Panzer: Inicio da carreira, curiosidades e o 2º Panzer Fest.

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Fala galera! Voltamos com mais uma entrevista exclusiva na Imprensa do Rock. Dessa vez trazemos a banda de longa data “PANZER” com um significado forte e intrigante. Ficou curioso com o nome? Aproveite e leia um pouco sobre curiosidades, história da banda, instrumentos que os mesmos usam, e as opiniões diversas sobre o jogo que fez história no mundo inteiro o “Guitar Hero” tendo o seu fim com a sexta edição com “Warriors of Rock” em 2009.
Primeiramente obrigado pela presença ilustre na Imprensa do Rock. Sendo considerado uma das maiores bandas de Thrash Metal da atualidade toda banda tem o seu começo e com o PANZER não deve ter sido diferente. Como foi o início de carreira para a banda?EDSON: Primeiramente agradeço a oportunidade podermos falar sobre nossa trajetória para vocês. Nós começamos como a maioria das bandas realmente vindas do underground começam. Isso foi em 1991 e inicialmente gravamos a primeira demo, muito tosca por sinal, e com esse material tocamos mais pela região da Cantareira e algumas cidades ao redor, pois na época que eu e meu irmão morávamos no interior. Foi essa nossa decisão de deixar de ser banda de cidadezinha pequena e trazer o Panzer para o “movimento de São Paulo” que mudou todo rumo da banda. Hoje vejo que a decisão de 2 moleques há 25 anos atrás foi crucial para que o Panzer chegasse até aqui. Em meados de 93 para 94 conhecemos o André, que se tornou o guitarrista da banda e peça fundamental para mudarmos o rumo musical do Panzer. Em 95 gravamos a segunda demo e entramos com uma faixa para uma coletânea em CD de bandas emergentes do cenário paulistano. Aquilo nos abriu uma série de portas na noite Metal de SP e começamos a tocar em todos os buracos possíveis na época. Foi um momento de grande aprendizado para o lançamento do primeiro disco em 98, depois que a banda se tornou um quarteto.

Temos em conta que o gênero da banda principal é o Thrash Metal. Mas, quais são as bandas e os artistas que levaram a vocês seguirem esse caminho?

ANDRÉ: Na verdade os artistas que nos influenciaram não necessariamente definiram o nosso estilo de som. Sempre curtimos demais as bandas setentistas como Black Sabbath, Led Zeppelin, Rush, Judas, Kiss, etc… Mas ao mesmo tempo, sempre quisemos tocar o mais pesado possível e acredito que a mistura disso com o que escutamos, acabou naturalmente nos levando a tocar um som mais voltado ao thrash. Mas o som setentista esta muito presente no nosso som, que podemos, se é que existe esse termo, definir como Thrash Stoner. É uma forma simples de resumir o som que fazemos, mas dá uma visão geral da coisa toda!

Tem outro fator importante: Os novos integrantes, até por serem mais novos já trouxeram uma bagagem mais thrash, talvez por isso, o Panzer hoje soe um pouco mais agressivo que o Panzer do The Strongest.

Qual o significado do nome da banda?

ANDRÉ: Muitas pessoas associam o nome Panzer ao nazismo. É importante deixarmos claro que não somos simpatizantes das causas nazistas e que o Holocausto foi, na minha opinião, a página mais negra da historia da humanidade. Panzer é uma palavra de origem alemã que significa Couraça, armadura, etc.Significa algo forte e impenetrável. Esse é o sentido que queremos dar ao nome! Infelizmente, ainda rolam algumas confusões por conta disso,mas esse espaço é importante pra podermos explicar sobre esses aspectos.
Conte-nos um pouco sobre momentos engraçados, entre turnês e estúdio. Algum fato inusitado que tenha acontecido com a banda entre esses 22 anos de carreira.

EDSON: Acho que vale a pena aqui contar uma história que aconteceu na gravação de nosso primeiro disco. Estavamos gravando em um estúdio conhecido aqui de SP e haviam varias salas de gravação, em uma delas estava o cantor Silvio Brito, um cara que fazia uma música engraçada e com conotação maluca para malucos dos anos 70. Ele um dia veio observar o vocalista Elcio urrando como um urso na gravação do álbum Inside, e ficava na janelinha da porta do estúdio abismado com o que estava vendo. Imagine um cantor que veio da Jovem Guarda e que se achava maluco vendo aquele vocalista insano na frente dele.Existe uma outra história de uma gravação que fizemos, onde fui praticamente “torturado” por um técnico de som, um japonês arrogante que me judiou muito na gravação e agia como se fosse o supra sumo dos produtores, nada do que gravávamos estava bom para ele, depois disso acabamos perdendo a gravação e o dinheiro empregado . Anos depois descobri que ele era surdo de um ouvido! Como um surdo pode ser técnico de som e produtor? (risos)

Lá fora há diversos festivais mundialmente conhecidos e que todo Metal Head que se prese sonha em algum dia poder ir. Aqui temos algo parecido com o “PANZER FEST” como foi essa parceria com a X5 e por que realizar o festival?

ANDRÉ: O Panzer sempre ficou inconformado com a falta de espaço para que bandas de Rock e Metal pudessem mostrar seus trabalhos. Há mais ou menos uma década atrás, o cenário não era diferente e começamos a montar alguns festivais pra tentar abrir espaço pra tocarmos, e também para colocarmos bandas que curtíamos e que tinham qualidade. Hoje, continuamos sem os espaços e por conta disso, achamos que temos a obrigação de tentar ajudar a mudar esse cenário. Demos a cara pra bater e fomos atrás de um local que tivesse estrutura pra que grandes bandas pudessem mostrar grandes trabalhos.Montamos um projeto e conversamos com varias empresas e lojas e a rede de lojas X5 foi a que abraçou o projeto. Hoje, a X5 já trabalha trazendo instrumentos musicais diferenciados voltados pra galera que curte um som mais pesado. A parceria foi perfeita! Tivemos a primeira edição no dia 15 de junho desse ano, foi muito legal e quem foi, curtiu demais. Por conta disso, teremos ainda mais uma edição esse ano. Temos que tentar mudar as coisas, se cada um puder fazer um pouco, em pouquíssimo tempo, O Brasil será imbatível…

O que vocês estão achando atualmente da cena nacional?

ANDRÉ: Olha, com o tempo o radicalismo tende a ir embora e a gente passa a analisar melhor as coisas. Existem bandas muito boas, não só de Metal ou Rock mais pesado. Tem coisa boa rolando no pop, etc.O que acontece, é que com as facilidades que a internet trouxe, veio muita coisa ruim. Mas posso te garantir que banda boa não falta, seja no Brasil ou no exterior. E não podemos nos esquecer, que grandes bandas ainda estão na ativa e quebrando tudo. O Panzer fest mostrou 4 bandas que arrebentam tudo ao vivo. Quem foi, viu e ouviu o que estou dizendo. O Metal esta bem servido, o Rock tem seus representantes e pop também. O Brasil tem material pra quebrar qualquer país em termos músicais. Falta só o nosso povo acreditar nisso e bater no peito pra dizer que curte Metal Nacional.Aguardem o Panzer Fest 2 que trará mais coisa boa pra galera que comparecer.

A cerca de 9 anos atrás houve uma febre incontrolável no mundo do videogame. O surgimento do GUITAR HERO fez com que inúmeras pessoas conhecessem mais de perto o Rock N’ Roll, campeonatos, encontros de amigos para compartilhar seus instrumentos, surgimentos de bandas e mais bandas e algumas delas se destacaram. Qual a opinião de vocês sobre a série? Ajudou realmente a alavancar o Rock no mundo ou fez criar algo mais comercial ainda?

EDSON: sinceramente não vejo beneficio algum nisso tudo, na minha opinião o que é valido é quando existe um movimento cultural que leva os garotos a tocarem e junto com isso os leva a vivenciarem todos os conceitos ligados ao Rock. Isso forma verdadeiros fãs e músicos de Rock. Não acredito que um garoto, sentado no sofá da sua casa, comendo biscoito possa se tornar um performer em cima do palco pelo simples fato de conhecer algumas musicas. Esta certo que isso pode ser o começo, mas não é suficiente para criar músicos como aconteceu diversas vezes no mundo, como com a Beatlemania, o Punk, o Grunge…

Recentemente vocês lançaram o single “RISING” e “BRAZILIAN THREAT”, e está tendo uma chuva de comentários elogiando os novo trabalhos. O que esperam do futuro álbum de estúdio?A reação dos fãs, o que eles podem esperar mais pra frente do PANZER?

ANDRÉ: Estamos colocando nossa alma nesse novo trabalho. É o velho Panzer com o vigor de uma banda de moleques sedentos pra “acontecer,” espero que a galera curta! Acredito que o trabalho deve agradar quem curte a banda e também quem curte Metal e Rock pesado em geral. Estamos ansiosos pra mostrar o que preparamos.

Vou citar agora seis álbuns e deem um comentário sobre eles.
* Worship Music – ANTHRAX (2011)
EDSON: eu gostei desse disco, é o velho Anthrax e Joe belladona cantando muito!

* The Famous Unknown – ANCESTTRAL (2007)
ANDRÉ: O Ancesttral é uma banda que vi nascer, na época em que eu tinha um estúdio. Lá, a banda começou a se formar, acredito que a banda tem músicos excelentes. O disco é bom sem dúvida. Mais um dos exemplos que citei acima, a respeito das bandas nacionais terem um nível que em nada deve ao exterior.

* Super Collider – MEGADETH (2013)
ANDRÉ: Ouvi pouco, mas Dave Mustaine é um gênio e gosto de quase tudo que ele produz.

* Thirtheen – BLACK SABBATH (2013)
ANDRÉ: Gostei da sonoridade, adorei o som de guitarra e de baixo, curti a voz do Ozzy, mas faltou o Bill Ward. Mas acredito que é um bom trabalho e que não deixa de ser relevante na discografia da banda. Agora, não da pra comparar com Paranoid, Volume 4, Born Again, etc.Mesmo porque os tempos são outros e a música pede renovação sempre. Sinceramente as que mais gostei são as 3 faixas bônus, Ahhhh. Sabbath é Sabbath sempre! Salve os reis!

* Far Beyond Driven – PANTERA (1994)
EDSON: Acho que é um dos discos que mais ouvi na vida, Fantástico!
ANDRÉ: Sem comentários, o Pantera mudou os rumos do metal. Mostrou que a simplicidade as vezes arrebenta.

* The Formation of Damnation – TESTAMENT (2008)
ANDRÉ: Lindo, a faixa que abre o disco é uma das melhores deles, mas achei o álbum novo ainda melhor (Dark Roots of Earth – 2012).
EDSON: Alex Scholnick detona!

Cite-nos os equipamentos atuais que vocês utilizam em seus shows e no estúdio.

ANDRÉ: Vish, agora você tocou numa coisa que eu sou meio que fanático: Equipamentos, Uso Guitarras Gibson Les Paul, Flying V, ESP Explorer, Jackson e Washburn Randy Roads, Amplificadores Marshall Plexi, Marshall JCM 800, Mesa Boogie Triple rectifier, Marshall Super Bass, pedais EHX, Boss, captadores EMG, etc.O nosso baixista usa baixo ESP e Rickenbaker , O Edson usa Bateria Tama… E o Rafinha usa a porra das cordas vocais.Vai gritar assim lá na puta que pariu! (risos).

EDSON: Eu uso uma bateria Tama, do inicio dos anos 90, uma Tama Rockstar DX , feita no Japão. Os pratos uso de linha vintage, que estão comigo desde os anos 80. Já os crashs uso modelos de linha B8, porque são mais baratos e como sou um grande rachador de pratos não vale a pena fazer show com pratos caros para ataque e china. Uso também um modelo DM 5 nos bumbos, que apesar de antiquado ´para muitos tem o som perfeito para a sonoridade do Panzer.

Obrigado novamente por terem participado da Imprensa do Rock, aproveitem e deixem um comentário para os fãs e leitores do blog.

ANDRÉ: Agradecemos demais pela consideração de vocês com o Panzer. Meu recado é simples: Galera, vamos prestigiar o metal nacional. Vamos aos shows, comprar os CDs, dvd´s, etc.As bandas só sobrevivem, se tiverem público!Tenho comigo que muitas bandas daki, num palco, com as mesmas condições dos gringos, quebrariam-os fácil fácil.Aguardem o Panzer Fest2, e compareçam. Façam parte dessa festa conosco.

Conclusão: a entrevista falou basicamente de tudo um pouco. Carreira, curiosidades, os games que fizeram a cabeça da molecada no gênero musical, o festival “PANZER FEST” que está em sua segunda edição e outras coisas. Uma coisa que eu como fã da série quero ressaltar. Eu sinceramente dou importância ao Guitar Hero. Foi lá que eu conheci muitas bandas que hoje eu sou fanático e que não largo por nada. Foi por causa disso que amigos meus formaram bandas e hoje já conseguiram gravar um EP ou CD. Certo, nem todas conseguem a tal façanha mas, com dedicação tudo é possível basta acreditar.

Obrigado ao PANZER e a METAL MEDIA MANAGEMENT pelo carinho em conceder essa maravilhosa entrevista com uma das maiores e melhores bandas Thrashers de São Paulo dos últimos 20 anos.

Victor Santos

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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