Rockfest @ Allianz Parque (São Paulo/SP) – 21/09/2019

Com a oitava edição do Rock In Rio, diversas bandas do festival resolveram aproveitar o momento e se apresentarem em outras cidades brasileiras, exemplo disso foi o Rockfest realizado no Allianz Parque em São Paulo, no caso, realizado uma semana antes do Rock In Rio, festival que reuniu cinco grandes bandas: os brasileiros do Armored Dawn, único representante do metal nacional no festival, que está divulgando o “Viking Zombie”, álbum que está prestes a ser lançado; os suecos do Europe, única banda fora do Rock In Rio, clássico conjunto de hard rock surgido no final da década de 70 e ganhou um enorme sucesso na década de 80; os alemães do Helloween com seu primoroso power metal, além de contarmos com as presenças de Michael Kiske e Kai Hansen; os britânicos do Whitesnake, comandado pelo carismático David Coverdale e no momento, divulgam seu mais recente álbum “Flesh & Blood” lançado esse ano, e o headliner do festival Scorpions, outra clássica banda de hard rock fundada na década de 60 e conquistou uma legião enorme de fãs pelo mundo todo.

Isso lembrou muito com o que aconteceu em 2017, quando ocorreu a sétima edição do Rock In Rio, e em São Paulo, o festival realizado foi o São Paulo Trip, contando com diversas bandas que fizeram parte do Rock In Rio.

No Rock In Rio, Whitesnake se apresentou no dia 28 de setembro no palco sunset. Armored Dawn, Helloween e Scorpions, se apresentaram no dia 04 de outubro, no dia do metal. Armored Dawn no palco supernova, Helloween e Scorpions no palco mundo.

Sobre a estrutura do Allianz Parque, um palco enorme com dois telões nas laterais e um grande no fundo, qualidade de som impecável, e nesse festival, aplicaram no palco, uma passarela, bastante utilizada por cada banda, principalmente pelos vocalistas. Assistir shows no Allianz Parque, é sempre prazeroso. Merece também um destaque, um grande elogio na verdade, a organização do Rockfest pela pontualidade de cada apresentação, cada banda subiu ao palco em seus horários estipulados, sem atrasos ou imprevistos.

Armored Dawn

A primeira banda do festival, foram os brasileiros do Armored Dawn. Formado em 2014, o sexteto conta com Eduardo Parras (vocal), Timo Kaarkoski e Tiago de Moura (guitarras), Heros Trench (baixo), Rafael Agostino (teclado) e Rodrigo Oliveira (bateria) e no momento, possuem dois álbuns de estúdio, “Power of Warrior” (2016) e “Barbarians in Black” (2018).

Uma apresentação de aproximadamente 40 minutos, executaram em seu repertório quatro faixas do “Barbarians in Black”: “Beware of the Dragon”, “Chance to Live Again”, a emocionante “Sail Away” (dedicada ao Andre Matos) e “Gods of Metal”. E mais quatro faixas do próximo álbum que está prestes a ser lançado, “Viking Zombie”: “Heads Are Rolling”, “Animal Uncaged” (essa execução foi para um videoclipe), “Ragnarok” e “Rain of Fire”.

O Eduardo fez algumas interações com o público, uma delas, foi na música “Animal Uncaged”, onde apanhou uma camiseta que uma pessoa da pista jogou para ele, mostrou para a galera e nas costas estava escrito “O Rock Está Vivo”. Além dos agradecimentos ao público que compareceu e a produtora do festival. Mesmo com um público ainda pequeno, Armored Dawn mostrou sua potência e nos apresentou um bom show.

Setlist:

1. Beware of the Dragon
2. Chance to Live Again
3. Heads Are Rolling
4. Animal Uncaged
5. Sail Away
6. Ragnarok
7. Gods of Metal
8. Rain of Fire

Line-up:

Eduardo Parras – Vocal
Timo Kaarkoski – Guitarra
Tiago de Moura – Guitarra
Heros Trench – Baixo
Rafael Agostino – Teclado
Rodrigo Oliveira – Bateria

Europe

Fim da tarde, foi a vez do Europe. Capa do “Walk the Earth” no telão de fundo, Joey Tempest (vocal), John Norum (guitarra), John Levén (baixo), Mic Michaeli (teclados) e Ian Haugland (bateria), iniciam o show com duas faixas do próprio disco: a faixa-título e “The Siege”. Joey já mandou um “Oi São Paulo! Como vocês estão?”. Logo, soltou “Rock now, rock the night”, os refrões fabulosos da empolgante “Rock the Night”, do clássico “The Final Countdown” de 1986. Ao decorrer da execução, Joey fez boas interações com o público, realizava pequenos cantos para os fãs repetirem, além dos fãs também cantarem os refrões e o vocalista dizer o quanto está feliz por estar em São Paulo. Num ritmo mais veloz, veio “Scream of Anger” do “Wings of Tomorrow” de 1984 e após, a intro do “Last Look at Eden” de 2009, foi tocada de fundo para depois, vir na sequência correta do disco, a faixa-título.

“Muito feliz de estar aqui!”, outra frase em português do Joey para os fãs e mandar “Ready or Not” do “Out of This World” de 1988 e duas faixas do “War of Kings” de 2015: a faixa-título e “Hole In My Pocket”. Em seguida, a grande e bonita balada “Carrie” cativou todos os presentes, que cantaram os refrões a plenos pulmões. Um dos melhores momentos do show, foi na música “Superstitious”, Joey desceu do palco, foi para o pit dos fotógrafos e saudou os fãs que estavam próximos dali, percorreu por todo o pit, cumprimentando e abraçando-os. Uma atitude magnífica que rendeu altos aplausos de toda a arena. Depois, executaram a excelente “Cherokee” e a tão esperada “The Final Countdown”, grande clássico do rock, que empolgou ainda mais o público e assim, finalizarem um show bem gostoso e agradável.

Setlist:

1. Walk the Earth
2. The Siege
3. Rock the Night
4. Scream of Anger
5. Last Look at Eden
6. Ready or Not
7. War of Kings
8. Hole In My Pocket
9. Carrie
10. Superstitious
11. Cherokee
12. The Final Countdown

Line-up:

Joey Tempest – Vocal
John Norum – Guitarra
John Levén – Baixo
Mic Michaeli – Teclados
Ian Haugland – Bateria

Helloween

Com um público maior na arena, foi a vez do power metal do Helloween. “Initiation” faixa que abre o “Keeper of the Seven Keys Part 1” de 1987, é tocada de fundo, ao mesmo tempo, uma animação é passada pelos telões, Michael Kiske (vocal), Andi Deris (vocal), Kai Hansen (guitarra e vocal), Michael Weikath (guitarra), Markus Grosskopf (baixo), Sascha Gerstner (guitarra) e Dani Löble (bateria), sobem e dão início com “I’m Alive”, seguindo a ordem correta do disco. “Dr. Stein” do “Keeper of the Seven Keys Part 2” de 1988, prosseguiu o setlist, a cada música, uma animação era passada no telão, nesse caso, foi uma do Frankenstein, bem bacana por sinal. Andy fez uma breve interação com o público, disse que o Helloween, nessa noite, está tocando pelo Megadeth e citou o Dave Mustaine, que logo estará bem, curado, e pediu para todos gritarem um “Yeah!” em sua homenagem, todos gritaram e aplaudiram. Depois, Andy deixa um pouco o palco e o Kiske assume os vocais na “Eagle Fly Free”, também do “Keeper of the Seven Keys Part 2”. Andy retorna, dessa vez, com uma cartola, um casaco prateado e um bastão, para executar “Perfect Gentleman” do “Master of the Rings” de 1994, um riff de guitarra sensacional consta durante toda a execução.

A potencialidade, o peso das músicas executadas, é impressionante, graças aos trabalhos de cada integrante, bem empolgados, percorrendo bastante pelo palco e tocando com uma enorme firmeza. Após, Andy anuncia que a próxima música é do primeiro álbum de estúdio da banda, “Walls of Jericho” de 1985 e deixa o posto para o Kai Hansen assumir os vocais na “Ride the Sky”. Kiske solicita para todos ligarem o flash dos seus celulares, prontamente atendido, deixando o estádio ainda mais lindo, Michael e Andy, soltam suas vozes extraordinárias na maravilhosa canção “A Tale That Wasn’t Right”, a interação deles em palco é incrível. “Power” do “The Time of the Oath” de 1996, deu continuidade e na próxima composição, Kiske, Deris e Hansen, assumiram os vocais na “How Many Tears” do “Walls of Jericho”. Foi a hora de executarem a magnífica “Future World”, durante a performance, vários balões laranjas e pretos representando abóboras de halloween, foram lançados na pista, para os fãs se divertirem e virar uma festa. E para encerrar, o clássico “I Want Out”, com direito a uma explosão de confetes.

Setlist:

1. I’m Alive
2. Dr. Stein
3. Eagle Fly Free
4. Perfect Gentleman
5. Ride the Sky
6. A Tale That Wasn’t Right
7. Power
8. How Many Tears
9. Future World
10. I Want Out

Line-up:

Michael Kiske – Vocal
Andi Deris – Vocal
Kai Hansen – Guitarra e Vocal
Michael Weikath – Guitarra
Markus Grosskopf – Baixo
Sascha Gerstner – Guitarra
Dani Löble – Bateria

Whitesnake

“My Generation” da clássica banda de hard rock The Who, é tocada pelas caixas de som, logo, o sexteto chega, Coverdale já agitando, uma grande empolgação dos fãs se via, tomam seus lugares e iniciam com “Bad Boys” do aclamado “Whitesnake” de 1987 e na sequência, duas composições do “Slide It In” de 1984: a faixa-título e o hit “Love Ain’t No Stranger”, uma das maiores baladas da banda e uma das canções mais aguardadas da noite. Os fãs cantando as estrofes, os refrões, foi lindo de assistir essa execução ao vivo. Indo para o último disco “Flesh & Blood”, lançado esse ano, veio “Hey You (You Make Me Rock)”, uma pegada mais intensa, com riffs pesados. Rapidamente, mandaram “Slow an’ Easy” e ao final, Coverdale apanhou uma bandeira do Brasil, mostrou para todos e amarrou em sua cintura.

Voltando para o “Flesh & Blood”, vieram mais duas músicas: “Trouble Is Your Middle Name”, e depois de um duelo de solos entre os guitarristas Joel Hoekstra e Rob Beach, “Shut Up & Kiss Me”. Após, o brilhante baterista Tommy Aldridge realizou um solo fenomenal, chegando a tocar até com as próprias mãos. David apresentou toda a banda e mandou a linda “Is This Love”, o maior clássico do Whitesnake e que emocionante presenciar esse momento memorável, ao decorrer, Coverdale apanhou a bandeira do Brasil que estava amarrada em sua cintura e executou com ela nas mãos. Em seguida, uma sequência maravilhosa: “Give Me All Your Love”, o grande hit “Here I Go Again”, “Still of the Night” e “Burn”, faixa do álbum homônimo de 1974 do Deep Purple, fase em que o Coverdale assumiu os vocais da banda, foi a que encerrou a apresentação do Whitesnake.

Que grande honra assistir o Whitesnake. David Coverdale, que apesar de sua voz não estar mais a mesma, seu carisma é enorme e soube cativar o público com a sua magnífica performance. A banda toda bastante afiada, Reb Beach e Joel Hoekstra nas guitarras, Tommy Aldridge na bateria, Michael Devin no baixo e Michele Luppi nos teclados, demonstraram um excelente desempenho, além de ajudarem nos vocais de apoio durante toda a apresentação. Foi um show fascinante, que ficará guardado na mente de todos que compareceram.

Setlist:

1. Bad Boys
2. Slide It In
3. Love Ain’t No Stranger
4. Hey You (You Make Me Rock)
5. Slow an’ Easy
6. Trouble Is Your Middle Name
7. Guitar Duel
8. Shut Up & Kiss Me
9. Drum Solo
10. Is This Love
11. Give Me All Your Love
12. Here I Go Again
13. Still of the Night
14. Burn (Deep Purple cover)

Line-up:

David Coverdale – Vocal
Reb Beach – Guitarra
Joel Hoekstra – Guitarra
Tommy Aldridge – Bateria
Michael Devin – Baixo
Michele Luppi – Teclados

Scorpions

No intervalo, apareceu nos telões do palco, o anúncio da turnê de despedida do Kiss, que será realizada em maio do ano que vem. Momento que gerou altas vibrações de toda a arena. Hora do último show da noite, o Scorpions que se responsabilizaram em fechar o Rockfest. A cortina é descoberta, se toca a intro mecânica e ao mesmo tempo, uma animação é projetada nos telões, logo, Klaus Meine (vocal), Rudolf Schenker (guitarra), Matthias Jabs (guitarra), Pawel Maciwoda (baixo) e Mikkey Dee (bateria), sobem ao palco e deram início com “Going Out With a Bang” do último álbum “Return to Forever” de 2015, contendo um cenário de uma cidade noturna. Em seguida, duas músicas do “Animal Magnetism” de 1980 foram tocadas: “Make It Real”, bandeira do Brasil sendo projetada pelo palco, e “The Zoo”, nos telões, imagens de uma cadeia, jaula, com mulheres dançando. Após, veio a instrumental “Coast to Coast” do “Lovedrive” de 1979, nessa música, o Klaus apanhou uma guitarra e tocou junto. Visualmente, foi um espetáculo, cada música era projetada nos telões e até mesmo no palco, diversos cenários, imagens coloridas, psicodélicas, entre outras. Na sequência, o Scorpions realizou um medley de quatro músicas: “Top of the Bill” do “In Trance” (1975), “Steamrock Fever” do “Taken by Force” (1977), “Speedy’s Coming” do “Fly to the Rainbow” (1974) e “Catch Your Train” do “Virgin Killer” (1976).

A excelente “We Built This House”, outra do “Return to Forever”, foi executada com a letra da canção sendo passada no telão de fundo. Três faixas do “Crazy World” de 1990, deram prosseguimento: “Send Me an Angel”, Rudolf apanhou uma guitarra acústica enquanto o Matthias ficou no violão e o Mikkey desceu da grande plataforma e foi tocar numa pequena bateria no palco. Uma linda canção, obtendo ótimos coros do público durante a execução. “Wind of Change” emocionou toda a arena, uma canção maravilhosa, que obteve também, grandes coros dos fãs. Ao final dela, os fãs, sozinhos, cantaram os últimos versos, formando um coro incrível e quando finalizada, o símbolo da paz é projetada nos telões. Provavelmente, foi o melhor momento do show. E por último, “Tease Me Please Me”.

Klaus apresenta o baterista Mikkey Dee e o mesmo, realiza um monstruoso solo, ao decorrer, a plataforma se locomovia, deixando-o ainda mais alto enquanto solava. Outro momento que vale destacar, chegando ao final de seu solo, as capas de cada álbum do Scorpions, foram sendo projetadas pelos telões, uma de cada vez, juntando todas ao final. Aproximadamente sete minutos de solo e depois, mandaram “Blackout” do álbum homônimo de 1982 e “Big City Nights” do “Love at First Sting” de 1984. Na volta para o bis, Klaus anuncia a linda balada “Still Loving You”, grande clássico da banda, foi outra canção com uma excelente receptividade do público, cantando os refrões. Klaus canta um pequeno trecho de “Holiday” e manda a saideira da noite com “Rock You Like a Hurricane”.

Agora, é ficar na espera de uma próxima edição do Rockfest. Foi um dia e tanto. Shows extraordinários, um grande público, um festival impecável realizado em São Paulo. Saímos do local com largos sorrisos no rosto por tamanha felicidade.

Setlist:

1. Going Out With a Bang
2. Make It Real
3. The Zoo
4. Coast to Coast
5. Top of the Bill / Steamrock Fever / Speedy’s Coming / Catch Your Train
6. We Built This House
7. Send Me an Angel
8. Wind of Change
9. Tease Me Please Me
10. Drum Solo
11. Blackout
12. Big City Nights

Encore:

13. Still Loving You
14. Rock You Like a Hurricane

Line-up:

Klaus Meine – Vocal
Rudolf Schenker – Guitarra
Matthias Jabs – Guitarra
Pawel Maciwoda – Baixo
Mikkey Dee – Bateria

Fotos: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Giancarlo Rossi
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Giancarlo Rossi

Cursando Rádio e TV. Escuta todas as vertentes do Rock e do Metal. E Adora Cinema.