Papo de Guitarrista com Cauê Leitão: #12 – Wagner Gracciano (solo)

Fala pessoal aqui quem fala é o Cauê Leitão, trago a vocês a edição 12 da minha coluna, dessa vez o guitarrista Wagner Gracciano é o entrevistado, foi um papo bem legal com várias dicas bem produtivas, se divirtam!

Fala Wagner é um prazer ter você aqui na coluna “papo de guitarrista”, como foi o começo de tudo? Como surgiu seu interesse pela guitar?

Fala Cauê, é um prazer falar com os leitores da Imprensa Rock, e ser entrevistado por um grande guitarrista.

Bom o começo foi quando criança, em Arapuá – Minas Gerais. Meu pai era presbítero da Igreja Presbiteriana, e tinha um Harmonium velho. Acho que ninguém nem lembra que instrumento é esse. Comecei a fuçar e logo depois achei um violão quebrado em cima do guarda-roupa da minha tia. Fiquei chorando até meu pai arrumar o violão e minha tia me dar ele. Isso eu tinha uns 6 anos, aí não larguei até aprender um monte de discos do Beatles.

Wagner Gracciano – “Guitar Performances“.

Parabéns pelo seu disco “Across the Universe” (2013). É um trabalho muito bem feito e com extremo bom gosto. Como foi todo o trabalho de composição e produção do disco?

Muito obrigado. Sempre fui fã de filmes, então quando comecei a compor, a ideia de trilha sonora surgiu naturalmente. Quando surgiu a primeira música busquei alguma coisa que conectasse com outra, fazer um fio condutor. Já tinha muitas músicas prontas, então peguei as melhores partes e fui criando outras. Peguei o teclado, fiz as bases, peguei um baixo pra fazer pré, e fazia as bateras com Addictive Drums, e terminei toda a pré-produção. Aí foi só chegar nos meu amigos e meter bala.

Como você vê hoje a cena musical para guitarristas solos? Você sente que é muito difícil um novo nome se destacar?

É um tema complexo. Porque vejo vários lados. Creio que o mundo da guitarra está sofrendo com os dias de hoje, com a urgência, superficialidade, e anda dizendo pouco. Infelizmente a guitarra nao tem passado mensagem, a necessidade de se afirmar com o último improviso, técnica, conhecimento de equipamentos é mais importante que a composição, esquecemos que nossa matéria prima é a música, a arte. E creio que grande parte dos guitarrista formadores de opinião, infelizmente andam contribuindo para isso.

Então talvez a grande dificuldade de um nome se destacar é se comunicar com as pessoas, e talvez mesmo que se comunique, as pessoas nao estão interessadas. É uma época estranha.

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Qual é a sua formação como guitarrista? Teve professores?

Comecei sozinho e fui estudar em conservatório. Mas meu grande professor foi “os discos”. Curiosamente todos os professores que procurava em 1 semana viravam colegas. Mas a convivência com grandes amigos meus de Goiânia que são grandes músicos, foi uma aula. Goiânia é uma cidade com músicos extraordinários, nao entendo a falta de visibilidade nacional.

Escolha uma música do seu disco, e fale um pouco de como foi elaborada toda a parte de composição e arranjos.

Across the Universe part II é uma única música, que dividi em quatro partes no disco, porque nem eu estava aguentando escutar 32 min de música (risos). São duas melodias que são o fio condutor de toda a música. A ideia foi contar a história bíblica de forma épica, não com a intenção de pregar dogmas ou religião, mas mostrar um lado de imagem que é incrível, e as pessoas por preconceito não veem.

A primeira parte, é a criação, então queria ter um início solene, que mostra o primeiro tema, mas com uma entrada dramática para o surgimento do mar, céu, fauna, flora, mas se fizesse com guitarras e peso ia entregar o jogo antes da hora, então entrou a orquestra, e abri mão dos solos em função da música.

A segunda, fala da queda, com o groove que lembra uma certa malícia com um final com efeitos meio tensos. Entrando a terceira parte vem o peso, guerras, brigas, assassinato, enfim, a terra entrando em colapso, o nascimento e morte de cristo, chegando no que temos hoje e deixando para a quarta parte: o apocalipse, a redenção, fim da humanidade como conhecemos e a volta de Cristo. É uma mensagem de esperança na verdade, mesmo que as pessoas não professem a mesma fé que eu, cada um pode ter sua visão das músicas. Deixo a liberdade para a imaginação, cada um pode criar sua história através da música.

Wagner Gracciano – “As A Prayer“.

Você vive da guitarra? Vive da música? E aproveite e fale das suas atividades com a guitarra.

Sim, sempre vivi de guitarra. Há muitos anos vivo de gravações, shows e aulas. Já fiz de tudo, metal, jazz, blues, fusion, soul, gospel, e toda a bagaceira que você pensar (risos). Goiânia é uma cidade muito prolífera musicalmente, existem vários mercados bombando. Tem o lado do sertão que rende muito serviço, mas tem grandes músicos instrumentais, começando pelos que participaram do disco. Tem 2 dos maiores festivais de rock do Brasil, uma grande faculdade de música que tem muito espaço para o popular e grande tradição no erudito, enfim é uma das cidades que mais vi uma vida cultural eclética.

Atualmente estou fazendo vários workshops e master classes sobre o disco. Graças a Deus obteve ótimas críticas da imprensa, e vai render alguns projetos futuros que vou guardar na manga por enquanto. Estou com um trio de fusion que estamos começando agora também.

Principalmente estou inaugurando, junto com um grande guitarrista daqui, Geovani Fernandes, uma nova escola de música. Vai se chamar Stage Music, e tem um ambiente de estúdio também, onde, além das aulas convecionais, vão ter cursos voltados para sideman, pré-produção, tecnologia, set-up, arranjo, enfim, o guitarrista vai ficar por dentro de todo o processo para gravar e fazer seu próprio disco. Fora que o trabalho de sideman continua firme.

Qual seu atual equipamento? E qual a principal dica que você pode deixar para os guitarristas para obter um melhor timbre?

Atualmente não tenho endorsement de nenhuma marca, então uso meu equipo de sempre. Mesa Boogia Mark V com caixa Mesa 2×12, Prs Custom 22 1994, Fender Tele Custom Nashville 1994, Fender Strato 1983, Fulltone Clyde Wha Deluxe, Volume Ernie Ball, Digitech Whammy, Compressor Robert Keeley, Fulltone Full Drive 2 para boost, Eventides Timefactor e Modfactor.

Acho que se você não tem um som na cabeça, fica difícil tirar um som que nao esteja definido, e principalmente, invista na sua pegada, o som vem de você. Pense tipo o Airton Senna, se ele não tivesse um carro rápido não ganharia. Mas isso todos tinham, então o diferencial era o braço do cara. Equipamento você compra, dedo não.

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Quais foram suas principais influências?

Ixi, ia dar uma livro. Escuto de tudo mesmo, sem aluguel, mas citaria, Steve Morse, Mark Knopfler, Geoge Harrison, Jimmi Page, Steve Lukather, Paul Gilbert, John Petrucci, Joe Satriani, Pat Metheny, Jimi Hendrix, Scott Henderson, Brent Mason e Joe Bonamassa, mas tem muito mais. Escuto também muita coisa que talvez guitarristas não escutariam, como Rascall Flatts, Lady Antebellum, Amos Lee, e por aí vai.

O que você acha que um guitarrista deve fazer para ser um bom profissional?

Como todo profissional, pontualidade, equipamento em ordem, conhecimento, mesmo que seja básico de todos os estilos possíveis, e muito importante, entender que todo ser humano é importante. Tocar guitarra bem ou mal não tem nada a ver com caráter. Ninguém gosta de gente chata. E outra, aprenda a conversar outras coisas que não sejam só música. Uma pessoa interessante se torna um profissional interessante.

Ouça o CD na íntegra, baixe e se gostar, adquira sua cópia (clicando aqui!).

Wagner, mais uma vez obrigado por esse papo. Agora deixe uma mensagem para os guitarristas e aos leitores do Imprensa do Rock, e fique a vontade para acrescentar algo que queira. Obrigado!

Muito obrigado, fiquei muito feliz com o espaço. Escutem o disco Across the Universe e o disco do Cauê, que tá animal. Pensem em música, não em solos de guitarra.

Não se esqueçam: um solo de guitarra vai impressionar outro guitarrista, mas uma mensagem pode mudar o mundo.

Cauê Leitão é guitarrista do Andragonia e também possui atividades na sua carreira solo.

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Cauê Leitão – “Guitar Shred” – Lab Guitar Experience.

Cauê Leitão – “Guitar Solos” – Best Solos.

Andragonia – “The Challenger” – New Single (2013).

Links Relacionados:

por: Cauê Leitão (Andragonia/Solo)

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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