Saiba como foi a audição oficial de Ømni, o nono álbum da banda ANGRA.

No último dia 10 (sábado) o Imprensa do Rock participou da audição oficial do nono álbum da banda ANGRA, intitulado Ømni, com lançamento mundial previsto para o próximo dia 16 pela earMUSIC.

O evento ocorreu no lendário Café Piu Piu em São Paulo e contou com todos os integrantes da banda, que além das explanações durante a audição, também responderam as perguntas da imprensa e dos fãs.

Lançamento_Omni_Angra

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Gravado na Suécia Ømni é o segundo álbum do ANGRA com Fabio Lione no vocais e produzido por Jens Bogren, conhecido como o produtor de gigantes do metal.     A capa foi desenhada pelo artista americano Daniel Martin Diaz, que usou suas influências científicas e filosóficas e o responsável por integrar a arte ao conceito visual do álbum ficou ao cargo do designer brasileiro Gustavo Sazes.

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Com conceito baseado em histórias de ficção científica o álbum apresenta como tema central a ideia de que em 2046 os humanos terão a percepção cognitiva alterada por uma inteligência artificial, que permitirá a correspondência entre os seres humanos do presente e do futuro.  Dessa forma “Ømni”, que em latim significa “Tudo”, conecta as histórias contadas nos discos anteriores do ANGRA, como Holy Land (1996), Rebirth (2001) e Temple of Shadows (2004).

Com onze faixas, “Ømni” marca uma nova etapa na história da banda, pois é o primeiro álbum sem o guitarrista Kiko Loureiro (Megadeth) e com o incrível Marcelo Barbosa (ex-almah), como seu sucessor.  Além disso, o disco conta com participações especiais de Sandy e Alissa White-Gluz (Arch Enemy) na faixa “Black Widow’s Web”, e de Kiko Loureiro em “War Horns”.

A banda ANGRA tem como formação atual, Fabio Lione no vocal, Rafael Bittencourt na guitarra e vocal, Marcelo Barbosa na guitarra, Felipe Andreoli no baixo e Bruno Valverde na bateria.

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Na audição oficial tivemos a oportunidade de ouvir cada uma das faixas do álbum com as considerações dos membros da banda.

Light of Transcedence” é a faixa escolhida para abrir o Ømni. Com riffs rápidos a canção possui elemento orquestral e apresenta conexão com o passado e com o estilo power metal da banda.  O que chama a atenção já de início é a incrível habilidade de Bruno Valverde na bateria.

Travelers of Time” vem a seguir com introdução que apresenta forte influência da musica nordestina, além da guitarra virtuosa e virada na bateria, essa canção tem tudo para virar um clássico.  Segundo Marcelo, o processo de desenvolvimento dessa música foi muito colaborativo e a sinergia do grupo foi muito importante no processo. “Essa música tem muito da música brasileira, com uma pegada mais thrash feita pelo Felipe e pelo Bruno”.

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A terceira faixa “Black Widow´s Web” apresenta três vozes Sandy, Fábio e Alissa, em uma melodia interessante a qual Lione personifica a vítima, enquanto Sandy e Alissa atuam como viúva negra em diferentes momentos. Uma tece sua frágil teia com voz doce e suave e a outra, com voz gutural, uma vez que captura a vítima, a cega e se apossa de sua vida.     Durante a audição oficial, a banda contou que num cruzeiro de metal ouviram a Alissa cantar ao vivo e daí surgiu a ideia de convida-la para cantar essa faixa.     Em relação à Sandy, a banda enfatiza que tanto na introdução quanto no encerramento da música, a Sandy performou exatamente da forma como desejavam, pois a ideia era apresentar nessa melodia o contraste entre a voz doce e suave de Sandy com a voz mais agressiva e gutural de Alissa.

Em seguida “Insania” nos traz uma melodia marcante, com refrão que não sai da cabeça. Bruno comenta que essa música terá um videoclipe, que teve uma parte gravada no local que estávamos o “Café Piu Piu”, e que a considera esse som empolgante com o groove do baixo e a bateria pesada, além da parte dos corais com Rafael, Georgia, Livia e Claudia.

A quinta faixa “The Bottom of My Soul” tem uma letra bastante pessoal com densidade emocional.    Segundo Bittencourt, muitas coisas que ocorreram no ano passado os desgastaram e essa música veio como um desabafo.     “The Bottom of My Soul” seria do fundo do poço de minha alma, de onde eu pude olhar para cima e falar “agora é hora de reconstruir”.

Na sequência vem “War Horns“, Que musica é essa? Do início ao fim a melodia e a execução são impecáveis!  Além de uma letra bem costurada com referências bíblicas sobre o apocalipse.   A voz do Fábio bem encaixada, a bateria arrebentando absurdamente e o solo das guitarras?   Estou passada… É sério! Eu já consigo vislumbrar um prêmio nas mãos desses feras e não estou exagerando.

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Durante a audição, Bittencourt nos contou que inicialmente essa musica não estaria nesse disco, mas que o produtor gostou bastante e as ideias casaram com algumas coisas que o Kiko havia sugerido.   Inclusive houve a participação especial do Kiko Loureiro nesta faixa, mas ele não pôde participar do clipe.   Além disso, Bittencourt comentou que o processo criativo coletivo foi tão intenso que rendeu pelo menos mais um álbum de músicas que não entraram no Ømni.

A sétima música “Caveman” tem uma pegada brasileira de maracatu na percussão. Fiquei divagando sobre o quão incrível essa experiência deve ter sido para Fábio Lione, o italiano que tem conseguido se adaptar com maestria aos brasileiros.

Fabio falou que pessoalmente considera essa uma das melhores faixas do álbum, devido ao ritmo da bateria e a proximidade com o passado da banda. Segundo ele, uma parte da música está em português, porque acha muito importante para o Brasil.

Com uma letra que nos convida a um autoexame “Magic Mirror” apresenta o som da guitarra virtuosa em meio ao metal progressivo com música clássica.

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Felipe fala que tem orgulho de ter participado da composição dessa música e que juntos conseguiram sintetizar um monte de ideias.  Segundo ele, nessa faixa não foi utilizado o recurso de bateria eletrônica.  Bittencourt comentou que embora tenha sido uma das letras mais difíceis de escrever, ele sente muito orgulho dessa música, pois ela reflete sobre alguns conceitos cristãos sem estar preso a nenhum dogma. “Os olhos do seu inimigo é um milagre, pois é a chance de se ver diferente”.

Always More” é uma balada muito sincera no tema. Bittencourt discorre “a conclusão é que o controle das nossas vidas está aquém de nosso ego e expectativas, e está além de nosso controle. Esse é o grande aprendizado: Há sempre mais para se aprender”. E finaliza “queria que fosse um álbum com mensagens mais otimistas”.

Ømni Angra

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A décima faixa “Ømni – Silence Inside” apresenta voz e bateria em evidência com clara influencia do baião antes de entrar a porrada do heavy metal.  Segundo Felipe, o videoclipe desta faixa está pronto, e que a ideia é trazer um audiovisual para todas as musicas.    Segundo Bruno, essa música tem vários elementos que vão se conectando muito bem com refrão muito forte.  “Esta faixa representa esse novo momento coletivo onde todos participam”.

Para finalizar em grande estilo, “Ømni – Infinite Nothing” que não é heavy metal, mas sim um som orquestrado, apresenta uma peça clássica que fecha a obra com a mesma maestria que o álbum começou.

Após a audição das onze faixas assistimos ao clipe de “War Horns”, um clipe bem produzido, com cenas de guerra em preto e branco e em seguida os músicos destruindo em seus instrumentos.   O videoclipe pode ser encontrado no canal oficial do earMUSIC no Youtube  https://www.youtube.com/watch?v=Dgor7ZuG9nU.

Ao final da apresentação do clipe, o manager declarou que sente muito orgulho de trabalhar com o ANGRA porque o ANGRA é o orgulho do Brasil. E que precisamos ser mais maduros quando criticamos. Fechando a declaração com a pergunta “Conseguimos fazer o que esses caras fazem?”.

Fato é que em Ømni é possível ouvir na execução de cada instrumento o verdadeiro talento do ANGRA, com o seu som impecável e agradável aos ouvidos.

Agora o que nos resta é aguardar o lançamento dessa obra prima e os memoráveis shows que estão por vir.

 

Agradecimentos à Damaris Hoffman e à Top Link Music pelo credenciamento, atenção e pelo excelente evento.

Marta Ayora

Marta Ayora

Fotógrafa colaboradora no Imprensa do Rock em Imprensa do Rock
Apaixonada por música e fotografia de palco, busca captar a emoção do artista e transmitir por meio de imagens inspiradoras.
Marta Ayora

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