SEPULTURA novamente agradando os fãs brasileiros na Audio

Primeiro show do SEPULTURA em São Paulo com a turnê do seu mais recente álbum “Machine Messiah”, lançado nesse ano. Um álbum espetacular com bastante peso e agressividade. Recheado de excelentes arranjos e a excelente presença de orquestras em algumas músicas específicas. Devido a isso, a expectativa dos fãs era grande e todo mundo gostaria de presenciar esse resultado ao vivo. Será que funcionou ?

Chegando na Audio por volta das 22:45 e aparentemente, um bom público para a banda de abertura. E quem teve a honra de fazer isso: a insana banda de metal brasileiro, o CLAUSTROFOBIA. Uma boa tradição no cenário do metal no Brasil, divulgando seu mais recente álbum “Download Hatred” (2016), tocaram por quase uma hora, com músicas pesadas, insanas, velozes e para acabarem com os tímpanos da galera. Um grupo bem talentoso e que fizeram muito bem o trabalho em cima do palco. Algumas interações com o público falando a respeito da banda, das situações atuais do Brasil, da honra de tocarem novamente com o SEPULTURA e o grande agradecimento em especial aos fãs por estarem lá. Uma boa apresentação que com certeza, souberam muito bem agradar o público que estavam prestes a verem o SEPULTURA.

Um grande número de pessoas, começaram a chegar no local, onde lotou praticamente tudo. Começando o show as 00:30 em ponto, nenhum minuto de atraso, e já ouvimos uma boa introdução tocada e depois já entrarem com a insana e pesada “I Am the Enemy”, faixa do novo álbum. Música de duração curta, mas extrema, com excelentes riffs bem conduzidos do Andreas. Continuando com o “Machine Messiah”, veio a “Phantom Self”, sem dúvidas, uma das melhores faixas do álbum. Alguns playbacks na introdução, devido as suas orquestras e uma bateria de diferente estilo sendo tocada. Para depois entrar um riff pesado de guitarra e o Derrick arrebentando nos seus vocais agressivos e pesados. Por mais que essa faixa teve os seus playbacks nas orquestras, eles são fantásticos, fazendo muito bem a sua parte, onde faz a gente nos envolver fácil com ela. “ Kairos” veio em seguida, outra música pesada com bons andamentos dos instrumentos e ritmos bem cadenciados.

Voltando para 1991, veio a “Desperate Cry”, um clássico da banda, com uma introdução limpa de guitarra que não dura muito para entrar distorções e uma pegada veloz. Duas músicas do “Machine Messiah” veio em seguida: “Sworn Oath”, outra música do álbum com as suas orquestras maravilhosas e como sempre, os vocais e guitarra potentes. E a instrumental “Iceberg Dances”, onde o Derrick deu uma “parada” e não estava presente no palco. Faixa com excelentes solos de guitarra e todos os outros instrumentos num ritmo empolgante e agitado.

“Inner Self” foi a próxima, música que não poderia faltar de jeito nenhum, clássica da banda de 1989, animou ainda mais os fãs e agitando-os cada vez mais. Onde, visivelmente, as rodinhas ficaram ainda mais insanas devido à sonoridade que tem essa música. “Choke” foi a próxima, com um refrão matador e extremo. Voltando para o “Kairos” (2011), foi a vez do “Dialog”, com algumas falas do Derrick durante a música, sem deixar para trás o ritmo acelerado da banda. Mais outras duas faixas do “Machine Messiah”: “Alethea”, com uma bela introdução do Eloy na bateria para depois vim um riff arrebentador de guitarra. E a “Resistant Parasites”, com um pequeno riff grave do Paulo Jr. no baixo que logo já entra a banda com a sua velocidade rápida que sempre teve.

Logo depois, o Derrick falou: “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart”, e veio a excelente “The Vatican”. Onde é impressionante uma introdução limpa e ganha uma velocidade muito extrema e numa intensidade bem rigorosa. “Biotech Is Godzilla” foi a próxima em conjunto com o cover do Titãs “Polícia”. Continuando com o “Chaos A.D.” (1993), veio a “Territory”, uma bela introdução destruidora do Eloy e com vocais ainda mais energéticos do Derrick, em conjunto com a guitarra do Andreas fazendo os riffs intensos e o Paulo sempre mantendo a sua pegada nas melhores notas graves no baixo. Com certeza, essa não poderia faltar, clássica das clássica e tocar ela, é tradição de muito tempo. E novamente no “Chaos A.D.” veio a “Refuse/Resist”, com a guitarra cada vez “pegando fogo” devido aos seus violentos riffs e o Eloy destruindo cada vez mais. Outra clássica da banda veio e foi a “Arise”, música bem esperada pelos fãs, onde dá o título ao álbum de 1991, onde nota-se o mais puro Thrash Metal feito pela banda.

Chegando para o final do show, veio o bis e tocaram mais três músicas: “Under My Skin”; “Ratamahatta”, onde fizeram uma pequena adaptação dela, não tocando a música inteira mas de forma agradável e muito bem tocada, sem perder o ritmo dela. E para fechar essa ótima apresentação, veio “Roots Bloody Roots”, clássica da banda que geralmente sempre deixam ela para o final. Nem tem muito o que falar dessa música, a não ser, pesada, extrema, veloz, poderosa, entre outros adjetivos possíveis para defini-la. E assim, finaliza o SEPULTURA na Audio. Com mais ou menos, uma hora e quarenta de show.

Falar que os integrantes do SEPULTURA são excelentes, é pleonasmo. Simplesmente, esses caras em cima do palco, arrebentam tudo, quebram tudo e tudo isso para deixar os fãs felizes. O Derrick Green e seus vocais matadores e poderosos, fez um excelente trabalho. Sem perder o ritmo, foi eficiente em todas as músicas. Foi impressionante a agressividade da sua voz, mandando muito bem nos seus graves mais potentes e guturais. E em alguns momentos, tentando falar português com a galera, saindo assim, um tom humorístico na apresentação. O Andreas Kisser sempre representativo na banda, mandando ver nos riffs e solos mais intensos e energéticos. Soube muito bem interagir com os fãs e agradecendo eles por presenciarem naquela madrugada. E fazendo divulgação do filme do SEPULTURA, para todos comparecerem nos cinemas e prestigiarem a sessão.

O Paulo Jr., que segundo ele mesmo se chamando do mais “careta” da banda, porém, em cima do palco, ele muda e mandou ver no baixo. Nas notas graves e pesadas, soube fazer muito bem representar e não parando por um segundo sequer. E tivemos a presença do grande Eloy Casagrande, que sinceramente, foi um dos maiores destaques do show, se não o maior destaque, pois uma banda tão fantástica como essa, fica difícil de falar qual foi o melhor no palco. Eu fiquei impressionado com as técnicas dele e a insanidade desse cara tocando bateria ao vivo, por quê não é coisa para qualquer um. Extremidade, brutalidade e destruindo o instrumento, foi o que rolou na presença dele. Sempre energético em cada música, ficava mais agressivo e violento. Sem dúvidas, um dos maiores bateristas do Brasil.

O SEPULTURA, sempre foi a maior representação do metal brasileiro, tanto interno como externo. E esse show, eles provaram mais uma vez isso. Uma excelente apresentação que rendeu altas vibrações do público e animação deles. Ótimos resultados das músicas tocadas ao vivo do “Machine Messiah”, mostrando o peso desse álbum. E claro, ótimas performances dos integrantes e dos clássicos tocados por eles. É isso ai, o SEPULTURA ainda tem vários e vários anos de carreira pela frente e esperamos mais lançamentos de discos e mais e mais shows no Brasil.

Setlist:

1. I Am the Enemy
2. Phantom Self
3. Kairos
4. Desperate Cry
5. Sworn Oath
6. Iceberg Dances
7. Inner Self
8. Choke
9. Dialog
10. Alethea
11. Resistant Parasites
12. The Vatican
13. Biotech Is Godzilla / Polícia
14. Territory
15. Refuse/Resist
16. Arise

Encore:

17. Under My Skin
18. Ratamahatta
19. Roots Bloody Roots

Line-up:

Derrick Green – Vocal
Andreas Kisser – Guitarra
Paulo Jr. – Baixo
Eloy Casagrande – Bateria

Fotos: Leandro Almeida / Onstage