Project Black Pantera fala sobre a banda e seu primeiro show internacional

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O Project Black Pantera é a banda entrevistada de hoje! Com seu rock pauleira e sem rótulos, a banda vem conquistando espaço na cena com suas musicas autorais e letras conceituais. Nascida em Uberaba (MG) o grupo já tem seu primeiro show marcado na França, no festival Afro Punk em París, e outras apresentações em negociação pela Europa. Composta pelos irmãos Charles Gama (Guitarra, Vocal) e Chaene da Gama (Baixo, Vocal), e pelo baterista Rodrigo Augusto (Pancho) na Bateria.

Entrevista por: Andreza Oliveira
Edição: Victor Santos

Fizemos uma entrevista muito bacana com essa banda mineira, que estão provando que além do queijo, Minas Gerais também produz rock de boa qualidade!

O nome da banda Project Black Pantera foi dado em homenagem ao movimento “Panteras Negras” formado na década de 60, que foi um dos grupos mais radicais na autodefesa contra o preconceito racial nos Estados Unidos, que matava e prendia negros sem motivo algum.

Fale-nos sobre a importância da cultura negra para o Rock, e quais as maiores influências musicais, de artistas negros, para a cena?

Chaene: O Rock começou com os negros nos guetos. Muito antes do Elvis, tínhamos o Mudy Waters, Little Walter, Chuck Berry, Little Richards e eles inventaram o Blues. Antes dos Ramones o Death já existia como banda de Punk. Os negros tem um papel de suma importância no Rock desde os primórdios!

Depois disso tivemos Bob Marley no Reggae (outra vertente do rock sim), tínhamos o Tupac que é com certeza, o maior rapper de todos os tempos! Bad Brains, FishBone, Living Colour (Que destroem tudo com sua musica). No Brasil temos o Rappa, Cidade Negra, Sepultura (Derick Green é foda) Racionais, enfim, uma grande quantidade de artistas que produzem música de qualidade. O som não tem cor! Eu (Chaene) particularmente, não acredito em musica feita para branco, ou musica feito para negro.

Musica é uma linguagem universal, ela vai além de tudo! As pessoas já não são tão bobas e sabem diferenciar as coisas. Nós tentamos transmitir a verdade com o nosso som e a nossa musica, e isso tem sido um diferencial para a banda. A cena vive e esta inflamada, mesmo que às vezes camuflada.

Sobre o estilo musical do Project Black Pantera, como foi o processo de construção até chegar à sonoridade que a banda tem hoje?

Charles: O processo de construção se deu graças a diversas influencias da banda. Sempre ouvimos de tudo um pouco, e por anos, moldamos o modo de tocar, que varia de punk a heavy metal, mesclando diversos gêneros, e acabou virando o som do Black Pantera! Que pode ser descrito como salada musical pesada!!

E as composições da banda, quem escreve? Quais as inspirações e mensagens passadas através das letras?

Charles: A maioria das composições foram feitas por mim, apenas “Rede Social” saiu do meu irmão. Desde o inicio queria que as pessoas não apenas escutassem a parte instrumental, mas que se ligassem que existe uma mensagem em todas as letras, e elas vem do cotidiano, das atitudes e problemas encontrados no dia a dia, seja na mídia ou na vida pessoal de cada pessoa. Particularmente, eu não escrevo letras para as pessoas se sentirem pra baixo ou chocadas, apenas falo a verdade, e uso fatos e situações para compor, seja de um assassinato na rua da minha casa ou os diversos problemas da nossa nação, como na letra de “Manifestação”.

As mensagens são visíveis a partir do momento que você se sente próximo a musica, mas a intenção é de falarmos sobre o assunto, e de que você precisa sempre estar pronto pra “botar pra fuder” como diz nossa principal canção. Nunca deixar que nada o desmotive, levante e “bote pra fuder” na vida!!

A banda se apresentará na FRANÇA, no AFROPUNK FEST 2016. Será a primeira apresentação internacional de vocês.  Conte-nos como essa oportunidade surgiu?

Chaene: Desde que a banda começou a gravar, o Charles tinha esse lance de divulgar as músicas na internet, que é com certeza, a maior fonte de informação mundial. Ele já conhecia o Festival Afropunk e decidiu enviar nosso som para os caras. Acho que ele nem tinha em mente que os caras fossem responder. Eles não só responderam, como também fizeram uma resenha monstra sobre o nosso trabalho! Com isso, o mundo inteiro passou a nos conhecer e curtir a nossa pagina, e isso foi foda! A gente se comunica com os caras desde então, e eles sempre postam na pagina oficial tudo o que a gente já faz. Rolou o convite, nós aceitamos, e agora estamos nos preparando para esse show no velho continente, o primeiro de muitos assim esperamos!

É comum ver o rock brasileiro, mundo a fora, cantado em inglês. Para vocês, se apresentar em um festival Europeu cantando em língua nativa, também é uma forma de representatividade? Vocês pretendem continuar cantando português, ou tem projetos em outros idiomas?

Chaene: Bom a proposta da banda sempre foi essa, um som cru mas consistente, pesado e com letras em Português. Fizemos uma versão em inglês para a musica “Manifestação” a pedido de um produtor da França, que queria entender o que estávamos falando. Não temos planos de gravar um álbum em outra língua, pelo menos não agora, mas não descartamos essa possibilidade! Por agora, temos conquistado nosso espaço dessa forma. Pessoas do mundo inteiro tem gostado e captado a alma da banda pelo som e a imagem. Como disse anteriormente, musica é a linguagem universal!

Com apenas dois anos de estrada, vocês já abriram show para grandes bandas como Sepultura, Krisium e Terrordome (Polônia), Rappa, Project 46 e outras bandas influentes. Já tem um CD na bagagem, divulgado na Europa, América do norte e do sul, uma resenha no Roadie Crew  e a primeira apresentação internacional engatilhada.  Entre tantas conquista, nos conte qual é o maior sonho da banda hoje?

Chaene; Bom o sonho de toda banda é conseguir viver daquilo que produz, e estar sempre na estrada. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas seguimos com fé e humildade! Se Deus quiser vamos alcançar nossos objetivos, e conseguir tocar em muitos lugares, conhecer diferentes culturas e disseminar nosso som.

Quais os desafios para uma banda independente se manter firme na cena, nessa era de downloads e Uploads na internet?

Charles: É inevitável essa nova era e forma de divulgação musical, mas é ai que as bandas devem cada vez mais propagar seu som, e conquistar cada dia mais fãs. É preciso focar no trabalho, com vídeos, musicas, campanhas e interação com as pessoas que admiram sua musica. Ter espaço é trabalhoso, mas o lance é aprender a usar essas ferramentas ao seu favor, e buscar apoio em sites, blogs e através do boca a boca, para se manter firme!!

Redes sociais nos aproximam dos fãs, e sempre damos atenção para todos! Isso é muito importante, eles se sentem mais próximos da banda, e assim, nos acompanham seja onde for!

Como é a relação entre a banda? O que fazem para manter-se unidos e focados no mesmo objetivo?

Chaene: Bom eu e o Charles somos irmãos, então somos entrosados geneticamente (risos). Começamos a tocar juntos, tivemos (ainda temos) muitos outros projetos paralelos, juntos ou não, o que acabou nos moldando musicalmente. O Rodrigo esteve em outro projeto comigo por mais de 5 anos e sempre fomos bastante entrosados. Já viu, né? Baixo e Batera, aquele DrumBass tem que ser colado, pulsar mesmo, como um instrumento. Fora da banda somos muito amigos, e ele veio para somar mesmo. Temos nossas diferenças, mas cada um trabalha em uma coisa pela banda, e é por isso que funciona bem, a parada flui.

Rodrigo: A química que rola nessa banda é muito foda! Nunca estive engajado em um projeto onde todos estivessem tão focados. Acho que por isso está tudo rolando tão bem, porque o comprometimento é igual!

Para descontrair, na playlist de vocês, toca o que?

Charles: Particularmente, no meu rola muita coisa, como: Chevelle, Claustrofobia, Living Colour, Killswitch Engage. Até mesmo Tupac e Michael Jackson.

Rodrigo: Sou bastante eclético. Além de tocar com o PBP sou músico da noite vivo disso. Ouço de tudo, até o que não gosto de ouvir! Quando não é trabalho ouço muito punk, Hc, DFC, Devotos, Mukeka de Rato, os Pedreiro e por ai vai! Curto um som bem “podreira” para relaxar!

Chaene: Eu (Chaene) escuto muito rock nacional, desde pop rock ate o extremo pesado. Algumas coisas não saem do som do carro, como Rappa e Legião Urbana que são obrigatórios! Ouço Rosa de Saron também (Risos) mas Claustrofobia tem tocado bastante! Metallica é carta branca sempre.

A pergunta vai para o baterista Rodrigo Augusto! E essa máscara que você aparece nas fotos de divulgação da banda? Usa nos shows também? Qual a historia dela? (Risos).

Rodrigo: No dia do primeiro ensaio da banda eu vi essa máscara em uma loja de fantasias, e resolvi comprar. Cheguei usando ela no ensaio para “zuar”, mas os caras acharam ela bem doida, e eu falei que iria usa-la para tocar! No dia do show eu usei ela, tiramos fotos, e deu um visual diferente contrastante! Hoje eu uso em todos, e apesar de todos saberem que sou eu (risos). É como se fosse um “elmo”, ou como se tivesse indo pra uma guerra, me dá um gás, é coisa de louco! Mas eu realmente me transformo quando uso a máscara, é um personagem que criei só pra tocar com esse projeto, e ela tem até nome “Pancho”.

Como está a agenda para os próximos shows da banda?

Rodrigo: Além da França, estamos tentando fechar mais alguns shows pela Europa. Já estamos em contatos com alguns produtores locais, e espero que de certo! Temos pouco mais de um mês para fechar mais alguns show por lá. Fora isso, temos alguns shows na nossa cidade de Uberaba, e vamos tocar pela primeira vez em São Paulo e Araxá!

Gostaríamos que fosse fácil fechar shows pelo Brasil, mas infelizmente, não é tão fácil como mandar as músicas pelas internet! Temos contatos com pessoas de todos os estados brasileiros que já conhecem nosso som, e recebemos inúmeras criticas positivas.  Mas talvez, a cena ou a economia atual não favoreça os produtores, para bancarem o deslocamento de shows mais distantes. Até entendo que a banda é nova, e talvez, ainda não tenha um público suficiente que compense arcar com essa despesa, mas somos perseverantes e torcemos para que dias melhores cheguem! Até lá vamos fazendo o que se pode “ali” na França (risos).

Nós da Imprensa do Rock agradecemos a participação de vocês, e pedimos para que mandem uma mensagem para os fãs que já acompanham e aos que estão conhecendo vocês agora, através desta entrevista!

Project Black Pantera: Agradecemos de coração por tudo o que vem acontecendo de bom com a banda nos últimos dois anos, pelas amizades, pelos fãs que conquistamos, pelas bandas que conhecemos e os lugares que tocamos. Nada paga essa experiência! A banda é nova, mas já sabe o que quer e onde pretende chegar. Nada vem de graça, e já ralamos a 15 anos em outros projetos. Temos noção de que este trabalho está crescendo e que tem potencial pra tocar em qualquer lugar do planeta, e vai tocar! Essa é a nossa meta e é o que fazemos com mais paixão. Obrigado Andreza e ao Imprensa do Rock pela oportunidade de nos expressarmos, e espero que todos possam ter a oportunidade de conhecer a banda pessoalmente mandando um som ao vivo. Será um prazer para todos nós!!!!

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