Resenha: Grey Daze – Amends – (2020)

Em 2017, Chester Bennington, vocalista do Linkin Park nos deixou. Naquela mesma época, o cantor programava uma volta daquela que foi a sua primeira casa, o Grey Daze. Planos que acabaram sendo interrompidos. Mas os companheiros de banda desejaram levaram a ideia para frente e em forma de homenagem e com ajuda de vários amigos, lançaram “Amends“, disco da banda que traz regravações de músicas antigas e vocais deixados gravados para futuros lançamentos e que agora ganham vida pela Loma Vista.

O trabalho se assemelha bastante com o que Chester desenvolveu com o Dead by Sunrise, em paralelo ao LP entre 2009 e 2010, além de uma pitada de ares do grunge e isso já fica evidente na abertura com “Sickness“, climática e de refrão forte, mostrando a melancolia na voz de Bennington desde aquela época. O mesmo acontece em “Sometimes” que sai direto dos anos 90 com todos aqueles ares de tristeza transformada em música, com um refrão muito legal cantado a plenos pulmões e de forma densa. 

What’s In The Eye” parece uma extensão da faixa anterior e continua com aquele clima cinzento e com explosão de refrão, é uma das poucas canções que quebram o compasso com uma ponte curtinha, sendo bem vindo ali. “The Syndrome” traz batidas eletrônicas na sua levada, o que lembra de longe o que Chester viria a fazer no Linkin Park, e se difere bastante de sua versão original, ganhando mais peso quando necessário, e mesmo lembrando a banda principal do cantor, as coisas aqui parecem ter uma carga maior e o crescendo ganha contornos dramáticos e muito bem utilizados. 

In Time” mostra um vocalista que sabia muito bem o que fazia com sua voz, alternando entre momentos delicados e outros bastante agressivos e trazem uma audição um tanto agradável da música. “Just Like Heroin” traz bastante da influência do grunge, seja na letra ou no andamento da faixa e lembra bastante algo do Stone Temple Pilots, banda que Chester era fã e acabou integrando por um período após a morte de Scott Weiland. Uma das melhores faixas do disco, o refrão é explosivo e raivoso entrando totalmente em choque com os versos e guitarras bastante sujas e uma boa presença de baixo. 

Sendo mais agressiva, com guitarras marcantes e não a toa, pois se trata da dupla do Korn, James “Munky” Shaffer e Brian “Head” Welch, “B12” tem peso aliados a alguns beats eletrônicos que casam super bem na mistura. Sendo a quase balada do disco, “Soul Song” é bem atmosférica e traz uma carga muito forte, além de contar com o filho de Chester, Jaime Bennington nos backing vocals. 

Morei Sky” segue a mesma linha mais dramática, embalada lindamente por um piano e um bom instrumental. A forma que a canção cresce até o seu final é fantástica e é sobrecarregada por um feeling gigantesco que dá um clima incrível para o todo. Com certeza outro destaque aqui. “She Shines” é das mais pesadas e traz guitarras certeiras lembrando os ares da onde new metal, mas com uma crueza ainda que impressionam e se tornando das minhas favoritas, seu andamento é gracioso e com força total no refrão. Encerrando está “Shouting Out“, que busca um momento bem emotivo, com vocais sobrepostos e momentos mais delicados fechando de forma bonita o trabalho. 

Amends” é uma baita homenagem à Chester Bennington, que foi herói de uma geração e não merece menos do que um trabalho intimista como este para elevar o seu nome. Se analisado de forma mais profunda, talvez as músicas precisassem de um cuidado maior e que saíssem da fórmula verso/refrão/verso, mas isso é um detalhe que passa de lado durante a audição e seu propósito real é alcançado com grande exito. 

NOTA: 8

FORMAÇÃO: 

Chester Bennington – vocais
Mace Beyers – baixo

Sean Dowdell – bateria, backing vocals
Cristin Davis – guitarra

AMENDS TRACKLISTING:

01. Sickness
02. Sometimes
03. What’s In The Eye
04. The Syndrome
05. In Time
06. Just Like Heroine
07. B12
08. Soul Song
09. Morei Sky
10. She Shines
11. Shouting Out

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Marcio Machado

Estudante de História pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), mas com o pé no jornalismo musical, desde os 12 anos se arriscava à escrever sobre o que ouvia em cadernos, se enveredando pela escrita jornalistica do Metal desde 2016 com o Whiplash, tendo de lá para cá, 80Minutos, Headbangers News, Gaveta de Bagunças, Headbangers Brasil e recentemente o Imprensa do Rock, como casas para seus textos e chatices. Tem como bandas de cabeceira Korn, Alice in Chains e Pantera, mas fã de muita coisa dos anos 90, a melhor década.