O punk rock feminista de Maluria revelado em No Estúdio com Leo Leomil

Maluria no Estudio com Leo Leomil
                                Leo Leomil e Maluria por Lucio Telles

 

O jornalista e apresentador Leo Leomil divulga hoje (05) o primeiro episódio de No Estúdio com Leo Leomil, transmitido pelo Youtube e disponível nas plataformas de streaming. O projeto, financiado pelo programa de incentivo à cultura PROAC Direto do Governo de São Paulo, apresentará cinco artistas da cena autoral, e marca sua estreia com o power trio Maluria (SP). Ouça aqui.

 

Assista o episódio completo:

Além de um bate-papo sobre planos de carreira, conceito das músicas, letras e métodos de composição, os artistas se apresentam no formato ao vivo, gravado no Estúdio Loop, em São Paulo. Para ampliar a acessibilidade do conteúdo, todas as apresentações terão as canções traduzidas pelo intérprete de libras, Ricardo Ferreira Santos. 

 

Maluria

A banda escolhida para dar o pontapé inicial no programa é a Maluria, composta por Carol Cagnini (bateria/voz), Bianca Santos (guitarra/voz) e Moni Oliveira (baixo/voz), todas residentes da Grande São Paulo. O power trio transcende suas ideias e posicionamentos políticos e cotidianos por meio de manifestos reivindicando por representatividade não só nos palcos, mas em todas as frentes. “Todos os artistas têm alguma particularidade. A Maluria é uma banda de rock com pegada punk que traz o feminismo para um universo machista. Um trio que canta letras fortes e refrões com frases que grudam na cabeça”, comenta Leo.

Bia Santos

                                                    Bia Santos da banda Maluria por Lucio Telles 

 

Durante o episódio, o grupo apresenta suas canções, sendo três inéditas, integrantes do EP de estreia, com lançamento previsto para Setembro, além da faixa debutante do grupo, Francamente, divulgada em 2020. A cada música, Leo faz perguntas cirúrgicas que convidam a audiência a embarcar no universo da banda, e debater pautas raciais, questões de gênero, e injustiças sociais, temas massivamente presentes nas letras do trio.

 

Com uma bandeira LGBTQIAN+ de fundo, a Maluria mostra a nova cara da cena autoral do rock, trazendo o peso do punk com tempero hardcore, sem deixar elementos de músicas populares do Brasil de fora.

 

Faixa a faixa

 

Júri Popular abre a session revelando o inconformismo que critica a falta de liberdade que mulheres encaram na sociedade, em uma linguagem irônica. “Não importa se ela se cuida demais, se ela se cuida de menos, se ama demais, se ama de menos, se trabalha ou não, se estuda ou não, se tem filhos, se não os têm, o julgamento é certo e muitas das vezes de pessoas próximas”.

 

“Nunca foi por Deus, Nunca foi pela família” é uma das frases da Documento Sem Nome, segunda faixa que expõe o regime militar praticado durante o período mais sombrio do país. Uma cozinha bem entrosada, acompanhada de potentes riffs, frases e solos de guitarras, dão vozes ao manifesto incitado pela banda. “O ato de lutar por um país livre transformava cidadãos comuns em inimigos do estado. Muitos perderam a vida por não se calarem diante da barbárie. E atualmente, sob ameaças de um novo golpe, em pleno 2022 lembranças sobre 64 parecem muito atuais”.

 

Desbocada, assim como as faixas anteriores, estarão no EP de estreia da banda, com divulgação prevista para Setembro. “Essa letra é uma crítica ao comportamento que a sociedade espera das mulheres, que sejam ‘belas, recatadas e do-lar’, que falem baixinho e que não se expressem, pois assim elas serão respeitadas. Desbocada expõe o dia a dia de muitas mulheres que são culpabilizadas pelas atitudes, normalmente, masculinas”.

 

Fechando a apresentação, Francamente é o single que marcou a estreia da banda e denuncia o racismo no país. “Neste som, lembramos Marielle Franco, Carlos Marighella, Zumbi dos Palmares e citamos o jovem de 19 anos assassinado por asfixia em um mercado da região nobre do RJ. Desde que esta música foi lançada, tantos outros casos aconteceram com um alvo em comum: jovens, negros, periféricos”.

 

Sobre Leo Leomil

 

Formado em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo pela ECA-USP, o jornalista fundou seu canal no YouTube em 2014, inicialmente produzindo episódios gravados de casa, em que ele mesmo ensinava a tocar bateria, complementado com conteúdos sobre bandas que gostava. Conforme a audiência foi se multiplicando, uma inquietação com o molde do programa tomou conta de Leo: “Achava esse formato vlogger bobo. Também nunca quis ser um professor de internet. Desde o começo queria fazer jornalismo musical, mas achava que ninguém gostaria de dar entrevista para um canal novo. Engano meu. Desde o primeiro ano, os músicos me davam entrevista. O primeiro foi Iggor Cavalera, pela internet, no esquema skype, hoje tão popular, por causa da pandemia”.

 

Após dois anos, o canal transformou seu conteúdo em vídeos com músicos brasileiros revelando seus equipamentos para um Leonardo curioso que, por sua vez, mergulha profundamente no universo de cada artista. O canal soma pouco mais de 105 mil inscritos, 500 vídeos que juntos ultrapassam a marca de 10 milhões de visualizações, colecionando convidados de variadas vertentes musicais. Fresno, Far From Alaska, CPM 22, Raimundos e Dead Fish são alguns dos artistas que já passaram pelo projeto.

 

Em 2019 Leo estreou no mundo dos podcasts com o  Música em Debate, exibido durante dois anos, com mais de 40 episódios de entrevistas com músicos e profissionais do music business sobre o mercado musical brasileiro e no mundo. E agora, em 2022, ele realiza a continuação de todo o trabalho performado envolto de um jornalismo musical apurado, que revela a cena autoral brasileira por quem entende e é apaixonado pelo assunto. “O projeto No Estúdio com Leo Leomil tem como principal objetivo se tornar uma referência da música brasileira, para quem procura novos artistas e tendências. A ideia é publicar novas temporadas em 2023, com apoio de leis de incentivo ou patrocinadores”, finaliza Leo.

 

FICHA TÉCNICA

 

Albuquerque Filmes (captação de imagens)

Rafa Batista – Diretor 

Felipe schmidt – Diretor de fotografia 

Diego Peninga – op de câmera 

Alice Sesoko – op de câmera

Nicole Riotto – assistente 

Isabella Tagawa – assistente

Leomi Batista – motorista 

 

Loop Estúdio (captação de áudio)

Hélio Pisca – técnico de som

Alessandro Pipa – assistente

 

Mixagem e Masterização

Guto Passos

 

Edição

Fábio Burnier – imagens e finalização

 

Produção

Amanda Desmonts

 

Fotógrafo

Lucio Telles

 

Tradução libras

Ricardo Ferreira Santos

 

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