Pain of Salvation – Panther (Resenha)

O Pain of Salvation se tornou um dos nomes mais promissores dentro da cena do prog metal, e a mente criativa por trás disso, Daniel Gildenlöw, já mais do que provou que sabe o que faz e o executa de forma eximia, obrigado. A banda já passou por vários momentos em sua sonoridade, nunca sendo mais do mesmo ou se repetindo e em 2020, três anos após a última amostra dessa criatividade, chega “Panther“, o novo disco do PoS, pela InsideOut Music e que teve a arte da capa e outras demais desenvolvidas pelo brasileiro André Meister. Porém, vindo de uma obra tão gigante como foi  “In The Passing Light of Day“, abordando temas extremamente pessoais, com a experiência de quase morte de Daniel, a expectativa do que viria nesse novo registro era imensa. 

PAIN OF SALVATION anuncia detalhes de seu novo álbum, “Panther ...

Até então, as entrevistas de Gildenlöw prometiam ser este um dos melhores discos da banda, mas confesso que me senti um pouco frustrado ao fazer a audição. Longe de ser algo fraco, porém, tenho de admitir que o resultado final é aquém do esperado. Buscando a sonoridade que fizeram na dupla “Road Salt – 1 & 2“, as coisas oscilam bastante por aqui, e não na maneira legal que esperamos, mas de um modo que talvez não corresponda ao alarde todo criado sobre o que viria. 

Accelerator” é quem abre. Já conhecida por ser o primeiro single liberado do disco, traz uma sonoridade que empolga a audição. Totalmente quebrada, com bateria dando nó na cabeça e um Daniel extremamente afiado na sua voz e uma parada climática muito bem vinda no pré refrão, é um ótimo começo. “Unfunture” começa dramática, pesada e parte pra um momento mais soturno nos versos, guiada por ruídos de uma corda e seguindo em um crescendo, o refrão é mais um momento marcante, denso e sombrio. 

Dando seguimento, “Restless Boy” é quem chega e faz de uma forma psicodélica em seu início, com vozes carregadas de efeitos e um teclado um tanto marcante que permeia a faixa toda, e quando você menos espera, há uma virada no andamento que parece fuzilar os ouvidos do ouvinte com as loucuras características da banda, principalmente pelo seguimento da bateria. A canção se assemelha com uma mistura de Leprous e Bjork, o que soma um resultado final ótimo. “Wait” é o que esperávamos, que faixa meus amigos! Aqui aquela genialidade da banda transborda, com vocais ecoando e ditando o tom da canção, que soa profunda e põe o dedo la na ferida e cria o momento chave. De uma riqueza impecável na sua composição, é um petardo dentro do disco que foi repetida várias vezes por este ouvinte, e que andamento hein. Linda!

Até aqui tudo ok e bonito, mas a partir deste ponto que as coisas começam a se desencontrar de certo modo. “Keen to a Fault” começa tranquila e é uma faixa que parece sair diretamente de algum dos discos citados no começo deste texto. Talvez pelo impacto da faixa anterior sobre mim, esta acaba passando de uma forma bem morna, sem muitos atrativos. “Fur” é um breve interlúdio musical, e então a faixa título “Panther” surge, causando certa curiosidade em sua forma vocal, pois é entoada quase como um rap, e Daniel parece se divertir bastante ao fazer isso. Aqui a sonoridade busca o disco “Scarsick“, mas com um “toquezinho” a mais de maturidade e não é que a coisa flui muito bem?! O tom espontâneo da faixa é muito bem vindo e gostoso de se ouvir. 

Species” é legalzinha, com bons toques no refrão e uma sequencia mais cadenciada nos versos, mas sem muitas mudanças no seu caminhar, sendo outra que soa bastante morna. Encerrando, “Icon“, uma faixa de 13 minutos e que passeia entre momentos mais calmos e outros mais densos, porém, apesar de uma faixa extremamente bem composta, ela não consegue alcançar o feito de ser tão marcante como o encerramento do disco anterior, fazendo somente um bom trabalho e fazendo questionar se realmente precisava dessa duração. 

Panther” não é nem de longe um disco ruim, obviamente esperar isso do Pain of Salvation é como pedir pra cachorro miar, porém, a banda também não apresenta o seu melhor resultado final em um registro, onde talvez tenha havido alguma exaltação além ao tratarem de falar sobre o produto e faltado algum tempero que desse um gostinho mais saboroso no degustar., a sua segunda metade peca em não manter o crescendo que os disco da banda costumam ter no seu todo. Sabemos que podem entregar mais. Mas ainda assim, a conferia é muito válida e talvez até soe melhor para outros, sendo no mínimo, algo bom. 

NOTA: 7/10

FORMAÇÃO:

Daniel Gildenlöw – vocais, guitarra e outros
Johan Hallgren – guitarra e vocal
Léo Margarit – bateria e vocal
Daniel Karlsson – teclado, guitarra e vocal

“Panther” track listing:

01. Accelerator
02. Unfuture
03. Restless Boy
04. Wait
05. Keen To A Fault
06. Fur

07. Panther
08. Species
09. Icon

Avatar
Últimos posts por Marcio Machado (exibir todos)
Avatar

Marcio Machado

Estudante de História pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), mas com o pé no jornalismo musical, desde os 12 anos se arriscava à escrever sobre o que ouvia em cadernos, se enveredando pela escrita jornalistica do Metal desde 2016 com o Whiplash, tendo de lá para cá, 80Minutos, Headbangers News, Gaveta de Bagunças, Headbangers Brasil e recentemente o Imprensa do Rock, como casas para seus textos e chatices. Tem como bandas de cabeceira Korn, Alice in Chains e Pantera, mas fã de muita coisa dos anos 90, a melhor década.