Resenha: Me And That Man – New Man, New Songs, Same Shit Vol.1 – (2020)

Me and That Man: novo álbum, 'New Man, New Songs, Same Shit, Vol ...Sempre falei que se o diabo tivesse uma personificação em forma de música na Terra, esta seria o Behemoth, principalmente por seu vocalista, Nergal, que traz uma voz saída das entranhas mais profundas de si mesmo e explode em algo agressivo e ensurdecedor à frente da banda. Mas lá em 2017, o vocalista se desvinculou um pouco dessa imagem ao criar o projeto Me And That Man e lança o debut, “Songs Of Love And Death”. Agora três anos depois, Adam Darski, traz a sequência do trabalho e lança “New Man, New Songs, Same Shit Vol.1“, distribuído pela Nucler Blast e recheado de participações, numa sonoridade que trazem as influências do cantor além da música extrema, ali há o passeio do country, do folk e do gótico em um álbum que surpreende e vale a conferida. 

Run With the Devil” é quem abre e já de cara surpreende com a pegada mais animada, parece ter saído direto da abertura de algum filme do Tarantino. Quem embala a faixa é Jørgen Munkeby do Shining e literalmente é um embalo, tendo um ritmo contagiante e certeiro. “Coming Home” é a seguinte e abre com cara de blues, cantada por Siver Høyem, do Madrugada, mas em seu refrão as coisas se alinham em um tom mais contagiante como antes e aqui vale o destaque das linhas vocais que passeiam entre o mais grave e algo mais leve e solto no segundo verso, com uma bela passagem mais climática em sua metade. 

Burning Churches”  continua o trabalho, e dessa vez com Mat McNerney do Grave Pleasure nas vozes. Aqui o tom do folk dá as caras e um coro evoca o refrão de forma forte e as melodias vão se acentuando com o caminhar, trazendo belos trabalho na linha das cordas e um dos melhores vocais do disco todo. A próxima, “By The River“, entoada por Ihsahn do Emperor, é apoteótica desde os seus primeiros instantes, com o vocalista se esbaldando e colocando um sentimento explosivo em cada verso que solta, numa letra falando sobre a morte que é das melhores aqui, fora um solo muito bem encaixado, que surge no momento certo transformando a canção maior. 

Agora quem entra em ação nas vozes é o próprio Nergal, em Męstwo, cantada toda pelo próprio e em seu língua nativa, o polonês, está é uma baladona gótica com um refrão matador embalado por palmas e mostrando a versatilidade do músico que não decepciona mostrando essa outra vertente. “Surrender” começa em coro, com uma leva impressão de vozes protestantes, mas logo a veia blues dá as caras e cria uma atmosfera densa e mais uma vez, a cada momento a faixa vai em crescendo até ser embalada num solo muito bom, porém bastante curto e a voz de Anders Landelius, do Dead Soul, vai ganhando corpo a cada momento até ganhar linhas bem fortes em seu final. 

Numa onda mais rancheira, “Deep Down South, um dueto entre Nicke Anderson, do Entombed e Johanna Sadonis  do Lucifer, surge e traz um momento bem leve ao som de um banjo que dita os rumos, para em sua metade dividir espaço com a guitarra e outro solo e aqui a mescla de vários instrumentos é um tanto bem arranjada, há solos de gaita e de violino, inclusive esse último bastante divertido. “Man Of The Cross” traz uma voz bastante grave de Jerome Reuter, do Rome, invocando o finado gigante Peter Steele, sendo a faixa mais densa do disco todo, parecendo evocar uma nuvem pesada sobre a cabeça do ouvinte, principalmente quando ouvida nos fones. 

You Will Be Mine” evoca uma leve flertada com as baladas de Elvis em seu início, com um Matt Heafy, do Trivium, jogando sua voz no mais baixo possível, mas sabendo trazer momento mais melódicos também, principalmente no refrão que pega fácil, e é um xodó do disco, simples, mas muito bem entoada e extremamente cativante, se tornando das minhas favoritas. A seguinte, “How Come?” é a chave do trabalho. Aqui temos três participações especiais, de Brent Hinds, do Mastodon, Rob Caggiano, que já passou pelo Anthrax e Volbeat, nas guitarras e nas vozes, Corey Taylor do Slipknot e o cara manda vê no seu melhor estilo das vozes, carregando sua identidade e ótima forma em linhas fantásticas, numa baita canção, completa em todos os sentidos, tanto na sua letra forte como no instrumental que é certeiro e cheio de nuances com dois solos matadores. Poderia e devia ser o encerramento da obra. A tarefa fica com “Confession“, com Niklas Kvarforth do Shining, que traz o momento black metal do disco sendo mais um interlúdio para finalizar o todo. 

Versatilidade, criatividade e acima de tudo, são músicos se divertindo num momento grande e que rendeu um ótimo trabalho, mesclando vários ritmos e rendendo ótimas música e um dos trabalhos que já lista entre os melhores do ano. 

NOTA: 9

Tracklist:
01. Run With The Devil (feat. Jørgen Munkeby of SHINING)
02. Coming Home (feat. Siver Høyem of MADRUGADA)
03. Burning Churches (feat. Mat McNerney of GRAVE PLEASURES)
04. By The River (feat. Ihsahn of EMPEROR)
05. Męstwo
06. Surrender (feat. Anders Landelius of DEAD SOUL)
07. Deep Down South (feat. Nicke Anderson of ENTOMBED / Johanna Sadonis of LUCIFER)
08. Man Of The Cross (feat. Jerome Reuter of ROME)
09. You Will Be Mine (feat. Matt Heafy of TRIVIUM)
10. How Come? (feat. Corey Taylor of SLIPKNOT and STONE SOUR) / Brent Hinds of MASTODON)
11. Confession (feat. Niklas Kvarforth of SHINING)

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Marcio Machado

Estudante de História pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), mas com o pé no jornalismo musical, desde os 12 anos se arriscava à escrever sobre o que ouvia em cadernos, se enveredando pela escrita jornalistica do Metal desde 2016 com o Whiplash, tendo de lá para cá, 80Minutos, Headbangers News, Gaveta de Bagunças, Headbangers Brasil e recentemente o Imprensa do Rock, como casas para seus textos e chatices. Tem como bandas de cabeceira Korn, Alice in Chains e Pantera, mas fã de muita coisa dos anos 90, a melhor década.