Papo de Guitarrista com Cauê Leitão: #13 – Hugo Mariutti (Andre Matos / Ex-Shaman)

Fala galera aqui quem fala é o CAUÊ LEITÃO, e é com muita satisfação que trago à vocês o ilustre HUGO MARIUTTI (ANDRE MATOS / EX – SHAMAN). Foi muito legal o papo, com revelações e grandes dicas, divirtam-se!

Primeiramente Hugo muito obrigado por te aceitado bater esse papo com a gente, você é um cara já bem estabelecido na cena metal do Brasil, é um dos grandes nomes da guitarra brasileira, conte um pouco como tudo começou, seu interesse pela guitarra, suas primeiras bandas, como foi o início de tudo?

Eu que agradeço pela oportunidade e espaço. Meu interesse por música começou bem cedo, pois o meu irmão mais velho, que é economista gostava de algumas bandas, porém o Luis Mariutti começou a tocar primeiro, e com certeza foi a maior influência para o meu inicio com a guitarra, inclusive me aconselhando a escolher este instrumento.

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O que você acha que um guitarrista deve ter para despontar internacionalmente?

Eu acho que em qualquer campo da vida profissional, a pessoa precisa ter identidade para ser diferenciada. No futebol alguns jogadores podem não ser os melhores, mas são diferenciados, acho que na música é igual. Não existe melhor ou pior no meu entendimento, e sim o que funciona ou não funciona para uma banda, etc. A maioria dos guitarristas que eu gosto não são considerados guitar heroes, mas em minha opinião são muito mais importantes do que os que são considerados. Acho que até os guitar heroes consagrados criaram um estilo que não existia, e por isso tem esse destaque também, e muitos que vieram na cola ficaram escondidos. Despontar é uma coisa relativa e que não tem regra, porém se serve um conselho, que isso seja uma decorrência do seu trabalho e não uma obsessão.

Como você vê hoje a cena metal no Brasil? Você acha que existe uma união?

Temos bandas boas como Threat, motorguts, King Of Bones, VoodooPrest, entre muitas outras. Não existe união nenhuma entre bandas, só que para mim este papo já deu, pois todo mundo que prega isso não ajuda ninguém, tenha certeza disso. Poucas pessoas no meio estão dispostas mesmo a ajudar alguém. Poucas bandas estão realmente interessadas em ajudar outras, pois é um meio cheio de egos, e que a maioria só olha para o próprio umbigo ou ajuda pensando em algo em troca, infelizmente é assim. Às vezes muita gente bota a culpa nisso para não ter um movimento forte de heavy metal no Brasil, porém eu discordo que seja este o motivo, pois estamos em um país em que a cultura é tratada como coisa secundaria. Também não acho que seja este o fato de não termos tantas bandas reconhecidas internacionalmente, e sim uma reunião de muitos fatores que estão longe de ser resolvidos. O grunge explodiu varias bandas, porque era uma carência não só musical, mas de estilo de vida no fim dos anos 80, nos USA. O britpop que tinha duas bandas que se odiavam assumidamente também explodiu por uma falta de identidade que a música inglesa estava passando, ou seja, não é só com união, que se tem um movimento forte que explode desta maneira. Infelizmente o Brasil não é um país onde o rock e uma cultura de massa, e dificilmente exportaremos muitas bandas do estilo simultaneamente.

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Quais equipamentos você tem usado? Está com algum endorsement?

Tenho usado as guitarras Gibson e Epiphone e um amplificador Mesa Boogie Dual Rectfier, com uma caixa Marshall 1960. Uso alguns efeitos como filtros, delay, oitavadores, etc. Sou um cara que gosta muito de pesquisar timbres e sempre estar atualizado. Tenho patrocínio da Elixir strings desde 2004, e acho uma corda muito boa mesmo. Uso 0.11 para afinação padrão e 0.12 para 1/2 tom abaixo. Tenho também patrocínio da Epiphone aqui no Brasil e dos pedais da NIG. O meu luthier que regula tudo e me ajuda bastante nas escolhas é o Ivan Freitas da Music Maker.

Como foi a sua formação como guitarrista? Teve muitos professores?

Tive dois grandes professores que são pessoas sensacionais. Marcelo Araújo, toca com o Luis no Motorguts, e o André Hernandes que toca comigo na banda Andre Matos. Tive muita sorte de ter estes dois profissionais como professores, pois sei que muitos se dão mal por pegar “profissionais” que não estão dispostos a ensinar, e isso na frente depois atrapalha muito.

Você vive da música?

Vivo de música, pois tenho trabalhos com Andre Matos, Viper, além de trabalhar em uma produtora que se chama LOUD, onde pude aprender muita coisa, com grandes profissionais e músicos que fazem parte do trabalho. Sou muito agradecido, pois faço o que gosto em um país que não está muito interessado em incentivar cultura, e principalmente sempre trabalhando com profissionais de nível elevado. Gosto de dividir isso com as pessoas que gostam do meu trabalho e que sempre me apoiam, pois sem eles não poderia viver do que gosto. Neste mês pude ter um projeto do meu CD solo A Blank Sheet Of Paper, muito bem sucedido em um site de financiamento coletivo. Isso é extremamente gratificante, pois mostra que as pessoas tem interesse em seu trabalho e que ele pode dizer alguma coisa, ou até ajudar alguém.

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Hugo como foi a sua entrada no Shaman naquela época? E como foi a transição para a banda solo do Andre Matos?

Na verdade eu fui chamado para gravar algumas guitarras em umas músicas que eles estavam fazendo, sem nem saber se iria ou não ter banda, etc. Lembro que no primeiro encontro em que fui gravar levei uma demo com a Time Will Come, e após gravar algumas guitarras fui seguindo, até o momento em que a banda realmente se formou. Como já falamos em entrevistas da época, a ideia do nome Shaman partiu do Luis com ideia em uma música escrita pelo Andre.

Você acompanha novas bandas e novos guitarristas? Pode citar algumas?

Eu gosto de muitos estilos, e estou sempre conhecendo novas bandas e artistas, porém para ser sincero não tive oportunidade de escutar nenhuma banda nova de heavy metal, que me chamasse realmente a atenção, a não ser estas brasileiras que citei antes. Posso não ter dado sorte. Eu acho os guitarristas destas bandas que citei muito bons também, o Rene Matela, o Wecko, Renato DeLuccas, o André, ou seja, todos eles. No mais gostei bastante do último CD do David Bowie, e esses dias também escutei e achei excelente o CD do Damon Albarn, não são guitarristas, mas fazem músicas muito boas. Gosto bastante hoje em dia do Miles Kane e do Alex Turner tocando guitarra, acho o estilo deles muito legal.

Além do Andre Matos você tem outra banda? Outros projetos?

Sim, fiz parte da tour do Viper e se tiver sequência estarei junto também. Estou lançando meu cd solo também este mês, A Blank Sheet Of Paper, um CD muito diferente do que já fiz na carreira, pois a guitarra não é o elemento principal. Fiquei muito feliz com o resultado, pois masterizei no estúdio Abbey Road, em Londres, famoso por gravar todos os álbuns dos Beatles. Este foi meu primeiro trabalho solo depois de 11 trabalhos com bandas lançados. Para quem quiser saber sobre o projeto – www.facebook.com/hugomariutti

Quais são suas maiores influências como guitarrista?

No heavy metal para mim, o Randy Rhoads e insuperável, não só por tocar, mas pelas músicas que criou. Gosto muito do James Hetfield e do Gary Holt. Outro guitarrista que gosto muito é o Steve Rothery. Hoje em dia tenho escutado muita coisa do Graham Coxon, Miles Kane, etc. E acho que a noticia mais triste dos últimos tempos para o rock foi o afastamento do Malcom Young, um guitarrista fantástico que pode ter certeza, vai fazer uma falta gigantesca para todos. Um cara que nunca se preocupou em aparecer, porem criou e tocou riffs de uma maneira incrível.

Ouça o single solo de Hugo Mariutti – “Save My Brain”

As bandas Angra e Sepultura realmente conquistaram um espaço em todo o mundo, e muitas pessoas de fora quando falam de metal no Brasil só lembram das duas bandas, o que você tem a falar sobre isso? E qual o caminho que você aconselha para as novas bandas seguirem para de repente chegar nesse nível? Tem muita coisa envolvida?

Esse pensamento é injusto, pois o Krisiun, talvez com o Sepultura seja a banda que mais faz shows fora do Brasil. Eles fazem turnês enormes por Europa, USA, etc e as vezes as pessoas esquecem disso. Fiz tours tanto com Andre Matos como com Shaman também no exterior, e sempre fomos muito bem recebidos, inclusive ganhando vários prêmios de melhores do ano em países como França, Itália, etc. Quanto a chegar no exterior não tem uma dica. A dica que dou é para que façam tudo da maneira mais profissional possível, pois sendo assim já é difícil, e se não for, a chance praticamente é zero. Ter uma banda cantando em inglês requer um vocalista que saiba falar o idioma bem, ter sempre letras revisadas, etc. Como disse antes, a prioridade tem que ser a música e não o sucesso.

Solo Collection – Hugo Mariutti

Você poderia falar um pouco como surgem suas composições? E quais são os critérios que sempre utiliza?

Não tenho muito critério nem regra. Já fiz músicas começando pela melodia de voz, já fiz começando pela parte instrumental, pela letra, etc. Toda ideia que tenho procuro gravar em qualquer lugar para não perder, e assim posso desenvolver mais tarde, sem a possibilidade de esquecer, já que no meu caso é bem comum. E sempre legal fazer jams com as bandas, pois sai muita ideia legal desta maneira.

Muito obrigado Hugo mais uma vez por esse papo, tenho certeza de que será muito útil para todos os aprendizes da profissão, agora vou te pedir para deixar uma mensagem para todos os leitores da coluna e do Imprensa do Rock, muito obrigado!

Eu que agradeço mais uma vez o espaço, gostei bastante da entrevista e agradeço aos fans que foram muito legais no projeto do meu CD solo. Abraços!!!

Cauê Leitão é guitarrista da banda brasileira Andragonia de Progressive Metal e também possui atividades na sua carreira solo.

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Cauê Leitão – “Guitar Shred” – Lab Guitar Experience.

Cauê Leitão – “Guitar Solos” – Best Solos.

Andragonia – “The Challenger” – New Single (2013).

Links Relacionados:

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por: Cauê Leitão (Andragonia)

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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