Resenha de Filme | Quando as luzes se apagam: a escuridão toma conta das telas

Poucos meses atrás, bombou nas redes sociais um curta muito bem produzido de menos de cinco minutos de duração. Esse curta fez várias pessoas pensarem novamente no medo de escuro, já que uma mulher aleatória, de vida normal, se via atormentada por algo sobrenatural que somente aparecia quando as luzes estavam apagadas: assim, a mulher descobre que suas noites nunca seriam as mesmas, se é que ela poderia dormir.

uhhhhhhhhh

O curta descrito acima, foi denominado “Lights Out” (que seria algo como “luzes apagadas” em tradução livre) e deu origem ao filme Lights Out/Quando as luzes se apagam, de David F. Sandberg – que também dirigiu o curta -, escrito por Eric Heisseirer, e produzido por Lawrence Grey, Heisserer e James Wan (Invocação do Mal, Sobrenatural). James Wan, é o renomado e queridinho quando se fala das últimas duas décadas. Já esteve à frente de Jogos Mortais, Sobrenatural, Invocação do Mal, Velozes e Furiosos 7 e Annabelle, está se encaminhando para trabalhar com Aquaman. Sendo essa febre, deu uma forcinha para o iniciante com longas, David F. Sandberg.

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A trama de Lights Out gira em torno de uma família problemática. A mãe sofre de depressão e está a beira de um colapso, o pai tenta lidar com a doença da mãe e ainda criar seu filho de forma saudável, além de trabalhar para gerir o sustento da família… E Rebecca, a irmã mais velha que já não convive com a família, reflete os traumas passados em suas relações atuais: depois de ter cuidado da mãe por tantos anos e de se sentir extremamente sozinha e aterrorizada. Fora os problemas mais próximos da realidade, existe também uma entidade que se mostra com imagem feminina e sobrenatural, mas que só consegue agir no escuro. Quando o patriarca morre e o garoto começa à ser aterrorizado e ter problemas para dormir, Rebecca passa à ajudar o irmão com a situação que a mesma já passou. No entanto, a família inteira se compromete nessa jornada.

Produção de James Wan

A participação de James Wan no filme é incontestável, visto que as cenas que trabalham o jogo de luz no escuro ficaram visualmente ótimas e bonitas.

A diferença desse longa para Invocação do Mal é gigantesca. Não cometa o erro de esperar reações como em Invocação, pois assim como Annabelle, esse filme não tem o mesmo foco e nem vai te fazer sair do cinema impressionado à ponto de não dormir. Muito provavelmente você vai se recordar da personagem no escuro, mas não vai ter medo de entrar em um quarto sem luz (até mesmo eu que sou fraca para filmes de terror e o vi sozinha, consegui lidar bem). No entanto, o que pega mesmo durante a uma hora e vinte minutos de filme, é um cenário muito sombrio, onde você não sabe de onde a entidade aparecerá, ciente de seu controle sobre as trevas e também os sons, porque isso foi realmente muito explorado. A voz e os gritos são importantes pra te fazer dar alguns pulos na cadeira e sentir alguns momentos de agonia.

Por vezes, durante o filme, você vai conseguir prever o que acontece, pois a trama é simples e curta. Este não é um filme de terror que vem para inovar no gênero, mas se destaca por usar o medo do escuro de forma direta e clara. Outro benefício é que as coisas não demoram nada para acontecer, nos entediando e esperando algo. O início do filme já vai direto ao ponto, apresentando Diana.

Recomendo esse filme para os “fracos” para filmes do gênero, pois assim podem ter um novo começo e ir aumentando gradualmente sua “resistência”.

Caso não queira ler spoilers, não leia os parágrafos abaixo.

Sophie (Maria Bello), é a mãe depressiva de Rebecca (Teresa Palmer) e Martin (Gabriel Bateman). Ela tem uma relação muito íntima com Diana, a entidade que não está presa à casa, mas presa a mente de Sophie. Qualquer pessoa que tente fazer Sophie melhorar da depressão, que tente afasta-la de Diana, corre perigo de vida, pos Diana só existe se, de certa forma, Sophie alimentar uma fé na mesma. O problema é que isso afasta completamente a família, já que Diana é possessiva desde que era uma criança viva em um hospital psiquiátrico, quando as duas se conheceram.

Sophie foi diagnosticada com depressão e Diana 017826.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxfoi encontrada no porão escuro de sua casa, próxima ao corpo do pai que havia escrito “ela está na minha cabeça” com sangue na parede, antes de se suicidar. Diana tem uma doença muito peculiar: é sensível a luz. Sua pele fica aparentemente queimada quando é exposta a qualquer tipo de iluminação, além de parecer ter o estranho dom de “entrar” na mente das pessoas e influenciar sempre que conseguir. Assim que a mente de Sophie enfraquece, Diana consegue manipular a mesma. Contudo, os médicos submetem a estranha garota à um tratamento experimental de choque e acidentalmente, acabam matando ela. Anos depois, quando a mente de Sophie enfraquece de novo, Diana retorna. O filme não se esforça muito em explicar precisamente como isso acontece, mas ao mesmo tempo isso faz com que cada um tenha uma visão sobre Diana, de acordo com suas influências religiosas.

 

Quando a família resolve se livrar de Diana, vivem um verdadeiro caos: São ruídos estranhos, perseguições dentro da própria casa, gritos, portas rangendo e unhas afiadíssimas cortando paredes, assoalhos e peles. E então, dois personagens que poderíamos encarar como previsíveis, não são. O quase namorado de Rebecca, Bret (Alexander DiPersia) que de início parecia dispensável, ajuda a família mesmo sem haver um vínculo definido e concreto entre eles, sendo uma peça chave e Sophie, que acaba se rebelando mesmo contra Diana, para proteger a família.

Existem alguns clichês também, como a criança do filme que é muito madura muito cedo, porões, certas frases da entidade que são muito comuns em filme de terror e obviamente, o escuro. A atuação dos envolvidos no filme foi muito boa. Tanto Maria Bello, Teresa Palmer, Gabriel Bateman e Billy Burke fizeram dramas reais de uma família com um integrante depressivo, além de produzirem um bom trabalho em relação ao sobrenatural.

O filme lança no dia 18 de agosto de 2016 e você tem quatro dias para manter todas as luzes acesas e se acostumar a dormir assim.

Victória Cardoso

Victória Cardoso

Redatora em Imprensa do Rock
Mais jovem do que gostaria, gosta do que lhe agrada (sim, isso mesmo!), escritora amadora e observadora social nas horas vagas. A insana que vê potencial para uma boa leitura em todos os fatos do cotidiano.
Victória Cardoso