Resenha: Nightiwsh – Human. :II: Nature.

RESENHA] Nightwish – HUMAN. :|: NATURE (2020) – Acesso Music

Em mais um lançamento de 2020, chega a vez dos já veteranos do NIGHTWISH em seu nono trabalho de estúdio, o segundo à contar com a vocalista Floor Jansen, que já ocupa o posto há um bom tempo, exatamente oito anos e também o primeiro com o novo baterista Kai Hahto, na banda desde o ano passado. O trabalho é embalado pela Nuclear Blast e foi gravado em quatro lugares diferentes sendo o primeiro disco duplo da banda.

Assim sendo, vamos ao que interessa, o disco. “Human. :II: Nature.“, tem a ideia aqui focada mais no primeiro sujeito à surgir no título, falando sobre empatia, respeito e decadência do humano e não exatamente se tratando de um disco conceitual, mas de algo temático, como afirma o tecladista Tuomas Holopainen. A primeira parte da obra conta com 9 músicas, sendo quem abre é “Music“, que começa com uma longa linha de coro, com alguns toques tribais no andamento, para só em sua metade a voz de Floor aparece, muito bem alinhada e mais a vontade que nunca, para aos poucos a banda ir dando as caras e transformando a canção que é dona de um ótimo refrão. Abertura muito boa.

Noise“, já conhecida do público traz aqueles andamentos mais agitados do Nightwish, com boa linha de baixo de Marco Hietala muito bem marcadas e o novato Hahto se mostrando em casa criando andamento da bateria que em nada fica a dever. A parada em sua metade, traz um breakdown bastante pesado e é ótimo o flerte da banda com esses momentos mais densos. “Shoemaker” é mais cadenciada e Floor mostra um domínio vocal excelente passeando por escalas de notas e o dueto com Hietala surge de forma tímida. “Harvest” é uma quase balada folk, cantada por Troy Donockley, multi-nstrumentista que desempenha mais essa tarefa muito bem num momento mais tranquilo do disco, mas muito bem executado.

Pan” traz o peso de volta com groove do baixo e bateria muito bem alinhados com Tuomas brincando com as teclas e Floor fazendo parecer que cantar é algo realmente fácil. É uma das faixas mais interessantes do trabalho, tem algumas passagens quebradas de tempo que dão charme e as guitarras de Emppu Vuorinen quando querem, sabem soam bastante pesada. O final é grandioso e apoteótico. “How’s The Heart?” é mais uma puxada para uma balada, tem ares do folk novamente e é bem bonita, seus arranjos são muito bem executados, apesar de não trazer tanto para dentro do álbum. “Procession” é o momento mais simples do disco todo, passa e só faz cumprir isso sem muitos atributos ou algo a mais.

Tribal” é bastante densa, com teclados climáticos e andamento bem marcado e Floor se esbalda na sua voz, com linhas gritadas no refrão e como o nome sugere, há passagens que mesclam o peso (bastante por sinal) e linhas tribais, entre ótimas viradas da bateria. A mudança no andamento do final é incrível e mostra uma versatilidade muito bem explorada da banda que se desliga do lugar comum do Nightwish. Disputa muito o posto de melhor. Encerrando esta primeira parte está “Endlessness“, que traz Marco com seu vocal marcante e muito bem vindo abrindo a faixa. O refrão carrega melancolia e é muito bem executado, cheio de drama e não havendo melhor forma de encerrar.

A segunda metade traz a faixa “All The Works Of Nature Which Adorn The World“, dividida em oito partes instrumentais que criam uma longa faixa com só alguns interlúdios de uma voz que recita algumas palavras sobre a natureza, sendo esta a parte dedicada a tratar esse tema durante os oito capítulos.

Mais uma vez o Nightwish traz uma ótima produção, se distancia de seus trabalhos mais comuns, mas ainda mantendo sua identidade bem forte, uma ótica tacada da vocalista e músicos que ainda se arriscam, mesmo que em uma escala bem pequena. Vale a conferida mesmo para quem não for tão simpatizante do som da banda, pois pode trazer uns bons momentos de música boa e mostrando que 2020 está sendo bem produtivo.

NOTA: 8

LINEUP:

Floor Jansen – vocal
Tuomas Holopainen – teclados
Emppu Vuorinen – guitarra
Marco Hietala baixo/vocais
Troy Donockley – multi-instrumentista
Kai Hahto – bateria

TRACK LISTING:

Disco 1

01. Music
02. Noise
03. Shoemaker
04. Harvest
05. Pan
06. How’s The Heart?
07. Procession
08. Tribal
09. Endlessness

Disco 2

01. All The Works Of Nature Which Adorn The World – Vista
02. All The Works Of Nature Which Adorn The World – The Blue
03. All The Works Of Nature Which Adorn The World – The Green
04. All The Works Of Nature Which Adorn The World – Moors
05. All The Works Of Nature Which Adorn The World – Aurorae
06. All The Works Of Nature Which Adorn The World – Quiet As The Snow
07. All The Works Of Nature Which Adorn The World – Anthropocene (incl. “Hurrian Hymn To Nikkal”)
08. All The Works Of Nature Which Adorn The World – Ad Astra

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Marcio Machado

Estudante de História pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), mas com o pé no jornalismo musical, desde os 12 anos se arriscava à escrever sobre o que ouvia em cadernos, se enveredando pela escrita jornalistica do Metal desde 2016 com o Whiplash, tendo de lá para cá, 80Minutos, Headbangers News, Gaveta de Bagunças, Headbangers Brasil e recentemente o Imprensa do Rock, como casas para seus textos e chatices. Tem como bandas de cabeceira Korn, Alice in Chains e Pantera, mas fã de muita coisa dos anos 90, a melhor década.