Papo de Guitarrista com Cauê Leitão #15: “Já houve união, hoje é cada um por si”. Vandré Nascimento.

Cauê: Voltamos com a coluna “Papo de Guitarrista” trazendo Vandré Nascimento, do Madgator. Vandré obrigado por ter aceitado bater esse papo com a gente.

Vandré: Sou eu quem agradeço pelo espaço!

Hoje você é referência quando se trata de guitarristas brasileiros, e está despontando cada dia mais. O que você acha que falta nos guitarristas brasileiros para cada vez ganhar mais espaço internacional?

Vandré: Bom… o que falta, não só para os guitarristas, mas para os músicos de um modo geral é estar mais antenado no que diz respeito ao business! Muitos se preparam para tocar bem, ter técnica, enfim… Mas se esquecem de “gerenciar” suas carreiras, planejar, focar em algo!

Falta conhecer mais sobre o próprio mercado musical, não só internacional, mas o nosso mercado musical… Como preparar um bom material para poder mostrar às possíveis possibilidades de parcerias etc… E por fim, falta união, pois ninguém vence sozinho não é mesmo? Uma ajuda é sempre bem-vinda, assim como é importante ajudar aos músicos a organizarem suas carreiras!

Vandré

Cauê: Como foi a sua entrada na banda Madgator?

Vandré: Essa é uma boa história… Minha esposa (Aldenira Nascimento) viu na internet um anúncio da banda onde precisava de um novo guitarrista. Eu conhecia a banda ainda com o nome de Alligator!

E assim… pensei que era mais uma jogada de marketing, pois na maioria dos casos, as bandas já tem o integrante em “off”, mas abrem testes pra testar na boca da galera! No entanto não dei muita bola e deixei passar. Minha esposa me disse então que, se eu não mandasse o material, ela mesma o faria. E assim fez! (risos)

Logo eles entraram em contato e pediram pra gravar um vídeo com os backing tracks que tinham disponibilizado no site da banda. Nesse primeiro contato já fiquei animado… Baixei as trilhas e comecei a estudar as músicas… Gravei três vídeos e mandei os links:

Por um bom tempo eles ficaram em “off”…. Pensei até que não rolaria mais!! (risos)

Certo tempo mais adiante me chamaram pra um ensaio onde toquei aqueles sons. Em princípio eles haviam curtido, porém ainda tinha outros caras pra fazer o teste. E, assim, fiquei mais um bom tempo de “molho”. (risos)

Logo depois, um dia eles me ligaram marcando um novo ensaio. Nesse ponto eu havia tirado várias músicas do cd da banda, e cheguei com o pensamento: “se não for eu o novo integrante, não será mais ninguém!”….coisas de vandré nascimento… (risos)

Ao final desse ensaio, já marcamos novos ensaios e um pequena tour, onde fizemos shows em pirassununga, barretos, e betim, minas gerais.
Logo em seguida começamos a compor o segundo CD da banda – agora com uma abordagem mais pesada até por conta de usarmos guitarras de 7 e 8 cordas nas novas composições.

Vandré 3

Cauê: Fale um pouco sobre sua formação como guitarrista.

Vandré: Venho de uma família de músicos, meu pai (napoleão nascimento) e meu tio (abraão nascimento) tinham banda na juventude, e claro, isso veio a ser uma das grandes influências em minha vida…

No entanto, a minha paixão pela música viria muito, mas muitos anos depois!

Em 1995, já com 20 anos, decidi por ser músico. E aconteceu de uma forma engraçada até!!

Num “showmício” do candidato Aluízio, na campanha onde a candidata Luiza Erundina ganhara a prefeitura de são Paulo, tocou o Eduardo Araújo e silvinha, que tinha na guitarra, nada mais nada menos que faísca. Meu pai claro, foi quem me levou a esse show, até porque, eu nem gostava do som.

Em um determinado momento do show o Eduardo apresentou a banda, e quando apresentou o faísca, todos saíram do palco para ele fazer “o” solo de guitarra!! Nesse exato momento eu pensei: “quero fazer isso de minha vida!”… e não parei mais!! (risos)

Cauê: Quais são suas maiores influências? Você procura buscar e conhecer guitarristas novos?

Vandré: Além de meu pai e meu tio, uma legião de guitarristas me influenciou desde o início: Slash, Zakk Wylde, Kirk Hammett, Yngwie Malmsteen, Steve Morse, Steve Vai, Eric Johnson, Joe Satriani, Scott Henderson, Allan Holdsworth, Faíska, Kiko Loureiro dentre tantos outros….Sempre estou atento às novidades (risos)

Sempre algum amigo traz uma banda, um guitarrista que até então não conhecia, enfim…

E não só guitarristas, mas procuro sons diferentes, como o Chapman Stick, que é um instrumento incrível: ele usa um baixo e uma guitarra num único instrumento e com uma maneira peculiar de tocar!!

Cauê: Fale um pouco dos seus projetos, banda, trabalho solo e etc..

Vandré: No momento me dedico ao madgator. Estamos fazendo a pré-produção no segundo cd da banda – o primeiro comigo nas guitarras… Acabei de abrir o meu espaço pra dar aulas de guitarra e violão que se chama “vanna rock-centro de aprendizagem musical” que fica no jabaquara, em São Paulo… Tenho algumas composições que farão parte do meu cd solo, porém, o madgator toma a maior parte do meu tempo por serem músicas mais complexas, tanto na composição, quanto na execução.  E espero lançar algo solo depois que lançar o madgator!! Vale a pena esperar! (risos)

Vandré 4

Cauê: Como você pensa na hora de compor?

Quando componho sozinho geralmente o faço por inspiração, nada como compor tecnicamente, sigo a intuição e emoção no momento da composição….normalmente já tenho ideis de bateria, baixo e teclados, não os toco, mas escrevo para esses instrumentos…

Com o madgator, a gente compõe junto. Eu levo um riff, o johnny (bateria) coloca uma levada, o giovannetti (baixo) vem com um complemento e o andrés(vocal) coloca uma linha melódica. Gravamos… Ouvimos por muitas e muitas vezes… Mudamos o arranjo, acrescenta aqui, tira dalí e assim vai até que todos gostem da ideia.

Um detalhe bem legal é que todos compõem, produzem etc… Mas um lance bem bacana, em que aprendo muito com a banda, se dá quando o André (que é o mais acelerado em termos de ideias (risos)) trás as melodias e eu fico decifrando as loucuras dele. (risos) É um processo muito bacana!

Cauê: Você acha que existe uma união na cena musical no Brasil?

Vandré: Já houve união, hoje a coisa tomou outro rumo: é cada um por si e Deus para todos.

Existe uma competição entre os músicos, e se concentrarmos nos guitarristas as coisas piora muito. Houve época em que eu ficava tentando criar um movimento, tocava com outros guitarristas, num formato parecido com o G3 do Steve Vai e Satriani, porém era um conquistar um endorser, uma foto na revista, e as coisas iam por água abaixo, pois existe muito ego, o que acaba por denegrir a própria imagem dos músicos e da música de uma forma geral!

Tocamos juntos no tributo ao Paulo Schroeber e senti uma energia legal, que por muito tempo não sentia. Todos se ajudando, se incentivando, um curtindo o trabalho do outro. Foi muito bacana e seria muito bom se essa galera que tocou junto continuasse esse movimento!

Cauê: Cite 5 guitarristas nacionais e cinco internacionais que você recomenda pra galera ouvir.

Vandré: Nacionais: Kiko Loureiro no CD “Sounds of Innocence”, Faíska no “No Smoking”, Fábio Veroneze no “Vírus”, Rafael Bittencourt no “Brainworms I” e Edu Ardauny no “Electric Nightmare”.

Internacionais: Allan Hosdsworth em “Heavy Machinery”, Slash em “Apocalyptic Love”, Joe Satriani em “The Extremist”, Steve Morse em “Stress Fest” e Greg Howe em “Introspection”.

Cauê: Comente os vídeos abaixo:

Animals As Leaders – “CAFO”

Vandré: Tosin Abasi, realmente é uma grande influência nessa minha nova fase com guitarras de oito cordas… um guitarrista sensacional!

Mathias IA Eklundh – “Musth”

Vandré: Excelente guitarrista! destacou-se com suas técnicas diferenciadas, mas sem perder a musicalidade e feeling!

Guthrie Govan – “Wonderful Slippery Thing”

Vandré: Com certeza um dos melhores guitarristas da atualidade, sua técnica e seu nível de improvisação são coisas fora do comum!

Paulo Schroeber – “To My Father”

Vandré: Um grande guitarrista que estará cravado na mente e no coração dos novos guitarristas que estão chegando agora, e dos que ainda vão surgir! Um exemplo de dedicação e perseverança!

Cauê Leitão – “Lab Guitar Experience”

Vandré: Uma grande revelação da guitarra nacional: com uma técnica apuradíssima e grande musicalidade vem conquistando os fãs (inclusive eu!!!) em todo o Brasil e pelo mundo! É com certeza uma grande influência para os guitarristas que ainda virão.

Cauê: Vandré foi um prazer dividir o palco com você no tributo ao Paulo Schroeber que aconteceu em São Paulo. Espero te encontrar outras vezes nos palcos! Agora deixe uma mensagem para os guitarristas e fique à vontade para acrescentar algo que queira.

Vandré: sou eu quem agradece mais uma vez pelo espaço. Foi realmente muito legal participar dessa entrevista! Com certeza, será uma grande honra poder dividir mais vezes o palco contigo.

E aos caras que estão chegando na música: estudem, acreditem! Pois é como sempre falo aos meus alunos: “quando se faz o que gosta, o sucesso é inevitável!”

Cauê Leitão é guitarrista da banda brasileira Andragonia de ProgMetal/Djent e também possui sua carreira solo.

Cauê Leitão

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Coluna Por: Cauê Leitão
Revisão por: Jana Ferraz // Edição por: Victor Santos
Agradecimento ao Vandré Nascimento do Madgator.

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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