Stoned Jesus @ Clash Club – São Paulo/SP (19/08/2017)

Uma das melhores bandas de Stoner Rock, o STONED JESUS, esteve no Brasil para uma série de shows em cidades diferentes e uma delas aconteceu no Clash Club em São Paulo. Devido às boas recepções em sua última passagem pelo Brasil no ano passado, eles estiveram de volta e dessa vez, comemorando os 5 anos do excelente álbum “Seven Thunders Roar”, segundo álbum de estúdio da banda.

Vou relatar sobre essa noite em “duas partes”, a performance do STONED JESUS em palco e o momento desagradável que ocorreu durante a apresentação deles.

Mas primeiro, vamos contar das bandas que tiveram o privilégio de fazerem a abertura para o STONED JESUS. A primeira a subir no palco foi o Red Mess. Banda de Stoner, é formada por um trio de Lodrina no Paraná. Fizeram uma apresentação de mais ou menos 40 minutos, mostrando boas músicas empolgantes, uma sonoridade pesada com riffs intensos e bem realizados. Foram ao todo 6 músicas energéticas bem executadas com boas performances da banda que conseguiram agradar facilmente o público presente.

Setlist:

1. Raskólnicov
2. Enemies
3. Kork
4. Into the Mess
5. Disillusion
6. Snowglasses

A segunda foi o Cobalt Blue, banda catarinense de rock progressivo e psicodélico formada cinco integrantes. Uma apresentação de uns 40 minutos também, mostrando músicas pesadas com durações longas, divertidas e bem diversificadas. Muitas técnicas envolvidas experimentais deixando o show mais interessante e mais envolvente, o Cobalt Blue nos apresentou 7 músicas ao todo, mostrando o talento da banda e cativando o público pela sua apresentação.

Setlist:

1. All We Have Are Oscillations
2. Dweller of The Sevenfold
3. Bereaved
4. Cataclysm
5. Luciferase
6. Catalyst
7. The Eloquent Bawl

Com um Clash Club lotado para os ucranianos do STONED JESUS, a expectativa era grande e quando a banda sobe ao palco, muitas vibrações pelos fãs se ouvia e já iniciando o espetáculo com a “Stormy Monday”, um riff matador, empolgante e pesado. Excelente música bem cadenciada, com os vocais bem representados do Igor, um ótimo refrão intenso e poderoso. Ela fica ainda mais interessante no final dela, depois de um solo de guitarra, vem uma variação na guitarra fazendo um dedilhado limpo e sem perder o ritmo, ela volta na sua pegada e fechando com o seu peso e potência.

Com essa primeira música, já teve ótimas recepções pelo público e percebíamos nitidamente que seria um excelente show. Continuando, veio a “Bright Like the Morning”, outro riff matador acompanhado por uma harmonia bem realizada do baixo e da bateria. Novamente, o Igor mandando ver nos vocais precisos. Ela também dá uma variada ao passar dela ficando mais agitada com a guitarra distorcida, o baixo e a bateria em ritmos mais pesados e rápidos. Um refrão empolgante que animou os fãs fazendo eles vibrarem ainda mais.

Um aspecto muito marcante e de grande destaque do STONED JESUS, é justamente os riffs realizados em cada música. São incríveis, muito marcantes e muito empolgantes. Eles se estendem e se intensificam ao passar das músicas. Como foi o caso das músicas anteriores e como foi na música seguinte “Electric Mistress”, uma música pesada que gerou mosh-pits na pista. Muita potência e novamente um refrão marcante. Ela também dá uma variada no final com outros riffs realizados, em ritmos variados com um vocal mais calmo cantando o refrão. Mas tudo isso, para ela voltar na sua pegada e fechar a canção. Um momento que aconteceu nessa música, foi a subida de uma menina no palco, para curtir a música e que até o Igor chamou ela no meio da música para cantar o refrão. Representando a simpatia da banda.

Outro aspecto do estilo da banda, é justamente nessas variadas harmônicas e melódicas que ocorrem ao passar de cada música. Desempenham ótimas sonoridades bem realizadas e de grande peso. Seguindo, veio a “Indian”, música com duração curta em relação as outras executadas. Mas sempre energética e com sua potência, mostrando os seus excelentes riffs na guitarra e claro, o excelente refrão. Uma boa variada no final dela em relação ao seu riff que se intensificou até a finalização do som. Até o momento, estava um show espetacular, muito agitado, uma banda muito talentosa e extremamente prazeroso de presenciar um espetáculo como esses.

Porém, aquela parte que eu falei no início do texto estava prestes para acontecer. Mas antes de chegar, continuaremos com o show. Em seguida, veio a ótima “I’m the Mountain”, talvez uma das melhores músicas do álbum, se não a melhor, porquê fica difícil de escolher qual a melhor de um disco tão espetacular como esse. Partindo direto ao seu riff na guitarra limpa, ela se inicia com uma suavidade por se tratar desse riff tão bem feito que é. Muito apreciativo e gostoso. Isso dura por um tempo e vai ganhando força e deixando ela distorcida e pesada num ritmo mais rápido. Depois ela dá uma variada no ritmo, deixando mais lento e com o Igor cantando de forma suave, e o público cantando junto. Ao passar dela, tem vez que fica pesada, tem vez que volta no ritmo suave, deixando a música interessante, bem realizada e variada. Mas ai que vem o momento desagradável e quase que acabou a apresentação de vez. Vamos lá.

Eu tinha falado antes na música “Electric Mistress”, que uma menina subiu no palco e foi curtir a música com a banda. Até nessa música, ela estava tranquila e não atrapalhou no show. Porém, notou-se que a menina estava alterada e supostamente embriagada. E quando chegou um pouco mais da metade da “I’m the Mountain”, essa mesma menina subiu de novo no palco, só que dessa vez, ela foi em direção ao Igor e que aparentemente, ela queria abraçá-lo ou agarrá-lo, não sabemos direito. Mas, nesse momento, pelo que deu para entender, ela acabou tropeçando em um dos pedais da guitarra e com isso, atrapalhou o Igor pela sua concentração e atenção. Devido a isso, o Igor ficou muito bravo e chateado com a situação ocorrida. Ele largou a guitarra no palco e a banda toda saiu na mesma hora, deixando a música “I’m the Mountain” incompleta.

Consequentemente, a menina foi tirada da casa por uma das pessoas da pista e pelo segurança. Nesse momento, gerou algumas discussões entre o público que estava na pista. Enquanto alguns estavam felizes e aplaudindo por ter tirado a menina para fora da casa, outros acharam ridículo a situação e que não concordavam com a retirada da fã. Quase que gerou algumas brigas entre o público da pista, mas ficaram nos xingamentos verbais sem agressões. Mas na grande maioria do público, estavam chateados com a situação ocorrida e o que a menina fez foi completamente indecente e desnecessário. Por causa disso, afetou o show, afetou os fãs e afetou a própria banda. Ao mesmo tempo, ficávamos naquela dúvida: “Será que eles vão voltar ?”; “Será que o show acabou de vez ?”.

Felizmente, depois de um tempo, o STONED JESUS, voltou ao palco e conseguiram executar mais uma música “Here Come the Robots” do mais recente álbum “The Harvest” (2015). Uma música pesada e que fez animar os fãs novamente. Bem contagiante, com duração rápida, foi a última música de ser apreciada do espetáculo e assim, o show chegou ao seu fim.

Outra polêmica que logo se percebia pelos fãs, foi a duração rápida do show. Muitos pensavam que foi por causa da menina em ter atrapalhado a apresentação, a banda se sentiu desmotivada em continuar o show. E pelo jeito, foi bem isso que aconteceu. A banda e a maioria dos fãs, não gostaram da atitude dela. Quando eu falei “a maioria”, é porquê teve poucas pessoas que acharam a atitude da menina normal e que ela não teve culpa com o ocorrido.

Pela duração, foi realmente rápido a duração do show, não deu uma hora de apresentação e alguns ficaram meio revoltados com isso. Mas, a turnê do STONED JESUS que realizaram pelo Brasil, esse era basicamente o setlist previsto para executarem. Pelo jeito, deixaram de tocar uma única música, “Black Woods”. Se não fosse pela menina em ter atrapalhado e interferido o show, eles provavelmente, tocariam essa música.

Mas, deixando de lado esse momento vergonhoso e constrangedor, o show foi bom ? Claro que foi bom. Foi espetacular em presenciar um show do STONED JESUS. Extremamente talentosos com excelentes composições realizadas, o show foi empolgante a cada momento. Super carismáticos e com ótimas performances em cima do palco, foi uma apresentação muito agradável e admirável de ser assistida. Que voltem mais vezes ao Brasil.

Setlist:

1. Stormy Monday
2. Bright Like the Morning
3. Electric Mistress
4. Indian
5. I’m the Mountain
6. Here Come the Robots

Line-up:

Igor Sidorenko – Vocais e Guitarra
Sergii Sliusar – Baixo
Viktor Kondratov – Bateria

Fotos: Leandro Wissinievski Souza

giancarlo

giancarlo

Redator em Imprensa do Rock
Cursando Rádio e TV, apaixonado por música e cinema.
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