Papo de Guitarrista com Cauê Leitão: #18 – Raphael Mattos do Shadowside

E voltamos com a coluna Papo de Guitarrista com o Cauê Leitão do Andragonia. Iniciamos o terceiro ano da coluna com o guitarrista Rapahel Mattos do Shadowside que conta um pouco de sua história, curiosidades, dicas para os fãs e sobre seu equipamento.

Raphael Mattos, obrigado por bater esse papo com a Imprensa do Rock. Conte um pouco da sua história como guitarrista. Como começou, quem te incentivou, como tomou gosto pela guitarra?

Raphael Mattos: Bom, eu sempre me interessei pelo instrumento desde pequeno, transformava meus brinquedos em guitarra. Mas foi aos 8 anos que tudo mudou, quando meu pai me levou para assistir ao show do Deep Purple, na época ainda com Blackmore. Na mesma época, ganhei um violão do meu tio, mas, somente aos 13, fui ter minha primeira aula. Minha família sempre me incentivou muito, meu pai demorou um pouco, pois eu sempre treinei futebol e ele tinha um pouco de receio que eu trocasse o esporte pela música. Minha contra sua vontade foi quem me levou para tomar aulas. Hoje em dia meu pai é meu maior incentivador e está sempre que possível presente em minhas apresentações, inclusive tendo viajado para a Espanha para me acompanhar em uma pequena turnê ao lado da banda Metallium.

Qual é a sua formação? Passou por conservatórios, teve muitos professores?

Raphael Mattos: Eu completei um curso de teoria musical em um conservatório de Santos, onde também tive meus dois professores. O primeiro deles foi Claudio Passamani, guitarrista renomado aqui na Baixada Santista e que me ensinou tudo sobre técnicas me apresentando guitarristas como Malmsteen e Petrucci. Depois me ensinaram mais sobre Campo Harmônico, e era mais voltado para blues e jazz. Depois de aproximadamente quatro anos de aulas, comecei a aprender sozinho mesmo.

Promo Raphael Mattos 2 - Shadowside

Você é um guitarrista canhoto. Fale um pouco sobre isso. Você encontra dificuldades no mercado da música em relação a isso?

Raphael Mattos: Em termos de encontrar instrumentos, sim! Normalmente em muitas lojas não se encontra uma variedade de guitarras para canhotos e isso fez com que no começo, eu usasse guitarras de destro invertida mesmo. Hoje em dia, ferramentas como o Mercado Livre e o Ebay ajudam a encontramos melhores instrumentos, mas, mesmo assim, o mercado é limitado. Outra opção é mandando fazer uma, como é o caso de uma das minhas guitarras.

Como foi a sua entrada no Shadowside? E como é viver com a banda, vocês fizeram tour em outros países com grandes bandas. Fale um pouco sobre toda essa experiência e planos para o futuro. 

Raphael Mattos: Eu entrei há 7 anos atrás e a banda estava passando por uma reformulação. Naquela época, apenas a Dani Nolden e Fábio Buitividas ficaram desde a formação que gravou o primeiro álbum. Antes de mim, a banda tinha dois guitarristas e acabei sendo chamado para fazer o papel dos dois sozinho (desde a minha entrada a banda virou um quarteto), até para ficar mais fácil de fazer as viagens internacionais que começaram a acontecer na mesma época.

Lembro que foi uma correria para conseguir o visto americano, já que a banda tinha show marcado em Indianápolis, nos EUA, em um mês. E logo quando voltamos, já entramos em estúdio para gravar o “Dare To Dream”, que já estava composto antes da minha entrada. Tudo aconteceu muito rápido, mas vejo que foi muito bom para mim, porque acabei obtendo experiência muito rápida.

Eu simplesmente não tinha tempo de fraquejar, tinha me adequar a tudo em pouco tempo. Depois de inúmeras turnês pela Europa e pelos Estados Unidos, com bandas do porte de Wasp, Helloween e Gamma Ray, a banda parece estar numa sintonia ótima e com uma bagagem muito grande o que faz com que nossos shows sejam cada vez melhores.

Quanto ao futuro, estamos em processo de composição de um novo álbum, o que deve tomar nosso tempo até mais ou menos metade de 2015.

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Qual seu equipamento atual?

Raphael Mattos: Guitarras: A “vaca” foi feita por um Luthier aqui de Santos chamado Lee. Ele desenhou o corpo de Warlock e o braço foi aproveitado de uma Krammer para destro que eu tinha.

Os captadores são Seymour Duncan Mick Thomson para afinações baixas. Além dela, uso Ibanez Jem 555 para meus trabalhos como músico de noite é uma Epiphone Custom com o kit Zakk Wylde da EMG nos captadores como guitarra reserva.

Amplificador: atualmente estou usando um cabeçote Peavey Valveking VK 100, todo modificado, em uma caixa Orange com falantes V30.

Pedais: meu pedalboard é bem simples: Uso um DD7 da Boss, Whammy Digitech, Dunlop Cry Baby, um TS9 para boost e um Floor POD para outros efeitos que não uso muito como Chorus e Phaser por exemplo. De reserva, tenho um POD Xt live que uso bastante na noite.

Como você enxerga hoje a cena metal no Brasil?

Raphael Mattos: Em termos de qualidade sonora acho que está melhor do que nunca. Com a facilidade e com o acesso a boas interfaces de gravação digitais ficou mais fácil obter uma qualidade boa. Hoje em dia, você consegue gravar materiais tão bons quanto em qualquer estúdio que te cobraria uma nota.

Recebo materiais de muitas pessoas pelas mídias sociais e posso dizer tem trabalhos muito bons, feitos de jeito simples. O maior problema da cena ainda é a rivalidade entre as bandas. Mais devido ao medo de que noBrasil não se tem espaço para todos do que puro ciúme. O que é uma verdadeira loucura!

É óbvio que quanto mais bandas de qualidade, melhor será nosso cenário. Tem espaço para todos, se as pessoas não saírem por aí vestindo camisas de suas bandas como de times de futebol ou de partido político.

Você vive da guitarra? Fale um pouco sobre seus trabalhos.

Raphael Mattos: Hoje em dia sim, claro que não exclusivamente da Shadowside, pois não é sempre que acontecem os shows e receber de direitos autorais aqui no Brasil é um parto.

Mas desde minha primeira viagem com a banda percebi que, para que eu continuasse trabalhando com a Shadowside, eu precisava me tornar músico ou pelo menos trabalhar com algo que eu pudesse controlar minha agenda. Atualmente, dou aulas de guitarra aqui na minha casa ou via Skype. Além disso, toco em bares e casas noturnas aqui na Baixada Santista. Em questão de dois anos pra cá, comecei a cantar também.

Comente um pouco sobre suas influências.

Raphael Mattos: Bem, eu comecei a tocar influenciado pelo Blackmore, mas acho difícil encontrar alguma relação do jeito dele tocar em mim. Gosto muito de guitarristas dos anos 80 como, Rhandy Rhoads, Eddie Van Halen, Steve Lukather, Andy Timmons, John Sykes e Steve Vai. No metal meus favoritos são Dimebag Darrell, Peter Wichers (Soilwork) e o Zakk Wylde. Eu também curto muito New Wave e World Music dos anos 80 principalmente bandas como A-ha, Duran Duran, Tears For Fears e Genesis influenciam um pouco na minha criação das músicas por incrível que pareça, principalmente do que tange estrutura da música.

Recomende um vídeo de um guitarrista pra galera.

Raphael Mattos: Vai ai um show inteiro do Andy Timmons, meu guitarrista solo favorito.

Raphael Mattos obrigado mais uma vez, agora deixe uma mensagem para os guitarristas e fique a vontade para acrescentar algo que queira, obrigado!

Raphael Mattos: Muito obrigado pelo espaço. Bem, se tem uma coisa que eu aprendi nesses mais de 15 anos experiência é não deixar de escutar coisas diferentes e absorvê-las da melhor forma possivel. Um abraço a todos e aos fãs da Shadowside estamos preparando um novo material com muito carinho! Valeu!

Cauê Leitão é guitarrista da banda brasileira Andragonia de ProgMetal e também possui sua carreira solo.

Cauê Leitão

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Coluna por: Cauê Leitão guitarrista do Andragonia
Edição por: Victor Santos
Agradecimentos: Raphael Mattos e Costábile Salzano
Entrevistado da 18ª edição (Ano 3): Raphael Mattos do Shadowside

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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