Por dentro da Ventre no @Lollapalooza – São Paulo/SP (24/03/2018)

Créditos @Ventre

Desci o morro de Interlagos em direção ao VENTRE

Tem uma mina na batera quebrando a caixa maluco do céu ela tá arregaçando que virada alucinante foi essa toca no êxtase meu deus

Larissa Conforto é a baterista da VENTRE. Lugar de mulher é na música. Na bateria e na voz, onde mais ela quiser. Larissa deve tocar de tudo. Dá pra ver no rosto dela que manda bem em tudo que faz. Que gosta do que faz e tem atitude. Divide os vocais, conversa com o público e provoca.

VENTRE é uma banda do Rio de Janeiro que se apresentou sem receios no palco Ônix do Lollapalooza Brasil 2018. O power trio composto por Larissa Conforto (bateria), Gabriel Ventura (guitarra) e Hugo Nogushi (baixo) já entrou estralando, tocando forte, pra mostrar porquê veio. Se a VENTRE está tocando você precisa ouvir. Já que é pra tocar às 11h50 da matina nesse solzão, que seja pra vomitar todo o café da manhã nessa pista de asfalto.

Musicalidade, é um som pesado com letras inteligentes. Difícil de entender direito o que Gabriel canta nos vocais, canta meio falado, quase psicodélico, meio pra dentro, de uma maneira suave e grave. Bom demais de ouvir.

Efeito de looping na voz, diz bom dia bom dia bom dia.

Fazem o um somzasso juntos

Hugo no baixo mantém a cabeça da nota, não se destaca tanto mas leva a cozinha com uma calma que contrapõem os outros dois integrantes.

Destaca Larissa

Deixa sair o som da VENTRE.

O público desconhece a banda. É difícil emplacar uma banda nacional hoje em dia. Não há incentivo algum, pouca cobertura, pouca divulgação.

“Só você sabe o que passa

os caminhos que a gente passa”

A VENTRE sabe dos caminhos necessários para chegar até o Lollapalooza. Um caminho que tem Caixa Bumbo e Pratos, viradas ensandecidas e letras profundas, público de nicho, show curto, provocativo.

Gritam Fora Temer. No telão a foto de Marielle, executada uma semana antes no Rio de Janeiro. A VENTRE é uma banda carioca. Estão nas ruas como nós, vivem em uma cidade com intervenção militar. É melhor eles falarem o que pensam.

Se essas frases não saírem da VENTRE, de quem sairão?

Tem um rapaz ao meu lado pulando que nem um louco às 12h10. Vai vomitar no asfalto. Está contagiado pelas palavras e pela sonoridade da banda. Foi absorvido pra dentro da VENTRE.

Gabriel sobe na batera, sola em cima do bumbo junto com Larissa. Que cena maravilhosa pro rock brasileiro! Pra música brasileira!

Tocam o maior hit do grupo: “Carnaval” –

“Foi se o tempo em que a vida dava tudo de bom e nada cobrava”

VENTRE é um espetáculo e deveria cobrar mais divulgação, mais espaço.

Vão lançar o “EP Saudade” com quatro músicas nos próximos dias e fazer uma pausa, uma suspensão para reavivar os ânimos e voltar com tudo em breve.

No final do show agradeceram todo mundo, baita respeito, sabem o trabalho que dá para estarem onde estão. Agradeceram o técnico de som, o roadie, a produção, a todas as pessoas que se importam com música.

Música importa” – diz Larissa, implacável.

Larissa terminou o show jogando a batera no chão

Saiu fora, quebrou tudo e abraçou o baixista com força.

“Quando você tocar, quando você se tocar, toca legal, toca até gozar, não tenha vergonha de tocar não”

SET LIST

  1. Pulmão
  2. Aquela Mancha
  3. Bailarina
  4. Alfinetes
  5. Quente
  6. Carnaval
  7. Pernas

 

Créditos @Ventre

 

Foto: Jales-Valqueri-Fotoarena-Estadao-Conteudo