Mulheres na Música #2: Nina Simone – A Alma na Música

Provavelmente você já viu este rosto no Netflix, mas, se não assistiu ao documentário, não imagina o quanto esta mulher foi importante para a música.

Eunice Kathleen Waymon nasceu em 21 de fevereiro de 1933 em Tyron, Carolina do Norte. Desde muito pequena revelou um dom nato para música. Seu primeiro concerto ocorreu quando tinha 12 anos em um recital de música clássica, seus pais estavam sentados na primeira fileira para ver sua pequena se apresentar, mas, por serem afro-descendentes, foram forçados a se levantar e sentar nas últimas fileiras. Com 17 anos tenta entrar em um conservatório de música clássica – Curtis Institute of Music – , mesmo com sua voz inigualável foi rejeitada – por ser negra.

Por: Mônica Dias

Nada disso a fez desistir dos seus sonhos, muito pelo contrário, estes fatos a fizeram ir em busca de algo muito maior. Queria um mundo melhor a todo custo, e sabia muito bem por onde começar. Tinha consciência de que ser negra e mulher a generificava como menor e queria mudar isso. Não apenas por ela, por todos.

Sai da Carolina do Norte e vai para Nova York estudar na Juilliard School.

Com 21 anos adota nome artístico e passa a se apresentar como Nina Simone para poder cantar sem que seus pais soubessem. Nos bares em que tocava conseguiu conquistar um público pequeno, mas fiel, graças a suas misturas de música clássica, jazz e blues.

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Nina lança a música “Little Girl Blue”, que vira sucesso imediato. Durante maior parte de sua carreira cantou música popular apenas para ganhar dinheiro, pois precisava pagar seus estudos. Isso muda em 1964 quando começa a ativar por direitos de igualdade através da música com a canção “Mississippi Goddamn”, que foi boicotada por grande parte do sul dos Estados Unidos na época. Os Estados Unidos passava por uma de suas maiores revoluções civis de sua história, Nina fez parte desta luta pelos direitos civis. Em 1968 canta a música “Why?” em homenagem a Martin Luther King – que tinha acabado de ser assassinado – levando multidões às lágrimas.

Com uma voz profunda e, antes de mais nada, sincera, Nina cantava com o coração. De uma maneira quase que mágica sua voz consegue tocar e transportar a alma de quem a ouve para diferentes cenários vividos por ela.

Nina se calou em 2003, mas deixou um legado inquestionável.

Pensando na música como um contexto social que caracteriza cada época, Nina Simone não foi apenas uma voz talentosa, ela ativou por milhões de vozes caladas de sua geração. O mundo está longe de se livrar de todos os seus preconceitos, temos muito o que evoluir, mas Nina fez parte de uma evolução que vemos o reflexo até hoje.

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