Papo de Guitarrista com Cauê Leitão: #16 – Johnny Moraes do Hevilan

O Cauê Leitão atual guitarrista do Andragonia e também dono de seu projeto solo entrevistou recentemente para a sua coluna “Papo de Guitarrista” na Imprensa do Rock o grande Johnny Moraes guitarrista da banda Hevilan. Confiram um pouco da história do guitarrista, influências, equipamentos, dicas e muito mais!

Cauê IDR: Fala Johnny é um prazer trazer você aqui na coluna papo de guitarrista, conta um pouco da sua história, como começou a ter o desejo de tocar guitarra? Quem te incentivou?

Johnny: Olá Cauê. Muito obrigado pelo convite, é um prazer poder dividir um pouco da minha história de vida e experiência com seus leitores.

Em 1993 eu fiz uma viagem aos Estados Unidos, e trouxe na bagagem uma guitarra stratocaster vermelha, da marca Lotus. Tive a curiosidade de começar a tocar, pois ouvia muito rock já há dois anos, e haviam muitas bandas que eu curtia que tinham excelentes guitarristas, como Ozzy Osbourne, Iron Maiden, Black Sabbath, Deep Purple, Van Halen, entre muitas outras. Além disso, eu também gostava de Joe Satriani e Steve Vai, na área da guitarra instrumental.

Apesar disso, eu só comecei a estudar mais seriamente a guitarra em 1995, por vontade própria minha, de conseguir tirar os solos dos meus heróis Yngwie Malmsteen e Ritchie Blackmore.

Johnny Moraes2

Cauê IDR: Como surgiu a banda Hevilan? E de onde originou o nome?

Johnny: Em 2005, eu resolvi procurar alguns músicos que levassem mais a sério o lance de tocar em uma banda de heavy metal. Nessa procura, eu acabei conhecendo o Biek Yohaitus, nosso baixista, que era transcritor da revista Cover Baixo. Após algumas reuniões, descobrimos que tínhamos muito em comum em relação aos nossos objetivos e ideias composicionais. Ainda no final desse ano ele chamou o Alex Pasqualle para cantar na banda e, em uma votação, decidimos pelo nome Hevilan, por sugestão do Alex.

O nome Hevilan é derivado de um dos dialetos do Aramaico, e significa a terra prometida de fortunas e riquezas.

Cauê IDR: Qual é a sua formação? Teve muitos professores?

Johnny: Iniciei os meus estudos do instrumento em 1993 mesmo, na escola de música Auê, em Higienópolis, com o professor Pedrasse.

Em 95, por indicação de um amigo meu que tocava bem, procurei o professor Gustavo Resende, da escola de música Cia das Cordas. Esse é um excelente professor, e conseguiu me mostrar o caminho para eu tocar o que eu gostava.

Em 1997, após certa pesquisa do mercado, fui fazer aulas com o Edu Ardanuy. O material de técnica que ele me apresentou foi fantástico e ali eu encontrei um cara que serviu como modelo para o meu aprimoramento no instrumento por uns bons anos. Edu já tocava absurdamente bem nessa época, e cada aula era um enorme aprendizado de que eu precisaria ralar muito para chegar a algum lugar. Tive aulas com ele por três anos, e considero-o um patrimônio cultural brasileiro.

No ano seguinte, eu fiz um curso de verão de um mês na Berklee, faculdade de música em Boston, EUA. Após essa viagem eu decidi que iria fazer uma faculdade de música.Em 99 eu entrei na Santa Marcelina, e me formei bacharel em guitarra popular. Durante o meu período de estudos na faculdade, fiz aulas com Paulo Tiné, Djalma Lima e o Pollaco.

Johnny Moraes3

Cauê IDR: Sobre equipo Johnny, o que tem usado?

Johnny: Meu set atual é um cabeçote Mesa Boogie Dual Rectifier, Caixa Carvin Legacy com falantes Vintage 30 e nos shows com a Hevilan utilizo três guitarras; uma Schecter Jeff Loomis vermelha, uma Gibson Studio preta, ano 91 e ainda deixo uma Schecter Omen como guitarra de backup. As Schecter são todas sete cordas equipadas com captadores ativos 707, da EMG. A Gibson tem um set Zakk Wylde, 81 na ponte e 85 no braço, também da EMG.

Para os efeitos eu uso pedais Fire; booster e ultimate distortion, marca da qual sou endorser. Choralflange para o efeito de chorus, Time Machine delay, Morley Bad Horsie 2 wah-wah, afinador Boss TU-3 e o Boss Noise Supressor, NS-2.

Para cordas sempre uso D’addario ou Ernie Ball, 0.10 standard.

Cauê IDR: Você vive da guitarra? Quais são suas atividades? 

Johnny: Trabalho com marketing, dou aulas de guitarra e faço shows com a Hevilan. Essas são as minhas fontes de renda atuais.

Cauê IDR: O que você tem a falar sobre a cena Metal no Brasil?

Johnny: A cena melhorou muito nos últimos anos para o metal, com mais casas e bares de rock abrindo as portas para o estilo. O Brasil é um país muito grande e existem muitos lugares legais para se tocar. Hoje em dia eu acredito que está tudo bem mais em nossas mãos. Se você se organiza e leva uma proposta de show de alta qualidade para os bares, fecha e divulga bem o show; consegue levar público e até atrai a atenção de novos fãs para o metal, o que é muito importante. Como eu sempre digo; nós somos e fazemos a cena. Agora, o que eu espero para os próximos anos, é que mais bandas se sobressaiam no meio, e principalmente, bandas que não tenham vinculação com ex-integrantes do Angra ou Sepultura. Isso vai ajudar muito a democratizar mais a cena e a revelar grandes talentos que estão no underground.

Johnny Moraes4

Cauê IDR: Pra você qual é a maior deficiência hoje na molecada que começa a tocar?

Johnny: O maior problema para a molecada de hoje em dia é a distração que a internet oferece aos estudos do instrumento. Isso, ao mesmo tempo em que pode ajudar muito, com toda informação musical contida no you tube, sites, etc.; também pode tomar aquele tempo precioso, que o cara poderia estar passando com um metrônomo, estudando improvisação e fundamentos de escalas, arpejos ou ainda, ensaiando e fazendo shows com uma ou mais bandas. Também não devem esquecer que os melhores professores que você pode ter, são os discos das suas bandas e guitarristas preferidos. Tirar de ouvido, transcrever e procurar entender suas composições, riffs, harmonias e solos é fundamental.

Cauê IDR: Quais foram suas maiores influências guitarrísticas?

Johnny: Neal Schon, Edu Ardanuy, Steve Lynch, George Lynch, John Sykes, Zakk Wylde, Eddie Van Halen, Steve Vai, Michael Romeo, John Petrucci, Yngwie Malmsteen, Adrian Smith e Michael Amott .

Cauê IDR: Quais seus objetivos pro futuro na sua carreira?

Johnny: Para o futuro eu quero lançar mais discos com a Hevilan, tenho pelo menos uns dois discos já compostos no meu laptop, que quero gravar e lançar nos próximos 4 ou 5 anos. Fazer muitos shows e também turnês para fora do Brasil, principalmente na Europa.

E no meio disso tudo, ainda quero lançar um disco solo meu, mas numa onda um pouco diferente do trabalho que desenvolvo com a Hevilan. Algo mais na linha Hard Rock/AOR instrumental.

Cauê IDR: Johnny foi muito bacana dividir o palco com vocês do Hevilan em Jandira, espero que role outras datas com Andragonia e Hevilan, obrigado por esse papo e agora vou te pedir pra deixar uma mensagem para os guitarristas e fique á-vontade para acrescentar algo que queira, valeu!

Johnny: Opa, eu que agradeço pelo espaço Cauê. Só aproveitar para deixar um recado pra galera… Pessoal, vamos sair do facebook e prestigiar os shows das bandas de qualidade da cena nacional. Está rolando uma nova leva de grupos muito bons na cena atual, como o King of Bones, Andragonia, Hevilan, entre diversas outras, com um trabalho de qualidade gringa, que vale a pena ser conferido ao vivo. Aprende-se muito vendo os shows ao vivo também, mantenham a cabeça aberta!

Cauê Leitão é guitarrista da banda brasileira Andragonia de ProgMetal e também possui sua carreira solo.

Cauê Leitão

Links Relacionados

Coluna por: Cauê Leitão guitarrista do Andragonia
Edição por: Victor Santos
Entrevistado da 16ª edição (Ano 2): Johnny Moraes do Hevilan

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
Victor Santos