Papo de Guitarrista com Cauê Leitão: #11 – Antonio Araújo (Korzus)

Galera aqui quem fala é o guitarrista Cauê Leitão. É com muita alegria que iniciamos a temporada 2014 da coluna “Papo de Guitarrista”. Voltamos com toda força e muito peso com um dos monstros do metal nacional, Antonio Araújo da banda Korzus. O papo foi bem bacana e muito produtivo, confiram!

CL: Antonio primeiramente meu muito obrigado por ter aceitado bater esse papo. Antes de mais nada, quero te parabenizar pelo belo trabalho que vem fazendo com o Korzus e seu projeto solo, e também quero falar que você é meu conterrâneo de Recife, que também está em São Paulo. Bom agora conta pra gente como tudo começou, seu fascínio pela guitarra, primeiras bandas, como foi o começo de tudo?

Korzus – 2012 (Antonio Araújo)

AA: Eu que agradeço! A guitarra entrou na minha vida aos treze anos de idade. Já com uma veia rock… Na época ainda não tinha despertado para minha verdadeira paixão musical que é o metal. No começo tudo que eu queria era aprender a tocar bem as bases de bandas que curtia. Nem me interessava muito em solar ou aprender escalas. Só Depois de uns dois anos, já com quinze, que eu comecei a ouvir guitarristas virtuosos e pensei: “caralho! Esses caras são foda demais! Quero ser assim.”, e entrei nessa busca louca pela técnica e velocidade durante alguns anos da minha vida. Depois de um tempo eu fui ver que isso não tinha muito significado pra mim. Mas mesmo assim fiquei grato pela dedicação que tive que ter. Isso me transformou num músico melhor. Bandas tive poucas. Algumas bandas com amigos no colégio, tocando covers de bandas punk, depois formei a banda Chaosphere, que foi uma banda relevante no cenário recifense, e a banda que também me trouxe aos vocais. Simplesmente porque não tinha mais ninguém pra cantar no meu lugar (risos).

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CL: Você hoje é um dos principais nomes quando se trata de guitarrista metal do Brasil. Como andam os trabalhos? Você vive da guitarra?

AA: Sou mesmo? Não sei se mereço esse título. Eu levo muito a sério a minha vida musical e o meu instrumento. Não basta o amor gigante que eu tenho por tudo isso. Estou sempre buscando ser mais competente e melhor no que faço. Sinceramente não me considero um virtuoso do instrumento. Tem tanto cara bom por aí! Mas eu penso que consegui atingir uma linguagem e uma sonoridade que posso chamar de minhas. E considero isso uma vitória. Os trabalhos são sempre intensos… Agora no momento, entre aulas que dou no estúdio Mr Som e por Skype, eu estou sempre compondo e desenvolvendo material novo, tanto para o Korzus (que está na reta final do novo CD) como para o One Arm Away, minha nova banda. Eu hoje posso dizer que vivo para a guitarra!

CL: Como foi a sua entrada no Korzus?

AA:  Eu já havia me tornado amigo de Heros Trench na época em que ele foi à Recife produzir o primeiro CD do Chaos. Desde então nunca perdemos contato.  Através dele foi que conheci toda a banda, e até me convidaram pra fazer um som com eles no Abril pro Rock em Recife, no ano de 2007. No começo de 2008, fiquei sabendo que havia uma vaga definitiva de guitarrista na banda. Eu estava “desempregado”, já que o Chaosphere tinha acabado a mais ou menos um ano. Então, me candidatei à vaga e  vim a São Paulo fazer o teste. Quinze dias depois estava no palco com a banda no Festival Maquinaria, pra um público de nove mil pessoas, incluindo a galera do Ratos de Porão que ficou no meu pé tentando me deixar nervoso pro show (risos).

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CL: Fale um pouco sobre sua formação como guitarrista, teve professores? Passou por conservatório de música?

AA: Eu tive aulas particulares com alguns grandes guitarristas em Recife. Entre eles, Alexandre Bicudo, Fred Andrade e Cauê Cury. Esse último foi o que me iniciou no mundo da guitarra, e fiquei tendo aulas com ele durante seis anos. Cauê é um guitarrista top, e um professor fantástico. Também fiz um curso de teoria musical com Paulinho Barros, outro grande profissional da música em Recife. E aí passei no vestibular para Licenciatura em Música na UFPE. Onde fiquei estudando por dois anos e meio, até que decidi abandonar a faculdade. Não era pra mim… Eu fiquei cansado daquele mundo acadêmico muito rápido. Gosto mesmo é de tocar alto, pesado, e de fazer cara de mau. (risos)

Korzus – “Truth”.

CL: Conte um pouco da experiência que você teve com o Korzus tocando em grandes festivais e também shows na Europa. Como foi pra você viver isso tudo?

AA: Foi uma grande escola. É fantástico tocar com uma banda tão experiente. Aprendi muito, todos os dias, em todos os sentidos possíveis. Aprendi a tocar melhor, timbrar melhor, e principalmente a fazer um show melhor. A performance de palco do Korzus sempre foi acima da média, e eu tive que me adaptar a isso. Tocar lá fora foi incrível!! Não vejo a hora de voltar por lá. E os grandes festivais por aqui também. Hoje olho pra trás e tenho bastante orgulho do que consegui, e muita gratidão ao Korzus por ter me proporcionado tudo isso.

CL: Quais os guitarristas que mais te influenciaram?

AA: BB King, Andreas Kisser, Ardanuy, Scott Henderson, Adrian Smith, Kerry King, Steve Vai, Kiko… E tantos outros gênios. Eu teria que fazer uma lista extensa.

CL: Qual o seu equipamento? Você consegue usá-lo em todos os shows?

AA: Eu tenho dois sets diferentes… O que eu uso o som do meu amp (Peavey JSX) e coloco efeitos no loop… Normalmente um delay como o Kronos da Fire já resolve meu problema. E o outro set é um pedal Frame da Fire com alguns pedais que me proporcionam um som versátil e pesado pra tocar com os amps que pegamos na estrada. Nesse set a minha distorção vem do pedal Ultimate Distortion da Fire. Infelizmente no Brazil fica difícil de levar o seu amp pra todo lugar, até mesmo porque, o pessoal das companhias aéreas não é muito carinhoso com bagagens de valor que são despachadas… Mas o meu set de pedal sempre me deixa feliz, e eu consigo tirar o meu som em 99% das vezes de uma maneira satisfatória. Esse um por cento que dá errado é quando infelizmente, algumas produções locais não colocam bons amplificadores no palco (o que pedimos em nosso rider)… E aí, não dá pra fazer milagre. Ah! E também tem a minha guitarra assinatura da Music Maker… Modelo que desenvolvemos no ano passado.. É uma Flying V inteiriça de mogno… Made in Brazil com muito carinho. Som foda demais!!!

Korzus – “I Am Your God”.

CL: Como você ver a atual cena METAL no Brasil? Você acha que realmente existe uma união?

AA: Existe união entre alguns segmentos, entre outros não. Mas também não dá pra ser ufanista e ingênuo, e achar que todo mundo vai se abraçar e caminhar em direção ao sol como um grande grupo de amigos felizes. Infelizmente a realidade não é essa. Tem muita banda parceira, muita gente boa trabalhando em prol do crescimento da cena. E tem gente que não tá muito preocupada com nada além do próprio umbigo. Acho que isso é normal. Faz parte da natureza humana. Agora uma coisa é certa: temos hoje um número gigante de headbangers no nosso país, e isso só tende a aumentar. O que todos devemos entender, é que quanto mais essas pessoas reconhecerem que existe metal de primeira qualidade feito por aqui, melhor para todos nós. É aí que a união faz mais sentido ainda. Temos que conquistar juntos mais espaço nesse mercado.

CL: Além do Korzus você tem seu trabalho solo também, que inclusive é vocalista, como anda esse projeto?

AA: O One Arm Away é a banda onde pude traduzir a minha personalidade na música. Começou como um projeto solo, e agora é uma banda que conta com músicos como Felipe Andreoli (baixo), Edu Garcia (batera) e Rodrigo Fantoni (guitarra), além de mim, nas cordas e nas cordas vocais (risos). Temos um CD full pronto, que será lançado ainda esse ano. E em breve vamos divulgar mais novidades sobre isso!

CL: Comente sobre o que você acha dessas cinco bandas com estilos diferentes dentro do Metal nacional.

Eminence – “The God of All Mistakes”.

AA: BH sempre foi um celeiro de bandas fantásticas. O Eminence não foge à regra. Eles tem um trabalho coeso, muito bem produzido e com uma proposta singular. Banda foda. Merece nossos aplausos.

Andragonia – “The Challenger”.

AA: Banda muito legal de prog metal. Com músicos fantásticos. E ainda a presença dos meus conterrâneos Cauê Leitão e Raphael Dantas. Desejo muita sorte no trabalho dessa que pode se tornar um nome muito importante do estilo em nosso país.

Command6 – “So Cold”.

AA: É uma banda foda. Sempre foi. Já acompanho o trabalho deles a algum tempo. Bruno, o guitarrista da banda, toca pra caralho! Sem falar no ótimo compositor que é.

Holiness – “Dead Inside”.

AA: A única banda dessa lista que eu ainda não conhecia. Muito legal e bem produzido! Estão de parabéns. Eu só deixaria a voz um pouquinho mais baixa na mix. Mas isso não compromete a qualidade que a produção tem.

John Wayne – “Lágrimas”.

AA: A banda que também conta com o meu amigo Edu Garcia (One Arm Away) nas baquetas! E que banda! Eles são muito foda dentro da proposta metal core deles. Som moderno, que conquistou um público jovem no Brasil, em pouco tempo de um trabalho muito bem feito. E esse clipe é um show à parte. Nem tem o que falar! Longa vida!

CL: Antonio muito obrigado mais uma vez por ter aceitado bater esse papo, agora vou te pedir pra deixar um conselho para todos os guitarristas e bandas, e fique a vontade para acrescentar algo que queira. Obrigado!

AA: Obrigado a você pela entrevista e pelos elogios. O único conselho que eu posso dar é para que todos sejam verdadeiros no que fazem, e que façam isso pensando na jornada, e não no resultado. Tocar é uma coisa única… E tocar o som que você gosta é um privilégio que muitos músicos por aí não tem. Portanto, dê valor a isso. Trabalhe duro e sem pisar em ninguém. E seja feliz com o que está fazendo. O resultado será sempre um fruto da energia que você empregar nisso tudo.

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Cauê Leitão é guitarrista do Andragonia e também tem seu projeto como guitarrista solo.

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Foto: Debora Alves

Cauê Leitão – “Guitar Shred” – Lab Guitar Experience.

Cauê Leitão – “Guitar Solos”.

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Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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