Resenha: Mushroomhead – A Wonderful Life – (2020)

Nesta sexta-feira (19), o Mushroomhead lançou seu mais novo trabalho, o disco “A Wonderful Life“, que chega pela Napalm Records sendo seu oitavo disco de estúdio. Mas antes de falarmos sobre o disco, há uma pequena trajetória há ser contada. O trabalho estava sendo elaborado desde 2016, quando o grupo anunciou que estaria retornando aos estúdios para uma nova gravação, porém, sem indícios ditos acontecer nos dias corridos, a banda acabou perdendo um de seus membros mais importantes, o vocalista Jeffrey “Nothing” Hatrix, que anunciou sua saída em 2018, e para seu lugar veio Steve Rauckhorst, e apenas um dia depois, o guitarrista Tommy Church também anunciou que deixaria a banda, assumindo assim Tom Shaffner. Ainda houve a adição de Jackie LaPonzab, que já havia feito participações com a banda e agora se tornava membro fixo com seus vocais. 

Percorrido esse caminho e reorganizado, a banda estava pronta para lançar seu novo material e assim o fez, porém a desordem no caminhar desses quatro anos desde quando foi revelado que um novo trabalho seria realizado até o seu lançamento, as coisas parecem não terem saído de uma forma, coesa. O Mushroomhead sempre trouxe mudanças na sua sonoridade, principalmente quando havia mudança em sua formação, como quando aconteceu a transição entre os vocalistas J Mann e Waylon Reavis, porém, antes isso era feito de uma forma que não entrava em choque com a proposta da banda, já nesse novo trabalho, alguns momentos soam perdidos, tirando alguns traços aqui e ali, e mesmo tendo menos de uma hora, parece ser algo bastante longo, em determinado momento da audição eu já não sabia bem do que se tratava e torcia por ser a última faixa. 

A Requiem for Tomorrow” abre com corais e logo a banda aparece com seus traços característicos, e as dobras vocais continuam funcionando muito bem e Steve foi uma decisão acertada para o cargo, mas no refrão soa meio apático na tentativa de replicar Nothing, ainda que seja algo bom. “Madness Within” também é bem bacana com começo cadenciado e tem um bom refrão cantado com força pelos três vocalistas, que soam em harmonia tornando a faixa bem interessante. 

Seen It All” foi o primeiro single divulgado do disco e é mais uma bem interessante, soando mais melódica, mas com passagens bastante pesadas, principalmente nos versos cantados por J Mann, e a harmonia que rola no pré refrão é muito boa, assim como também é a ponte, muito harmoniosa. “The Heresy” é outro single, e particularmente é a faixa que mais me cativou no disco todo. Cantada boa parte por Jackie, a faixa é mais branda, mas trazendo ótimos toques da guitarra e a moça mostra que é dona de uma voz bonita e sabe fazer o uso dela na devida ocasião, casando perfeitamente com o vocal mais agressivo de Jason, que manda super bem na ponte, além do refrão pegajoso que fica na cabeça se repetindo. 

Pois bem, daqui em diante as coisas começa a soar perdidas. “What a Shame” ainda mantém tudo nos eixos, sendo uma típica faixa da banda, trazendo uma batida meio circense aliada a bastante peso e sintetizadores, e um refrão dramático muito bem executado. “Pulse“, cantada novamente por Jackie começa soando como uma canção pop, ao estilo da Lorde (gosto da moça e isso não é uma comparação pejorativa) com uma distorção mais pesada, mas a repetição da canção a torna um pouco cansativa e a virada em sua metade parece se tratar de outra música encaixada ali de forma não muito trabalhada e a torna bastante sem graça e esse final com coral?! “Carry On” já leva o disco numa estrada completamente diferente de seu começo, sendo bastante calma e um refrão até bacana, mas não parece se tratar de algo que deveria estar num disco da banda. 

The Time Has Come” traz de volta o peso e agilidade, mas o seu todo me pareceu que dava pra diminuir ao menos um minuto da faixa, que soa como se esticada. “11th Hour” é outra que se estica além do devido e não vi motivo algum para seus mais de cinco minutos e sofre do mesmo mal da anterior, se diminuída, talvez tivesse um resultado final bem melhor. “I Am the One” é bacana e uma das mais concisas nessa segunda metade do disco e soa como deveria, acertando em cheio na sua proposta e sendo das melhores, pesada, direta e correta com esperamos da banda. “The Flood” ganha atmosfera de doom metal, de forma distante e soa de acordo com um refrão interessante e uma ponte que soa em crescendo. Bacana também. 

Where the End Begins” é longa, quase oito minutos, mas ao contrário de outras, tem uma justificativa, ela soa em crescendo, vai ganhando forma a cada passagem e deveria funcionar como encerramento do disco, mas ainda temos outra faixa, “Confutatis” que sinceramente não fiz a mínima ideia do porque isto está aqui, soando mais como um disco do Ghost e perdendo a chance de encerrar de forma mais coerente. 

No fim, “A Wonderful Life” vale a pena? Sim, caso você seja fã da banda e queira ver mais uma nova roupagem dos caras e que talvez seja o caminho que eles irão percorrer daqui em diante, desde que tenha a mente aberta para aceitar inovações e mudanças. E não, se você não tem contato com a banda e nem com esse tipo de som, procure outra coisa para ouvir. Talvez no decorrer do tempo a assimilação do trabalho não é das melhores no momento, mas não é descartável também, só não irá impactar a vida de ninguém num todo e eles podem fazer melhor. 

NOTA: 6

01. A Requiem For Tomorrow
02. Madness Within
03. Seen It All
04. The Heresy
05. What A Shame
06. Pulse
07. Carry On
08. The Time Has Come
09. 11th Hour
10. I Am The One
11. The Flood
12. Where The End Begins
13. Confutatis

FORMAÇÃO:

Jason “J Mann” Popson – Vocal
Steve Rauckhorst – Vocal
Jackie LaPonza – Vocal
Tom Shaffner – Guitarra
Ryan Farrell – Baixo e teclado
Rick Thomas – Teclado, samples
Robbie Godsey – Percurssão
Steve “Skinny” Felton – Bateria

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Marcio Machado

Estudante de História pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), mas com o pé no jornalismo musical, desde os 12 anos se arriscava à escrever sobre o que ouvia em cadernos, se enveredando pela escrita jornalistica do Metal desde 2016 com o Whiplash, tendo de lá para cá, 80Minutos, Headbangers News, Gaveta de Bagunças, Headbangers Brasil e recentemente o Imprensa do Rock, como casas para seus textos e chatices. Tem como bandas de cabeceira Korn, Alice in Chains e Pantera, mas fã de muita coisa dos anos 90, a melhor década.