O Terno só faz golaço e toca como se estivesse em casa no @Lollapalooza – São Paulo/SP (24/03/2018)

 

(Foto: Fabio Tito/G1)

A primeira impressão é de que O TERNO é uma banda muito mala.

Entram fantasiados, vestem macacões vermelhos, os metais ao fundo vestem macacões rosa, no telão uma cor só, amarelo estralando de amarelo.

A surpresa boa é queO TERNO chama uma galera pro show, a maior banda brasileira desta edição no Lollapalooza 2018, a que conseguiu tocar no horário mais tarde, às 16h10.

“O que a gente quer é gostar de alguém”

Querem gostar do TERNO? Claro que querem, já gostamos. O TERNO mostrou já nos três primeiros minutos que merece estar onde está, e talvez mereça mais. Toquem de noite. É o tipo de banda que tem capacidade musical e experiência pra tocar no horário que quiser.

Toda aquela sensação de “será que vão tocar bem ou vão ficar fazendo pose?” que eu tinha no início do show foi dissipada pela capacidade musical dos caras e pelo carisma de Tim Bernardes.

“Ai ai, como eu me iludo, dessa vez eu viajei”

Tim fala com o público, fala que já tocou no Lollapalooza outras vezes, diz que é uma banda de São Paulo, convida a plateia a ouvir as músicas na internet, a ampliar os horizontes, valorizem a música brasileira.

O TERNO é um power trio de rock and roll formado em 2013 por Tim Bernardes (Guitarra e Voz), Guilherme d’Almeida (Baixo) e Biel Basile (Bateria). O conjunto já possui três álbuns de estúdio e um EP.

“Como é que eu nunca aprendi, a não gostar das bandas tão rápido assim?”

Não demora pra gostar do TERNO não, ouve Tim Bernardes, ouve O TERNO, tudo junto, vem pra mais um show, que vale, vale muito. Muita gente cantando ao mesmo tempo, sabem as letras complicadas de cor, cantam em coro, um clima muito bom entre o público e banda, natural.

Nossa parece que o cara tá na casa dele”, ouvi um cara do meu lado dizer.

Pois é, esse aí é O TERNO, banda brasileira que tá fazendo um barulho por todo o Brasil, é só começar a reparar.

As letras são complicadas, rápidas, inteligentes, é difícil acompanhar, bateria calminha e sempre com subidas muito boas acompanhando a voz, o ritmo da voz acompanhado pelo sax e assim eles fazem uma sonzera diferenciada.  

O TERNO tem um estilo de montanha russa, sobe e desce, a batera vai lá pro alto, puxando forte, tocam rápido pra cacete e logo na sequência caem, cessam tudo do nada, deixando apenas a voz de Tim e mudando todo o andamento. O que Tim Bernardes tá pensando cantando assim baixinho pra um monte de gente? Singulares.

Puxaram uma Tuba, que delícia. Trombones, trompetes e uma tuba.

É o Doug nos trombones.

O TERNO tá em casa mesmo, pediram uns momentos pra afinar, jogaram a real

“Vamos afinar aqui rapidinho pra tocar da melhor forma pra vocês, beleza? Enquanto a gente afina aqui, vocês vão afinando por aí.”

Tim ressalta novamente pra galera procurar O TERNO na internet, ele tá certissimo, tem que divulgar o trabalho pra todo mundo. Diz que é de São Paulo, pergunta quem do público que mora na cidade, uma galera responde, mas não é a maioria.

Maioria 1, São Paulo 0.

São Paulo tá perdendo até no show do TERNO.

(Foto: Fabio Tito/G1)

O TERNO só faz gol, em todas as músicas, só golaço, não sentem culpa por tocarem tão bem e dizerem coisas tão complicadas, todo mundo sente culpa, todo mundo valoriza coisas de 1966 em vez de olhar pra bandas que estão atualmente na estrada.

É tão difícil valorizar o novo.

Então não sei o que eu devo fazer
Pois se eu não posso inovar
Eu vou cantar o que já foi e vão dizer que é nostalgia
E que esse tempo já passou e eu tô por fora do que é novo
Mas se é novo falam mal”

Corre pra internet e procura pelo TERNO em vez de algo lá de 66.

Ao final do show, parecia uma interrupção da produção do evento. Manja quando interrompem bandas nacionais no meio do show? Então, interromperam O TERNO pra dar um aviso sonoro, a banda parou de tocar, quase um vexame de proporções patéticas. Típico de festivais internacionais.

Planejado. Mandaram muito. Tim sorri. A voz da produção era gravada pela própria banda e teve um efeito oportuno pra chamar a atenção do público na última música.

Temos aqui O TERNO transformando o que poderia ser um grande vexame, em humor e inteligência. 

Set List

  • A História Mais Velha do Mundo
  • Não Espero Mais
  • Deixa Fugir
  • Lua Cheia
  • Eu Confesso
  • Depois Que a Dor Passar
  • O Orgulho e o Perdão
  • Bote Ao Contrário
  • O Cinza
  • Volta
  • Culpa
  • Ai, Ai, Como Eu Me Iludo
  • Melhor do Que Parece
  • 66
Foto: Victor Pollini

 

(Foto: Fabio Tito/G1)