Resenha: Mythological Cold Towers – Immemorial

O Doom Metal é um estilo privilegiado dentro do Metal em si, pelo simples fato de poder ser usado de diferentes formas, seja ele se “arrastando” (praxe no estilo), ou seja, ele soturno e com aquele peso sombrio podendo deixar o ambiente realmente melancólico e carregado de energias, pois bem, o Mythological Cold Towers consegue se encaixar em todos esses parâmetros se mostrando ser uma banda com sua identidade Doom realmente emanada na pele de cada integrante.

Immemorial(2011)

Capa do disco

Esse é o quarto disco dos paulistanos, que se encontram na ativa desde a década de 90. O debut mostra verdadeiramente um som anos-luz de distância da maçante e cansativa falta de criatividade de certas bandas do estilo. Aqui podemos ver algo que realmente surpreenderá, pois seguir uma linha nessa pegada e conseguir inovar dentro do mesmo disco, longe de exageros, pode considerar uma das melhores bandas no quesito “peso arrastado melancólico Doom Metal”. Estilo difícil de ser trabalhado, pois o marasmo é algo que pode se encaixar como luva para quem não saber trabalhar dentro da proposta.

As sete faixas do disco mostrará ao ouvinte uma verdadeira aula de como se faz um trabalho único e profissional. Um ponto a se destacar é a sutileza do trabalho de teclados, feito de forma discreta e bem encaixada, deixando realmente o som tenebroso e intenso. As guitarras seguem uma linha de riff’s que impressiona, chegando a lembrar em alguns momentos o Paradise Lost, o trabalho de cozinha juntamente com os vocais impõem o peso necessário, “escurecendo” qualquer ambiente, grande destaque para a bateria com uma linha de marcação realmente fascinante.

A faixa de abertura “Lost Path To Ma Noa” chega realmente como cartão de visitas, trazendo todo o sentimento que ali possui em forma de uma melodia incrível, o que podemos destacar também é a sonoridade guitarra/teclado que se encontra em um casamento perfeito.  “Akakor” mostra-se cadenciada e um refrão marcante. Pegando um lado bastante obscuro e mais pesado “Enter The Halls of Petrous Power” mostra-se mais firme e não perde a esssência, Samej (vocal), esbanja talento na voz. “The Shrines of Ibez” e “Like An Ode Forged InImmemorial Eras” são as mais densas e abrasivas do disco que se arrastam perfeitamente, dando realmente um clima gélido a mais no disco.

Entrando para a parte final do disco com duas canções onde realmente a melancolia e o sentimento mais profundo são colocados para fora, “The Falen Race” e a faixa título “Immemorial” destilam aquilo de mais intimo que se pode ter dentro de uma das melhores bandas de Doom Metal do Brasil: o sentimento, que é trazido para fora em forma de melodias e letras que se resumem em um disco intimista e provocador ao ponto de tocar a alma sem fazer muito esforço. É amante de um Doom genuíno e instigante?! Escute e tire suas conclusões.

 

Nota: 10

 

Membros:

  • Samej – Vocal
  • Shammash – Guitarra
  • Nechron – Guitarra
  • Hamon – Bateria

 

Músicas:

  1.  The Lost Path to Ma-Noa
  2. Akakor
  3. Enter the Halls of Petrous Power
  4. The Shrines of Ibez
  5. Like an Ode Forged in Immemorial Eras
  6. The Fallen Race
  7. Immemorial

Resenha: Leandro Fernandes

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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