zumbi, Queens of the Stone Age, Carcass, Imperial State Eletric entre outras bandas. Mas a influência sonora que consiste na criação do som, vem dos clássicos.

Quais os equipamentos utilizados pela banda?

Pedro utiliza Gibson Les Paul Gary Moore, meus Chorus e Flanger da MXR, Fulltone GT 500. Jimi um contrabaixo passivo de marca duvidosa (Two Hands). Arthur usa pratos Sabian 18 AA medium Crash – Krest deep cult – Hihat 14 e Crash 18 – Mega Ride 22 Orion serie personalizada Bacalhau. JJ Zen utiliza um megafone da China!

Indiquem 10 CDs tanto nacionais como internacionais para os fãs e leitores.

  1. Kyuss (Blues for the Head Sun)
  2. Black Sabbath (Masters of Reality)
  3. Them Crooked Vultures (Them Crooked Vultures)
  4. Titãs (Titanomaquia)
  5. The Recounteurs (Consolers of the Lonely)
  6. Jimi Hendrix (Axis Bold as Love)
  7. Led Zeppelin (TODOS)
  8. Lamb of God (Sacrament)
  9. Tianastácia (Criança Louca)
  10. Cachorro Grande (Primeiro disco)

Um vídeo clipe que marque a banda.

Smack My Bitch Up do Prodigy. A versão sem censura de vídeo para época foi pesada. Não dá para dizer como seria a reação nos dias de hoje, mas o vídeo é sensacional e chocante. Principalmente o final que é hilário.

O que vocês aconselhariam para aqueles que querem começar uma banda?

Não monte uma banda e estabeleça um modelo a seguir, exemplo “quero montar uma banda tipo Rage Against The Machine”, “quero montar uma banda tipo Charlie Brown Jr”, “quero um guitarrista tipo Edgard Scandurra”. Isto não passa de uma bobagem. Fico imaginando se quando o Slayer nasceu, os integrantes discutiam que “tipo” eles iriam ser!

Estude o instrumento que você quer executar e com toda certeza, você só tem a ganhar com isto. Para tocar ao vivo entenda que o público que não te conhece quer ver um SHOW, não uma jukebox tocando músicas desconhecidas ou covers. Domine cada espaço do palco, faça performance com seu instrumento! Se você é baterista veja um pouco de Keith Moon do The Who, se você é baixista veja o Flea do RHCP, guitarristas vejam Marcelo Gross do Cachorro Grande, vocalistas vejam James Brown! É preciso ter presença e performance, uma banda não se resume simplesmente em criar e executar músicas.

Sobre agenda de shows, existem datas marcadas? Se sim, falem sobre elas.

Temos somente o show de aniversário do Abutres Moto clube no dia 16/17 de agosto. Ser uma banda independente não é nada fácil. Temos que batalhar diariamente para conseguir um espaço para tocar, não temos uma agenda fechada de shows. Simplesmente conhecemos um local e tentamos a oportunidade ou, recebemos algum convite.

Deixem links de suas redes sociais para que novas pessoas possam conhecer a banda.

Por favor, esse espaço é de vocês, deixem um comentário final para os fãs da banda e aos leitores.

Seja um viciado em rock, seja um dependente da banda Stoneria.

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
Victor Santos
  • Sergio Nezeiro

    Primeiramente quero deixar um forte abraço a todos que fazem parte da IMPRENSA DO ROCK ,pelo excelente trabalho que vocês realizam e a todos que acompanham o trabalho de vocês.

    A matéria que fizeram com a banda STONERIA, eu gostei muito.
    Já faz algum tempo que acompanho a banda STONERIA, conheço o esforço de cada um deles em fazer o melhor sempre! Não se importando com o tamanho do palco ou se está cheio ou vazio o local onde está havendo o show!
    Afinal toda banda no inicio passam por isso. Os caras mandam muito bem, músicos excelentes letras marcantes.
    Apresentações que ficaram marcadas na minha memoria foi o show que eles fizeram no ” Osasco Rock Fest 1ª edição em 2013, onde a galera curtiram o show do STONERIA do começo ao fim. (Tem no YouTube o vídeo do show completo).
    E recentemente SEMANA DO ROCK OSASCO, também o show foi muito bom. O pessoal cantando junto , foi ótimo presenciar aquilo!

    A cada show que vou, a banda Stoneria evolui mais.

    Eu indico a banda, pra quem não os conhece, nunca ouviu falar e gosta de um Rock de verdade, procure saber e ouvir o som desses caras!

    Um forte abraço e muito Rock a todos!

    • Olá Sergio.

      Que bom que participa do site, e que gosta das nossas publicações.

      Fique a vontade para comentar por aqui, neste e em outros tópicos.

      Nós que agradecemos, e estamos sempre buscando melhorar e aprimorar nas publicações, nas coberturas de shows, nas entrevistas, e tudo mais. Tudo pra você leitor !!

      Abraço,
      Equipe Imprensa do Rock