Papo de Guitarrista com Cauê Leitão: #10 Marcos de Ros (solo)

Chegamos a décima e última edição da coluna “PAPO DE GUITARRISTA” de 2013. Essa primeira temporada contou com grandes guitarristas que eu particularmente sou fã e, claro, o nosso colunista Cauê Leitão (Andragonia/Solo) também com certeza é. Durante os meses de Fevereiro à Novembro, passaram por aqui nomes como Paulo Schroeber (ex-Almah/Solo), André Hernandes (Andre Matos) e Rodrigo Hidalgo (MindFlow). E claro, com todos esses, houve muita conversa, muitas curiosidades e conselhos técnicos pra você que quer se aprimorar no seu instrumento preferido. Depois de tudo isso precisamos de umas férias, não é mesmo? Ao final desta entrevista compilamos uma lista com todas as entrevistas realizadas até agora pela coluna para que vocês relembrem os fatos e histórias dos músicos. Abraços, e a coluna “PAPO DE GUITARRISTA” voltará com tudo em Fevereiro de 2014!

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Fala, galera! Aqui é o guitarrista Cauê Leitão e é com muita alegria que chegamos na edição 10 da coluna “Papo de Guitarrista”, e para comemorar com chave de ouro batemos um papo muito legal com um dos maiores guitarrista do Brasil o Marcos de Ros. Ele conta várias curiosidades de toda sua história como músico, dá dicas muito legais e nos diverte com seu senso de humor pra lá de engraçado. Divirtam-se!

Marcos, primeiramente muito obrigado por ter aceitado bater esse papo. Você é um dos principais nomes que temos hoje no cenário guitarrístico brasileiro, e é uma imensa satisfação estar te entrevistando. Conte um pouco da sua história como guitarrista, como começou o interesse pela guitarra?

Começou na minha infância, quando eu ouvi o AC/DC pela primeira vez. Fiquei meio que hipnotizado pelo som deles!

Você lançou o disco “Sociedade das aventuras fantásticas”. É muito legal e interessante, os títulos das músicas “Pinóquio”, “Peter Pan”, “Os Três Mosqueteiros,” e vários outros marcou a infância de muita gente. Como e por que teve essa ideia?

O CD foi idealizado a partir da constatação da crescente falta de instrução, educação, cultura e valores na juventude e infância da nossa sociedade, nos dias atuais.

Questionei-me sobre os “porquês” da diferença da minha infância (e dos meus contemporâneos) e da galerinha de hoje.

Compreendi que meus valores não vinham apenas da minha família e criação, mas também do meu interesse nas histórias, nas aventuras, em como meus heróis refletiam os conceitos da bravura, da honestidade, da solidariedade, enfim, de tudo aquilo que nos torna “humanos”, na essência da palavra.

Através dessa reflexão, questionei qual o meu papel dentro da sociedade, e como atuar de forma a instigar essa nova geração a entrar nesse fascinante mundo, o das “Grandes Aventuras da Humanidade”.

Com isso, tento resgatar valores que, a juventude e infância, tem totalmente deturpado, graças à exposição à violência, sexo e criminalidade que a tevê, internet e vídeos-game mostra diariamente.

Cheguei então a esse formato. Um CD que é a trilha sonora adequada aos dias atuais, impactante, usando instrumentos facilmente reconhecíveis à juventude, instigando-os a pesquisar, conhecer, ler, viver essas aventuras, e com isso, conhecer valores positivos para a sociedade e suas próprias vidas.

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Você recebeu o titulo de “Cidadão Caxiense”, além de ter o apoio da prefeitura de Caxias do Sul no seu disco, você sempre teve esse apoio da sua cidade em seus trabalhos com a música?

O apoio do Financiarte se dá através de um edital. São muitos artistas da cidade que participam desse processo, e apenas uma pequena parte é aprovada. Então, contar com o selo do Financiarte, para mim, é uma medalha de honra. Fico extremamente feliz com esse reconhecimento, mas me esforço muito para isso!

Já o titulo de “cidadão Caxiense” foi completamente inesperado e me deixou super feliz e orgulhoso! É raro um músico, ainda mais tocando um som pesado, receber esse tipo de reconhecimento!

Na região que você mora existem grandes guitarristas, como você, Frank Solari, Paulo Schroeber e vários outros. Como é viver de guitarra no Sul do Brasil?

É tão difícil e desafiador como em qualquer outra parte do País. Sem usar a inteligência e a criatividade e, principalmente, o empreendedorismo, não se vai a lugar nenhum…

Quais são suas maiores influências como guitarrista?

Um dos grandes heróis da minha infância foi o Nicollo Paganini. Logo em seguida, apareceram o Angus Young, Tony Iommi, Randy Rhoads, Van Halen, Malmsteen , Steve Vai e Al Di Meola, nessa ordem. Depois disso, seriam algumas páginas de guitarristas que me inspiraram, desde Paul Gilbert até Brian May, do Zakk Wylde ao Jason Becker, enfim, a lista é enorme…

Na sua opinião qual é a principal deficiência no mercado da música hoje em dia?

O mercado está se ajustando. Uma coisa que faz muita falta são produtores sérios de shows e eventos. É um mercado muito lucrativo, mas é preciso muita organização e inteligência para saber lidar com isso, e tem muito bicão só queimando o mercado por aí…

Qual é a sua formação como guitarrista? Teve professores?

Fiz aulas de violão por seis meses com o Merônio Sachett. Depois disso, video-aulas, métodos, algumas aulas esporádicas para tirar algumas dúvidas técnicas e muito estudo por conta. Como eu estudei violino, utilizei a disciplina do estudo erudito na guitarra, e gostei muito do resultado.

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Nas aulas e workshops que você ministra, qual a principal deficiência que você nota nos estudantes de guitarra?

Duas coisas: Faltam muitas vezes conhecimentos básicos de harmonia e a ideia que é disseminada de que tocar alguns licks de outros guitarristas o transforma “magicamente” num músico tão bom quanto a mente que criou esses licks…

Para um guitarrista hoje entrar no mercado de trabalho, o que você acha fundamental ele ter?

Um conhecimento razoável de harmonia, técnica e musicalidade são pré-requisitos básicos, assim como ética e profissionalismo.

Você pesquisa novos guitarristas? Tem sempre curiosidade de conhecer novas técnicas?

Sempre pesquisei muito, ainda tenho algumas dezenas de demos de outros guitarristas. Tenho até uma demo do Guthrie Govan dos anos 90, e também umas do Michael Romeo pré Symphony-X.

O que o Marcos De Ros almeja para o futuro?

Dominar o mundo e talvez ser coroado governador da galáxia me parece um bom começo. Depois disso, aí vou ver o que rola (risos).

Conte sobre seus equipamentos, o que tem usado ultimamente?

Guitarra Eagle EGT 61, agora com a alavanca da Graphtech. Ainda não coloquei os captadores da D.S. nela, então ainda são os originais, que soam muito bem, por sinal. Pedais eu sempre vario bastante entre os Fuhrmanns, adorei o Super Metal Drive e o Dual High Gain. E o Punch Box. E o Classic 800. Putz, são muitos pra falar todos (risos).

Cabos, ou o Tecniforte High Clear ou o Animal, que como o próprio nome afirma, tem um som animal mesmo! Palhetas não adianta, sou viciado assumido nas V-Picks Dimension, não tem pra ninguém. E sempre uso correias Ibox , modelo signature de um tal de De Ros.

Recomende um vídeo de algum guitarrista pra galera.

Velho, melhor do que indicar um único vídeo, é indicar direto o canal de um dos caras mais fodas que conheço o Paulo Schroeber.

Marcos mais uma vez muito obrigado por bater esse papo, agora vou te pedir para dar uns conselhos para os guitarristas e fique à vontade para acrescentar algo que queira. Obrigado!

Conhecimento nunca é demais. Se tu quer ser um profissional da música, recomendo que saiba muito sobre o tema. Conhecer um pouco de história da música é legal. Saber ler partitura ajuda muito. Conhecimento geral não te fará apenas um músico melhor, mas um ser humano melhor.

E sai da frente desse computador e vai viver a tua vida um pouco!!!

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Lab Guitar Experience” – Cauê Leitão (Solo)

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Compilação com todos os guitarristas que já apareceram na IMPRENSA DO ROCK pela coluna PAPO DE GUITARRISTA com o fundador Cauê Leitão guitarrista do ANDRAGONIA e que também possui uma excelente carreira solo.

Papo de Guitarrista com Cauê Leitão – Temporada 2013.

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Cauê Leitão (Andragonia/Solo/Imprensa do Rock)

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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