OPETH em grande estilo encanta os paulistanos

A noite deste domingo foi completamente especial em São Paulo, mais precisamente no Carioca Club, já que pela quarta vez na história (2009, 2012, 2015 e 2017), o OPETH tocou por aqui na continuação da aclamada turnê de seu novo álbum “Sorceress”, lançado no ano passado.

Com muita pontualidade Martin Mendez puxou o carro para a entrada da banda em um Carioca Club completamente lotado, e sobre um calor que parecia uma sauna, fato esse que fez o público clamar por água e cerveja, sem pestanejar.

No entanto, isso virou secundário quando a banda começou o show executando a faixa título do álbum “Sorceress”, mostrando o novo rumo tomado por Mikael Åkerfeldt e companhia, seguindo uma linha progressiva e psicodélica, agradando todo mundo que cantava junto cada palavra da música.

Quem esperava que a banda deixaria de lado o death metal do passado ficou engando, porque logo em seguida veio uma pedrada: “Ghost of Perdition” foi o que precisava para todos irem ao delírio. Apesar do gutural de Mikael não estar como antes, ele levou sua voz até o limite.

O OPETH voltou em 1998 no terceiro álbum da carreira: “My Arms your Hearse”, para mandar a sombria “Demon of the Fall”, e os saudosistas ficaram emocionados ao final. Depois, outra música do novo disco “The Wilde Flowers”, que contou com a leveza e peso na medida. Logo em seguida veio mais um verdadeiro clássico: “Face of Melinda”, com a sua bela introdução e a quebra sensacional no riff pesado, fazendo o Carioca Club viajar.

“In My Time of Need” foi outra linda canção que fez o os presentes cantarem o refrão para deixar a execução ainda mais emocionante!

A sétima música do setlist foi “The Devil’s Orchard” do álbum “Heritage”, que foi o divisor de águas para esta nova sonoridade do grupo, e o estilo rock progressivo dos 70 é visível, mas as guitarras continuam poderosas em cada riff.

“Cusp of Eternit”, foi mais uma sem os vocais guturais e que deixou o público cada vez mais empolgado e sem perceber o tempo passando. O conflito de guitarras entre Mikael e Fredrik Åkesson ficou fenomenal, do começo ao fim. A emenda fica por conta de “Heir Apparent” do “Watershed”, e novamente vimos como a banda continua tocando as suas músicas do passado com a mesma maestria e poder, algo que poucos conseguem, mas os suecos (e Martin Mendez que é uruguaio) fazem com muita naturalidade.

Faltava alguma música do Parque da Água Negra, digo “Blackwater Park” neste setlist, não mais, porque simplesmente veio “The Drapery Falls” e a sua melodia de hipnotizar a todos presentes em seus 10 minutos.

Antes de sair e voltar para o bis, o OPETH, como virou costume nesta turnê pediu ao público algumas músicas para eles tocarem uns trechos. A primeira foi “Will O the Wisp”, e o seu som que lembra muito o JETHRO TULL, e uma bela parte da pesada “Master ‘s of Apprentices”. O coro de fãs clamou por “Lotus Eater”, mas não foi atendido, e a banda saiu rapidamente do palco.

No bis não poderia ser outra: “Deliverance”! E como voou os seus 13 minutos de porradaria e leveza para fechar o show com aquela chave que somente o OPETH sabe!

Infelizmente tudo acabou e agora é torcer para que o retorno seja o quanto antes!

Setlist:

1. Sorceress
2. Ghost of Perdition
3. Demon of the Fall
4. The Wilde Flowers
5. Face of Melinda
6. In My Time of Need
7. The Devil’s Orchard
8. Cusp of Eternity
9. Heir Apparent
10. The Drapery Falls (Preceeded by parts of Will o the Wisp and Master’s Apprentices requested by the audience)

Encore:

11. Deliverance

Line-up:
Mikael Åkerfeldt – Voz/guitarra
Fredrik Åkesson – guitarra
Martin Mendez – baixo
Martin Axenrot – bateria
Joakim Svalberg – teclado

Texto: Alessandro Rossi

Revisão: Paula Alecio