Papo de Guitarrista com Cauê Leitão: #8 Marcelo Souza (Solo)

Chegamos na OITAVA edição. A coluna “PAPO DE GUITARRISTA” entrevistou para o mês de Setembro o guitarrista Marcelo Souza, um cara que tem a habilidade e garra para manipular esse maravilhoso instrumento das seis cordas que é a guitarra. Fiquem com o meu grande amigo Cauê Leitão (Andragonia/Solo) entrevistando esse outro grande guitarrista.

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Fala galera aqui quem fala é o Cauê Leitão, é com muita alegria que trago a vocês a edição 8 da coluna “Papo de Guitarrista”, dessa vez bati um papo bem legal e produtivo com meu grande amigo e guitarrista Marcelo Souza. O Marcelo pra mim é um dos grandes guitarristas que temos hoje da nova geração brasileira, espero que vocês curtam e se divirtam!

Marcelo primeiramente muito obrigado por ter aceitado bater esse papo, você pra mim é um dos maiores nomes da guitarra que temos hoje da nova geração de guitarristas brasileiros, e é uma influência pra mim, e com certeza você só tem a crescer cada vez mais. Você lançou seu primeiro disco o “Circle of Fire”, e parabéns, o CD é sensacional, além de ter a participação de um dos maiores bateristas do Brasil, o Mauricio Leite, escutando o disco eu noto influências do Yngwie Malmsteen, Joe Satriani e Kiko Loureiro, mas com um toque bem original do Marcelo Souza, esses citados foram realmente influências pra você?

Obrigado pelo convite, eu é que me sinto honrado em bater esse papo com você Cauê, pois sabe que também te admiro muito tanto como músico como pessoa. Bom, estes nomes que citou me influenciaram desde a adolescência, quando iniciei meus estudos, posso dizer que quando ouvi Yngwie Malmsteen pela primeira vez fiquei em estado de transe mediante a tanta técnica, velocidade e feeling! Aquela mistura de rock com música erudita realmente mudou minhas perspectivas quanto ao estudo da guitarra, e claro além dos mestres que citou outros como Ritchie Blackmore, Jimi Page, Paul Gilbert, Steve Vai, Jason Becker, além dos que estavam se destacando aqui no Brasil na época como Faíska, Kiko, Ardanuy, Frank Solari, etc… não posso deixar de lembrar que também estava me interessando por outros estilos como Música Brasileira, Fusion, Erudita, etc…

Fale um pouco da sua história, quando começou a tocar? Já trabalhou com bandas? Ou sempre desenvolveu mais a carreira como guitarrista instrumental?

Bom, meu primeiro contato com a música foi aos 12 anos. Nessa época, um tio me mostrou algumas bandas como Led Zepellin, Black Sabbath, Deep Purple, Iron Maiden, Metallica e Guns n’ Roses. Pirei ouvindo o som destas bandas e comprei meu primeiro violão, um Trovador da marca Gianini já usado, bem surrado, vivia tocando com alguns amigos na redondeza, mas só fui estudar sério aos 15 anos tendo aulas particulares de teoria e logo em seguida violão clássico na escola de artes Maestro Fêgo Camargo (Taubaté-SP).

Nesta época, já estava tocando guitarra e ouvindo alguns dos grandes guitarristas que citamos anteriormente, tirava tudo de ouvido e comecei a acompanhar vários artistas importantes na minha região, tocar em bandas de estilos variados para todos os lados, já começando minha carreira profissional. Em 2003 me matriculei na Faculdade Santa Cecília de Pindamonhangaba – SP (FASC) e me aperfeiçoei em estilos que ainda não havia estudado tão a sério como Jazz, Fusion e MPB, me formando Bacharel em 2005.

Fui convidado a participar de vários eventos importantes tocando como sideman dos cantores do “Jovens Talentos” do programa Raul Gil como Hevelyn Costa, Twiggy e Christian; acompanhei também a cantora Cecília Militão de Jacareí, tocando para milhares de pessoas e grandes shows pelo país, o que ajudou a me divulgar como músico. Passei pela fase de “barzinho”, bailes (pois é, tinha que pagar as contas) risos. A carreira “solo” já existia como “projeto” e amadureceu logo após esses trabalhos.

Fazendo a audição do seu CD eu fiquei impressionado escutando sua bela execução, tanto nas músicas mais técnicas como a “Circle Of Fire” e a “Time Control”, quanto nas músicas mais calmas como a “Bella Vista”, quando vai compor quais são os critérios utilizados?
Obrigado pelo elogio! Olha, como componho sempre, e por estar envolvido com a guitarra e violão todos os dias trabalhando na área didática, as ideias surgem naturalmente nos estudos, e quando vejo que uma composição vai “vingar”, fico concentrado nela, gravo, escrevo, enfim não descanso enquanto não deixo ela como espero, sou perfeccionista! Mas confesso que nunca estou satisfeito, claro que pra uma gravação tenho que ter certeza do que fazer, mas sabemos que amadurecemos musicalmente todos os dias.

Agora vou te pedir pra falar um pouco de toda sua formação, você estudou violão erudito? Fez conservatório ou faculdade de música? Teve professores particulares?

Tive professores particulares, posteriormente estudei num conservatório cursando violão erudito, o que me ajudou muito em teoria e técnica no instrumento, e em seguida cursei bacharelado em Guitarra, a Faculdade de Música me ajudou a aperfeiçoar e aprender muito pois convivia com músicos de estilos variados, estudava muito mesmo nesta época, tive grandes professores e fiz grandes amigos. Acredito que o estudo acadêmico é essencial pra quem quer viver de música, e estar realmente preparado pra trabalhar neste ramo super concorrido!

A técnica de pedal point que era muito utilizada na música erudita, foi muito explorada pelos guitarristas neoclássicos, como o próprio Yngwie Malmsteen, o Vinnie Moore e o Michel Romeo, eles usavam muito bem em uma pegada mais Rock and Roll, na sua música “Futuro Distante” percebo que você usa e muito bem, é impressionante a bela execução, você se considera um guitarrista neoclássico?

Esses guitarristas que citou e a música Barroca são realmente muito influentes na minha música ”Futuro Distante”, fico feliz com esta comparação pois era isso que queria quando a compus, mas não me considero um guitarrista neoclássico pois tenho escutado e composto coisas diferentes ao longo dos anos, meu disco “Circle of Fire” é um apanhado de composições que julguei coerentes a um disco de Rock Instrumental , com minhas principais influências! Mas como curto e estudo muito musica Brasileira no Violão, Jazz, Blues etc, elementos desses estilos também fazem parte dos tipos de sonoridade que busco hoje em dia.

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Você recentemente abriu o workshop do guitarrista Guthie Govan, que hoje é o nome que está mais em ascensão no mundo da guitarra, como foi o evento? Teve oportunidade de conversar com o Govan? Rolou uma Jam juntos?

Este evento foi muito importante pra minha carreira pois, como disse Guthrie é uma referência da guitarra no mundo atual, fiquei muito feliz quando tive o convite pra fazê-lo, mas não rolou Jam, apenas fiz parte do casting de abertura, junto com outros amigos e grandes músicos! Conversamos um pouco, tive a honra de emprestar meu amplificador pra ele, foi muito bom, por que teve um grande destaque principalmente aqui na região do Vale do Paraíba!

Você costuma escutar guitarristas brasileiros? E os grandes guitarristas da nova geração brasileira? Você sempre busca novos nomes e fica atento a sempre conhecer novos trabalhos?

Sempre ouvi e ouço guitarristas brasileiros. Dos guitarristas mais antigos, além dos que citei antes, Pepeu, Edgard Scandurra, Luiz Carlini acho-os geniais! Dos mais novos tem muitos feras como Paulo Schroeber, André Nieri, Cauê Leitão, Brunno Henrique, Tiloy D’alessio. Aliás quero aproveitar e agradecer o convite pra participar do seu disco “Lab Guitar Experience”! Grande honra pra mim, de verdade. Tive a oportunidade de ter sido professor de outro músico e amigo que admiro muito o Celso Machado, do Oficina G3, que lançou um disco chamado ”3D”, que é sensacional! Estou sempre ouvindo não somente guitarristas, mas outros músicos que ajudam a valorizar nossa arte!

Você tem um instituto de música chamado instituto Marcelo Souza. Como administra o instituto e ao mesmo tempo a sua carreira? E hoje você realmente vive de aulas, workshops e shows?

Dou aulas de segunda a sábado, com um método próprio e apostilado, a parte de administração acho mais desgastante do que as aulas em si, mas faz parte. Tenho uma banda de covers chamada Rockway, e faço eventos didáticos como workshows e masterclass, eu posso dizer que meu trabalho principal são minhas aulas, pois ocupam a maior parte do meu tempo, não posso reclamar pois graças a Deus vivo bem, além de fazer o que gosto, toco aos sábados geralmente, e quando há algum evento de guitarra, apenas me programo pra fazê-lo.

Qual equipamento que usa nos workshops?

Tenho usado nos eventos os pedais Fire Custom Shop, que é a empresa da qual sou endorse, guitarras Fender stratocaster americana, uma signature minha da antiga marca Lunacy, amplificador Laney e mesa Boogie, palhetas Lost Dog, correias Hero, cabos Tecniforte e cordas 0,10. Claro que pode variar conforme o evento, mas em geral são esses equipamentos que citei!

O que tem a dizer sobre a atual cena musical no Brasil?

Bom, fico feliz em ver o músico brasileiro lutando, compondo e matando um leão por dia pra fazer música, mas a falta de apoio cultural ainda predomina, infelizmente, claro que com exceções de empresas que realmente acreditam no músico, principalmente o músico que está começando. Acho que existe também o lado democrático que vem crescendo, a prova disso somos nós músicos da nova geração, que graças à Deus temos nossos trabalhos vistos e divulgados pelas redes sociais, gratuitamente, isso é muito bacana! Espero que possamos fazer mais, fazer a música chegar mais longe, ter reconhecimento das autoridades, e ter seu devido valor!

Cite os 5 solos de guitarra que marcaram sua vida.

Seriam muitos, mas lá vai:

  • Sweet Child O´ Mine (Guns N´Roses);
  • Highway Star (Deep Purple);
  • Another Day (Dream Theater);
  • You Don´t Remember I´ll Never Forget (Yngwie Malmsteen);
  • Eruption (Van Halen).

Escolha uma música do seu CD Circle of Fire e comente como foi feita toda a parte de composição.

Bom essa é difícil, mas vou dar um exemplo com a Circle Of Fire, faixa-título e que tem vários elementos importantes:

A frase inicial é um padrão em sextinas, usando a sonoridade menor, logo em seguida a introdução propriamente dita, tem uma frase ao estilo “Michael Romeo” ou “Timo Tolki”, com cordas soltas, no modo mixo b6 b9. Voltamos as “estrofes” em Bm harmônica, ai tem o tema principal, uma espécie de refrão, onde uso uma melodia em C#m , bem marcante.

Modulo pro modo Lídio em F no interlúdio pros improvisos, num trecho de tapping, que gosto muito de usar, após a sessão de improvisos, fiz um lance bem interessante que é um contraponto de 2 violões, usando uma forma em fuga* (estilo de composição barroca), lembrando as invenções de Bach . Após isso um tema novamente em Bm, um trecho com arpejos, numa sequência harmônica que no meio erudito chamamos de “Marcha Harmônica” em Am, pra voltar aos temas iniciais refaço o tema principal 1 tom acima, e finalizo com umas frases em E mixo b6 b9 . É mais ou menos isso (risos).

Novos trabalhos em vista? Novos Workshops? Novo CD em vista?

Olha, estou com praticamente um disco novo composto, pronto pra gravar, o problema é tempo (risos), assim que me organizar entro em estúdio, espero que ainda este semestre, estamos próximos a Feira Expomusic 2013, onde me apresento no stand da Fire. Workshops tenho datas a confirmar pro 2° semestre.

Eu tive a honra de ter sua participação na faixa titulo do meu CD “Lab Guitar Experience”, você fez um solo bem legal e noto que tem uma frase usando a escala de tons inteiros, você pode comentar basicamente tudo que usou no solo?

Novamente eu que me sinto honrado Cauê, obrigado pelo convite! Aliás grande disco, parabéns! Sobre o solo, usei elementos bastante usados no rock, como pentatônica de Em no início, seguida de uma frase de tons inteiros partindo de E ( influencia do Jazz / Fusion ). Usei um arpejo com tapping em sequência em E frígio, e pra finalizar tríades em Am e G#°, acho que ficou legal !

Quais são as técnicas mais exploradas pelo Marcelo Souza?

Bom, sou muito curioso e procuro sempre estar atualizado com técnica, apesar de achar que é apenas uma parte do estudo, uso as que acredito que todo guitarrista de rock deve usar, tappings, arpejos, ligados, palhetada, alternada, técnica de volume/delay (muito usada por Van halen) harmônicos, Hybrid Picking, saltos, etc…

Marcelo mais uma vez obrigado por esse papo, agora vou te pedir para dar uns conselhos para todos nossos leitores e guitarristas que acompanham a coluna, obrigado!

Novamente obrigado pelo convite, quero agradecer também meus endorsers Fire Custom Shop, Hero Straps, Tecniforte Cables, Lost Dog, Grupo Engeáudio. Foi um prazer e uma honra !!!

O meu conselho é estudar bastante, procurar um bom professor, se dedicar, se divertir, e principalmente acreditar no que faz!!! Sucesso!!! Abraços e fiquem com Deus!

Site Oficial

Cauê Leitão é guitarrista da banda de ProgMetal Andragonia e tem seu trabalho solo

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CD Cauê Leitão “Lab Guitar Experience” Download grátis pelo Facebook/Cauê Leitão
Compra do CD Lab Guitar Experience – (contato.caueleitao@gmail.com)

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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