Sepultura @ Sesc Pompeia – São Paulo/SP (14/12/2018)

O Sesc Pompeia, no final de 2018, recebeu nada mais menos que duas apresentações de uma das maiores bandas do metal nacional de todos os tempos, estou falando do SEPULTURA. Ingressos esgotados nos dois dias e com a divulgação do mais recente álbum “Machine Messiah” lançado em 2017, o 14º disco de estúdio da banda, tivemos a honra em presenciar o segundo show, dia 14, porém, foi uma apresentação diferente, pelo simples motivo da banda realizar um setlist diferenciado, mais especificamente, um setlist de ordem cronológica com base em todos os seus álbuns de estúdio lançados. Foram desde o EP de estreia “Bestial Devastation” (1985) ao “Machine Messiah” (2017) executando ao menos uma faixa de cada álbum. Que ótima maneira do SEPULTURA realizar seu último show do ano.

Chegando na comedoria do Sesc Pompeia, de cara, notava-se uma grande bandeira da banda que ocupava praticamente todo o fundo do palco. Com o local bem cheio, é tocado nas caixas de som o clássico do rock nacional “Polícia” dos Titãs e logo, aos gritos de “Sepultura, Sepultura…”, é tocado a intro “The Curse” do EP “Bestial Devastation” (1985), primeiro lançamento da banda, enquanto isso, cada integrante sobe ao palco, tomam seus lugares e dão início justamente com a faixa “Bestial Devastation”.

Indo para o ano seguinte, 1986, no “Morbid Visions”, veio a clássica do metal nacional “Troops of Doom” e na sequência, “Escape to the Void” do “Schizophrenia” (1987). “Beneath the Remains” foi a próxima, possuindo uma intro suave e tranquila sendo executado de fundo, para em seguida, o quarteto mandar aquela brutalidade sonora prazerosa em nossos tímpanos.

Mudando de década, fomos agora para 1991, onde o clássico “Arise” foi lançado e a faixa escolhida para executarem foi “Dead Embryonic Cells” e como falamos de clássico, o próximo lançamento da banda foi “Chaos A.D.” (1993), um dos discos mais consagrados da carreira do SEPULTURA e mandaram a segunda faixa do álbum, a excelente “Territory”, com destaque para o grande Eloy fritando em sua introdução. Foi a hora de executarem uma faixa do espetacular “Roots” de 1996, veio “Attitude”, onde a porradaria comeu à solta.

O Andreas interagiu um pouco com o público, dando uma boa noite e dizendo que esse é o último show do ano, agradeceu a todos que compareceram e ainda disse sobre o setlist da apresentação, que é um setlist cronológico, como eu já havia mencionado, e indo agora para 1998, celebrando 20 anos do Derrick Green no SEPULTURA, gerando altas ovacionadas a ele com gritos de “Derrick, Derrick…”, e para celebrar, mandaram duas faixas do “Against”, primeiro disco do Derrick na banda: “Against” e “Boycott”.

Após, o próprio Derrick deu um salve para os presentes, dando uma boa noite, perguntando se está tudo bem e disse: “Nós vamos tocar uma música do disco Nation”. E executaram a primeira faixa do álbum, “Sepulnation”. Em seguida, tocaram “Corrupted” do “Roorback” de 2003, “False” do “Dante XXI” de 2006 e “What I Do!” do “A-Lex” de 2009, álbum inspirado na obra literária “Laranja Mecânica” (1962) onde até mencionaram o Jean Dolabella, que esteve presente no álbum assumindo a bateria e estava presente no show, tanto que o Andreas e o Derrick citaram o nome dele antes da execução, agradecendo-o, fizeram algumas piadas e disseram que essa música era em homenagem a ele.

As piadas com o Jean continuaram, Derrick disse para subir ao palco e tocar a próxima música com eles, nisso, gerou um coro do público gritando “Jean, Jean, Jean…”, mas o Derrick logo disse que estava brincando e que podia ficar ai curtindo o show, tomando uma cerveja. Prosseguindo, vieram mais uma sequência insana: “Kairos” do álbum homônimo de 2011; “The Vatican” do “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart” de 2013 e “Phantom Self” do mais recente álbum “Machine Messiah” de 2017. A banda agradeceu e se retirou do palco. Esse monstruoso setlist cronológico se encerrou aqui. Foram desde o EP de estreia “Bestial Devastation” e passaram por todos os seus 14 álbuns de estúdio, executando uma música de cada disco, exceto o “Against”, que acabaram tocando duas.

Porém, o show não tinha acabado. Com muitas vibrações dos fãs, o quarteto volta ao palco e para a alegria de todos, executaram mais quatro clássicos: “Arise”, onde antes da execução, fizeram um pequeno aquecimento tocando trechos da clássica do heavy metal mundial “Black Sabbath”; “Refuse/Resist” e fecharam o show com duas faixas do “Roots”: “Ratamahatta” e “Roots Bloody Roots”. O SEPULTURA agradece aos fãs pelo comparecimento e durante a famosa foto com a galera ao final do show, é executada pelas caixas de som “You Make My Dreams” do Hall & Oates. Bem divertida não?!

Cada integrante, cada performance, era um talento digno de se admirar por cada momento, claro, por se tratar do SEPULTURA, por se tratar de um show do SEPULTURA, era óbvio que presenciaríamos performances destruidoras e cativantes. O guitarrista Andreas Kisser sempre muito competente e com sua guitarra ultra pesada, realizou cada riff e cada solo de uma maneira magnífica. Interagiu bem com o público, sempre muito simpático e carismático, resultando sempre numa ótima presença em palco. Os potentes e brutais vocais do Derrick Green percorreu por todas as músicas tocadas. A enorme dedicação e firmeza do vocalista é algo completamente admirável e respeitoso e como o Andreas havia mencionado, já são 20 anos do Derrick na banda. Impressionante não?!

O baixista Paulo Jr. com seu jeitão de sempre. Em relação aos outros integrantes, o mais calmo, o mais tranquilo em questão a sua postura em palco mas sem deixar de ser insano no instrumento com suas notas pesadas. E o aniquilador Eloy Casagrande destruindo a bateria em cada composição executada. A técnica que ele possui é inacreditável, deixa qualquer um de queixos caídos, a velocidade, as grandes viradas, as grandes batidas insanas, fez uma completa devastação no instrumento. Não sei como a bateria saiu viva desse show.

É sempre uma honra em presenciar a um show do SEPULTURA, pelo simples motivo que é certeza de que vamos presenciar um espetáculo totalmente prazeroso e de extrema qualidade, e nesse caso, não foi nem um pouco diferente, ainda mais por se tratar de um repertório especial como foi esse. Em seu último show do ano realizado, SEPULTURA fez de tudo para nos agradar, para curtirmos cada minuto de apresentação e graças a isso, certamente, cada um que participou dessa grande noite, se sentiram completamente satisfeitos e felizes por terem visto uma banda tão sensacional, tão cativante, quanto é o SEPULTURA.

Setlist:

1. Bestial Devastation
2. Troops of Doom
3. Escape to the Void
4. Beneath the Remains
5. Dead Embryonic Cells
6. Territory
7. Attitude
8. Against
9. Boycott
10. Sepulnation
11. Corrupted
12. False
13. What I Do!
14. Kairos
15. The Vatican
16. Phantom Self

Encore:

17. Arise
18. Refuse/Resist
19. Ratamahatta
20. Roots Bloody Roots

Line-up:

Andreas Kisser – Guitarra e Backing Vocals
Derrick Green – Vocais e Percussão
Paulo Jr. – Baixo
Eloy Casagrande – Bateria

Fotos: Diego Andrade

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Giancarlo Rossi

Cursando Rádio e TV. Escuta todas as vertentes do Rock e do Metal. E Adora Cinema.