Papo de Guitarrista com Cauê Leitão: #4 – Cauê Leitão (Andragonia/Solo)

Opa, pessoal. Como estão? Voltamos com a coluna “Papo de Guitarrista”, do nosso querido amigo Cauê Leitão e guitarrista de uma das maiores bandas de metal do Brasil. Essa quarta edição será um pouco diferente. O papel se inverte e o entrevistado da vez será ele mesmo tendo como entrevistador o seu ex-aluno Fernando Alvarenga. Confira!

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Fala, amigos e leitores da coluna Papo de Guitarrista. Tudo certo ai? Aqui quem fala é o guitarrista Cauê Leitão, e nessa edição número 4 decidi contar um pouco da minha história e trajetória como músico. Convidei meu grande amigo e guitarrista Fernando Alvarenga para ser o entrevistador. O Fernando foi meu aluno e hoje tem um trabalho muito legal como guitarrista, além de ser professor de música também, vale muito a pena conferir seu trabalho, espero que esse papo possa ajudar vocês de alguma forma. Divirtam-se!

Fala Cauê, Beleza? É uma honra estar te entrevistando na Imprensa do Rock. Você toca Raul? Brincadeira! Conte um pouco sobre o seu primeiro contato com a guitarra? Quando começou? Tinha o apoio da família? Quem te influenciou?

Opa, com certeza vamos tocar Raul (Risos). Fernandão, eu que agradeço por ter aceitado o convite e ter dedicado seu tempo a contribuir com essa entrevista, obrigado. Meu primeiro contato com a música foi bem cedo, meus pais sempre gostaram muito de música e desde novo eu escutei bastante. Quando completei meus 12 anos meu pai me incentivou a entrar nas aulas de violão, nessa época não morava mais em Recife que é minha cidade natal, eu morava em Caxias, no Maranhão, depois de um tempo de aulas comecei a tocar em uma banda de amigos da igreja onde minha irmã cantava e logo depois comecei a tocar no próprio ministério da igreja, e como na igreja não dava para tocar violão e sim guitarra, foi aí que comecei a ter os primeiros contatos com a guitarra. Minha família nessa época achava bem legal, pois era um lance bem descompromissado sem qualquer tipo de pretensão profissional, daí fui ter aulas com professores de guitarra, num estilo mais rock e a cada dia fui tomando mais gosto pela guitarra e resolvi que queria isso para minha vida. A cidade era pequena e não oferecia tanto recurso e oportunidades para um músico que queria se profissionalizar, então voltei para Recife e depois vim embora para São Paulo que foi o que eu sempre quis.

Faith In A Miracle

Sei que você veio de Recife para estudar música e seguir carreira profissional em São Paulo. Como foi esta decisão de estudar e trabalhar com a arte de tocar guitarra?

Tinha um sonho de estudar com o mestre Mozart Mello e realmente me profissionalizar. No começo foi bem difícil, cheguei em São Paulo e dividia um quarto com mais dois caras, existiu uma época em que era eu e mais três dividindo o mesmo quarto, era bem punk (risos), passava o dia inteiro no IGT estudando e só ia para casa tomar banho e dormir. Foi bem difícil, não me alimentava tão bem porque a grana era bem apertada e mal dava para pagar as contas, mas na minha cabeça era só uma fase ruim e que as coisas iriam melhorar, nessa época já comecei a fazer uns trabalhos e ganhar uma grana além de dar aulas, com isso já comecei a desapertar um pouco e continuar seguindo com meu objetivo. Me graduei no IGT, gravei dois discos com minha banda de Prog Metal Andragonia, gravei meu primeiro disco solo o Lab Guitar Experience, sou idealizador do projeto Friends Of Rock Guitar, escrevo para o site Imprensa Do Rock e dou aulas, o retorno financeiro é pouco, mas é melhor você trabalhar fazendo o que ama do que viver frustrado o resto da sua vida.

Eu tive a honra de me formar com o mestre Mozart Mello e participar de um curso com o mestre Edu Ardanuy. Fale um pouco sobre a sua trajetória de estudos e formação com eles? Quantas horas você estudava na época e quantas horas estuda hoje? Sempre se preocupou em deixar a técnica e postura em dia?

O mestre Mozart realmente foi um pai pra mim, me ajudou muito, sabia que eu vim de outro estado só para estudar, então realmente ficou a minha disposição na hora que eu precisasse, sou muito grato ao mestre Mozart que realmente é um ser humano incrível. Fiz a especialização em Fusion com o Mozart e estudei a especialização em Rock com o Edu Ardanuy. A aula com o Edu era individual e realmente é o mestre do Rock and Roll do Brasil, nessa época estudava umas dez horas por dia, acordava e dormia com a guitarra (Risos). Nessa época convivi muito também com o grande e eterno Wander Taffo, outro pai e mestre que eu tive. Lembro que mostrei uma vez ao Mozart Mello meu cronograma de estudos, ele deu uma lida e falou que era neura total (risos), me parabenizou e falou que esse era o lance mesmo, estudar, estudar e estudar (risos), hoje em dia o meu estudo é um pouco diferente, me preocupo em tentar soar original, busco compor frases e tocar umas técnicas de uma maneira que as pessoas escutem e falem “esse é o Cauê Leitão que está tocando”. Passo o dia inteiro com a guitarra na mão, mas não necessariamente estudando, e sim dando aulas, compondo, gravando, e sempre quando dá, estudando e buscando algo novo. Me preocupo sim em tocar com uma boa postura e manter o nível de técnica que já tenho, e sempre buscando evolução porque se você achar que já está bom, você está se enganando.

Eu admiro muito o seu excelente trabalho, quero te parabenizar. Gostaria de saber um pouco sobre a sua concepção sobre a guitarra rock/metal quando está compondo riffs, solos e improvisando. Pensa em motivos rítmicos? Você sempre esta pensando na harmonia, acordes? Pensa em escalas? Criar melodias? Se baseia em mapas da música? Como é o seu raciocínio a respeito de composição de música instrumental e música com vocal no Andragonia? Tem influência de outros instrumentos, por exemplo bateria? Quando os assuntos são Harmonia, famílias de acordes, Chord Melody, Sobreposição, escalas como dom dim, cigana, alt, hexafônica, etc.. Como você acrescenta este material no rock/metal e qual é a importância de aprender estes assuntos?

Taken By The Feeling

Obrigado, Fernando. Eu agradeço pelas palavras. Existe uma história que as pessoas sempre falam, o guitarrista de Rock é virtuoso mas é bem fraco de harmonia, e o de jazz não é tão virtuoso mas a harmonia é bem complexa. Aí chega um guitarrista como o Allan Hodsworth com todo aquele virtuosismo e com uma harmonia encrenca daquele jeito (Risos), aí a galera começa a chamar isso de fusion, eu acho que realmente dá pra soar sofisticado, mas com bom senso. Tem baladas do Joe Satriane que são maravilhosas, mas tem uma harmonia bem simples, e tem também músicas do Allan com uma harmonia muito sofisticada e soando com uma melodia com poucas notas que também é maravilhoso. Eu sempre pesquisei sonoridades não tão convencionais, mas gosto de aplicar de uma maneira que soe agradável até para um leigo ouvir, gosto das escalas exóticas, em alguns climas gosto de dar uma entortada com sonoridades Dom Dim, a hexafônica tons inteiros confesso que acho uma sonoridade meio feia, mais aplicando de repente em uma rítmica diferente pode ficar interessante. Na música “Another Time” do disco “Memories” do Andragonia, uso no minuto 3:09 uma frase hexafônica, gostei do padrão que criei e achei interessante aplicá-la. Quando penso em uma música mais metal, penso logo no riff, uma boa música mais pesada merece ter um bom riff. Gosto de estruturar uma música primeiro e depois compor as partes, penso em mapas de músicas, intro, verso, ponte, refrão, parte instrumental e assim vai. Confesso que quando vou compor pensando em uma música que tem vocal penso diferente.

Quando vou compor uma música instrumental, gosto de explorar coisas diferentes até pra atender todas minhas necessidades como músico, em muitos casos deixo a música me levar sem pensar se tem uma harmonia bem complexa ou uma técnica bem difícil, simplesmente deixo a música me levar e acho que pensando assim que a música começa a fluir de uma maneira natural e verdadeira, e é claro que é muito importante estudar de tudo, ter um bom conhecimento de harmonia, assim vai te possibilitar a ir cada vez mais além e soar cada vez menos previsível.

Você tem alguns vídeos no youtube, de seus trabalhos anteriores, antes de entrar no Andragonia e de lançar o seu CD instrumental, da sua antiga banda de fusion, trio de música instrumental, bandas de metal, e um desses vídeos era você tocando em um trio de guitarristas com a roupa de mosqueteiro (risos). Conte um pouco sobre os seus trabalhos anteriores.

Exatamente (Risos), tinha um trio de música instrumental que misturava um pouco de Rock e fusion, em uma época tacava com o Estevam Lyra na bateria e o Gabriel Penteado no baixo, e outra época toquei com um baterista suíço o Urs Wittver. Tocávamos sons instrumentais , temas conhecidos e alguns temas autorais. Tive bandas de metal onde tocávamos som próprio e covers também, o projeto dos mosqueteiros era chamado de “Os Dartanhas”, o programa Raul Gil que na época era na rede bandeirantes teve uma ideia de um quadro onde guitarristas interpretavam obras de compositores eruditos em uma pegada mais rock. Meu amigo Fabio Augusto, grande músico que fazia o trabalho de produção musical do programa, convocou o Victor Cavalcante, meu grande amigo guitarrista que logo me convocou pra integrar o grupo, e depois chamamos o terceiro guitarrista, que foi o Claudio Russo. Batizamos o grupo de “Os Dartanhas”, que foi conhecido como o trio de mosqueteiros do Raul Gil. Foi bem legal, tocamos seis vezes no programa e ficamos conhecidos nacionalmente, a repercussão foi bem bacana.

Em que ano você entrou para o Andragonia como foi o começo de tudo isso? Comente um pouco sobre a discografia, futuras turnês, formação e links da internet que podem ajudar melhor a divulgação da banda. Recentemente vocês lançaram o clipe da trilha sonora do Guitar Flash. Como foi? Alguma novidade sobre o novo álbum? Eu tive a oportunidade de estar presente no show que o Andragonia abriu para o Simphony X, fui em outros shows que vocês dividiram o palco com as bandas brasileiras Madgator, Mind Flow, entre outros. Qual foi a sensação de estar dividindo o palco com esta galera toda?

Quando a banda tava gravando seu primeiro disco o “Secrets In The Mirror”, por volta do final de 2009 ao começo de 2010, um dos guitarristas acabou que saindo e a banda logo começou a correr atrás de um novo guitarrista. O Yuri, antigo baixista da banda conhecia o meu amigo Victor Cavalcante e pediu pra ele indicar um guitarrista pra fazer um teste na banda. Ele me ligou falando que o Yuri ia entrar em contato comigo, daí fui conversando e conhecendo o som da banda, gostei muito e fui conhecer toda a banda e marcar o primeiro ensaio com eles. Passaram alguns ensaios, fomos ganhando entrosamento e aí os caras chegaram em mim me dando boas vindas que eu já fazia parte do grupo. Tudo aconteceu muito rápido, lembro que ficava horas e horas com o Thiago Larenttes estudando as músicas da banda já nos preparando pra finalizar as gravações do disco e fazer o lançamento. O show com o Symphony X foi incrível! Admiro muito o Michael Romeo e dividir o mesmo palco com o cara foi uma realização pessoal incrível, além de ver o Russel Allen cantando bem de perto, é o meu vocal preferido da atualidade. Tocamos também com o Angra, Korzus e o Madgator em um festival em Araraquara foi muito legal. Com o Mind Flow foi um show em São Paulo onde a banda ganhou uma enquete e foi indicada a tocar com os caras, é engraçado que sempre associam o Andragonia ao Mind Flow e vice-versa, talvez seja por causa do estilo, os caras são bem bacanas e batalhadores. Sobre os trabalhos do Andragonia a banda passa por um processo de transição, integrante novo, metas e objetivos novos, a banda desde a época que começou, em 2007, está bem diferente.

Power of A Warrior

Estamos com dois CD’S lançados, o “Secrets In The Mirror” e o “Memories”, e logo mais já estamos indo para o terceiro que acredito que vai ser em 2014. Em 2013 estamos acertando algumas “coisinhas” que ainda precisam ser resolvidas, estamos negociando a possível prensagem do segundo disco que ainda só foi lançado de forma digital, e também vamos fazer alguns shows de divulgação do “Memories”. Na fan page vocês poderão saber de tudo o que tá rolando com o Andragonia, eu e o Thiago acabamos de lançar um Web Clip da música Guitar Flash que fizemos em homenagem ao jogo Guitar Flash, a música acabou entrando no “Memories”, e sempre fomos cobrados para fazer esse vídeo tocando a música, recentemente lançamos e a repercussão está sendo bem legal.

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Quais são as suas principais atividades com a guitarra? Se possível, deixe os seus contatos.

Minha principal atividade com a guitarra hoje são aulas, dou bastante aulas de guitarra e é minha principal fonte de renda. Faço workshops e sempre estou gravando com a banda e com meu trabalho solo, sempre estou correndo atrás de trabalho e sempre buscando cada vez mais espaço como guitarrista. A galera que quer conhecer meu trabalho é só entrar no F/CAUÊLEITÃO e por favor curta a página. Quem quiser adquirir meu cd é só mandar uma mensagem por ai mesmo ou no meu e-mail pessoal o CONTATO.CAUELEITAO@GMAIL.COM

Fale um pouco sobre o seu CD “Lab Guitar Experience”, como foi a parte de composição, produção e procedimento na escolha dos outros artistas que participaram do álbum? Pretende fazer turnê do álbum com banda? Você esta lançando o seu clipe em 3D, como surgiu a ideia?

Chaos On The Ropes

O CD Lab Guitar Experience era um desejo meu desde minha época de garoto. Cresci ouvindo grandes guitarristas com seus álbuns solos e sonhava que algum dia ia ter o meu, fui compondo as músicas e gravando-as, gravava uma e depois de um certo tempo gravava outra. Sobre as participações, não foi nada premeditado, quando a música estava “mais ou menos” pronta me vinha na cabeça que certo instrumento ia enriquecer mais a música, daí surgiam os nomes da galera que participou. Me sinto orgulhoso do time que montei pra me ajudar na gravação do álbum e agradeço ao meu parceiro Thiago Larenttes pela belíssima produção musical que fizemos no estúdio GR. Sobre turnês do álbum, eu tenho feito alguns workshops e estou em busca de novas datas, e sobre o clipe em formato de anime em 3D é uma idéia que acho muito legal, já vi alguns clipes nesse formato e acho sensacional. Até o final de maio acredito que estará pronto pra lançar, quem gosta dessa ideia procure a empresa Izotonic Games que eles são incríveis.

Sempre que escuto o seu som já sei quem é que esta tocando só de ouvir. Você se preocupa com o assunto identidade musical, timbres, técnicas (uma delas “alavancadas”) e acha que é importante o guitarrista contribuir com a música de forma peculiar?

Fernandão, você falando isso, acredite, eu fico muito feliz, pois isso é meu maior objetivo, soar cada vez mais original. Hoje tem muitos guitarristas bons e virtuosos, mas é difícil encontrar um que realmente se destaca por estar fazendo um lance bem original, acredito que buscar isso é mais difícil do que aprender tocar bem o instrumento, é uma busca que pode levar a vida inteira e as vezes nem pode dar certo. Hoje podemos citar mil guitarristas virtuosos, mas acho que desses mil, só uns dez que realmente fizeram sua identidade musical que realmente é o mais difícil. Sobre a técnica de alavanca, eu ficava impressionado vendo o Steve Vai e o Dimebag Darrel usando a alavanca, quando surgiu o Mattias Ia Eklund, pronto, a “casa caiu” (Risos). Esses três são minhas principais referências quando o assunto é Alavancada, então acredito que para o guitarrista realmente se destacar é tentar soar cada vez mais original, minha principal busca hoje é tentar compor e usar técnicas que vão fugir de soar parecido com determinado guitarrista, acho que esse é o caminho.

Vamos conversar um pouco sobre as Coletâneas Friends of Rock Guitar Vol.1 e Vol. 2 que você idealizou, mas antes gostaria de agradecer você, a todos que participaram, a toda galera que apoiou e dizer que foi uma honra imensa ter participado juntamente com grandes guitarristas do país. Uma das coisas que percebi na coletânea, pode-se dizer que é uma palavra chave para mudar tudo e para melhor, seria “UNIÃO”, eu acredito que se todos se unirem, ajudar uns aos outros as coisas melhorariam para todos, tem espaço para todos, o que você acha desse assunto? Como surgiu a ideia de fazer a coletânea e o porque? Se possível deixe os links para a galera baixar.

Exatamente, Fernando. Essa classe é bastante desunida, e não nota que isso faz é atrapalhar mais ainda sua jornada que já é bastante difícil, ainda mais se tratando do Brasil. Se todos se ajudarem a cena vai realmente crescer, a minha proposta da coletânea sempre foi essa, a principio era unir amigos guitarristas que tinham um trabalho de música instrumental e lançar um cd, hoje em dia lançando de forma digital você quase não tem custo nenhum, é só ter a disposição e fazer o lance “acontecer”. Sou bastante orgulhoso de idealizar esse projeto que contou com grandes nomes da guitarra do Brasil além de divulgar grandes nomes da nova geração brasileira, eu tenho uma coisa comigo, não espero que algum dia as coisas vão acontecer, vou atrás das coisas pra fazer acontecer, então esse projeto reflete um pouco esse espírito que tenho.

Baixe as duas coletâneas gratuitamente: Friends of Rock Guitar 1 e Friends of Rock Guitar 2

5 músicos brasileiros e 5 músicos gringos que te influenciam? Não precisa ser somente guitarristas, você tem influência de guitarristas da nova geração? Qual foi o álbum que você ouviu que mais te influenciou? Fora a música, você se influencia em outras coisas?

Tive influência realmente de muitos, mais posso citar os brasileiros Edu Ardanuy, Mozart Mello, Frank Solari, Paulo Schroeber e Heraldo do Monte, e fora do Brasil Malmsteen, Steve Vai, Mattias IA Eklundh, Guthrie Govan e Jonh Petrucci. Sempre pesquiso guitarristas novos dentro e fora do Brasil, um guitarrista que me chama muito atenção e que para mim é um dos grandes nomes da atualidade é o Tosin Abasi, e no Brasil pensando na nova geração brasileira o meu amigo Marcelo Souza, o cara é demais, e o álbum que mais me influenciei posso citar o álbum Rising Force do Yngwie Malmsteen, esse álbum foi o divisor de águas para os guitarristas do mundo inteiro, e sobre outras coisas que me influenciam, são várias coisas, como um bom filme, uma boa ação, boas histórias de superação e assim vai.

O que você acha de guitarristas da nova geração? Cite pontos positivos de alguns e negativos de outros.

Alguns pontos negativos de alguns eu posso citar a falta de personalidade na música, perder tempo gravando e produzindo músicas covers, achar que tocando alguns covers já é “o cara”, não se preocupar em evoluir e parar no tempo, e alguns pontos positivos que eu noto em alguns é a raça de fazer a coisa acontecer. Quando se começa geralmente não tem apoio de ninguém, tudo é muito difícil e precisa trabalhar três a quatro vezes mais pra conseguir alguma coisa do que às vezes um guitarrista que já é consagrado, hoje no atual momento que vivemos no Brasil é necessário ser guerreiro para conseguir alguma coisa, e noto que muitos da nova geração tem esse espírito, e sei Fernando Alvarenga que você é um deles!

GUITAR FLASH (Andragonia)

Quais são os seus equipamentos? Tem endorses?

Estou com algumas propostas de endorses, mas por enquanto nada concretizado. Uso minhas guitarras Jackson porque gosto mesmo, tenho uma customizada com captadores Dimarzio Evolution, ponte Gotoh e escalopada metade do braço, e outra uma Jackson dink com captadores EMG ativo, nas gravações usamos muitos simuladores de pedais e amplificadores, coisas que muitos estúdios já estão usando, ao vivo uso uma pedaleira da boss que facilita a vida no quesito de praticidade, e amplificador tenho um Crate que gosto muito, além de usar vários diferentes por ai na estrada, tenho um violão Eagle com cordas de aço que acho muito legal seu timbre, instrumentos nacionais não devem nada pra nenhum instrumento gringo, é basicamente isso.

Agora um assunto polêmico, “endorses, apoios, mídia”, qual é a sua opinião sobre o mercado da música instrumental e do metal no Brasil?

Eu vejo muitos músicos com apoio e realmente merecem, também vejo outros músicos que estão na luta e não tem o reconhecimento que deveria. Mas a questão é, tem uma galera ai com apoio e não faz sentido.

Hoje em dia pelo jeito que estão as coisas, vai aparecer um cara do funk carioca tocando guitarra e terá endorse, é o tal do capitalismo selvagem. Até a galera que merece ter apoio está sujeita a passar pela falta de reconhecimento, isso é lamentável. O que você tem a dizer sobre o leilão de endorses, mídia, apoios?

E por outro lado o que você acha da mídia, apoios, endorses que realmente estão ai para qualidade como o Imprensa do Rock? Você acha que o empreendedorismo é importante?

ACOUSTIC GUITAR

Recentemente conheci um cara que trabalha com artistas de diferentes estilos, o cara é um show business total. Ele citou que não está preocupado se o artista sabe tocar ou cantar, ou se tem algum talento, ele está preocupado se o artista vende, independente se a música for muito ruim ou boa. Se vender é interessante pra ele, esse é o atual momento que vivemos infelizmente. Vejo muitos músicos que realmente merece um apoio mais infelizmente muitas marcas e empresas não olham desse jeito, só olham o que vai ter de retorno pra eles, infelizmente um MC do pancadão sei lá das quantas bem famoso, termina dando mais retorno de grana pra eles do que um bom músico. Realmente dá vontade de chorar vendo isso, mas tem muita gente que está querendo mudar isso, um site como Imprensa do Rock é um exemplo disso, além de revistas, blogs, web rádios , sites especializados que sempre apoiam a boa e verdadeira música, e que merecem mais respeito e atenção dos próprios artistas.

O que os guitarristas que pretendem seguir carreira profissional precisam saber?

Tocar bem é fundamental, quanto mais estudar e se preparar melhor para se entrar no mercado. Estudar tudo que envolve é fundamental, tanto como dominar seu instrumento, como tirar um bom timbre, conhecer bem o produto que esteja trabalhando, falar bem, dominar vários estilos e se relacionar bem com as pessoas, acho que isso são algumas dicas que pode ajudar.

Conte alguma novidade em primeira mão que está por vir?

Humm realmente tem, mais realmente não posso contar nessa oportunidade, mas garanto que em breve vai ter bastante novidades.

Poderia dar mais algumas dicas para os guitarristas? Falar um pouco sobre assuntos importantes que precisam saber além de estudar técnica? Às vezes temos muitos assuntos para estudar em pouco tempo. Qual é maneira que você indica para conseguir estudar de uma forma organizada? Na sua opinião, qual é a melhor forma para estudar partitura e sessão rítmica?

Ter bom senso é fundamental. Você está tocando para as pessoas ouvirem ou só está tocando pra você mesmo para mostrar que sabe alguma coisa difícil? Melodias são essenciais e não só ficar fritando o bife (risos). Nas composições tente mapear a música, parte de temas, improvisos, enfim bom senso, e isso é uma coisa que não aprende em escola nenhuma, é com um tempo mesmo, o músico precisa buscar esse amadurecimento, usar a guitarra como ferramenta para expressar o que está sentindo no momento. Música não é competição, é arte! Busque fazer um cronograma de estudo, pegando o tempo que você tem para estudar diariamente e dividindo esse tempo nos assuntos que você precisa estudar, assim acho que rende bem mais do que estudar de uma forma aleatória, é assim que eu fazia, pegue um relógio e vá marcando o tempo, sobre seção rítmica o solfejo ajuda muito, você começa a perceber melhor as partes rítmicas de cada música solfejando, e sobre a leitura comece com uma música que tem poucas notas escritas e assim facilita o entendimento. Para um guitarrista profissional hoje a leitura de partitura não é uma coisa tão obrigatória mas é fundamental você pelo menos ter algum conhecimento.

Shouts Of Anguish (novo vídeo em animação)

Cauê, muito obrigado pela entrevista. Quero dizer que é uma felicidade imensa e uma honra estar entrevistando você que também foi o meu mestre, muitíssimo obrigado a você, a todos do Imprensa do Rock pela grande oportunidade de estar aqui e a toda galera que está lendo e acompanhando as matérias. Para finalizar, poderia dar alguns conselhos para o pessoal que aprecia a arte de ouvir e fazer música. Fique à vontade para acrescentar algo, grande abraço!

Fernandão, muito obrigado a você pelo tempo cedido a contribuir para nossa coluna, e parabéns pelo seu grande trabalho como guitarrista. Quem não conhece o trabalho do Fernando vá atrás que vale muito a pena. Muito obrigado, sou orgulhoso de ter sido seu professor. Obrigado à Imprensa do Rock mais uma vez, eu só tenho agradecer a vocês por tudo, e o que tenho a falar é que acreditem nos seus sonhos, eles poderão ser realizados com muita dedicação e trabalho, não desista na primeira dificuldade que tiver e nem na décima, seja guerreiro, estude e lute pelo seu objetivo, tenha um foco e vá em busca mesmo parecendo impossível, não desista, seja humilde, confie em Deus e viva feliz!

Fernando Alvarenga é guitarrista e professor de música.

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Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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