Resenha: Lamb of God – Lamb of God – (2020)

O Lamb of God se firmou há muitos anos como um dos expoentes da safra dos anos 2000 no metal e já sabemos que os seus discos trazem uma descarga de riffs, vocais raivosos e cheio de presença, peso e agressividade. Cinco anos após o seu último lançamento, a banda retorna com um disco homônimo e trazendo a novidade de um novo membro. Essa era a prova se Art Cruz assumiria com qualidade o posto deixado por Chris Adler, que sempre se mostrou um baterista cheio de técnica, feeling e grooves. Pois bem, lançado pela Nuclear Blast e a Epic Records, e produzido por Josh Wilbur, que vem rendendo ótimos trabalhos ao lado da banda há um tempo, o disco carimba mais uma pedrada do LoG, tudo que você esperar deles, está entregue no novo trabalho.

Memento Mori” é a abertura, e que abertura. Já conhecida do público, é soturna no começo, com Randy Blythe cantando em tons mais limpos e graves, bem melódicos, e seguindo por um dedilhado bastante sinistro. Logo a música explode em groove e peso com a banda toda e faz isso de forma maravilhosa. Soando com a pressão de uma rocha, o grupo amadurece a cada lançamento, e traz um puta refrão misturando peso e melodia. A musicalidade continua impecável, inclusive na bateria que soa pesada e precisa. A ponte é incrível e traz um breakdown ao melhor estilo dos caras, que já dá pique logo na primeira faixa. 

Seguindo, “Checkmate“, também já conhecida vem com uma porrada nervosa logo na introdução. Os versos são intricados, com uma boa presença do baixo. A metade da faixa ganha uma dose extra de groove e nesses momentos, o Lamb of God reina e sabe muito bem o que estão fazendo. Blythe parece um demônio vociferando seus gritos. “Gears” tem uma ótima abertura com guitarra e bateria em perfeita sintonia, e Art brilha por aqui. Mais uma vez os versos são muito bem executados, com uma quebradeira insana, explodindo em um refrão bastante ágil. Há ainda um solo vibrante, e saquem o trabalho de chimbal logo em seguida. Das melhores. 

Com John Campbell mandando ver com seu baixo no início de “Reality Bath“, ela segue mais cadenciada por um período, mas logo vira para algo mais denso e encorpado. Há uma parada climática na metade guiada novamente pelo baixo e logo a porradaria ressurge trazendo todos de volta. “New Colossal Hate” abre com destaque na bateria e olha o som desses bumbos que coisa maravilhosa de se ouvir. A ponte é um tanque de guerra sem freio, passando para um compasso mais ágil e agressivo. Como dito, aqui impressiona a precisão de Art na bateria e vemos que Chris deixou um legado que está sendo honrado, em nada se perdeu na qualidade sonora. 

Resurrection Man” é outro destaque do disco. O começo é insano, Mark Morton e Will Adler estão inspirados, o groove e cadencia reinam no andamento e que peso! Direta, precisa e daquelas obras que mais transpiram a identidade do Lamb of God no todo. Mas não para aí, a virada na metade é uma loucura e vem como um soco na cara sem perdão, e duvido alguém ficar parado ouvindo essa porrada, e que final foi esse! Das melhores! 

Quer mais riff? Então segura “Poison Dream“, que traz a participação especial de Jamey Jasta, vocalista do Hatebreed. A ponte dividida por Blythe e o convidado é matadora, seguida de mais um solo muito bem executado e bateria a milhão. E não acaba por aí as participações. “Routes” traz a lenda Chuck Billy do Testament, numa faixa que transpira thrash metal da melhor qualidade e que irá abrir muitas rodas nos shows. Torço muito para que esse encontro não fique só no estúdio e aconteça ao vivo em alguma ocasião e leve essa pedrada em sua forma completa aos palcos. 

Bloodshot Eyes” é mais melódica em comparação com as demais. Traz vocais limpos em sua introdução e segue com bastante mudanças vocais, o que é sempre interessante de ver a banda fazendo, sem perder sua identidade nem muito menos a sua grande qualidade. Há ótimas linhas do baixo e viradas de bateria no timing certo. Fechando, ‘On The Hook“, que invoca a porrada “Set to Fail” em seu começo, mas logo ganha vida própria e soa como o encerramento certeiro, com passagens absurdas com direito à blast beats, guitarras fuzilando os ouvidos sem perdão e vocais rasgados e destruidores. Os últimos 30 segundos da faixa são simplesmente uma loucura, tradução de serem fodas!

O Lamb of God faz mais uma vez um ótimo trabalho. Não que isso seja surpresa, pois sabemos que os músicos, a banda, é a marca registrada de qualidade dentro do metal atual e já colocou seu nome entre os grandes da cena. Neste novo disco eles só reafirmam o que sempre foram desde o seu surgimento, uma banda que sabia o que queria fazer e sempre levou a sério seu trabalho e colheu seus frutos e hoje nos proporcionando ótimos materiais. A prova tá aí e valeu a pena a espera desses cinco anos.

NOTA: 9

LAMB OF GOD TRACKLISTING:

01. Memento Mori
02. Checkmate
03. Gears
04. Reality Bath
05. New Colossal Hate
06. Resurrection Man
07. Poison Dream (feat. Jamey Jasta)
08. Routes (feat. Chuck Billy)
09. Bloodshot Eyes
10. On The Hook

FORMAÇÃO:

Randy Blythe: Vocal
Mark Morton: Guitarra
Will Adler: Guitarra
John Campbell: Baixo
Art Cruz: Bateria

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Marcio Machado

Estudante de História pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), mas com o pé no jornalismo musical, desde os 12 anos se arriscava à escrever sobre o que ouvia em cadernos, se enveredando pela escrita jornalistica do Metal desde 2016 com o Whiplash, tendo de lá para cá, 80Minutos, Headbangers News, Gaveta de Bagunças, Headbangers Brasil e recentemente o Imprensa do Rock, como casas para seus textos e chatices. Tem como bandas de cabeceira Korn, Alice in Chains e Pantera, mas fã de muita coisa dos anos 90, a melhor década.