Papo de Guitarrista com Cauê Leitão: #6 Thiago Larenttes (Andragonia/Produtor)

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Sexta edição do Papo de Guitarrista. O tempo passa rápido não é mesmo? Já passaram pela Imprensa do Rock nomes como Paulo Schroeber, André Hernandes, Marcelo Barbosa, o próprio Cauê Leitão, Rodrigo Hidalgo e agora o companheiro de banda Thiago Larenttes. Confiram um pouco sobre a história do músico, técnicas e o seu atual trabalho solo o “Heartbeat”.

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Fala amigos e leitores da coluna “papo de guitarrista” Tudo bem? Aqui quem fala é o guitarrista Cauê Leitão, chegamos a edição 6 da coluna e nesta edição trago meu grande parceiro de banda o Thiago Larenttes (Andragonia/Solo/Produtor musical), o papo foi bem bacana onde conversamos sobre seu CD solo, curiosidades de produções musicais, Andragonia e várias outras coisas, se divirtam!

Primeiramente Thiago muito obrigado por ter aceitado bater esse papo, esse tempo que convivo com você deu pra conhecer bastante seu estilo, suas influências e seus objetivos, seu CD solo o “Heartbeat” pra mim é bem inovador, uma mistura de música eletrônica com guitarra, explorando bastante técnicas de “two hands” e “Tapping”, e que também explora bastante o seu lado de produtor musical. Fazendo a audição do seu CD percebe-se que não se trata de apenas um guitarrista, mais se trata também de um grande produtor, com ideias modernas e inovadoras, o que você tem a falar sobre isso?

Sempre admirei aqueles guitarristas que só pelo bend ou palhetada você já sabe quem é que esta tocando, em alguns casos até pela harmonia usada, desde que comecei a tocar guitarra sempre me interessei em buscar no instrumento inúmeras opções de tocar um ligado ou uma frase, e assim comecei a desenvolver esse lado técnico de Tapping, pois sempre me preocupei em soar do meu jeito, hoje em dia no meio de tantos guitarristas realmente fica difícil sor diferente, mas sempre gostei de misturar sons, ou simplesmente imaginar o que daria um elemento com outro, assim surgiu o Heartbeat, onde eu misturo batidas programadas e muita sonoplastia com guitarra, nesse projeto eu pude realmente me encontrar, e saber o que quero seguir de sonoridade daqui pra frente.

Triple Control of the Souls

Fale um pouco sobre sua formação como guitarrista, sei que você é autodidata, e pra mim tudo que você faz tocando me impressiona, pois você nunca teve uma aula de guitarra formal, sempre buscou sozinho, você acha que esse lado de busca individual e ter intuição é realmente importante e faz a diferença?

Desde os meus 6 anos tinha um violão bem gasto em casa, e sempre me chamou atenção, ficava horas mexendo e tentando entender, mais tarde aprendi apenas os acordes maiores e menores, e comecei a ouvir as bandas e tentar tirar as músicas, eu não tinha escolha, ficava tocando nota por nota, ate encontrar as notas que eu ouvia nos riffs de Kurt Cobain, e assim eu fui parar no John Petrucci, claro o Youtube ajudou a esclarecer as coisas, eu procurava apenas o que me interessava nos vídeos, Com toda a certeza faz a diferença ter intuição, mas acho esse papo de autodidata ou formação relativo demais, depende muito da cabeça da pessoa, sempre existirão pessoas que adoram buscar conhecimento na teoria, e sempre iram nascer pessoas com facilidade para desenvolver esse lado intuitivo, não que eu não goste de estudar e entender como são as coisas na teoria, mas eu consigo buscar os sons e temas que ouço no meu cérebro e reproduzir na guitarra simplesmente sem explicação, claro, e muito bom ter o bom senso das coisas, tanto na intuição quanto na teoria, principalmente na teoria, certos modos na teoria usado de forma abusiva apenas para mostrar que tem conhecimento demais, atrapalha a criatividade do músico, acho legal quando o cara consegue mesclar os dois, assim vamos encontrar grandes gênios no mundo das cordas.

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Além do discos “Secrets In The Mirror” e “Memories” do Andragonia, o seu disco “Heartbeat”, o meu disco “Lab Guitar Experience”, cite outras produções que você tem orgulho de falar que produziu.

Esses discos citados na pergunta acima, são sem sombra de duvidas os que me dão mais orgulho, por se tratar dos estilos que eu tenho paixão, “Secrets in the Mirror” esteve em 2 categorias em uma das edições da Revista Roadie Crew em 2010, melhor álbum e capa, mas no mercado que trabalho (produção musical), tem que estar aberto a muitos estilos, muitos discos me traz ate hoje um feedback impressionante, além de ganhar destaque nas mídias, emissoras como MTV e Mix tv, sempre deram destaque a esses artistas que eu tive a oportunidade de produzir o CD ou ate mesmo um single, “O fim do Furacão” da banda Replace foi bem interessante, com a participação de Marcelo Mancini (Strike), e o Mi (Gloria), foi um disco que eu tive muito trabalho para mixar e fazer efeitos eletrônicos, foi o que me trouxe um feedback rápido, teve também o disco “Sexy Hot” da banda Vip-A, que foi indicado ao Grammy Latino 2013, isso foi realmente incrível, é a prova de que se você dar o sangue e mergulhar mesmo naquilo que você acredita, o universo te levará ao lugar certo.

Quais são suas influências como guitarrista e como produtor musical?

Como Guitarrista, desde que ouvi pela primeira vez um solo do Petrucci, decidi que queria fazer minha alma transmitir aquele tipo de energia que eu ouvi no solo de “Another Day”, ouvia bastante Steve vai, hoje ouço bastante Guthrie Govan, claro que conheço os demais, e já ouvi bastante, mas busco apenas o que me interessa de verdade ouvindo esses caras, expressão, feeling e cada detalhe e importância em cada nota usada. Como produtor eu busco bandas bem mixadas, com timbres sensacionais, como nos discos “Dark Horse” (Nickelback) e “Weathered” (Creed), realmente da gosto de ouvir, tudo vem macio e com impacto, qualquer coisa do Skrillex também ajuda muito em termo de música eletrônica, e tem bandas novas que trazem perfeição na mixagem, como o Periphery e Tesseract.

Comente um pouco pra galera sobre o equipamento que você usa nos shows.

Gosto de Guitarra de ponte fixa, uso uma Les paul da Gibson, com um 59 no braço e um Jb na ponte da Seymour Duncan, cordas Elixir 0.10 e cabos Santo angelo, nos pedais, apenas Overdrive, delay e chorus, tudo com pouco ganho.

Tem um assunto polêmico que eu não poderia deixar de te perguntar, hoje é comum fazer gravações usando os simuladores de amplificadores e pedais de efeitos, e muitos músicos tem ainda um certo preconceito e as vezes nem querem experimentar, falando de produção musical o que você acha que essa “modernidade” tem a contribuir com as gravações e produções?

Praticidade, tudo que esta no mercado em termos de plugin, é para o bem da humanidade, quando se trabalha com bandas de gêneros diferentes pelo menos 3 vezes na semana, o que precisamos e de praticidade e bom senso, nada contra os amantes de analógico, tenho muitos amigos que montam pedais e amplificadores, e a verdade e que quem entendem realmente o poder das válvulas, não criticam o digital, mas sempre vai existir o preconceito de que simuladores não vão trazer uma gravação com energia de verdade, mas gravação não e apenas isso, gravação se trata também da pessoa que esta tocando e do assessório usado na guitarra, uma boa captação, o bom senso na hora de usar os simuladores são coisas fundamentais, o poder esta na mão do cara na hora de tocar.

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Hoje no Brasil vemos uma “Cena Metal” bem desvalorizada, na sua visão porque você acha que o público tem um certo preconceito de conhecer e ir a shows de bandas novas?

Na verdade acho que o cenário do Heavy Metal nacional não é apenas composto por fans de Heavy metal ou apreciador de música técnica, e sim composto por bandas, temos muitas bandas, tantas que ao invés de ter união na cena, todos querem aparecer de uma vez, em vez de ter um cara que vai lá, conhece a banda e divulga para os amigos, temos o cara que ouve a banda, e imediatamente ele cria uma disputa com a banda dele, claro todos tem o direito de correr atrás, e também não podemos generalizar, mas o que quero dizer é que em vez de ter união, cria se uma disputa, e isso acaba enfraquecendo a cena, já o cenário pop nacional é diferente, muitas bandas quando surgem, vem muitas de uma vez promovendo eventos e a união de verdade, há muitos exemplos no mainstream hoje em dia, como foi o caso de bandas como, Nx Zero, Fresno e outras que ficaram famosas no brasil por surgirem em um circuito de bandas.

Acho que tanto pra mim como pra você, o show que fizemos com a banda Symphony X, e a participação do guitarrista sueco Mattias IA Eklundh da banda Freak Kitchen, no disco “Memories” do Andragonia, foram umas das coisas que vivemos mais marcantes na historia da banda, além disso você se lembra de mais historias curiosas e algo que marcou mais ainda esse anos com a banda?

Realmente tocar no Via Funchal foi incrível, o que ficou marcado foi quando o Russel Allen veio buscar agua durante o instrumental de uma das musicas do Symphony X, simplesmente veio correndo, carismático demais, jogou o resto de agua em mim, e voltou super feliz, foi engraçado porque tudo que eu pensava, era que cresci ouvindo o som deles, e de repente estávamos ali nos bastidores do show, outra coisa foi o Mattias que durante uma festa, trouxe sua guitarra para gente tocar e ver os trastes diferentes, parece uma coisa simples, mas não é, isso se chama humildade e carisma, um mês atrás, aconteceu de fato uma das coisas mais impressionantes, fiz um cover da cantora Christina Perri, da música “A Thousand years” sem pretensão alguma, fiz porque gostei da música, e de repente estava ela postando esse meu vídeo no twitter dela, ela publicou e comentou, me deixando ainda mais impressionado, é preciso ser muito humilde e ter muito carisma para poder dar esse tipo de atenção com quem você não conhece.

Heartbeat

Quais são suas principais atividades com a guitarra no momento? E fale um pouco pra galera sobre seus objetivos hoje como guitarrista, produtor, Andragonia e etc.

No momento estou divulgando o meu CD solo, produzindo novos vídeos, o objetivo e lançar vídeos de todas as faixas do “Heartbeat”, estou produzindo diversas bandas do cenário brasileiro, e com o Andragonia, estamos preparando um material interessante do qual não posso me manifestar agora.

Thiagão muito obrigado mais uma vez, agora por favor der alguns conselhos para os guitarristas que estão começando e fique à-vontade para acrescentar algo que queira, obrigado.

Primeiramente, eu é quem agradeço o espaço, bom eu recomendo para galera que gosta de guitarra, que procure ouvir o máximo de estilos e maneiras de tocar guitarra. Procurem entender como é a dinâmica usada para cada estilo, postura e swing usado para o blues, heavy metal, jazz e outros estilos. Quanto mais conhecimento, maior a chance de você criar a sua identidade! O poder esta na mão do cara na hora de tocar, toque com pegada e energia, isso é mais importante do que qualquer teoria.

Site Oficial // Andragonia // Facebook // YouTube // Instagram

Cauê Leitão também é guitarrista do Andragonia e tem seu trabalho solo.

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CD Cauê Leitão “Lab Guitar Experience” Download grátis no site: Facebook/Cauê Leitão

Compra do CD Lab Guitar Experience – (contato.caueleitao@gmail.com)

Cauê Leitão – Faith In A Miracle

Cauê Leitão – Taken By The Feeling

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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