Porta dos Fundos fala sobre o filme e rebate pergunta sobre marginalização de travestis em coletiva

portadosfundosdestaque1Em um bate papo descontraído, o Porta dos Fundos falou na coletiva de imprensa sobre o seu primeiro longa metragem. A história começa quando dois amigos, ator e diretor, são premiados por um filme em Cannes, e assinam durante a festa de premiação um contrato vitalício para trabalharem sempre juntos.

Texto e Fotos: Andreza Oliveira
Edição: Victor Santos

portafundos4Após desaparecer por dez anos, dizendo ter sido abduzido por alienígenas para o centro da terra, o diretor reencontra o seu velho amigo, e com o contrato em mãos, escreve um roteiro maluco sobre a sua história nesse período, a ser interpretado pelo seu fiel amigo, que se mete em varias enrascadas ao fazê-lo.

O filme conta com a participação e citação de diversos artistas. O roteiro difere, um pouco, do humor do Porta dos Fundos no YouTube, mas ainda assim, garante boas risadas. Para contar um pouco mais sobre a ideia do filme, construção dos personagens e os desafios do primeiro longa metragem, o Porta dos Fundos se reuniu para uma entrevista muito bem humorada, e que já começou com uma pergunta muito polêmica. Acompanhem!

O jornalista faz Referência a críticas anteriores ao Porta dos Fundos, sobre um vídeo com conteúdo transfóbico sobre travestis:

gregorioportafundosO novo filme vocês retomam este tema, mostrando a prostituição e mais tarde a detenção de travestis. Vocês não acham que apresenta-los desta forma, ajuda a reforçar uma imagem de marginalização e assim, cooperam para um des-serviço para a comunidade LGBT?

Gregorio Duvivier: As travestis que fizeram o filme não concordam (Risos). Foram travestis que atuaram, viram o filme e gostaram. Inclusive o Leo Áquila disse que amou o filme e ficou muito emocionado por fazermos exatamente o contrário, chamar atrizes transexuais, dando a elas papeis, e não atores fazendo papel de transexual.  Mas isso acontece mesmo, na maioria dos casos na televisão.

Fabio Porchat:  Sobre o caso das travestis, eu também fui preso com elas no filme (Risos), então não foi algo específica.

A coletiva ainda prosseguiu falando sobre o tema, e o ator Antônio Tabet disse que o Porta dos Fundos teve um vídeo em que eles mesmos concordaram que foram transfobicos e pediram desculpas, mas nenhum integrante é, de fato, transfobico. E no caso do filme, não houve isso.

Ainda sobre o tema LGBT os integrantes citaram que tiveram um vídeo publicado no Youtube, onde Fabio Porchat beija o Gregorio Duvivier, e que depois sofreram varias represarias de pessoas que disseram não segui-los mais por isso, e Porchat revida: “Sim, é melhor não ter esse tipo de gente nos seguindo”.  E no filme, sobre o beijo que Porchat deu no ator Gabriel Totoro, ele diz: “Foi inesquecível” (Risos)..

Voltando ao roteiro do filme, surge uma pergunta: Como foi unir todos os personagens do Porta dos Fundos em um roteiro maior para o longa?

Fabio Porchat: As pessoas sempre perguntavam como é que vocês vão fazer um filme? E eu respondo que é mais um conteúdo que a gente fez. Já fizemos TV, individualmente e no Portas dos fundos, eu já dirigi outros filmes.  A gente queria deixar fluir e deixar acontecer, sem se podar, nos apenas pensamos a longo prazo e não mais em dois minutos.

Gabriel Esteves (Roteirista): É o primeiro roteiro de longa que eu escrevo e o Fabio me ajudou muito mesmo nesse processo, nós escrevemos em duas mãos.  (Fabio Porchat interrompe) Nós escrevemos em quatro mãos Esteves! (Risos).

portadosfundos3Pergunta: Eu nunca vi um filme com tantas citações de nomes de artistas como esse, eles sabem ou serão surpreendidos? (Risos)

Fabio Porchat: Os artistas não, não estão sabendo! (Risos) Eu falei pro Luciano Huck que ele ia adorar, tinha uma homenagem no filme pra ele. Quando ele disse oque? Eu fui embora (Risos). Nós citamos apenas primeiros nomes. Wolfs tem muitos por ai (Risos). Angelicas e Anittas também, podem ser várias, talvez você tenha entendido errado (Risos).

Depois dos risos o grupo disse que os artistas citados foram avisados.

Prosseguindo as perguntas na coletiva: O Porta dos fundos tem interesse em desenvolver uma continuação deste longa?

Ian Sbf (Diretor): Temos certeza que não haverá continuação, demos um gancho para uma continuação no final, mas temos outras ideias.

Ouvi que a ideia do filme nasceu de uma piada interna e de uma historia do Porchat com o Ian sobre um contrato Vitalício, como essas historias se cruzaram e quando vocês sacaram que isso dava um filme?

Fabio Porchat: Eu e Ian nos conhecemos há quinze anos e fizemos um trabalho juntos que ganhou vários prêmios, viajamos, foi muito legal. E na brincadeira o Ian falou: Pow, vamos trabalhar sempre juntos, vamos assinar um contrato vitalício? E eu falei, imagina! Daqui a dez anos eu volto mendigo, e você um ator famoso e será obrigado a trabalhar comigo (Risos) Dessa brincadeira surgiu a ideia do filme que ficou adormecida, e lá na frente eu escrevi um argumento sobre essa história, lemos juntos e decidimos apresentar para os meninos (Porta dos fundos).

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De onde surgiu a ideia de transformar essa ideia em um filme, e não em um vídeo do canal de vocês?

Gregori Duvivier: Me deixa triste essa pergunta porque parece que em dois minutos faríamos um filme melhor (Risos).

Fabio Porchat: Acho que porque não! (Risos) a história cabia em uma hora e quarenta, é muito maior do que dois minutos. Você chegou a ver, né? (Risos).

O Portas dos Fundos disse que, além dos projetos internos, eles também analisam os de terceiros, e que como produtora, eles querem trazer novos roteirista, diretores e atores para o grupo e desenvolver o que eles já fazem. A ideia é ampliar mais, como uma produtora de conteúdo.

E para fechar: Com quem vocês fariam um contrato vitalício? E surgiram  respostas bem humoradas, como Spielberg, Barcelona, Silvio Santos, com o Porta dos Fundos, o Fabio Porchat com o Ian e a Julia Rabelo com o Marcos Veras.

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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